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sábado, 28 de janeiro de 2017

Opinião "História em Pedacinhos"

"Histórias em Pedacinhos" é como ouvir a nossa avó ou uma tia que nos é querida a contar a grande aventura que foi a sua infância ao emigrar de uma pequena aldeia na Madeira para um lugar completamente diferente no continente sul americano.
Uma vida cheia de mudanças, provações e experiências que nos são contadas na primeira pessoa neste livro.

É ainda de louvar que a autora voltou à escola com quase 60 anos para concluir com sucesso o ensino secundário. Depois de uma vida dedicada à família, Maria Cecília publicou em 2016 o seu primeiro livro que além de uma memória pessoal é igualmente uma homenagem a todos os nossos conterrâneos corajosos que emigram há já várias décadas.

Sempre gostei de ouvir histórias de vida das outras pessoas. Quem me conhece sabe que não pergunto, deixo as pessoas falarem do que lhes der na real gana. Umas vezes estou para ouvir, outras nem por isso. Mas uma coisa é verdade, por mais que adore ouvir falar das viagens, aventuras e desafios dos amigos que emigram, há um gostinho diferente nas histórias que nos são contadas por alguém com muito mais idade que nós, que viveu numa época diferente da nossa, que se lançou para o desconhecido país estrangeiro sem o conhecimento pré-adquirido que hoje levamos na bagagem.
Essas histórias, mais pessoais ou mais genéricas, são muito mais castiças e interessantes que as que ouvimos dos nossos pares. 
Acreditem que daqui a uns anos os nossos filhos e netos vão achar um máximo ficar a saber as nossas aventuras e depois seremos nós os verdadeiros contadores de histórias que estão saudosistas do passado, seremos nós a pensar escrever livros sobre as memórias da nossa infância.

Parabéns à autora a quem desejamos todo o sucesso.

"História em pedacinhos" é uma aposta

sábado, 21 de janeiro de 2017

Opinião "Não terão o meu ódio"


"Não Terão o Meu Ódio"é o testemunho comovente de Antoine Leiris, jornalista de profissão, que perdeu a sua mulher e mãe do seu filho Melvil, nos ataques terroristas de Paris a 13 de Novembro de 2015.
Nós vimos as notícias daqui, com espanto e horror mas não sabemos o que foi lá estar ou ter perdido alguém num tal acto de selvajaria.
É com prontidão que nos sentimos no direito de apontar dedos, culpar e amaldiçoar. É com facilidade que se incitam ódios, medos e represálias. 
Antoine Leiris sofreu, chorou, lutou e combateu a dor de perder a mulher que amava e a magnífica mãe do seu filho mas tomou uma posição, ergueu uma defesa e marcou uma posição.

"Por isso, eu não vos darei esse presente de vos odiar. Vocês procuraram por isso, mas responder ao ódio com a cólera seria ceder à mesma ignorância que fez vocês serem quem são. Querem que eu tenha medo, que olhe para os meus conterrâneos com um olhar desconfiado, que eu sacrifique a minha liberdade pela segurança. Perderam. Continuamos a jogar da mesma maneira."


Uma carta de amor a Hélene e um testemunho de esperança para o filho Melvil, é com carinho que li as palavras tão pessoais de Antoine. Por vezes precisamos de uma leitura destas para nos puxar de volta à terra, ao que interessa e ao que, por vezes, não damos o devido valor.

Façam o favor de ir ter com quem mais amam e aproveitar todo o tempo do mundo com essa pessoa (ou pessoas).

"Não terão o meu ódio" é um livro 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Opinião "Maldito Karma"


Na altura do seu lançamento ouvi um susururu sobre este livro. "hilariante", etc e tal.
A capa não me seduziu, haviam coisas mais interessantes a serem lançadas naquela altura e depois escapou-me.
Outro dia tropecei nele, li as primeiras páginas e pensei "vais comigo para casa".

Quem ainda não teve oportunidade de ler a sinopse, faça-o aqui. Também podem ser um excerto aqui para ficarem com ideia do que falo.

