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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Opinião "Delirium"

"Pedimos a atenção de todos os cidadãos.
Foi declarada guerra ao amor!
Todos os apaixonados serão detidos imediatamente e em caso do resistência, executados à vista de todos. 
Que esta mensagem sirva de aviso. Que o delírio dos outros vos sirva de exemplo. 
O amor é uma doença!"


Este livro conquistou-me com uma frase e levou-me por completo ao chegar à contra-capa, quando terminei a minha leitura.
O que sentiram quando leram pela primeira vez a pergunta
”Se o amor fosse uma doença, aceitarias a cura?”

Se os vossos pensamentos descaíram para o “sim”, este é um livro que vão querer ler. Quem já sofreu de amor, especialmente pela sua falta ou incompreensão, sente a tentação de pensar num mundo sem esse sofrimento, sem essa impotência e falta de controlo sob os seus sentimentos, sob a sua vida.
Eu senti-me tentada ao sim por uns escassos 2 segundos mas rapidamente viajaram-me  pela mente todos os bons momentos que o amor, seja de que género for, já me deu ao longo dos anos, especialmente no período mais retratado no livro, a adolescência.. Todos esses momentos suprimem um pouco a dor, a tristeza e o vazio de não ter esse sentimento nas nossas vidas.

Comecei a ler “Delirium” num misto de incerteza perante o que ia encontrar embora a premissa inicial fosse mais do que uma razão válida para me embrenhar na leitura.
Num futuro não muito distante, encontramos uma Portland repleta de habitantes que temem a “amor deliria nervosa” (também comummente conhecido como paixão ou amor). Faz mais de 60 anos foi declarada a guerra ao amor, essa causa de todos os males do mundo, e há cerca de 30 desenvolveu-se uma vacina que, administrada aos cidadãos com a entrada na maioridade, previne que contraiam a doença. Os adultos, os curados, concentram-se na sua vida e no bem da sociedade. Os curados são autómatos, vivem a vida que lhes foi atribuída, não sonham, não almejam mais do que o Governo reservou para si. Mas e os jovens? Até aos 18 anos estão expostos e os perigos de contagio são elevados. E entre os que contam os dias para o tratamento, temos os que desafiam as leis impostas.
A Questão é: quantos de nós não nos apaixonámos loucamente na adolescência, altura em que até o mais morno dos amores se assemelhava a uma loucura?


Quando conhecemos Lena somos bombardeados com as normas de um mundo que a moldou. Todos se empenham em combater o inimigo nº 1 do Estado e dos Cidadãos. Desde pequenos todos são ensinados que a “deliria” é o fim do mundo como o conhecemos e por isso, até aos 18 anos devem evitar qualquer contacto com o sexo oposto e preparem-se a fundo para a sua avaliação e consequente administração da cura, o primeiro passo para uma vida adulta serena e livre de complicações causadas pela doença.
Lena cresceu com uma sombra a pairar sob a sua cabeça, a morte da mãe, uma “infectada” que amou de mais, que amou até ao último minuto. Desde cedo Lena luta para não ser comparada à progenitora, mantendo-se o mais invisível possível para irradiar do seu futuro qualquer contratempo que lhe impossibilite a estabilidade e paz que a cura lhe promete. No dia em que se ditava o seu futuro (a avaliação permite ao Governo decidir o melhor futuro para cada cidadão, incluído a pessoa com quem será estrategicamente emparelhada) inicia-se uma mudança que pode comprometer tudo. Porque mesmo quem não acredita no amor à primeira vista, há momentos que nos roubam o fôlego pelas mais variadíssimas razões. Quando o olhar de Lena se cruza com  Alex (um curado), sabemos que nada mais será igual, que uma imagem ficou gravada para sempre na memória um do outro.

Que espécie de sentimento pode nascer entre uma jovem que teme contrair a doença e alguém supostamente incapaz de ser infectado?
Será o amor capaz de desafiar todas as leis e deixar Lena e Alex apanhados na sua rede? Quais as consequências de perputar este crime, de desafiar a lei imposta?
Até onde estamos dispostos a ir pelo amor, pela verdade e pela nossa liberdade?

Um delirante romance que infelizmente, por falta de tempo, tive de ler a uma velocidade excruciantemente lenta, caso contrário teria consumido tudo de uma vez.
“Delirium” ensaboa-nos com os pensamentos de uma sociedade que considera a salvo da doença, quase nos faz acreditar que a cura é a solução mas quando Lena conhece Alex relembra-nos que o amor é a nossa salvação, mesmo quando nos faz sofrer, menos quando nos faz chorar, mesmo quando temos de sacrificar tudo o que tomamos como certo em prol da liberdade. Quando o amor nos encontra e nos desperta é que percebemos que uma parte de nós andava perdida e nós estávamos demasiado entorpecidos para reparar.


E o despertar de Lena traz continuação. em Pandemonium, que como o nome indica será a chama que vai fazer deflagrar o fogo sob as convenções de uma sociedade limitada que esconde algo mais que o pânico de ver a doença contaminar os seus cidadãos.
A caça ao amor delirante, à paixão arrebatadora, ao desejo por outro ser continua e eu mal posso esperar por continuar a ler, por me apaixonar.

Já se encontra disponível o trailer/Pilot da adaptação à televisão mas eu confesso que não me convenceu. Vejam aqui

Uma novidade que nos vai infectar a todos

E a banda sonora inicialmente escolhida, Ouvi Dizer dos Ornatos Violeta, continua a fazer sentido com o fim da leitura (pelo menos no meu mundo)
A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga! Ora doce!
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura!
:)

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