quarta-feira, 18 de junho de 2014

"Sou Um Clandestino" de Susana Tamaro - Opinião

É inevitável dizer que o meu contacto com Susana Tamaro foi com "Vai Aonde te Leva o Coração", já nem sei bem em que ano, mas seguramente há mais de 15 anos. Tenho quase a certeza. Alguns anos mais tarde peguei novamente na autora, quando trabalhei com crianças e usei o seu "O Menino Que Não Gostava de Ler".
Confesso que no entretanto não senti atraída à sua escrita, mas agora, com a publicação em Portugal daquele que foi o seu primeiro livro e porque a sinopse me cativou, achei que talvez fosse uma boa ideia retornar. E não me arrependi. Nada mesmo! Gostei tanto que pensei logo em seguir para a leitura de "Todo o Anjo é Terrível" por saber que é um livro de memórias e uma autobiografia. Por isso, nas férias é bem capaz de não me escapar. Até lá são muitas as leituras a colocar em dia!


Este Sou Um Clandestino conquistou-me logo no arranque. Esta partida em busca de raízes, de sentido para a vida, de explicações para sentimentos e inquietações, confesso: é um tema que me é querido. As divagações, o sentimento de não pertença, de questionamento do nosso papel na vida, na sociedade, na família... na vida, intriga-me.

É essa intriga pelo desenrolar desta viagem que eu julgo cativante para o leitor. Nós leitores, queremos conhecer este personagem. Este jovem de 25 anos, que parte de Roma em direcção a Illmitz, Áustria, sem que ninguém saiba desse seu destino. Uma partida em busca das suas origens, talvez em parte por se sentir perdido e desorientado pela falta de alguns elos familiares que já lhe faltam. A irmã Agnese, morta prematura e brutalmente deixa vincos profundos na personalidade e inadequação do personagem. Bem como a amizade com Andrea ou a relação, talvez dependente, com Cecília.

À medida que percorre Illmitz, percorremos com ele, as preocupações que lhe assombram o rumo da sua vida. Assombroso é o capítulo em que a morte da mãe é narradara, a frieza de equipará-la a um "móvel familiar" e no final do relato nos depararmos com aquele desfecho.

Há por todo o livro um relato quase que cruel, doloroso e até um tanto desequilibrado, denotando as marcas profundas dos eventos traumáticos que marcam a vida do jovem. Por outro lado, revela uma ligação à Natureza que lhe confere beleza e poesia e até uma certa curiosidade e ingenuidade na forma de interpretar as relações interpessoais. Permitindo assim ao leitor sentir a solidão e a ansiedade sentidas pelo personagem. É nesta angústia de procura pelo sentido da vida que o personagem se sente um clandestino!

Leia mais sobre o livro aqui, no site da Presença. Ou leia as primeiras páginas, aqui.
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