terça-feira, 23 de maio de 2017

Opinião "Sobrevive"

Que qualidades e conhecimentos tens que seriam valiosos para uma sociedade em modo de sobrevivência?
Serias um membro válido ou uma sobrecarga? 
E sozinho? Achas que estás preparado para sobreviver sozinho sem pouco mais do que fogo, a roupa que tens no corpo e o teu instinto?
Eu sei que não estou mas talvez seja uma boa ideia começar a pensar nisso antes que seja tarde de mais.


Zoo (este não é o seu nome real) viu a sua participação num reality show de sobrevivência nos bosques como a derradeira aventura antes de dar o maior passo da vida adulta, o da maternidade.
Como ela, muitos foram os que se inscreveram mas poucos os selecionados para o grupo final. Ao género do que será habitual (faz anos que não vejo reality shows), todos os concorrentes foram escolhidos a dedo pelas suas características, mais físicas e de personalidade, do que propriamente de aptidão para sobrevivência num ambiente selvagem.
E é assim que a nossa personagem ganha um estereótipo, a sempre bem disposta, sorridente e amante dos animais, Zoo. 
Até não o ser, até a sua máscara começar a cair, até os desafios começarem a mudar, até a competitividade transtornar cada um dos concorrentes, até tudo começar a ficar descontrolado, só um bocadinho real de mais.

Quando já nada faz sentido, em que devemos acreditar ?
Onde se traça a linha entre o que é planeado e o real?
Quando é que sabemos que não estamos só a viver mas a sobreviver a cada novo dia?
E Zoo, uma vez sozinha, desidratada e confusa, como saberá o que quer que seja?


A paranóia, o medo, o orgulho, tudo lhe grita "SOBREVIVE! Já falta pouco para o fim, para chegares a casa".
Mas quando esta aventura acabar será que há casa para onde voltar? 
Será esta aventura o princípio do fim, não só para ela como para o resto do mundo?

"Sobrevive" tem os ingredientes certos para um filme onde andamos meios perdidos, juntamente com a personagem, mas que quando chegamos ao fim estamos exactamente onde, sem saber, nos dirigimos desde o início. A confirmação das nossas suspeitas leva-nos a pensar "para quando algo assim?" e pior "conseguiríamos nós sobreviver"?
Eu tenho plena certeza, eu seria carne para canhão. :( 

Gostei bastante da luta de Zoo, especialmente pelos motivos que a levaram até ali mas igualmente pela sua capacidade de sobrevivência. A mente humana tem uma capacidade brutal de se escudar, mesmo quando mergulha nos seus drama interiores.

Tenho uma ou duas pessoas a quem tenho imensa vontade de mostrar o livro, especialmente para ver se todos os detalhes e explicações que Zoo e os colegas dão, são assim na realidade de quem se embrenha no meio dos montes.

Uma aposta


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