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domingo, 7 de dezembro de 2014

O Grande Rebanho - Jean Giono - Presença

"O Grande Rebanho" é, para mim, um daqueles livros que faz falta ler a muita gente, pois com a descrição dos horrores que se passa numa guerra, faz-nos lembrar o quanto não devemos desejar uma guerra.

Jean Giono constrói um romance pejado de descrições que comovem e impressionam... afinal são pessoas. Pessoas que fizeram, viveram e sobreviveram aos horrores da guerra. Os relatos de Giono são muito humanos, muito reais, somos capazes de sentir os sentimentos e as angustias, tanto dos que partem como dos que ficam.
Mostra-nos a transformação do ser humano, num outro ser, um ser medonho, violento e capaz de matar, mas ao mesmo tempo amar e expor os seus sentimentos.

O horror, tanto o que se vive na aldeia como o que se vive nas trincheiras chega-nos por palavras duras e sentidas, talvez pelo facto do próprio autor ter estado na Primeira Grande Guerra.

"O dia era longo, longo... O céu parecia que tinha envelhecido, cada vez mais branco, cada vez mais baixo. Os soldados tinham-se habituado a olhar constantemente para cima e para fora, do fundo do trincheira. Não havia riscos. Via-se sempre a mesma coisa (...) não se ouvia nada, exceto, a certas horas, a carrinha com os mantimentos. Na hora em que o céu era ainda mais pesado, ao meio dia, passava um corvo, provavelmente sempre o mesmo."

De uma maneira crua o autor conta-nos em pequenos excertos, os dias em combate, onde seres humanos são confinados a covas, as trincheiras, onde vêem morrer os seus colegas, amigos família, homens que passam por estados de loucura e que se agarram a cartas como se fossem as próprias pessoas que as escreverem. São homens que desejam mais que tudo a normalidade, o retorno às suas vidas, mas tem de continuar a combater e a viver naquele pesadelo.

"O Grande Rebanho" de Giono é um metáfora para a comparar entre os homens e os animais, ora brutalizados ora vítimas de uma guerra. Apenas a esperança dita a diferença entre continuar a lutar para viver ou render-se, deixar-se morrer e não voltar aos seus entes queridos.

Conta-nos ainda como foi o voltar a casa e tentar refazer a vida, com os traumas não só dos que ficaram como dos que foram a guerra. A angústia e o sofrimento daqueles que ficaram, sem saberem notícias...

No final sobressaí a esperança, o gosto pela vida, a luta por tudo aquilo que é contrário à guerra.

"E antes de mais, digo-te: eis a noite, eis as árvores, eis os animais. Mais tarde verás a luz do dia. (...) pouco a pouco, amar tudo e todos, como alguém que cultiva a terra (...) de estar à beira das estradas como uma fonte que mate a sede ao viandante. E amarás as estrelas."


Podem ler mais aqui.

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