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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A Valsa Lenta das Tartarugas de Katherine Pancol

Por entre os olhos amarelos dos crocodilos, cresceu a fome pela literatura de Katherine Pancol e através de uma valsa lenta, tão lenta, como a das tartarugas, esperei que esse livro caminhasse até mim, pelos caminhos das requisições da bibliotecas públicas!


A valsa lenta, deliciosa e até charmosa da família Cortês, mais precisamente as peripécias de nossa escritora fantasma, revelam-se agora mais expostas e mais integradas na movida parisiense, mas sempre sem dar muito nas vistas, já que a mãe, escritora, irmã e mulher ... é um misto de sensibilidade com mistério que enreda muito bem todas as histórias que se vão passando.


Quem sabe esta valsa é mais um tango, ou um pasodoble já que a traição, a mentira, a hesitação, a intensidade é  outra, quem sabe esta é uma dança ao género de um policial que se espalha ao longo de um romance, esse sim, lento como uma tartaruga, o romance que a nossa protagonista vive com o cunhado e que é sem dúvida arrebatador e consumado entre um peru de natal e um fogão escaldante!!! ;) Para mim, a melhor parte de todo o livro, especialmente pela forma teatralizada com que a autora nos consegue fazer vivenciar a sua própria fantasia e conto de fadas.


Concordo completamente com a sinopse do livro quando nos diz que, obstinadamente estas personagens avançam a passos lentos, num mundo rápido e acelerado, que não nos vê, ouve ou sente, mas no qual, persistimos e lutamos para vingar com sucesso em todas as áreas da nossa vida, tal qual uma Josephine, uma Íris ou até mesmo um Luca. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Money de Martin Amis, da Teorema

Dono de um olhar provocante e misterioso, Martin Amis escreve de uma forma ainda mais provocante e atribulada, especialmente para a época em que foi escrito Money (1982).

Como já referi o livro foi escrito em 1982, mas podia perfeitamente ser um diário de um actual industrial do dinheiro, movido pelas perversões demoníacas de quem o possuí em excesso (na opinião do personagem John Self nenhum dinheiro está a mais), e realmente de excessos vive este personagem, facilmente alucinado com álcool, putas e dinheiro e claro sem esquecer a droga e a droga de vida que leva.

A história negra e depressiva da vida de John Self é, com certeza, uma metáfora muito bem conseguida, que retrata toda uma sociedade que cria dinheiro a partir do dinheiro e que se rege pelas regras deste, não aprofundando relações, confiança, amor ou qualquer outro sentimento.

Aqui toda a gente tem um preço, aqui o dinheiro fede e é pestilento, aqui o amor é sinónimo de sexo e pornografia, mulher é sinónimo de objecto que se compra e troca, bem como qualquer outra pessoa que se interesse por dinheiro e tenha ou queira mais dinheiro.

Não sei se devemos sempre associar dinheiro a crime, corrupção, mentiras, falsos amigos e superegos, mas a verdade é que este livro os relaciona entre si e com tudo o que é doentio, imaginário, alucinante e viciante.

Enfim, Money, dinheiro, cheta, pilim, papel... é um abismo de sinónimos, um precipício a que a sociedade moderna nos habituou, apreciarmos e desejamos, querendo mais, mesmo vendo a queda monstruosa que essas escolhas nos trarão.

Quero ainda acrescentar que ao fim de... quem sabe 150/200 páginas habituamo-nos à linguagem e à vertiginosa e caricata forma de escrever de Martin Amis.

A propósito da sua escrita, existem dissertações ou quem sabe alucinações, muito bem esgalhadas:

"O medo caminha de cabeça erguida neste planeta. O medo quer, pode e manda, próspero e eminente. O medo tem-nos a todos presos por um fio aqui em baixo." - é sem dúvida um resumo do muito que se teme actualmente, em muitas das áreas da nossa sociedade.

É loucura e impensável, cobrir toda a escrita deste autor, mas dei por mim a divagar em muitas das suas ideias, apresentadas assim, como que, quentes e loucas, ritmadas e tão transparentes que nos chegam a assustar.

