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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Opinião "Viver na Noite"

Faz anos que andava para ler um livro deste autor. Acho que já passei os olhos por eles dezenas de vezes nas livrarias. Pensei começar pelo Mystic River mas parece que este "Viver na noite" chegou e saqueou a prioridade.
Talvez porque a adaptação ao grande ecrã, da responsabilidade do grande realizador mas nem sempre grande actor Ben Affleck, estreava na mesma altura que o livro me chegou às mãos. É mais forte que eu, não resisto a uma boa história de gangsters.


Imaginamos a história de Joe Coughlin a ser-nos contada numa cadência áspera, com cheiro a álcool e envolta numa nuvem de fumo num qualquer canto de um bar de fama duvidosa.
Joe nunca foi um menino de coro, embora tenha crescido como o filho mais novo do capitão da Polícia de Boston, ele próprio uma fachada bem polida com um interior de fundações instáveis.
Conhece-mo-lo em apuros e acompanhamo-lo ao longo de vários anos, de ladrãozeco de trocos a quase barão de rum numa Flórida quente e que transborda crime, como toda a América nos anos da lei seca.
A expressão "estava capaz de matar por um copo" ganha novos contornos neste "Viver na noite", que de uma maneira compassada e quase poética, nos conta a jornada de redenção de Joe, numa intrincada teia de lealdade, medo, traição, amor e incapacidade humana de ser e estar onde os outros acham que é o nosso lugar.


Mas como sabem, a leitura foi o primeiro degrau para o visionamento do filme.
Este realmente é um daqueles que não se poderia ver sem conhecer a história primeiro. Acho que chegaria ao fim a pensar "ahhh podia ser melhor".
Ben encarna Joe como se de uma possessão se tratasse. Talvez ter lido o livro já com a cara e a presença do Ben em mente, fez com que fosse mais fácil vê-lo dar corpo a um sem número de momentos marcantes do filme, mesmo que, como disse em cima, eu o ache melhor realizador e produtor que actor.
Mais que um filme (e um livro) de gangsters, "Viver na noite" centra-se no homem, na dualidade de sentimentos que é sobreviver no mundo do crime em que escolheu estar e conseguir viver com os remorsos das escolhas e as traições dos poucos que julgamos nos serem fieis.

"Viver na noite" pode ficar aquém para os grandes amantes dos filmes de gangsters mas eu não sou assim tão esquisita e este filme, assim como a história original escrita por Dennis Lehane, tem um "je ne sais quoi" que me prendeu, que me sugou para as sombras da noite fria de Boston e os dias de calor infernal da Tampa.

Uma mudança de ares para as minhas leituras, mais um filme no meu videoclube mental.

Quem sabe agora não demore muito tempo a ler um livro de Dennis Lehane, já que os filmes do Ben (como realizador) tenho-os visto todos.

Relembramos o trailer



"Viver na noite" é uma aposta
Para mais informações visitem o site

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