terça-feira, 11 de dezembro de 2012

GUERRA DOS SEXOS

Comer, Orar, Amar ... versus... Beber, Jogar, F*der


Imagine uma mulher à beira de uma ataque de nervos, juntamente com uma depressão profunda e uma resistência aguda a receber ajuda...
Agora imagine um gajo de meia idade zangado, recheado de sentimentos de traição e um o peso de uma bela armação... se é que me entendem!?

Ela tem a noção de que tem tudo, mas sente-se sem nada, não lhe basta o marido perfeito, a casa cinco estrelas ou sequer a ideia de filhos e uma vida tipicamente banal.
Ele tem a noção de que toda a vida conjunta que teve foi em prol do bem estar da ex-mulher e que fez de tudo, certinho e direitinho, para que a vida deles fosse sempre perfeita.

Liz com um enorme sentimento de culpa e sem saber quando e como meter fim ao seu casamento, retrai-se e diminuiu-se, procurando respostas em Deus ou num guru ou nos fármacos... ou o que fosse que a fizesse mudar de vida.
Bob marido fiel e dedicado, suportava as desculpas típicas da mulher, aguentava a falta de sexo e os caprichos, achando que havia defeitos, mas que as coisas se haviam de endireitar.

Liz decide-se e pede o divórcio! O marido paga-lhe com um ano de doloroso processo judicial, sugando-lhe parte da sua fortuna. Quem sabe se David é o motivo para tanto azedume!?

Bob é apanhado de surpresa com os papeis do divórcio já prontos, seguido instantaneamente de "... vou viver com o David...", vendo ainda as suas contas a diminuírem como a sua auto-estima.

Fã de gurus, yôga, crenças, religião, viagens e Ketut Liyer... Liz propõe um novo livro à sua editora, um livro de memórias, um quase diário de um ano de viagem pelos 3 "I" - Itália, Índia e Indonésia.

Bob, resgatando o que ainda conseguiu do seu dinheiro, decide radicalmente largar o trabalho e curtir um ano de pura farra desde Dublin a Las Vegas, até chegar ao paraíso do sexo na Tailândia.

... Poderíamos continuar a expor as coincidências entre ambos os livros, chegando quase ao ponto de arriscar que o ex-marido de Liz, fora Bob e o amante David o motivo das quezílias matrimoniais... que a mulher meio aluada e viciada em gurus que Bob tinha, é a mesma Liz que fica fascinada por ter uma guru que lhe permite ir para o seu ashram na índia durante quatro meses... a fazer o quê? meditar às 3h da manhã e esfregar chão em máximo silêncio...
No entanto, temos um homem divorciado, que em jeito de vingança, parte à aventura por um ano em pura farra, bebedeiras e mais bebedeiras ao longo de quatro meses, enquanto ela se vinga comendo todos os prazeres gastronómicos italianos - será que as pessoas casadas não alimentam o corpo nem a alma!? Porque será que a primeira ideia de ambos se resume aos prazeres "da boca"?!?! 
Terão as mulheres um efeito castrador nas bebedeiras dos homens?
Terão os homens um olhar acusador quando questionam o prato da sua amada?

Nesta fase de ambas as histórias, a diversão, a risota, as aventuras entre overdoses de massa ou de álcool, conforme os casos, fizeram-nos desejar partir a tais aventuras. O caracol literário refere com moderação, já que quatro meses a beber requer algum esforço e treino e a vida de casado a tal não permite, mas já eu... vivia bem aqueles quatro meses a deliciar-me fosse com massa ou com a língua italiana: Attraversiamo!?

Num segundo round, este pseudo ex-casal (na nossa teoria da conspiração...) chega a uma fase de dedicação, ela às horas intermináveis de meditação e mantras e ele intermináveis horas em casinos e campos de golf.
Liz aceita abrigo da sua guru, mas talvez seja aqui que descobre quem lhe passa verdadeiros ensinamentos, seja o cowboy seja a rapariga com quem esfrega chão incansavelmente. 
Bob, aceita as mordomias e os luxos e tem para si também um guru... "(...) já que em Nova Iorque toda a gente tem um guru..." e alia isso à loucura de uma suite 5 estrelas... de borla!

Ambos sentimos o mesmo ao ler esta segunda parte de ambos os livros, já que o detalhe e as descrições poderão minar a motivação de desenvolver a leitura e focarmo-nos no que, para nós, era realmente importante... saber até onde ia esta aventura dos recém-divorciados à procura do seu pico de liberdade e do seu "EU".

Ainda assim, o caracol literário ficou curioso com a parte dos campos de golfe... eu, mesmo gostando de toda a filosofia por detrás do yôga como estilo de vida, fiquei na dúvida quanto à rotina de um ashram... 

Quase no final desta jornada espiritual ;) os nossos guerrilheiros terão de travar a batalha por:
apaixonarem-se OU NÃO novamente!?

Na Indonésia, Liz vive uma vida calma e pacata entre os seus amigos balineses... à procura do equilíbrio. Bob, quase que atinge o nirvana só com a sua chegada ao paraíso tailandês, procurando assim a saída do celibato. 
Até nesta parte, a abstinência sexual é uma coincidência. Portanto, se as mulheres chegam a "Comer, Orar, Amar" e já sabem que Liz prometeu "Não terei sexo com homem nenhum!", já de Bob esperar-se-ia uma coisa diferente... por isso, homens - se vocês esperavam um capítulo tórrido e de sexo escaldante... desenganem-se, o título é apenas um chamariz ;(

O que faz destes dois livros uma quase guerra dos sexos!?
Quem sabe o facto de parecerem ser escritos com o intuito de darem resposta um ao outro e serem adoptados quase como manual para os divorciados, estabelecendo as típicas diferenças entre homens e mulheres.


Supondo que ambos são realmente biográficos e relatos ou memórias dos autores... divorciados ou não, nós achamos que são boas leituras mesmo a casal... nada como andar prevenido! LOL
Mas ATENÇÃO, sobreviver a um divórcio, largar tudo e partir por um ano à descoberta, não será acessível a qualquer bolso, por isso... ou você tem amigos influentes e espalhados pelo mundo fora ou sai rico do divórcio!
Caso contrário, o melhor é mesmo manter-se casado e não entrar em despesas!!!

Até lá, divórcio ou casamento, vá sendo feliz e leia uns livros

Efeitocris & Caracol Literário


P.S. - Nota mental, menos romântica e mais pragmática - a questão do dinheiro e alguns detalhes em ambos os livros parecem-nos demasiado bem construídos para histórias verdadeiras... nós sabemos que o "acaso comanda a vida", mas tanto também não...

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