Divertido e introspectivo, este "Maldito Karma" é uma dose de gargalhadas, situações caricatas e um manual que apregoa a solução para um dos maiores flagelos da vida humana, a incapacidade de aproveitarmos a única vida que temos, mesmo que para isso tenhamos de conhecer de perto a jornada de Kim, que mais parece um programa de 12 Passos para a salvação sem ficar maluquinha da cabeça.

Conhecemos Kim num dia muito importante para a sua vida. Finalmente tem a oportunidade de ganhar um prémio que será o ponto alto da sua carreira mas o dia de hoje devia ser para celebrar o aniversário da filha na companhia do marido que na sua ausência profissional constante tem sido o 2 em 1 da casa. Uma vez mais Kim coloca à frente da família o seu trabalho, realização pessoal e até mais qualquer coisa menos "acumuladora de karma"
Mas este fatídico dia é só o começo de uma grande "aventura" da vida Depois da morte.
Vá não é spoiler...aqui podemos dizer. Ela morre!! E não é no fim! !
Numa jornada à montanha russa, com uma companhia peculiar mas compreensível nessas andanças da compensação Karmica, Kim leva o seu tempo a perceber que a conduta que acha normal na sua vida, só a beneficiava a ela. Perceber o impacto que as nossas acções têm na vida dos outros é uma das nossas maiores iluminações. Ou será que só compreendemos isso quando estamos quase a ver a luz?

Fica a música que melhor combina com o livro lido numa assentada mesmo no penúltimo dia do ano.

Uma livro de David Safier editado pela

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Leituras ElsaR/Metade Colorida 2016

E mais um ano que chega ao fim e com estes 12 meses de 2016 muitos foram os livros adquiridos e e lidos.
No ano passado tinha colocado uma meta meia louca e fiquei pelo caminho. Este ano pensei fazer a coisa pelos 100 livros mas fiquei nos 85. Sim...Hoje e amanhã não devo ler nada.
Já tenho planos para 2017. O desafio no goodreads vai ter apenas 80 livros, uma quantidade que tenho conseguido ler.
No entanto, o desafio vai ser outro....
Já viram no nosso facebook o desafio de leitura para 2017? São 24 dicas para nos ajudarem a escolher leituras diferentes neste novo ano que se avizinha.
Eu já tenho tenho alinhavadas as primeiras três leituras do ano....
que rapidamente vão ser atropeladas por outras....mas pronto! :) 
Sigam as actualizações ao desafio de leitura no nosso grupo no facebook (AQUI)

Até lá....vamos relembrar o que se leu por aqui neste 2016
































































E os últimos ainda não têm opinião :) 
E a vossa lista de leitura de 2016 foi menor, maior ou igual à minha?

Boas leituras
é o desejo do Efeito dos Livros para 2017 !

domingo, 18 de dezembro de 2016

Opinião "A Luz entre Oceanos"

"...tinha procurado no dicionário. Ela sabia que se uma mulher perdesse o marido, havia uma palavra nova para descrever o que ela era: era agora uma viúva. Um marido tornava-se viúvo. Mas se um pai perdesse um filho, não havia um nome especial para a sua dor. Continuavam a ser a mãe ou pai, mesmo que já não tivesse qualquer filho ou filha"


Que óptima leitura :) 
Personagens ricas, um narrativa belíssima, descrições pormenorizadas que nos transportam para um cenário que tem tanto de edifico como de aterrorizador e uma questão moral que toca mais fundo quem tem filhos e quem está disposto a tudo para os ter.

Conhecemos Tom Sherbourne no pós guerra. Depois da sua cota parte de horrores, tudo o que mais quer é um lugar pacifico e organizado para passar os seus dias e ter sido destacado para o posto de faroleiro em Janus Rock parece-lhe o rumo certo para uma vida que podia muito bem já ter acabado.
Mas uma série de eventos e pequenas burocracias na escala antes da sua primeira temporada como faroleiro de Janus, levam Tom a conhecer Isabel. 
Nascida e criada em Partageuse, terra de portos de pesca e madeireiros, Isabel viu grande parte dos homens saírem para a guerra mas muitos poucos voltarem, incluindo os seus irmãos.
Conhecer Tom intrigou-a tanto quanto a fascinou e desde o primeiro momento sabemos que há algo especial entre estes dois que ao longo de meses e idas e voltas do barco de abastecimento de Janus Rock se escrevem e casam.
Um romance que floresce numa ilha deserta, uma versão racional de "um amor e uma cabana" que tem tudo para dar certo.


