quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Opinião :: " Viver depois de ti "

Leitura de férias de Verão 2013 
 Sentei-me a escrever esta critica nos segundos imediatamente após ter fechado o livro e limpo as lágrimas que me ofuscavam as letras na última página.

(foto do CaracolLiterário, porque na foto sou eu!) 

Quando vi na capa a opinião do New York Times pensei que é muito raro pensar em reler um livro no momento em que o terminamos mas com "Viver depois de ti" é essa a sensação que se tem. Ao longo de 422 páginas habituamo-nos a Lou e Will e não os queremos deixar, não queremos fechar o livro e ir à nossa vida quando no entanto, é esse o melhor conselho que retiramos desta magnifica historia.

É certo e sabido que prefiro um livro que me faça rir do que uma história triste, dai não apostar tantas vezes neste tipo de livro, neste género que sei que acaba sempre por me arrancar umas lágrimas. Agora percebo a razão alheia às lágrimas, esta historia desconcerta-me. Acompanhar os pensamentos de Lou em cada capítulo e reconhecer as semelhanças que ela tem uma com uma pessoa que me é muito próxima é estranho, talvez porque essa pessoa é tão próxima que a vejo ao espelho todos os dias de manhã com os olhos ensonados. Lou lembra-me....bem, eu mesma!. Curioso é que após ler o livro, a minha mãe disse-me exactamente isso "a personagem principal é como tu, especial no (mau? peculiar? invulgar?) gosto a vestir". Ela não caracterizou o meu gosto mas eu tenho mais ou menos noção da sua opinião, logo não sei se esta última parte é boa ou má. Lou é excêntrica, veste de acordo com o que lhe vai na alma e acho-a capaz de dizer piadas em funerais, tal como eu, porque quando as situações são constrangedoras agarra-se à bóia de salvação que é o humor e diz uma piada para aliviar a tensão. Mas não entrando em detalhes que se tornem muito pessoais, porque este pequeno texto não é sobre mim, falo-vos um pouco mais sobre Lou.
A evolução desta personagem é uma lição, uma de tomar apontamentos. Conhecemos uma Lou acomodada com a sua vida, com o seu trabalho calmo a servir pequenos almoços num café local e a voltar para a casa de família onde o seu ordenado é uma grande fatia, senão a maior, do orçamento mensal e em que a única escapatória à vida familiar é o namorado, algo enfadonho devo dizer, com quem ela está faz 7 anos. Na sua visão as coisas não estão perfeitas mas ela também nada faz para mudar a situação. A súbita mudança de trabalho, a entrada na casa de Will e deste na sua vida vai revolucionar para sempre a sua mente, o seu coração e os olhos com que vê o mundo.
Will, alguém que viu a sua vida mudar num pequeno instante é o catalisador para o progresso e crescimento de Lou.
O melhor dos ensinamentos de Will e deste livro? "Mete-te nas perninhas e faz as coisas acontecer."

 
Passamos demasiado tempo da nossa vida acomodados e por vezes só nos apercebemos que não temos vivido ou aproveitado quando já é tarde de mais ou quando somos confrontados com algo que abala todas as fundações do nosso ser.
Infelizmente ler uma historia tão poderosa como esta faz-nos querer enroscar para chorar e divagar no sono até a dor desaparecer, para acordar no outro dia cheios de determinação e vontade de partir para aproveitar tudo o que temos direito (e para o que não temos, arranjamos maneira de ter!).

Porque a vida não espera por ninguém, não podemos parar para sentir pena, nem de nós, nem dos que nos são próximos, nem de Lou que se sente perdida, nem de Will que não tem nada a perder, nem dos seus pais que perderam um filho mesmo quando ele respirava.

O poder da escolha é um dado adquirido, um direito de nascença que curiosamente nos é retirado nos momentos em que mais precisamos dele, em que mais devemos ser senhores do nosso destino. Já disse que Will é uma personagem inspiradora? Ou será Lou?

"Viver depois de ti" é um livro capaz de mudar uma vida, é uma historia que temos na estante para que baste um simples vislumbre da lombada para nos roubar um sorriso e nos dar força. Um livro em que basta folhear e passar os olhos por algumas cenas marcadas para nos incutir o desejo de tornar as nossas vidas em algo memorável, digo até épico. São esses derradeiros momentos que se misturam com os infortúnios, minimizando-os e permitindo a cada um de nós alimentar o espírito e o corpo com as boas memórias, pelo tempo que nos é permitindo lutar.

Façam um favor a vos próprios, sentem-se num local sossegado e comecem a ler. Desafio-vos a não se apaixonarem pelas personagem, a não se rirem a bandeiras despregadas com os diálogos entre Lou e Will ou a não chorarem em este ou aquele momento.
Quando terminarem, agradeçam o facto de estarem vivos, passem o livro a alguém que precise de abrir os olhos para a vida e saiam de casa para aproveitar a vida.

Jojo Moyes entra para a minha lista de autoras a ler (raios mulher, são todos os teus livros assim?)
Entretanto fiquei a saber que já foram comprados os direitos do livro e a adaptação será feita pela MGM.
Até já há um "dream cast" no IMDB. :) Não imaginei ninguém para estes papéis mas sei que vai ser um filme especial que vou aguardar para ver até que ponto consigo gostar do filme como gosto do livro.

Sei que ainda estamos em Setembro mas esta é uma óptima prenda de natal :)
Boas leituras!

5 comentários :

Unknown disse...

excelentes fotos e crítica, GOSTEI

margarida ladeira disse...

Muito bem escrito e..descrito! Fez-me ter vontade de o ler e é o que vou fazer. Obrigada pelo belo trabalho que continua a fazer. Um beijo

Cristina Antunes disse...

Adorei o livro, tal como adorei a opinião e a forma como a descreve. Bem haja

Anónimo disse...

Quem eu gostaria de ver no papel? Tom Hardy. :)

Adorei este livro.

ElsaR disse...

Obrigada pela vossa opinião. Ainda bem que gostaram do que escrevi e das fotos :)

Oh Anónimo....O Tom Hardy é o meu actor de eleição mas nunca tinha pensado nele para o papel de Will.
A ultima vez que pensei nele enquanto lia um livro foi no A rapariga que roubava livros. Ele é o Max na minha cabeça, sempre!