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segunda-feira, 1 de junho de 2015

«O bizarro incidente do tempo roubado» de Rachel Joyce :: Opinião


"Só quando o relógio pára é que o tempo realmente vive.", William Faulkner


Esqueçam o bizarro incidente, esqueçam o tempo, só não esqueçam o roubo. O roubo que o tempo faz nas vidas que se tornam bizarras e insólitas devido a incidentes que nunca deveriam acontecer. 

No decorrer do enredo serão também incapazes de esquecer Byron e Diana Hemmings ou até o brilhante James Lowe, os seus talentos e igualmente o desespero que tornam esta história envolvente e enternecedora. São os segredos do passado que determinam o rumo do futuro e que nos levam a questionar quem é Jim e o que faz nesta história... é refinada a forma como Rachel Joyce nos leva aos extremos de cada vida ali envolvida. 

Dividido em três partes e umas dezenas de breves capítulos com títulos que deixam suspeitar rituais e pequenos desfechos determinantes, somos levados para dentro desta família, bem pouco coesa e talvez até muito típica para a época e somos igualmente transportados para o ambiente escolar de Byron e James, num misto de conspiração juvenil, com diagramas e projectos com que se propõe a resolver as consequências do bizarro incidente do tempo roubado.

Todos eles procuram pequenas coisas com que melhorar o seu dia a dia e a vida dos que os rodeiam. Byron é quase discípulo de James, mas é igualmente peculiar e com uma visão do mundo muito sui generis.

"Um fragmento de uma nuvem rápida estilhaça o prato de porcelana da lua."

A escrita de Rachel Joyce contribuí bastante para um certo ambiente noir, com toques de insólito, num misto de crónica dos bons costumes e até tem leves rasgos de comédia, especialmente pelos comentários e perspectivas de Byron, mas também pela intelectualidade um tanto inocente de James. Há também ao longo dos acontecimentos um silêncio imposto e agreste causado pelo patriarca, o pai ausente, autoritário e critico e esse ambiente também é bem conseguido pelas descrições que tornam frias as horas passadas em família. 

"Era como espreitar a casa de outra pessoa pela janela e ver a vida de uma perspectiva diferente."

A perspectiva muda radicalmente com a chegada de Berveley às vidas de Diana e Byron, retirando-os da "zona de conforto" imposta pelas regras do pai e da vida social a que se sentiam obrigados a viver. É em momentos de menos zelo e até medo que Byron percebe melhor a mãe que está escondida por debaixo da mãe que já de si era diferente de todas as outras.

Se durante a leitura tivéssemos um caderno de observações como Byron, anotaríamos que neste romance Rachel Joyce é exímia em contar uma história, alimentando sempre a curiosidade do leitor, caracterizando bem cada personagem, tornando-os próximos de nós, mesmo com décadas de separação... se também fizéssemos um diagrama como James talvez adivinhássemos a reviravolta mais cedo e assim digerí-a-mo-la melhor.

Num capítulo intitulado "surpresa" somos brindados com uma viagem às sonoridades dos anos setenta, com "Puppy Love", dos bons momentos entre Diana e Berveley e depois uma playlist onde inclui o very best dos Bread ;) Carpenters e Gilbert O' Sullivan.



Vale a pena entrar neste relato bizarro, caricato e até um tanto melancólico.

*

Uma leitura com o apoio PORTO EDITORA.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

«O bizarro incidente do tempo roubado» de Rachel Joyce


Depois do sucesso de A Improvável Viagem de Harold Fry, ganhador do National Book Award e bastante bem aclamado em geral, é a vez de descobrirmos o novo romance da autora.

«O bizarro incidente do tempo roubado»

Sinopse
Em 1972, foram adicionados ao tempo dois segundos para compensar o movimento de rotação da Terra. Byron Hemmings está fascinado por este fenómeno. Nesse mesmo ano, envolve-se num acidente de consequências devastadoras. 

Byron e James Lowe, o seu melhor amigo, estão convencidos de que a culpa foi daqueles dois segundos. Assim, decidem iniciar uma investigação para apurar as verdadeiras razões de tal acidente. Mas desafiar o destino pode ser perigoso…

Rachel Joyce confirma o seu talento de grande romancista, com este retrato de uma família levada ao desespero pela obsessão de uma criança.


Críticas de imprensa
«Um livro surpreendente. Apeteceu-me abraçar Byron, o jovem protagonista desta história. Gostei de Diana, a mãe de Byron. Ela vive uma existência idêntica a milhões de outras mulheres - tão normal e, no entanto, tão trágica. Rachel Joyce consegue, com mestria, apreender as luzes e a sombras das nossas vidas.»
In Goodreads

«Um romance empolgante sobre as restrições esmagadoras que uma classe social pode impor, o fardo das expectativas dos pais e o estigma ligado às doenças mentais.»
The Independent


Mais informações do livro no site da PORTO EDITORA.