Até ao dia em que uma decisão abre uma brecha na carapaça de Tom, para o bem e para mal. Um barco à deriva traz um bebe indefeso, um que eles deviam reportar assim que apareceu mas o isolamento, a dor de quem tenta ter filhos sem conseguir e o amor que sentem, leva-os a tomar a decisão de abafar o acontecimento e fazer daquela criança a que nunca tiveram.
Mas a mentira tem perna curta e a deles, por mais amor e protecção que dêem àquela criança, acabará por ser descoberta.

Uma história completa, complexa, que nos leva a viajar até à Australia num pós guerra em que tudo está muito fresco, em que não se fala do que magoa. 
No entanto, é uma história que nos faz questionar, o que faríamos nós numa situação destas? Seguíamos o coração ou a razão?

Estou tão curiosa para ver o filme. Ao longo da leitura fui imaginando o pouco que consegui captar no trailer. Já não consigo imaginar a história sem a presença do Michael Fassbender como Tom, Alicia Vikander como Isabel ou Rachel Weisz como Hannah, a mãe biológica do bébe.
Por isso, deixo-vos ficar aqui o trailer. Aproveitem para darem uma saidinha até ao cinema nesta última semana de Dezembro. O filme estreia dia 29 de Dezembro.


"A luz entre oceanos" é uma novidade
Para mais informações, visitem o site Editorial Presença

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Opinião "Hacker 5 - Tua Para Sempre"

Ui...chegámos ao final da série Hacker!


Os nós que damos no fio condutor da nossa vida podem ter muitos significados.
Para Erica e Blake, o nó mais importante que deram na sua vida foi quando ataram os seus rumos e uniram os seus futuros em matrimónio.
Mas há sempre algo que lhe puxa a corda, algo que os faz ter de estar sempre alerta.
Depois de um mês idílico de lua de mel, que provações esperam por Erica e Blake ao voltar à realidade do seu dia a dia?

Entre um regresso à juventude problemática de Blake, aos inimigos que sempre minaram o seu caminho para o sucesso, uma ex ressabiada que teima em não desistir de recuperar o que perdeu faz muito tempo e um complô para destruir a felicidade destes dois, temos a oportunidade de obter respostas a muitas perguntas e conclusões mais do que necessárias para que este casal possa ter o seu happy ending (acreditem que têm muitos...estes dois parecem coelhos!!)


Erica prova-nos ser a mulher forte e determinada que completa a sua cara metade quando as forças lhe faltam.
O passado hacker de Blake é uma linha ténue a que poucos têm acesso mas quando o seu código é usado para viciar algo grande, todos os dedos acusatórios viram-se para ele, colocando em risco a sua liberdade, o seu futuro e a continuidade da sua vida de recém casado com Erica.
Determinado em não remexer mais no passado, o que Blake fará para se defender?
Até onde está Erica disposta a ir para salvar o homem que ama e com quem quer passar o resto dos seus dias?
Até que ponto estão ambos preparados para descobrir, uma vez mais, que alguém próximo pode não ser bem a pessoa que pensam é?

Uma série que ganhou um fôlego final nestes últimos dois capítulos lidos de rajada em dois dias, Hacker relembra-nos que o melhor caminho para o futuro é o perdão mas antes de perdoarmos os outros temos de começar por nós desculpar e perdoar a nós mesmos.

Uma óptima prenda de Natal, oferecida assim em conjunto e que está a passatempo aqui no blog.
Que tal? Já participaram?

