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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

«Teoria Geral do Esquecimento» de José Eduardo Agualusa :: Opinião


"Deus inventou a música para que os pobres pudessem ser felizes."

*

Não é por falta de livros publicados de José Eduardo Agualusa que eu não o leio mais vezes. Aliás, enquanto lia este livro fabuloso perguntava-me por que motivo espero eu tanto tempo para voltar a autores que me são tão queridos!? Um esquecimento imperdoável!

No entanto, no esquecimento não cairá, com toda a certeza, esta teoria e estas pessoas que, durante uns dias coabitam com o leitor. A vida de Ludo e a forma como o leitor a vai lendo, bota no topo da lista a esperança e não a desgraça. Aliás, Agualusa consegue escrever de coisas tristas com palavras bunitas ;) e dar à história um toque musical e quente como Angola será. 

É como se a necessidade de ver beleza ou fabricá-la seja a melhor arma contra a violência, o esquecimento, o erro, a solidão ou uma qualquer crise. É que neste livro há disso tudo e mais, mas eu parece que só lhe senti o ritmo, o calor, as palavras bonitas, a criatividade e a forma quase inocente de lutar por uma vida melhor. 

"Pequeno Soba conseguiu fugir da cadeia, escondendo-se dentro de um caixão, episódio burlesco, a merecer, adiante, narrativa dilatada. Uma vez no exterior passou à clandestinidade. Todavia, ao invés de se refugiar nalgum quarto escuro (...), optou pela situação oposta. Aquilo que todos vêem, deixa de ser visto, filosofava. Passou, assim, a circular pelas ruas (...)"

"Aquilo que todos vêem, deixa de ser visto..." Talvez seja essa a grande teoria que justifique grande parte da cegueira que nos atropela a todos, mesmo que para questões diferentes. E sabendo que Ludo, para se refugiar de outras clandestinidades e medos, ergue uma parede em frente à porta da rua, deixa em muito o leitor a pensar, com que outras formas de nos barricar saímos na mesma à rua? Será que por vezes todos nós não somos um pouco invisíveis e assinamos um atestado de invisibilidade a tantas coisas e pessoas para as quais não estamos sensibilizados!?

Não sei se me faço entender, mas o livro levanta imensas questões, mesmo que pairem na cabeça de cada um de forma diferente:

"Quem olhasse para o prédio, de um outro edifício com altura semelhante, veria um caixote movendo-se, debruçando-se, voltando a recolher-se.
Nuvens cercavam a cidade, como alforrecas.
A Ludo lembravam alforrecas.
As pessoas não vêem nas nuvens o desenho que elas têm, que não é nenhum, ou que são todos, pois a cada momento se altera. 
Vêem aquilo que o coração anseia. 
Não vos agrada a palavra coração?
Escolham outra: alma, inconsciente, fantasia (...)"

Creio que se percebe pelo excerto o que quero dizer sobre entendermos ou questionarmos conforme as nossas preocupações ou anseios; falhas ou curiosidades; equívocos ou conhecimentos... 

"fantasma morreu esta noite. tudo agora é inútil.
O olhar dele me acarinhava, me explicava e me sustinha."

Quem ampara e alimenta a nossa existência?
De que forma as alterações políticas de um país alimentam e envenenam cada um de nós?
E perante as adversidades da vida, quem esquece quem? Somos nós que vamos esquecendo o mundo ou é o mundo que nos engole e nos substitui?

As questões são transversais e universais, bem como algumas personagens nas obras de Agualusa, seja a Osga ou Monte ou a procura por justificações que se desvanecem na cegueira e no esquecimento das grandes economias mundiais. 

"Tudo o que é sólido se desmancha no ar, murmurou Monte, pensando em Marx, e pensando, como Marx, não em aviões, mas no sistema capitalista, que ali em Angola, prosperando como bolor entre as ruínas, vinha já apodrecendo tudo, corrompendo tudo, e, dessa forma, engendrando o próprio fim."

