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sábado, 17 de janeiro de 2015

Opinião :: "LIVRE" de Cheryl Strayed

Há pessoas que dizemos não ter cara do nome que têm mas neste caso, a autora pode até não ter cara de Cheryl mas podemos ter a certeza que tem o apelido certo, pelo menos na altura em que a conhecemos antes e durante a sua caminhada pelo longo e duro Pacific Crest Trail.

Strayed: Extraviar-se do caminho certo, desviar-se do curso traçado, estar perdido, torna-se bravo ou isolado, não ter pai nem mãe, não ter casas, errância sem destino em busca de algo, afastar-se ou transviar-se

A descrição da palavra Strayed, que é igualmente o apelido adoptado por Cheryl após o seu penoso divórcio não podia ser o mais indicado. Sem família, marido, trabalho ou rumo, o PCT aparece no seu caminho como um chamamento da natureza ao qual Cheryl não conseguiu voltar as costas. Os longos milhares de quilômetros que se prometeu a percorrer, serviriam para pensar na sua vida até então e quem sabe, conseguir incutir-lhe algum sentido para o momento em que terminasse a sua jornada a pé e voltasse à vida na cidade. E logo nas primeiras linhas do livro temos a noção que o longo, doloroso, desafiante, perigoso, transformador e inspirador trilho do PCT a iria amassar, mudar, massacrar, transformar e até quem sabe melhorar, mas não como nem quando Cheryl queria. Mal preparada, tanto física como emocionalmente, Cheryl enfrenta a mais ferverosa batalha que alguma vez teve de travar, isto tudo com excesso de peso na mochila, umas botas de caminhada apertadas e uma desvantagem para com um trilho que lhe foi sugando tudo mas dando um turbilhão de outras coisas, especialmente momentos e pessoas que a marcaram para sempre.


“Livre “ é uma viagem inspiradora pelo PCT e uma dura jornada de introspecção pela vida e pensamentos de Cheryl, que por vezes nos deixa sem fôlego. Quer por tentar imaginar o que a autora viu naquele determinado ponto no mapa, quer por uma ou outra situação, especialmente do seu passado, em que sentimos um arrepio na espinha, de tão estranho que é o momento.

Ao longo da leitura fui invadida por uma estranha vontade de ir caminhar, uma manhã, uma tarde ou um dia inteiro que me deixasse cansada mas em paz de espírito. Sim, uma coisa de um dia porque eu sei que das muitas coisas que tenho coragem para fazer, embrenhar-me sozinha num trilho isolado durante meses enquanto percorro milhares de quilómetros é coisa para a qual não tenho “tomates” para fazer. Eu tenho coragem de muita coisa mas para isto não! Talvez o peso na mochila de Cheryl fosse isso mesmo, muito “cojones” para fazer esta viagem sozinha.


Mas depois, pensamos: “ela conseguiu, será que eu não conseguia?”
Acabei de descobrir que uma miúda de 11, com o pai, fez o PCT todo…..e ainda fez trabalhos de casa de lanterna na cabeça à noite na tenda :) espectacular!

Li este livro muito depois de a minha irmã o ter lido, muito depois de ver nos meus companheiros de blog dois ávidos caminhantes de longas distância (talvez não tão longas como esta). É engraçado passar a página e encontrá-la marcada pela minha irmã. Durante a leitura dou comigo a pensar na razão porque a marcou, parece que às vezes as marcações coincidem.

Não sei se já tiveram a oportunidade de ler a opinião da minha irmã, a caminhante, mas aqui fica.
Eu só a li depois de ter escrito a minha opinião e fiquei a rir porque começamos da mesma maneira, mas dissemos coisas tão diferentes. Os caminhos que percorremos por sedem iguais, mas será que o percorremos da mesma maneira?

O filme, que estou muito curiosa para ver, chega a 26 de Fevereiro
Fica o trailer
Deixo uma música da banda sonora do filme e o album todo aqui

Um livro 

1 comentário :

Marisa Luna disse...

Bem...
Só de ler as vossas opiniões, já fiquei com vontade de caminhar e de fazer pequenas paragens para ler o livro. Sério!!!!
A liberdade deve ser sentida de forma tão intensa desta forma!!!
Beijocas e boa semana