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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Haatchi & Little B, de Wendy Holden - Opinião


A história de Haatchi & Little B, será mais a história de um cão especial com um amigo igualmente especial, será assim que os vou recordar e acompanhar. Não sou "seguidora" do tema, seja ele, casos reais sobre crianças e/ou animais de estimação que salvam famílias, ou vice versa, no entanto, há alguns casos que roubam a minha atenção. Neste caso, Haatchi, o cão de três patas, como tantas vezes vem referido no relato, roubou a minha atenção e tive imensa vontade de conhecer mais de perto a sua história. Mais de perto ainda seria interagir com ele, mas quem vê os video e lê o relato de Wendy Holden percebe o quanto este animal deve ser especial. Há logo algo no seu olhar, no seu focinho, em toda a sua expressão que denuncia uma ternura e uma entrega que devem realmente ser tocantes.
No entanto, este relato tem ainda mais um detalhe interessante que é o facto de Little B ou Owen ser portador de uma doença da qual nunca tinha ouvido falar e que também me interessou à partida. Estou sempre mais inclinada para ler sobre Autismo e Asperger, mas existem outras doenças ou síndromas sobre os quais também gosto de ler e até lamento que o relato deste livro não aprofunde mais as causas, a sintomatologia ou os tratamentos para a síndrome Schwartz-Jampel.


A doença genética de Owen e a mutilação de Haatchi são duas situações tocantes e que conquistam a atenção de muitos e isso vem sido revelado pelo constante apoio, mesmo antes da publicação do livro e da expansão que o mesmo tem feito mundo fora. São expressões como «beijos nas pintas» ou «orações caninas» que conquistam e nos fazem, por vezes, esquecer toda a dor e luta por detrás desta história envolvente e cheia de ternura. 
«O laço que os une é lindo», diz a certa altura a madrasta de Owen e grande impulsionadora de inúmeros acontecimentos na vida destas duas vidas, mas também na de Will, pai de Owen. 


Apesar de todo o lado de superação e de lição de vida que este livro passa, há também variadíssimo conhecimento, especialmente sobre programas de apoio, concursos, prémios, sites, instituições... tanta e tanta informação que pode ajudar em outros casos ou até dar ideias de como instituí-los no próprio país. O prémio Friends for Life, o British Animal Honours ou o London Pet Show são exemplos disso. 

A recaída de Haatchi e o próprio acidente, aquando do abandono, ensinam inúmeras coisas sobre cães e terapias para os tratar e ajudar, que nos faz perceber a quantidade de possibilidades que têm vindo a ser desenvolvidas, tal como se faz para com as pessoas. Conhecia as próteses, mas o recurso à hidroterapia e até à acupunctura eram tratamentos dos quais não tinha conhecimento e que pelos vistos têm resultados comprovados. Há também a alimentação com crus, que o livro poderia explorar mais, julgo que para quem tem animais seria um dado importante.

Só posso recomendar que leiam e que se deixem envolver por esta história que se pode ligar a tantas outras. Muitas coisas erradas podem acontecer pelo caminho, mas muitos mais obstáculos são ultrapassados e julgo que é disso que este livro trata de mostrar. 
Se o início é chocante e revoltante, especialmente no abandono de Haatchi, mas também na impotência perante a doença rara de Owen, o final chega a ser hilariante com os votos de casamento de Colleen e Will, demonstrando que a família venceu e saiu fortalecida para todas as próximas batalhas.

Fica o pequeno documentário A Boy and his dog, que já ganhou um prémio BAFTA.


Vejam mais e vão seguindo a história na página oficial do facebook, aqui.

Uma leitura com o apoio:

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