Engendrando fins, mas deixando pontas soltas; moldando violências em poesias e ritmos musicais;  sussurrando pequenas esperanças e riquezas escondidas, José Eduardo Agualusa tem livros que falam de tudo e dos quais somos incapazes de dizer, com determinação, do que falam em concreto. O melhor mesmo é lê-lo e cada um interpretar aquilo que o seu inconsciente mais pede. 

"Vão para o Paraíso as pessoas de quem os outros mais sentem a falta. O Paraíso é o espaço que ocupamos no coração dos outros."




sexta-feira, 1 de abril de 2016

Novidade Dom Quixote :: "Teoria Geral do Esquecimento"

Data de Lançamento :: 12 de Abril


Luanda, 1975, véspera da Independência. Uma mulher portuguesa, aterrorizada com a evolução dos acontecimentos, ergue uma parede separando o seu apartamento do restante edifício - do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobreviverá a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer.
Teoria Geral do Esquecimento é um romance sobre o medo do outro, o absurdo do racismo e da xenofobia, sobre o amor e a redenção.

Uma novidade

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Novidade Quetzal :: "O Livro dos Camalões" de José Eduardo Agualusa

O mais recente livro de José Eduardo Agualusa, uma edição Quetzal, tem data de lançamento agendada para o dia 8 de Maio.
Temos fãs do autor?

Sinopse
Um ditador africano, muito respeitado em Portugal, escreve a sua biografia. Um famoso marinheiro maltês visita São Tomé, depois de passar por um lugar onde o tempo não passa. Um antropólogo descobre-se nu e indefeso diante de uma mulher. Uma zebra persegue um escritor. Uma virgem perde a cabeça.
Neste O Livro dos Camaleões cruzam-se personagens em busca de uma identidade, ou em trânsito de identidade, atravessando diversas épocas, do século XIX aos nossos dias, e diversas geografias, das savanas do Sul de Angola às ruidosas ruas do Rio de Janeiro.
Algumas destas personagens são arrancadas à realidade ou inspiradas em figuras reais. Não se trata de saber onde termina a realidade e começa a ficção. Trata-se de questionar a própria natureza do real.

Uma novidade

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A Rainha dos Estapafúrdios dá prémio a Agualusa

José Eduardo Agualusa venceu a primeira edição do Prémio Manuel António Pina com A Rainha dos Estapafúrdios e pretende que sirva de incentivo e promoção à literatura infantil.

Fonte: Público e RTP Notícias




quarta-feira, 5 de junho de 2013

Novidades Editoriais - «A Vida no Céu» de José Eduardo Agualusa - QUETZAL


Com lançamento esta semana:


Na Ler Devagar esta quinta feira, dia 06/06/2013


Sinopse
A Vida no Céu é um romance distópico, num futuro que se segue ao Grande Desastre, e em que o Mundo deixou de ser onde e como o conhecemos. Encontrando-se o globo terrestre inteiramente coberto por água, e a temperatura, à superfície, intolerável, restou ao Homem subir aos céus. Mas essa ascensão é literal (não é alusiva ou simbólica): a Humanidade, reduzida agora a um par de milhões de pessoas, habita aldeias suspensas e cidades flutuantes - dirigíveis gigantescos denominados Tóquio, Xangai ou São Paulo -, e os mais pobres navegam o ar em pequenas balsas rudimentares. Carlos Benjamim Moco é o narrador da história. Tem 16 anos e nasceu numa aldeia, Luanda, que junta mais de cem balsas. O desaparecimento do pai fará com que Benjamim decida partir à sua procura.
Fonte: Wook


Uma edição Quetzal Editores
Leia mais aqui - http://recursos.wook.pt/recurso?&id=9269091

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

José Eduardo Agualusa na Quetzal


É com muita satisfação que anunciamos que a Quetzal Editores, chancela do Grupo BertrandCírculo, vai publicar o novo romance de José Eduardo Agualusa.