A série Hacker é uma aposta
Relembro a opinião aos restantes livros da série

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Opinião "Hacker 4 - Paixão sem limites"

Em todas as relações há limites, abençoados que têm uma ligação sem restrições , alguns segredos ou divergências para resolver . 
Depois do que conhecemos de Blake e Erica eles continuam a ter mais coisas sobre a mesa do que desejavam.


Depois de tanta dança e contra dança continua a existirem passos em que este duo não acerta. O passo decisivo na relação dos dois não pode ser dado enquanto Blake não se despojar das camadas que compõem a sua persona
Erica desconfiava que a sua necessidade de controlo na vida, na cama e nos negócios Corria bem mais fundo do que o inicialmente pensado e não estava enganada.
Mas até que ponto está ela pronta para lidar com isso?
Quanto mais controlo necessita landon para ser fiel a si mesmo?
Quanta mais submissão está Erica disposta a dar para viver em pleno com o único homem que interessa?

Neste quarto capítulo da série Hacker acompanhamos os passos decisivos e possíveis retrocessos na vida de Erica e Blake.
Entre um passado obscuro, uma ex vingativa, um rasto criminal que os persegue,  laços familiar nocivos e um negócio que tem tudo para correr mal, o que mais pode acontecer na vida destes dois?

Curiosamente, é neste livrinho que os senti a crescer como casal, com a partilha dos seus pensamento, desejos e medos.
Blake continua a ser a criatura que tem tanto de dominadora como é protectora e Erica, que embora parte dum duo seja a estrela da série, aprende valiosas lições neste capítulo.

Curiosamente este foi o livro que mais me agarrou da serie. Além de dar respostas, leva-nos por momentos sensuais e de ação capazes de nos tirar o fôlego.

O que vou fazer a seguir?
Ler o 5o livro.
Este foi lido num dia :) e o outro também será!

A série Hacker é uma aposta

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Opinião "Promete-me"

Nunca subestimes nada nem ninguém. 
Um livro pequeno pode conter uma história poderosa e "Promete-me" prova isso mesmo.


Devorei a história de Beth em meia dúzia de horas. Tornou-se tão socialmente aceitável estar a olhar para o telemóvel que eu só me torno ainda mais anti social se tiver interessada num livro que ando a ler em formato digital.

Quando li a sinopse lembrei-me dos filmes e séries que já vi em que abordavam o tráfego humano mas nunca nos é colocado diante dos olhos certos horrores mas ao ler o que li, a minha imaginação soltou a rédes e tive cenas em que precisei de um momento para respirar.

Beth tinha uma vida perfeita. Os pais amorosos, o namorado dedicado, uma vida adulta a começar, até ao dia em que Beth foi raptada e a escuridão se apoderou dos seus dias.
O tráfico humano é uma realidade cruel num mundo onde não é justo ser mulher.
Condenada a ser escrava de um nojento sem piedade, Beth lutou e sofreu durante 7 longos anos.
O que sofreu? Como escapou? Que cicatrizes marcam o seu corpo e alma?
Haverá futuro para uma sobrevivente ou é apenas uma questão de tempo até que Beth se veja novamente enredada na teia venenosa do Mestre?


Numa narrativa intercalada que nos elucida sobre passado e nos desbrava caminho no presente, "Promete-me" é uma historia assustadora de luta e sobrevivência que nos consegue deixar de boca aberta uma ou duas vezes não sem nos lembrar que até nas vidas mais negras há luz e esperança.

Curiosas influências de um episódio macabro de Mendes Criminais, Hawaii 5-0, Sons of Anarchy e um bom romance erótico que consegue ainda nos fazer rir e deixar penduradas para a sua continuação.

Relembro:
Um romance obscuro, com elementos ásperos, tais como linguagem forte, violência e conteúdo sexual forte. “Promete-me” é o primeiro livro da série “Hoje e Sempre” e contém temas sensíveis para algumas pessoas.



E sim, não é para pessoal de estômago fraco. Antes de ser erótico é de agoniar.

