segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

"O Lobo de Wall Street" :: O Filme


Aqui estamos sempre atentos aos livros que se tornam filmes.
E como sempre, primeiro gosto de ler o livro e depois ver o filme. Com "O Lobo de Wall Street" fiz exactamente isso e não me arrependi.
Com isto não quer dizer que não me arrependa de ter visto o filme.
O estilo de vida dos ricos e disfuncionais foi exactamente aquilo que se estava à espera, embora não me tenha enchido as medidas.
Leo encarnou na perfeição o personagem, achei-o tão desprezível como quando li os acontecimentos pelas palavras do próprio Jordan.
Ao início vemos um Leonardo DiCaprio mais jovem, pré-corrupção Wall Street, podemos até dizer que tinha um ar ingénuo e isso é transmitido no seu olhar, nas suas reacções. Lembrou-me a diferença entre Philippe / Louis XIV em "O Homem da Máscara de Ferro", quando sabíamos exactamente para quem estávamos a olhar só pelo seus olhos. 
Os olhos de Leo, como Jordan Belfort, mudam no momento em que ouve o barulho da sala de corretagem pela primeira vez e sabemos que a partir dai está tudo perdido, exactamente a ideia com que ficamos no livro.
Curiosamente, a parte inicial é a melhor parte do filme, a que o trailer nos faz esperar, o que a nossa expectativa já tem preparado na check-list:
  • total depravação
  • drogas
  • sede de poder
  • e rios de dinheiro
  • eu disse DROGAS?
Curioso é que até meio do filme temos isso tudo e não fiquei particularmente admirada por uma alteração aqui ou ali ou pelo facto de terem levado aos extremos os pontos acima referidos. Era o que se esperava, muito provavelmente, nem fugia muito da realidade de Jordan e dos "Strattonites" MAS tudo muda quando, sensivelmente a meio do filme, eu começo a perguntar a mim mesma "o que raio estão vocês a fazer??". Tomaram a liberdade de se basear no que fora a investigação, cooperação de Jordan com o FBI e artigos escritos sobre a altura para fazer a segunda metade do livro ou simplesmente decidir retalhar o resto do livro para completar o filme?
Se tivesse saído a 50% do visionamento, talvez depois da cena do "Lemons" que FOI BRUTAL, tinha gostado do filme mas ver o resto pareceu-me quase que um "vamos lá despachar isto porque esta gente está aqui há quase 3 horas". 
Não tiro o mérito ao Scorsese, ao Leo e restantes actores (especial o Jonah a quem nunca dei muito crédito).
Mas na sua totalidade, o filme não me convenceu. Talvez por ter visto no mesmo dia o Dallas Buyers Club, igualmente nomeado para os Oscars, torna-se difícil ver um filme que nos faz encolher os ombros por apenas o considerarmos mediano e não termos gostado de como enceraram a adaptação.

Como já disse o que não gostei, passo aos pontos fortes do filme:
O Leo e o magnífico modo como encarna Jordan (adoro os momentos em que se dirige ao espectador, acho que ficou muito fiel ao relato a que temos acesso no livro) 
As cenas slow motion 
A cena dos Lemmons (só isso valia o Oscar de Melhor Actor)
A presença Joanna Lumley como Tia Emma/Tia Patricia
e os 5 segundos de Jordan Belfort no filme (sim, ele aparece no filme!).

Prefiro o livro ao filme 10x. Mas opiniões não passam disso mesmo, opiniões. Cada um tem uma.
Há coisas assim, por isso as vezes tenho tanto receio de ver a adaptação de livros que realmente gosto. Razão pela qual até tremo de pensar que esta semana estreia "A Rapariga Que Roubava Livros".
:)

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