domingo, 25 de novembro de 2018

Opinião "O Castigo dos Ignorantes"


"O Castigo dos Ignorantes" vem dar continuidade à série da Riskmord e às peripécias da vida de Sebastian Bergman, principalmente agora que sabemos a sua relação a Vanja e o seu conhecimento sobre Billy. Mas este caso é ainda melhor do que os desenvolvimentos nas histórias pessoais dos membros da equipa. Vamos lá falar de "O Castigo dos Ignorantes".



Num mundo em que se dá demasiado tempo de antena a gente acéfala e sem qualquer conteúdo inteligente, como se chama atenção para a cultura, a inteligência e os verdadeiros valores?
Segundo este "O Castigo dos Ignorantes" é preciso entrar a matar e separar o trigo do joio.

O novo caso atribuído à equipa de Torkel Hoglund apresenta-nos dois participantes de reality shows, pseudo famosos, cuja atenção e visibilidade recebida lhes garantiu um encontro imediato com um assassino que tem um método bastante peculiar de avaliar se as suas vítimas merecem ou não continuar a viver. Menos de um terço de respostas certas num teste de cultura  geral e a sua vida esvai-se tão rápido como a sua fama. 
Mas de quem é a culpa da massificação desta cultura superficial e sem conteúdo?
A culpa é destas pessoas que ganham visibilidade com coisas sem interesse ou das pessoas que as seguem e imitam?
Como apontar culpados quando parece que todo o mundo segue o mesmo padrão? O quão alto terá o assassino de ir para transmitir a sua mensagem?
Qual será " O castigo dos ignorantes"?

Curiosamente, eu que até simpatizo com o pensamento que damos demasiada visibilidade à futilidade e tornamos famosos gente que não tem propriamente algo de interessante a transmitir, não passava no teste do assassino. Raios e eu nem me considero inteiramente burra. 
Pior...nunca pensei concordar, em determinados pontos, com um assassino mas neste livro comigo a pensar "oh pah, ele tem uma certa lógica" :O
Acho que devia só ler romances para não me aperceber de coisas assustadoras sobre a minha pessoa.
Este livro, que já é o quinto da série, tornou-se um dos meus preferidos quer pelo caso quer pelos desenvolvimentos na história de cada um deles. Especialmente de Billy! Quem leu o último sabe que as coisas não ficaram simples mas a coisa só vai escalar a partir daí!
E depois de um desfecho do caso que nos fez ficar suspensos na pontinha do sofá, este livro termina mesmo ao género da reação "Ohhhh shit, agora é que vai ser!"
Que venha o próximo!


Relembro a opinião aos anteriores livros da série


Opinião Segredos Obscuros . ElsaR e EfeitoCris

Opinião O Discípulo . ElsaR

Opinião ao "O Homem Ausente"


Opinião ao "A Menina Silenciosa"

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

"O Que Perdemos" de Zinzi Clemmons :: Opinião


Se perder rimasse com desenraizamento, talvez Thandi tivesse lugar numa geografia concreta, fosse ela africana ou americana. Mas não. Não encaixa. O mais certo é não encaixar em lado nenhum. Thandi não é completamente negra para combinar com a sua carapinha na África do Sul, mas também não é branca o suficiente para encaixar numa Pensilvânia onde é vista como imigrante, estrangeira, africana, preta... 
Por isso, Thandi remeteu-se à geografia familiar, ao sentir-se segura no amparo da sua mãe. E por isso mesmo, «Tudo o que perdemos» é um relato íntimo, fragmentado e desconexo, revelando a vulnerabilidade de uma mulher à procura de uma nova âncora, alimentada por um misto de emoções.

"Nasci no momento em que o Apartheid morria. (...) Nasci na América, a minha mãe, em Joanesburgo e o meu pai, em Nova Iorque. (...)
- A tua mãe era incontornável - contou-me o meu pai. (...)
A minha mãe aproximava-se dos outros de forma agressiva. Era extremamente obstinada e cáustica. (...) As raízes da minha mãe eram fortes e profundas; os seus relacionamentos, resilientes; as amizades sobreviviam a décadas, oceanos e cortes. (...)"

Durante os primeiros capítulos conhecemos esta mãe arrebatadora e firme, mas também os sentimentos, medos e preocupações de Thandi, muitos deles ocultos para a família, sejam sobre a África do Sul, o bairro na Pensilvânia ou outras miudezas da vida do dia a dia.

"Tenho pensado muitas vezes que ser mulher negra de pede clara é como ser uma pessoa bem vestida que também é sem abrigo."