Notas desta leitura que é uma croma a fazer marcadores em livros digitais:
expressões que me soam em PT-Brasil. Têm lógica visto que a autora é uma mistura dos dois lados do Atlântico.
Adorei o Alec mas só acho que o homem procedeu mal logo ali no início mas epah, quem sabe, talvez fosse manobra de distracção para que Beth, depois de um ataque de pânico, tivesse outras coisas mais interessantes em que pensar :P

Relembro que temos a decorrer um passatempo em que oferecemos um exemplar deste livrinho para todos os participantes deste e do outro lado do Atlântico.

BOA SORTE e boas leituras :D

"Promete-me" é um livro
Para mais informações visitem o site
ou o facebook da autora

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Opinião "Os Hóspedes"

Nunca tinha lido um livro de Sarah Waters. Só consigo pensar "que desperdício! Nem imagino o que ando a perder.
Majestoso....


Esta viagem aos anos 20 em Londres, num período pós guerra, em que uma solteirona nobre e empobrecida vê a sua vida, coração e mente virada do avesso com a entrada de inquilinos na casa de família é talvez um dos livros que mais gostei de ler este ano.
Por vezes aquilo que mais preciso é ler um livro que não entra automaticamente na minha wishlist. Há livros que têm de forçar a entrada, fincar o pé e dizer que não vão sair dali até eu os ler.
Ainda bem que este "Os Hóspedes" fez isso. Que lufada de ar fresco!

Conhecemos Frances a tomar conta da mãe e do casarão de família. A guerra e a morte do pai despojaram-na da fortuna, obrigando-a a racionar a comida e a meter as mãos no trabalho braçal doméstico.
Residentes na prestigiada Champion Hill, Frances e a mãe acabam por se ver obrigadas, um pouco contra à sua educação e estatuto, a alugarem parte da casa a um casal novo, Lily e Leonard Barber. 
Do incómodo inicial a uma amizade espontânea que se cria entre Francês e Lilian, vemos o princípio de algo mais, algo indecoroso, algo que se mantém em segredo.
Mas os grandes casarões rangem e albergam muitas histórias. Que segredos alberga a casa e Champion Hill?
Que segredos se sussurraram em salas vazias? 
Quão grande é o problema de ouvir a voz do coração em vez da voz da razão?

(Ilustração do Finantial Times)

Composto por três actos, este romance trágico leva-nos por um carrossel de emoções, em que damos por nós mesmos a perguntar "no que te meteste Frances?"
As coisas que se fazem por amor, no amor e devido ao amor...
Loucuras!

Sem dúvida uma grande sugestão de leitura. Quem sabe uma boa prenda de natal...ahhh talvez não para uma mãe, prima ou amiga com uma mente muito fechada. Não queremos que ninguém fique pelo rés do chão e não conheça o quanto podem ser libertas as vistas do primeiro andar.
;)

Faz algum tempo que tenho na estante "Um toque de veludo" à minha espera. Acho que não deve faltar muito para o ler.
Resumindo...acabei de ficar de olho noutra autora.

Sarah Waters é uma aposta

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Opinião "A Célula Adormecida"

Nestes últimos meses, quantas vezes ficaste pregado à tv a seguir atentamente as notícias sobre um novo ataque terrorista?
Quantas vezes sentiste o pânico por ver os ataques acontecer em cidades que te são familiares, em sítios cada vez mais perto de casa?
Quanto tempo achas que vai demorar até Lisboa aparecer no final da frase "atentado terrorista em..."?


Foi com esse pensamento que mergulhei de cabeça no tijolo literário que Nuno Nepomuceno nos traz com este "A Célula Adormecida"​
Pela sinopse sabia que o palco seria a cidade que me recebe todos os dias pela manhã, para mais um dia de trabalho. O que não estava à espera era de conseguir visualizar ruas, movimentos, sombras e todos os detalhes de uma história que sobe ao palco em Lisboa e começa com um ataque terrorista em pleno Marquês do Pombal. Acreditem que nunca mais vou olhar para um autocarro da CARRIS com os mesmos olhos.