Outra frase com a qual, tenho dias, me identifico plenamente é: "A minha cabeça é uma cidade, e há várias dores que para lá foram morar." - é simplesmente brilhante!

"Eu tenho uma teoria acerca das punhetas. Acontece que preciso de contacto humano. Como não há aqui nenhum ser humano, tenho de ser eu a fornecê-lo. Pelo menos não tenho que pagá-las, são gratuitas, não exigem compromisso financeiro."

Só para finalizar: "Muito mal se diz da vida, mas é raro ouvir-se uma palavra de censura ao dinheiro. O dinheiro, isso sim é que é uma merda boa."

Enquanto Salazar dormia, de Domingos Amaral, Edição de bolso na colecção Bis da Leya

"Que monumento... Abençoadas entranhas que a criaram."
O comentário é sobre uma mulher, mas bem que podia ser sobre Lisboa.

Ao ler este romance é impossível não fantasiar com uma Lisboa misteriosa, recheada de espiões e jogos políticos, em tempos estratégicos de uma política ditatorial e de amistosas relações ora com Inglaterra ora com a Alemanha .

"No final da guerra, em 1945, eu já era um especialista em mistificação, boatos negros, sujar o nome das pessoas com intrigas, mas, em 1941 ainda dava os primeiros passos nessa sinistra arte..."

Domingos Amaral retrata, de forma factual, mas também romanceada, uma Lisboa cosmopolita, ansiosa por novidades, mística e até glamourosa, recheada de intrigas, paixões, luxos e mulheres bonitas, que se passeiam nos sonhos dos nossos protagonistas masculinos.

a propósito de Mary... "Jack, ajuda-me, estou a cair... Abracei-a. Mas, mesmo nos meus braços, continuou a cair. Homem nenhum tinha força para impedir aquela queda."

a propósito de Alice... "Sexualmente famosa, acompanhante de luxo, gananciosa, perigosa: Alice tinha todas as características de uma mulher a evitar."

a propósito de Anika... "... murmurou em alemão: Eu sabia que isto não ia resultar. Azar dela, eu tinha aprendido alemão na escola. Por isso repliquei na sua língua: - Isto o quê? Abriu muito os olhos: - Fala alemão? Sorri, de novo cínico: - Ninguém é perfeito."
Lindo!!!

Um livro com um ritmo apaixonante, pelo menos eu adorei Jack Gil e adorava ver a adaptação para cinema, quem sabe com Sean Penn no papel principal;) Confesso que a ideia do cinema não é minha, mas é sem dúvida uma excelente sugestão pelo Blog Porta Livros de Rui Azeredo.

Assim que apanhar mais alguma obra de Domingos Amaral, não hesitarei em ler e se fosse a vocês faria igual.

Deixo-vos com um frase fascinante: "O mundo é dos que o conquistam. Não dos que sonham."

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"De cada amor tu herdarás só o cinismo" de Arthur Dapieve

"imaginara, também, sem saber por que....o cérebro vive a se auto-sabotar, Adelaide aos chupões com um rapaz negro, suado e forte, sem camisa, espremida num poste."

livro da irmã, lido no trajecto casa-trabalho em 5 dias
resultado final: 5 cantos dobrados, um quantidade infindável de expressão típicas que desconhecia mas fiquei a saber e uma quantidade infinita de pensamentos formulados com sotaque brasileiro.
:)
Livro interessante, fora do meu habitual. Gostei!
Gostei ainda mais de como ele me foi parar às mãos mas isso é outra história. O que me cativou foi mesmo o título
"De cada amor tu herdarás só o cinismo"

e pensando bem, tem muita verdade
quando a vida não corre como queremos, quando os outros não gostam de nós do mesmo modo que gostamos deles, se largamos tudo por algo que achamos ser melhor e no fim ficamos a zeros
é normal que só sobre o cinismo

Quanto ao livro, este fala sobre a vida de Bernardino de Oliveira, quarentão, criativo de sucesso da Manteiga Napoleão III e que teve começou a ver a vida andar para trás no dia em que os seus olhos se cruzaram com os de Adelaide e ela já se encontrava a olhar para ele.
E dai podemos dizer, vem em espiral até ao fundo do poço.