O feitio da mãe e as regras por ela ditadas como mandamentos, formataram-lhe o olhar e o pensamento. O que a mãe trouxe em si de uma África segregada ou a forma como se moldou a uma  América igualmente violenta, influenciou por completo, a forma de Thandi olhar ao mundo. No entanto, faltava ainda que essas regras se redefinissem à medida dos dias e da idade. E antes disso, a doença levou-a. 
A morte da mãe abriu um fosso, buraco esse que não se encherá apenas de coisas simples ou fúteis e muitos dos capítulos são prova disso; relatos dos remendos e das tábuas de salvação, tudo soluções provisórias.

"O meu amor é amável. Não é dado a raiva. É ponderado, bem-disposto e puro. (...) No circuito da minha vida, ele é o chão. Equilibra-me, permite que eu flua num ritmo regular. (...)
Muitas vezes dou comigo, quando discutimos por causa da conta, quando ele mastiga ruidosamente ou se ri na parte errada de um filme, não a perguntar se dou feliz, mas se a minha mãe o aprovaria."

Com a história e o crescimento de Thandi cruzam-se acontecimentos que mudam África, seja a do Sul ou todo um continente colossal; bem como factos incontornáveis que moldam a América, ainda assim o isolamento e as divagações pautam os dias de Thandi. 

"A minha teoria é que o isolamento cria um sentimento de assombração."

Dizer que a maternidade vai alterar o curso deste livro não surpreende; ela é todo o motor destes sentimentos e indecisões que transitam em Thandi. Aliás, a maternidade é o que congestiona o trânsito interno da personagem, portanto era de esperar que o mesmo a descongestionasse, Thandi é mãe, mas o sentimento de pena não a abandona.

"Perder é mesmo assim, uma coisa completa e irreversível."

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Opinião "Alguém como tu"


Coral sabe que o melhor remédio é aproveitar o presente, não lamentar o passado e não fantasiar com o futuro. É uma mulher com os pés bem assentes no chão e que sabe o que quer. Desde que foi mãe e a sua relação com o pai da filha caiu por terra, está decidida em manter os divertimentos bem separados dos sentimentos. Ciente do que quer em termos de sexo, Coral não se coíbe de aproveitar os encontros amorosos que tem mas há um que ela não se importava nada de repetir, e repetir e repetir.
Andrew McCoy é o chefe da segurança da sua amiga Yanira e a estrela mais brilhante no mapa de conquistas fortuitas de Coral. Juntos tiveram uma noite que rebentou com a escala mas se Coral tem o seu código de conduta baseado no "aproveitar sem se apaixonar, então Andrew nem comete o erro de repetir com a mesma. Para ele a melhor maneira de evitar confusões é deixar bem claro que não quer mais nada do que aquela noite e assim não há hipóteses de alguém ficar a remoer e tornar uma noite em algo mais.
Para Coral essa pedrinha no sapato ainda se torna mais pesada quando o docinho das suas fantasias se torna seu vizinho e entre ambos se desenvolve uma bonita amizade.
E o que dizer a Coral quando ela aceita ir com Andrew ao rancho da sua família enquanto se faz passar por sua namorada?
PURA LOUCURA!
A RECEITA PARA O DESASTRE!!
E o clássico "depois não digas que não te avisei".

Uma vez no rancho da família de Andrew a mentira ganha pernas à medida que os dias vão passando, Coral se vai inserindo nas coisas boas e más deste clã e a intimidade com Andrew ganha contornos nunca esperados.
Mas será que o acordo mudou? Estarão os dois na mesma página no que toca às alterações que a sua "relação" sofreu?
Ou estará Coral no derradeiro caminho para mais um desgosto amoroso?

Uma história de força, perdão, aceitação e coragem que nos mostra que por mais capítulos que a nossa história tenha, nem todos são maus, que eventualmente o final feliz "como o dos filmes" acaba por chegar até nós. 
E se não chegou até agora é porque a história ainda não chegou ao fim.

Os livros da Megan Maxwell são sempre divertidos e românticos mas ao fim de tantos já não fico rendida como aconteceu com os primeiros, sejam os mais hot ou os mais fofinhos como este "O teu aroma a pêssego" ou "Deixa-te levar".
No entanto, foi interessante ficar a conhecer a história de Coral que nos tem divertido tantas vezes ao longo dos livros das suas amigas e os Ferrasa.

E como fiquei numa de música country, aqui fica uma que encaixa bem na história.