Filhos de Abandono não é um livro complexo de ser lido, ou sequer escrito de uma forma muito literária (e nem sei que esta é bem a palavra a empregar). Este livro nem sequer é dono de um enorme enredo, é sim dono de uma frontalidade que fere, que pesa, que nos faz pensar, tanto sobre o efeito das crianças nas famílias, mas acima de tudo dos problemas das famílias, nas suas próprias crianças.
Torey Hayden, foi ou ainda é, não aprofundei a pesquisa, terapeuta em mutismo electivo (um tema do meu interesse e altamente relacionado com autismo), patologia essa que, apesar de complexa, não é nela que reside o peso desta narrativa. No entanto, são as histórias que envolvem e isolam as crianças aqui descritas que corroboram a balança dos nossos sentimentos e povoam, negramente (julgo que acabei de criar um neologismo, mas gosto!), a nossa imaginação - deixando questões inacabadas para respostas ainda menos prováveis, pois a ganância, o orgulho, o abandono, a cultura, a sociedade, o dinheiro... tudo justificam o que se passa com estas crianças, no entanto, serão eles, moldados por estas desculpas, que farão a sociedade do amanhã...
Um trabalho dos terapeutas pode ser uma das soluções, mas será que fará a diferença crucial e mudará, efectivamente, a vida de crianças como estas!?
A leitura é uma viagem por palavras nacionais, estrangeiras, umas cultas, outras menos... umas quem sabe rebuscadas e outras simplificadas, algumas levam-nos às lágrimas, muitas delas às gargalhadas e as melhores, aquelas que nos deixam abismadas, tamanha é a profundeza da ideia, da genuinidade expositiva, onde a simples contemplação daquele texto nos deixa assim, sem palavras! É este o Efeitos dos Livros!
sábado, 24 de setembro de 2011
Filhos do Abandono, de Torey Hayden, da Presença
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