No mesmo dia em que um homem se faz explodir em pleno centro de Lisboa, uma bandeira do auto proclamado Estado Islâmico é hasteada no cimo do Parque Eduardo VII e como uma desgraça nunca vem só, nessa mesma altura aparece morto o recém eleito primeiro ministro.
Este dia negro para o país é ponto de partida para o mundo de "A Célula Adormecida", um livro que me deixou mais elucidada em termos políticos, que me deu a conhecer aspectos da cultura muçulmana que me eram desconhecidos e que me fez devorar umas centenas de páginas em meia dúzia de dias.

O professor com uma ferida aberta no seu passado, a jornalista da fachada cuidada com o interior que se desmorona, uma família sobrevivente com um pai comedido, uma filha inocente e um filho catalisador.
A visão pelos olhos destes interveniente permite-nos um exercício que acho que não fazemos vezes suficientes, o de nos colocarmos no lugar dos outros. É fácil julgar, tomar decisões precipitadas, alimentar preconceitos com base na ignorância e no medo mas o que é muito difícil é vermos as coisas de um outro ponto de vista que não o nosso.

"A célula adormecida" tem todos os ingredientes para continuar a gerar novas edições. Uma lição de história, actualidade, aceitação, revolta e um sem numero de sentimentos que nos povoam ao longo da leitura. 
Não descansei enquanto não o terminei.
E não vou descansar enquanto não levar mais gente a conhecer o mais recente livro do Nuno Nepomuceno.

Hoje é o lançamento oficial do livro.
Fica o convite

Uma aposta

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Opinião "Viveram, riram e viram que era bom"


Quando vi o título e a sinopse do mais recente livro de David Arnold dei comigo a pensar "hã? Não percebi!" Mas depois de 281 páginas de homenagens tocantes, amores transcendentes, laços de amizade inquebráveis, primeiros beijos ribombantes, divagações de mentes pesarosas e músicas com flores que brotam do coração, o meu entendimento é total quando olho e leio "eles VIVERAM, eles RIRAM E eles VIRAM QUE ERA BOM"

Conhecemos Vic na esquadra da Polícia. Não seria um bom sinal não fosse toda a jornada e a lição de vida que Vic absorveu nos últimos dias e que o levou até ali.
Órfão de um progenitor digno de citação, Vic sente um vazio enorme com a ausência do pai e vê-se em falta para com a sua memória, em especial quando a mãe começa a seguir em frente e Vic teima em manter a ferida aberta por mais tempo.
Disposto a dar resposta aos últimos desejos do pai e a dar sentido aos pensamentos dispersos na sua cabeça, Vic parte sem no entanto ir muito longe e não sem antes ser "adoptado" pelo grupo mais curioso, genuíno e coração aberto que algum dia poderia encontrar.
Mad, Baz, Zuz e Coco....tudo histórias pessoais que se envolvem num plano superior e que, nos seus jeitos e personalidades especiais, vão influenciar a jornada de Vic.

(parte da capa original do livro em inglês - Kids of Appetite)

E se a sinopse, como eu disse anteriormente, possa não fazer combinar nada com nada ao início, garanto-vos anuncia um mundo abstracto, de inclinar a cabeça e apreciar uma obra de arte.
Desafio-vos a testar o vosso apetite por algo diferente, a olharem para as coisas de um outro ponto de vista e de, acima de tudo inserirem no vosso dia algo que li aqui e que gostava que fosse uma máxima do mundo 
"A forma como vivemos não tem nada a ver com a forma que tratamos os outros"

Se "Viagem à procura de mim" não me apanhou, este "Viveram, riram e viram que era bom" apanhou-me na curva, levou-me para casa e não me larga desde então.
Ainda há uma parte de mim, num dos muitos diagramas de Venn que caracterizam a minha pessoa, que encontra a junção perfeita para apreciar em pleno este livro


Até lá, ao momento em que temo perder a capacidade de apreciar um bom livro YA quando tenho o dobro da idade do público alvo, deixo-vos com outra música com flores no titulo e que me mete mais à direita daquele diagrama mas que sempre constou da minha playlist pessoal.


Boas leituras e boas vidas.

 "Viveram, riram e viram que era bom" é uma novidade