sexta-feira, 14 de setembro de 2018

«O corpo dela e outras partes» de Carmen Maria Machado :: Opinião



Uma poderosa e desconcertante reflexão sobre o que é ser mulher,
desejar, amar, resistir, viver como mulher.

FINALISTA DO NATIONAL BOOK AWARD E UM DOS MELHORES LIVROS DO ANO:

Barnes & Noble * Book Riot * Boston Globe * Chicago Review of Books * Elle * Huffington Post * Kirkus Reviews * Library Journal * Los Angeles Times * New York Times * Paris Review * Publishers Weekly * Washington Post

Uma edição ALFAGUARA

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As distinções e ovações quase falam sozinhas sobre a qualidade reconhecida à escrita de Carmen Maria Machado, mas a questão que se principal é:
O que é viver no corpo de uma mulher?
Talvez seja pesquisar muito e lutar por entender a body literacy que encerra cada corpo feminino. 

Carmen Maria Machado explora cada conto com imprevisibilidade e experimentalismo, tal como se percorresse um corpo com ânsia de o conhecer em todos os seus recantos. É assim que eu leio os seus contos.

A voz do corpo, a voz por vezes escondida ou recatada. O dar voz às mulheres, pelo seu corpo, pelos seus desejos, pelos seus anseios e preocupações e pelas suas metades. 
Carmen Maria Machado assume-se metade diva, metade bruxa. Eu diria antes: metade besta, metade bestial. 
É isso mesmo: ser mulher, é ser capaz de numa hora ser uma mulher bestial, e na seguinte uma besta. O mundo assim o obriga e nós mulheres também. 

Qual dessas metades é a mais ligadas à fantasia?
Tudo dependerá muito de cada uma e da realidade de cada quotidiano. E pelo que lemos do livro, do entendimento que se faz do corpo com que se vive. E se o aceitamos ou não. 

Assumir o corpo é  talvez a forma mais rápida de entender o lado selvagem que cada uma tem em si, é aceitar que o humor, as necessidades, as vontades, os sentimentos, as paixões, as falhas...  oscilam. Aceitar, é talvez a nossa maior força.

Pela objectiva, cada vez mais afinada, da crítica cultural-feminista o livro de Machado é um livro político, muito centrado nos temas de hoje, um livro que mistura a realidade com a fantasia, alertando para as caixas e caixinhas que determinam o território feminino, condicionado à masculinidade de uma linguagem espalhada pelo mundo fora.

Nos oito contos, para além de um experimentalismo constante (a meu ver!), destacamos a forma de narrar que cruza, por palavras da autora, meta-ficção, não-realismo, fantasia, horror e ficção-científica. Tudo unido por uma imaginação recheada de folclore, muito dele proveniente das origens cubanas de Machado. 
Os críticos têm dificuldade em catalogá-la, chegando até ao rótulo de erótico e pornográfico. 
No entanto, o que interessa é o resultado. Todo são contos surreais, abordando constantemente o desejo como um motor poderoso e pequenos padrões, nas personagens, que se repetem e se aproximam à realidade. 

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