Aborda muita coisa, a diferença de idades, a privação da loucura quando se vive uma vida normal "casado e pai de filhos", o alcool, ali um episódio bem marado com drogas mas acima de tudo, o que me mais interessou, além de uma imagem do Rio por quem lá vive é a autosabotagem que Dino (diminutivo amigavelmente colocado por Adelaide) consegue fazer a si próprio. A autosabotagem de quem está a ficar louco de desejo, de algo mais, de amor, de parvoice.....chamem-lhe o que quiserem.

sábado, 24 de setembro de 2011

Filhos do Abandono, de Torey Hayden, da Presença

Filhos de Abandono não é um livro complexo de ser lido, ou sequer escrito de uma forma muito literária (e nem sei que esta é bem a palavra a empregar). Este livro nem sequer é dono de um enorme enredo, é sim dono de uma frontalidade que fere, que pesa, que nos faz pensar, tanto sobre o efeito das crianças nas famílias, mas acima de tudo dos problemas das famílias, nas suas próprias crianças.

Torey Hayden, foi ou ainda é, não aprofundei a pesquisa, terapeuta em mutismo electivo (um tema do meu interesse e altamente relacionado com autismo), patologia essa que, apesar de complexa, não é nela que reside o peso desta narrativa. No entanto, são as histórias que envolvem e isolam as crianças aqui descritas que corroboram a balança dos nossos sentimentos e povoam, negramente (julgo que acabei de criar um neologismo, mas gosto!), a nossa imaginação - deixando questões inacabadas para respostas ainda menos prováveis, pois a ganância, o orgulho, o abandono, a cultura, a sociedade, o dinheiro... tudo justificam o que se passa com estas crianças, no entanto, serão eles, moldados por estas desculpas, que farão a sociedade do amanhã...
Um trabalho dos terapeutas pode ser uma das soluções, mas será que fará a diferença crucial e mudará, efectivamente, a vida de crianças como estas!?

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fantasmas do Passado, Minette Walters, Presença


Há muito que um livro não me prendia tanto à leitura. Não muito habituada aos policiais, assumo que ao início e, em especial este título, custou bastante a entranhar, mas depois foi francamente muito bom, efectivamente uma agradável surpresa.
As personagens bastante bem delineadas, tornavam-se cada vez mais clara, ao passo que evoluíamos na leitura e nos deixávamos envolver pelas ideias perturbadas, inquisidoras, ambiciosas, dilacerantes ... das várias cabeças e fantasmas de cada um que completa esta história.
As histórias de abusos, de complexos, de loucuras, de assassínios, de pudor, de amor... misturam-se realmente muito bem e forma neste livro um episódio desafiante, perturbador e criminoso, como alguns episódios de qualidade das séries televisivas do género e outras que abordem crimes violentos, crianças, maus tratos e pseudo-detectives mais inteligentes e ousados que os policiais verdadeiros.
Mas, em Fantasmas do Passado a autora faz ainda mais, dá-nos todo um envolvimento realístico e de um suporte documental incrível, que nos faz sentir realmente dentro de toda a investigação. A leitura torna-se assim, ainda mais envolvente e perturbadora, especialmente neste caso pois estão envolvidas vidas de crianças que, sem dúvida, são adultos perturbados e influências para comportamentos negativos.

Foi intensa e viciante a leitura deste policial e pretendo, sem dúvida, ler outros da mesma autora! Espero sugestões, sintam-se à vontade!

Boas leituras

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

As celebridades e os amigos de 4 patas

A vida e as opiniões do cão Maf e da sua amiga Marilyn Monroe

Marilyn Monroe vista e descrita aos olhos do fiel amigo, Maf
Maf, um presente de Frank Sinatra, para alegrar a icon da moda, da beleza, do cinema...
a fantástica Marilyn devastada pelo rompimento com Henry Miller...
a depressão, o desgosto, as vicissitudes de quem é famoso e vê a sua vida badalada a toda a hora
Um cão com uma personalidade astuta, mordaz, altruísta, sarcástica, inteligente e entendido em diversas matérias... sim estamos a falar de um cão, sim um cão que se parece com gente, sente mais do certo gente... e tem preocupações e sentimentos mais nobres e genuínos que muitos humanos...

