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terça-feira, 8 de julho de 2014

Índice Médio de Felicidade - David Machado - Opinião

"Pode-se orientar uma pessoa para ser mais feliz, mas não é possivel ensinar alguém a ser optimista.
Isso ou és ou não és."
David Machado

Antes de ler este livro, pergunte-se:
- O que o anima?
- O que o faz infeliz?
- É depressivo ou optimista?
- De 0 a 10, como considera a sua felicidade?
...
Assim, até parece um livro de auto ajuda, não é, mas pode bem ser.
Um livro orientado a olhar o futuro com outros olhos. É não temer o futuro, mas é também não ter medo de não ter medo. Faço-me entender?

Durante a leitura deste livro experimentei diversos sentimentos e sensações. Confesso, um livro é bom tanto quando nos irrita, nos deprime ou nos faz sorrir e sonhar. Este teve de tudo para mim. Pode não ter de tudo para todos quanto o lerem, pode ter só crise, depressão, desemprego ou pode ter o olhar optimista, esperançoso... até atrevido.
Pergunte-se: Ser animado, esperançoso, criativo, emocionado, crente e tantas outras coisas positivas nos dias de hoje não é quase uma afronta!?
É isso, creio que este livro é isso uma afronta.
Um espanta espíritos de espíritos maus, que pretende afastar a crise e dizer a todos que é possível avançar.

Daniel é um optimista. Acredita na felicidade. Tem sonhos e quer dar-lhes vida. Aliás quer voltar a ter a sua vida, sem esquecer que depende da vida dos outros. Como se o mundo fosse ainda mais reduzido que uma ervilha e a felicidade de qualquer um de nós interferisse na felicidade de todos.
Será assim? Estaremos todos ligados? Se tecermos uma teia de ideias e energias positivas seremos todos mais felizes e optimistas!?

"(...) o verdadeiro budista é aquele que é capaz de eliminar do seu corpo qualquer tipo de desejo, seguindo a teoria de que é o desejo que nos torna infelizes. Eu disse-lhe que, por outro lado, é o desejo que faz de nós seres humanos. Ele respondeu:
Eu não quero ser um ser humano. Quero ser feliz." (pág.197)

Infantil, pueril, inocente!? Talvez, mas não deixa de ter um toque mágico que coloca um certo sorriso no rosto.

Ao ir entrando na história eu queria sempre mais, como se o que se fosse passando não fosse suficiente, levando-me até a desgostar do livro, do enredo pouco célere, chegando a duvidar da esperança e positivismo do personagem. Arranjando-lhe um delírio qualquer, considerando que o seu amigo encarcerada seria um seu alter ego, onde arremessava todas as frustrações. Confesso, a certa parte este livros frustrou-me, experimentei com ele irritação. Havia ali uma certa pacificidade e passividade do protagonista que me dava urticaria.
E no final, cheguei a pensar se o autor não queria exactamente isso. Provocar emoções nos leitores, talvez até mais do que só lerem e gostarem ou não da história.

"O que estás a ler?
É um romance.
E os jornais?
Já não leio jornais. Já não leio nada que seja real.
Porquê?
Já sei como acaba.
Como é que acaba?
Não acaba bem." (pág.157)

Confesso que não sendo um dos meus favoritos, foi um livro que acompanhou algumas horas à conversa com amigos, debatendo não propriamente o livro ou o enredo, se era ou não verossímil, mas antes as questões que levantava. E isso é muito bom. Termos um livro em mãos que nos leva a dialogar, debater ideias e esquecer muitas das vezes do "nós" e parar para olhar o mundo envolvente.

As questões são pertinentes. Os problemas persistem e insistem para ter solução. A sociedade é posta em causa. Nós, como parte integrante somos postos em causa, ridicularizados. Não vejam de forma nefasta ou recriminatória, mas antes como uma segunda oportunidade. Será disso que este livro trata? Darmos a nós mesmos a oportunidade de termos oportunidade?!?

É saber dosear o Daniel que há em nós com o Almodôvar que também por cá habita.
O diálogo, arrisco a dizer, imaginário no índice de 7.1, algures nas páginas 81 em diante tem um deles diálogos...

"(...) Uma casa? Para que queria eu uma casa? Quem foi o cabrão que inventou que precisamos de uma casa? Não admira que o mundo esteja a cair num buraco (...) metade do dinheiro do Planeta transformado em tijolo e betão. Quando é que nos tornámos tão fracos?
(...)
Os seres humanos sempre viveram em casas.
Não estas casas. Aglomerados de casas.
(...)
E a electricidade. (...) Se tens um conflito com alguém, não compres uma arma (...) corta-lhe simplesmente a electricidade. (...) depois disso, morrerá devagar, de frio, de fome, de tédio.
Não estás a ser justo Daniel. A electricidade dez o mundo andar para a frente, a vida dos seres humanos tornou-se mil vezes melhor (...)
Vai-te foder, Almodôvar. (...) Um dia vamos ser todos alimentados a lasanha e mousse de chocolate pelas veias só para não termos de usar o maxilar (...)"

Conforto ou não, é curioso que o projecto destes amigos fosse dar um pouco de conforto a quem mais precisava dele. Altruísta ou salvação para quem ajuda!? Uma ideia para heróis simples e do dia a dia, tecendo diariamente a tal teia do positivismo e da felicidade de um para todos e de todos para um.

E só para terminar, não posso deixar de dizer que durante toda a leitura me ocorreu esta música:

Esta Depressão Que Me Anima
(...)
vivo do que me dão
nunca falto às aulas de esgrima
e todos os dias agradeço a deus
esta depressão que me anima
(...)
A Naifa

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