A Vida no Céu



A Vida no Céu é o título da obra que chegará às livrarias em junho. 
Ainda em 2013, a Quetzal reeditará o seu romance "Um Estranho em Goa".

«"Um Estranho em Goa" é uma pequena maravilha. Assim entrei em Goa. Este livro mistura a literatura de viagens com uma aventura exótica, uma espécie de mistério que o autor não deslinda mas que lhe serve de ponto de apoio para mover personagens que enlaçam a Índia com Portugal e o Brasil. Goa e Luanda, Lisboa e Rio de Janeiro. À Goa de Agualusa, tão bem vista e descrita, tão bonita, e o Brasil dele, ou a melancolia angolana, enlaçam emoções e estabelecem uma pátria espiritual onde todos nós, portugueses da língua, nos reconhecemos. Sem carregar a prosa com pretensa literatice, comovendo sem ornamento, fazendo poesia ao de leve, abraçando a delicadeza e a estranheza do mundo, Agualusa fez-me viajar com palavras. Estou agradecida ao escritor.»

Clara Ferreira Alves, Expresso


O editor da Quetzal, Francisco José Viegas, revelou ao PÚBLICO que o novo romance de Agualusa, A Vida no Céu, é “uma distopia” e que chegará às livrarias portuguesas em Junho. Disse ainda que a Quetzal reeditará a obra de Agualusa. Começará ainda este ano com o romance Um Estranho em Goa.



José Eduardo Agualusa, 52 anos, com o seu primeiro livro, "A Conjura", publicado pela Editorial Caminho em 1988, recebeu o Prémio Revelação Sonangol.

Este foi o primeiro de uma série de galardões que Agualusa recebeu, como o Grande Prémio de Literatura RTP, pelo romance "Nação Crioula", de 1998, o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores, pelo livro de contos "Fronteiras Perdidas (1999), ou The Independent Foreign Fiction Prize (Prémio Independente de Ficção Estrangeira, em tradução livre), pela obra "O Vendedor de Passados", editado em 2004.

A obra "Estranhões e Bizarrocos" (2000), que Henrique Cayatte ilustrou e Agualusa escreveu, foi distinguida com o Prémio Nacional de Ilustração e o Grande Prémio de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian.

"A Feira dos Assombrados" (1992), "Estação das Chuvas (1996), "A Substância do Amor e Outras Crónicas" (2000), "Um Estranho em Goa" (2000), "O Ano Que Zumbi Tomou o Rio" (2002), "O Homem Que Parecia Um Domingo" (2002), "Catálogo de Sombras" (2003), "Manual Prático de Levitação" (2005), "A Girafa que Comia Estrelas" (2005), "Passageiros em Trânsito" (2006), "O Filho do Vento" (2006), "As Mulheres do Meu Pai" (2007), "Na Rota das Especiarias" (2008), "Barroco Tropical" e "Teoria Geral do Esquecimento" (2012) são outros títulos do autor, nas áreas do romance, novela, conto, crónicas e viagens.


Mais informações do autor aqui 

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Um pai em nascimento

José Eduardo Agualusa tem o dom da palavra, tem o dom de me fazer rir com determinadas combinações de palavras e a forma indescritível de como combina certas ideias, é isso que se passa num dos seus mais recentes livro "Um pai em nascimento", onde se coloca perante uma profunda dúvida - "quando nasce um pai?"

"Em que é que um filho modifica a vida de um homem?"

"Estava preparado para muitas perguntas, mas não para aquela. (...) Modifica, claro. Em primeiro lugar, um filho devolve-nos a inocência perante a vida - as crianças inauguram o mundo em cada dia e ao fazê-lo ensinam-nos a vê-lo, novinho em folha, como se também nós voltássemos a ser recém-nascido."

Em curtas histórias e pequenos relatos, Agualusa relata as suas inquietudes, preocupações e as alegrias que partilha com o seu recém-nascido - "... a infância é o que conhecemos mais próximo da eternidade."

Dá vontade de ter um filho!