quarta-feira, 10 de abril de 2013

«O Vento dos Outros» Raquel Ochoa, Opinião

"A cada passo a vida inteira."


«O Vento dos Outros», uma escrita e uma viagem "pura vida"... 
calcorrear o mundo latino pelas palavras, pelos olhos e sentidos e ainda sensações de Raquel Ochoa.

"Prepara-te. Só uma descida muito grande pode impulsionar-te para a maior das subidas."
"Virias comigo?"
- Sem dúvida alguma!

Será que quem mais viaja ganha uma leveza maior e uma imunidade às incompreensibilidades da vida?
Seria com esta pergunta que eu começaria uma entrevista, já que são algumas destas, as palavras iniciais e que me deixaram a pensar durante todo o livro.
É durante o tempo de férias que reorganizamos a cabeça e as ideias, as vontades, as decisões que depois nos desenham noutros dias mais rotineiros?
Viajar é férias ou é a rotina descalendarizada de quem se pode dar ao luxo de partir!? 

"Parti sozinha..."
E eu partiria sozinha? Talvez não. Não é que a vontade por vezes não tome esse caminho, mas a mente, enraizada nos complexos do dia a dia, habituam-nos a ter companhia.
Raquel Ochoa partiu sozinha, mas o que terá levado na bagagem da preparação? Sonhos? Lembranças? Projectos, mapas, preparações!?
Como se parte para um viagem para a América do Sul? 
Quem viaja sozinho, o que ganhará pelo caminho?
E junto? Sim, porque existiram igualmente pedaços de viagem com boas companhias.

Depois de superar as questões iniciais. Algo que nunca me preocuparia tanto não fosse eu uma curiosa e amante das viagens. Para mim, ler «O Vento dos Outros» é sempre pensar no que iria eu fazer, sentir, pensar, se fosse eu que ali estivesse. Mas não estou, não sou, não fui ... à América Latina perder-me por picos, serras, encostas, vulcões, montanhas, desertos, pântanos, cidades, recantos, ruas, vielas, casas, cabanas, praias, lagos, poças... não fui, mas iria!

"Uma viagem é uma obra por fazer."


As palavras de Raquel oscilam entre relatos simples e discretos, como um diário despreocupado que conta aquilo que queremos e não queremos ouvir (eu não quero ouvir e pensar em térmitas gigantes...). Mas depois surgem parágrafos, trechos de memória que são autênticos deleites, de paisagem, de amizades, de pessoas, de sentimentos (como os carregadores guias na subida derradeira).

"Mas é sem dúvida ali dentro que Lima arfa, saltando de avenida em avenida, com a ligeireza de formigas de um reino pobre."
São páginas e páginas, relatos cada vez mais vívidos, mais recheados de detalhes e que nos vão instruindo com história e ensinamentos dos países, das cidades, das montanhas, das altitudes e claro, das pessoas ou ainda dos livros. Como o explorador Daniel Ruzo ou o livro de Gao Xingjian ou das companheiras, ora Rita ora Maria.
Desde as praias da Costa Rica, aos ritmos do reggae até Marcahuasi ;) Passando pela acelerada Lima... vagueando pela cultura Inca até ao cume, o Machu Picchu... ou ainda passando pelo deserto e chegar à Patagónia.
"Deixava sair argolas de ar frio pela boca, esquecia-me do tempo, efeitos secundários de uma mente perturbada pela paisagem."

Eu poderia continuar, pero "de afuera se mira mejor..."
E não há nada como ler e sentir.
Mas melhor ainda será viajar!

*

Continuo a preferir viajar a ler sobre viagens, mas este livro fez-me pesquisar, sentir, querer arrancar e partir...
Fez desejar acampar, caminhar, chegar a Machu Picchu ou chegar e entrar no oceano com leões marinhos, atravessar fronteiras e sentir-me do mundo, continuar a caminhar, sentir o deserto, contornar vulcões... ou ter um arrepio colorido em Valparaíso...
Um livro que me fez sonhar com...
"um continente de vulcões com uma sociedade em convulsões"

Boas Leituras com a Marcador... na página certa!

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