Um livro especulativo, biográfico, revelador, quase um diário dos últimos tempos da diva, atormentada pelos seus problemas, dependências, infortúnios, lendas e coscuvilhices à volta dela e por sinal, igualmente à volta do seu Maf, abreviatura para Máfia... outra especulação sobre as possíveis participações do próprio Sinatra no mundo obscuro do crime organizado!? Será?
Como podemos nós saber até que ponto as estórias à volta de tais celebridades são ou não verdadeiras!? Bem, o livro ter o autor que tem, Andrew O’Hagan, já seria uma garantia... mas porque será que a maior parte das biografias dos grandes ídolos só são publicadas postumamente!? Não é justo, já não se encontram cá as personagens principais para justificarem, aclararem... ou não, os factos descritos!!!

Até à data não sou muito fã de biografias, suspeito sempre do cunho de tais obras. Se forem muito defensivas da personagem em si, fico com dúvida se tanta exaltação é realmente verdadeira, se forem sempre negativas, fico com a sensação de que são mais do mesmo e que nada há que se possa dizer em defesa de tal pessoa!? Também já tenho pensado que talvez não hajam assim tantas personagens que possam valer as minhas horas de leituras... talvez não seja verdade, mas até agora o que é verdade é que obras biográficas são poucas.

Sabe-se que a história é verídica, desde a existência do cão, à sua origem escocesa, mas discutível e fruto de miscigenação canina... será que é isso que lhe confere tal personalidade!? ;), que foi presente do famoso cantor e galã do qual se suspeitava ligações à máfia e então para badalar ainda mais a história e provocar a impressa, Marylin nomeou o seu fiel amigo com o diminutivo Maf.
Maf esteve durante os últimos dois anos de vida da celebridade, sendo igualmente uma celebridade como ela, levando uma tremenda vida VIP ou será VID - very important dog ;)

Enfim, heis um resultado divertido, com episódios hilariantes entre lojas e restaurantes. Um quase autor-retrato pela pata narrativa de um cão!!!

Espero que gostem.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Manhãs Gloriosas de Diana Peterfreund

Quinta Essência
NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: A ambiciosa produtora televisiva Becky Fuller é despedida de um programa matinal de Nova Jérsia e a sua carreira começa a parecer tão deprimente como a sua vida amorosa.
Desesperadamente necessitada de um emprego, mas ainda assim cheia de um optimismo sem limites, Becky (Rachel McAdams) promete assentar bem os pés na terra e depara com uma oportunidade no Daybreak, um programa matinal que é gravado em Nova Iorque. Os péssimos níveis de audiência são apenas a ponta do icebergue: os produtores executivos raramente sobrevivem ao intervalo publicitário seguinte e as câmaras antiquadas deviam estar num museu.
Prometendo ao director da cadeia televisiva (Jeff Goldblum) que é capaz de reverter a espiral descendente, Becky faz ao lendário apresentador Mike Pomeroy (Harrison Ford) uma oferta que, por contrato, ele não pode recusar. Acrescenta Pomeroy com êxito à equipa, mas ele recusa-se a participar nas reportagens mais lamechas do Daybreak e em rubricas sobre celebridades, meteorologia, moda e artesanato. Além do mais, antipatiza imediatamente com a sua igualmente difícil co-apresentadora, Colleen Peck (Diane Keaton), em tempos vencedora de um concurso de beleza.
A única alegria na carreira de Becky é Adam Bennett (Patrick Wilson), um colega produtor maravilhoso, mas a alucinação de Daybreak vem dificultar o seu incipiente romance. À medida que a química entre Mike e Colleen no ar se torna mais explosiva a cada dia, Becky é forçada a lutar para salvar a sua vida amorosa, a sua reputação, o seu trabalho, e, finalmente, o próprio Daybreak.

