quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Enquanto Salazar dormia, de Domingos Amaral, Edição de bolso na colecção Bis da Leya

"Que monumento... Abençoadas entranhas que a criaram."
O comentário é sobre uma mulher, mas bem que podia ser sobre Lisboa.

Ao ler este romance é impossível não fantasiar com uma Lisboa misteriosa, recheada de espiões e jogos políticos, em tempos estratégicos de uma política ditatorial e de amistosas relações ora com Inglaterra ora com a Alemanha .

"No final da guerra, em 1945, eu já era um especialista em mistificação, boatos negros, sujar o nome das pessoas com intrigas, mas, em 1941 ainda dava os primeiros passos nessa sinistra arte..."

Domingos Amaral retrata, de forma factual, mas também romanceada, uma Lisboa cosmopolita, ansiosa por novidades, mística e até glamourosa, recheada de intrigas, paixões, luxos e mulheres bonitas, que se passeiam nos sonhos dos nossos protagonistas masculinos.

a propósito de Mary... "Jack, ajuda-me, estou a cair... Abracei-a. Mas, mesmo nos meus braços, continuou a cair. Homem nenhum tinha força para impedir aquela queda."

a propósito de Alice... "Sexualmente famosa, acompanhante de luxo, gananciosa, perigosa: Alice tinha todas as características de uma mulher a evitar."

a propósito de Anika... "... murmurou em alemão: Eu sabia que isto não ia resultar. Azar dela, eu tinha aprendido alemão na escola. Por isso repliquei na sua língua: - Isto o quê? Abriu muito os olhos: - Fala alemão? Sorri, de novo cínico: - Ninguém é perfeito."
Lindo!!!

Um livro com um ritmo apaixonante, pelo menos eu adorei Jack Gil e adorava ver a adaptação para cinema, quem sabe com Sean Penn no papel principal;) Confesso que a ideia do cinema não é minha, mas é sem dúvida uma excelente sugestão pelo Blog Porta Livros de Rui Azeredo.

Assim que apanhar mais alguma obra de Domingos Amaral, não hesitarei em ler e se fosse a vocês faria igual.

Deixo-vos com um frase fascinante: "O mundo é dos que o conquistam. Não dos que sonham."

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