Veja aqui o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=s9lWUqraDoU 

A minha opinião: (depois de ter visto o filme)

Quando eu era miúda queria ser jornalista. Eu desejei ser muita coisa, passando por veterinária, hospedeira de bordo ou famosa (não interessava saber em quê).
Sempre achei que seria interessante trabalhar nos bastidores de grandes produções, fosse de publicações ou televisão. Talvez por isso gostasse tanto de ver a Betty Feia ou há já meio século atrás, até fosse extremamente devota da Murphy Brown.
Por esse motivo, este Manhãs Gloriosas despertou tanto interesse em mim. A Becky, mesmo “workaholic” e desprovida de vida social, é uma fatia daquela imagem ideal que sonhava para mim em pequena mas ao saber o que sei hoje percebo que a vida não é assim tão cor-de-rosa como a via em pequena.


Os trabalhos dos nossos sonhos nem sempre estão ao nosso alcance, a nossa dedicação raramente é valorizada e apenas se lutarmos com muito afinco, conseguimos aquilo que queremos.
Ao ler este livro é exactamente isso que vejo, alguém que tem um sonho e mesmo quando cai e tropeça pelas escadas abaixo, não deixa de se levantar com um sorriso e continuar a subir.


Sem dúvida que se querem consumir o livro e o filme, devem-no fazer por esta ordem e não ao contrário (como eu fiz). Deste modo, quando me deparava com os momentos transcritos, à letra, do argumento cinematográfico não precisava de magicar na minha cabeça como seria aquela cena, bastava recordar o que tinha visto no filme alguns dias antes.

Vê esta mesma critica no meu blog :) faz meio século atrás quando vi o filme e li o livro num fria tarde de Março em São Pedro de Moel a beber cházinho

Diário Sexual e Conjugal de Um Casal de Marta Crawford, pela Esfera dos Livros

Marta Crawford tem o dom da simplicidade e de chamar as coisas pelos nomes sem que as mesmas ganhem um sentido vulgar, despreocupado ou diminuído.
Seja o "casal casado", o "casal enamorado", o "casal amante"... heterossexual, bi ou homo... o que interessa é que todos procuram respostas para o dia-a-dia das suas relações e o mais importante é sempre reconhecer que se procuram essas soluções.
Isto poderia facilmente tornar-se no SA - Sexualidades Anónimas (quem sabe um grupo a explorar), mas o que é verdade é que muitos casais frequentam terapia e superam os seus problemas e elevam a outro patamar a sua vida sexual, tornando assim a relação muito mais satisfatória..

Este livro é um relato de pequenos excertos de pensamentos, conversas, troca de ideias... entre os vários personagens, como Joana, Miguel ou o irmão mais novo que é gay, ou a Matilde o Bernardo que quando casados eram como gato e rato e depois do divórcio "levam uma relação colorida"... há também o tipo que tem dificuldade em ser comprometer e então... "come todas". Há claro, no meio de tudo isto, as condicionantes do ambiente que os envolve, os pais, os filhos, as relações familiares e de amizade...

Marta Crawford consegue fazer um misto entre relatos de consultas, explicações quase como se se tratasse de um manual... uma leitura fácil, descomplexada, esclarecedora, mas bastante introspectiva, já que todos temos problemas (... não vale a pena negar).

Uma leitura adequada ao verão;)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

"Os Olhos Amarelos dos Crocodilos" de Katherine Pancol, A Esfera dos Livros

A escrita, a enfabulação e as metáforas utilizadas por Catherine Pancol foram, sem dúvida, uma inspiração, apetece escrever ao ler e reler a escrita desta autora. Utilizando uma excelente combinação de palavras, a história de Josephine, Philippe... Antoine, Hortense ou da pequena Zóe acompanham-nos como se estivessem mesmo ali ao nosso lado, tal como a reserva africana de crocodilos ou as ruas e cafés de Paris.
A frieza e a vaidade de umas mulheres comparada com a delicadeza mascarada de outras, a combinação de diferentes feitios que se completam e protegem é assim a história das irmãs, sejam elas Íris e Josephine ou as penas Hotense e Zóe. As diferenças entre todo o tipo de mulheres, as aventuras e emoções que constituem as suas vidas, se outrora se cruzam, ora se afastam e se voltam a unir, porque na fraqueza de umas se descobre a força e vontade de outras.
Este livro é uma viagem interior, é um passeio pelos sentimentos dos outros, mas que facilmente apelam aos nossos. Uma leve mistura de fantasia (em que tudo pode acontecer, basta acreditarmos) com um relato transparente e apaixonante da dura realidade que nos pode envolver, desde o desdém à falta de dedicação, ou de amor... porque por vezes apenas há um elevado muro de mentiras que nos separa e afasta daqueles que nos devem amar e a quem devemos algo.
Um livro que questiona o amor, a mentira, a união, a família, o materialismo, a força interior, mas acima de tudo questiona o EU?!!!!

Para completar a minha apreciação sobre este livro, gostei essencialmente do que encontrei escrito por ... (Rui) Lagartinho fala de crocodilos...lol... leiam ;)

Fica assim para a minha Wishlist... A Valsa Lenta das Tartarugas já editado neste ano pela Esfera dos Livros e já reservado na Biblioteca do Costume... para ansiosamente seguir a vida da fenomenal Josephine!





Sinopse
A família Cortès está de volta. Joséphine é agora uma escritora de sucesso que deixa os subúrbios para se mudar para um requintado bairro de Paris. Apesar do mundo onde agora vive, mantém-se fiel a si própria e aos seus valores. Honesta, generosa, reservada. É uma mulher realizada, mas que ainda não encontrou o amor. A sua filha Hortense está a estudar moda em Londres e a filha mais nova Zoé começa a conhecer os desafios do coração. A sua irmã Íris, outrora perfeita e símbolo de sucesso, encontra-se agora no meio de uma profunda depressão.  Juntamos a tudo isto um assassino em série, que aterroriza o bairro onde a protagonista vive, e um cão demasiado feio, e temos os ingredientes para mais um bestseller de Katherine Pancol. Um romance divertido e ao mesmo tempo negro, que fala do amor, de ser mãe, da amizade, da vida familiar, da adolescência, do trabalho, do mundo em que vivemos. Com mestria, cuidado e inteligência, ao longo destas páginas, vamos acompanhando o avançar obstinado e lento destas personagens, em busca dos seus sonhos, num mundo demasiado rápido e violento.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

«Tudo o que eu tenho trago comigo» de Herta Müller, Dom Quixote


Tudo o que eu tenho trago comigo. 

Ou: Tudo o que é meu trago em mim.



Talvez estas sejam as frases mais passíveis de resumir este livro. Um livro muito pouco passivo ou sequer histórico ou até biográfico, este livro, destacado pelo Nobel da Literatura 2009, tal como está escrito, transcende a própria história, transcende o homem desprovido de bens, transcende a nossa capacidade de ler sobre tanta miséria, tanta fome, tanta morte, tanta pobreza.


Um livro que não se faz notar pelo peso que tem, mas antes pelo peso de cada palavra, uma a seguir à outra, detalhadamente escolhidas, calculadas, estrategicamente colocadas para nos fazer viajar por tamanha brutalidade, a doença da fome, que se alastra pelo corpo ao mesmo tempo que consome a mente, rendilha as ideias e os sentimentos.

Este livro arrepiou-me tantas vezes que algumas mo fizeram fechar, a dimensão do sofrimento humano é tal, que chega a ser difícil suportar... quem sabe não foi isso que em muitas noites me tirou o sono. Fiquei com muita curiosidade por outras obras da autora, se bem que houve partes em que desejei já ter terminado o livro, a carga emocional é demasiado grande.



"A Irma Pfeifer jazia no meio, de cara voltada para baixo. A argamassa fazia bolhas (...)A cabeça afundou-se e o barrete flutuou lentamente até ao bordo, como pomba emproada. Com as mordidelas dos piolhos em crosta, a nuca rapada (...) a Irma Pfeifer desceu à terra provavelmente vestida e os mortos não precisam de roupa, quando há vivos a morrer de frio.
Achar pode achar-se muita coisa. Saber é que não."


A frieza das palavras, a rapidez com que as coisas acontecem, os pensamentos duros, nus, crus, cozinhados apenas na dor causada pela fome, são para mim atordoantes, de chegar a dar medo.

"O anjo da fome deita um olhar à sua balança e diz: "Ainda não estás suficientemente leve..."
E com rapidez, de lábio empinado, comi então todas as cascas de batata enregeladas.
E chega a noite. (...) E todos sobem para a fome...
(...)
Quando a fome aperta mais, falamos da infância e de comida. (...) Umas vezes é o pato recheado à evangélica, outras, o recheado à católica." 




Volker Weidermann refere que esta é uma obra que se alimenta do horror, eu acrescentaria que se alimenta antes do poder de gerar horror, numa tal dimensão que nos deixa alerta para o respeito e a humildade com que devemos olhar à história e retirar dela todas as lições que o futuro nos pede. Sei que pode parecer filosófico, mas a guerra é o horror daquilo que uns são capazes de fazer contra os outros, por necessidade, por defesa, por obrigação. A verdade é que a guerra é um complexo de horrores, de mortes, de atrocidades que marca toda uma história mundial.

Já quase no final do livro, no capítulo "a gente vive, vive só uma vez", as primeiras palavras são curtas, concisas e arrepiantes - "a alimentação do corpo permanece até hoje um mistério para mim."


"A minha radical prática de abandono. Preciso muito de proximidade, mas sou incapaz de me entregar. (...) Desde o anjo da fome, não permito que ninguém me tenha."


TAMBÉM LÁ ESTIVE (...) EU FIQUEI LÁ (...) DE LÁ NÃO CONSIGO SAIR



Apaixonei-me... Rébecca Dautremer "O livro que voa" de Pierre Laury

A combinação é perfeita... a escrita simples e mágica de Pierre Laury e a ilustração sonhadora e apaixonante de Rébecca Dautremer em o "Livro que voa", da Editora Educação Nacional, ganho com muito prazer no passatempo do D'Magia ;)

  
Pautado pela música, pela ventania, pela vontade de ser livre, este livro só queria voar e dar asas às suas letras... à sua própria imaginação.
Esta é a história de um livro que se faz amigo de pequenos pássaros, é a história encarnada de Ícaro e das suas asas quase tão verdadeiras como as dos pássaros, mostrando que a vontade de voar reside em nós, na nossa força...
Voar é levar as letras a outras paragens, fazer com elas novas palavras, novas histórias, é criar e deixar que cada um de nós possa imaginar... Tal como estas divagações que hoje aqui faço, fugindo assim à história deste livro sonhador.

Desejo-vos muitos voos por essa vida fora.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

MEDO, Jeff Abbott



Não sei se o MEDO, será o caminho para o PÂNICO, ou sequer que passarei a CONFIAR EM MIM, só sei que estou em rota de COLISÃO ... era uma frase digna de um passatempo, é também um resumo, uma única frase, que para alguns poderá não fazer sentido, mas para quem lê Jeff Abbott fará de todo, sentido!

A sua escrita é simples, mas a trama complicada, as personagens são fáceis de entender, mas têm dramas muito confusos, vêm coisas que mais ninguém vê, sentem medos que os afastam, mas que os tornam iguais...
Um drama psicológico, sem carga emocional, mas carregado de histórias que apelam ao sentimento - é esta a forma como vejo o primeiro livro que li de Jeff Abbott - Medo.

Medo, revela-nos a história de Miles, Celeste, Nathan, Allison, a visão de Andy...e Groote, bem como de algumas outras personagens, todas elas lutando pelas suas próprias necessidades, que apesar de os tornar diferentes, torna-os perseguidores do mesmo mal, uma cura, um medicamento, ou quem sabe apenas de ser descobrirem e saberem quem são. Neste jogo psicológico e arriscado, as interpretações podem ser diversas.