sexta-feira, 15 de outubro de 2010

é por isso que eu gosto de ler em silêncio

Cada gota de silêncio é a chance para que um fruto venha a amadurecer.
Paulo Valéry

Deus viaja sempre incógnito

"Finalmente terminei"! Não porque o livro me estivesse a cansar, nada disso antes pelo contrário, mas digo "finalmente" porque demorei muito tempo a lê-lo, o que normalmente não acontece. No entanto, com este livro era impossível acontecer o contrário. Este livro fez-me pensar, pensar bastante, em vez de lê-lo fui-me perdendo nos meus pensamento... e olhem que quando eu me perco a pensar, perco-me mesmo! Aliás costumam dizer-me que penso demais ;\

Este romance é sem dúvida um livro de auto-ajuda disfarçado, camuflado nas histórias de amor superficiais, um livro que nos quer ensinar, de uma forma indirecta a olharmos a nós mesmos, aos nossos medos, às nossas inseguranças, mostrando que o caminho se faz muito mais curto, prazeroso e até menos penoso se adoptarmos algumas estratégias.

Em parte alguma se diz que é fácil!
Este livro fez-me mesmo pensar, dobrei muitos cantos de muitas páginas, reli por vezes mais de duas ou três vezes a mesma frase e tentei repetir a ideia para mim, fixá-la... pois bem precisava de fixar alguma delas. Confesso!

O incógnito na nossa vida pode ser Deus, por ser uma decisão, pode ser o companheirismo da pessoa que amamos, pode ser um sentimento, uma emoção... só precisamos é de o descobrir, sentir, presenciar e deixar de vê-lo como incógnito. Este é um livro que nos mostra que o caminho é para a frente, mesmo que por vezes se façam algumas curvas e o caminho demore mais a percorrer. É importante não regredir, não perder a força, devemos sempre levantar a cabeça e orgulharmo-nos de nós, reconhecer as nossas capacidades, mesmo que muitas vezes estejam escondidas.

Desde que comecei este blog, sem dúvida foi um dos livros que mais significado teve para mim nestes tempos de dúvidas, inseguranças e muitos pensamentos... é assim, sou eu mesma, mas tento ser feliz, o difícil é que quero ser sempre, todos os dias;) Mas afinal quem é que não quer?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Afinal há livros que viram filmes

Assim como tinha falado no post sobre "Um dia" de David Nicholls, este filme vai ser mesmo transformado em filme e já estão a decorrer as filmagens.

como Dexter e Emma
:) vamos aguardar visto que só sai para o ano. 


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O sono e a Leitura

Ler, normalmente não me dá sono, mas se o local a tal convidar é sempre difícil resistir, por isso esta semana é definitiva... vou fazer um cantinho para leitura... desta vez a sério...

Algumas inspirações:







Há dias assim...

Há dias assim...










em que a gente enfia a cabeça num livro e simplesmente lê, lê sem parar!


Depois há os outros dias...









em que a gente só consegue enfiar a cabeça na almofada e o livro adormece sem ser tocado, lido, folheado...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Opinião - "9 Plantas do Desejo" de Margot Berwin


Sinopse
Pouco depois do divórcio, a publicitária Lila Nova compra a sua primeira planta.
Trata-se de uma exuberante estrelícia e o vendedor é David Exley, um agrossexual rude, que promete fazê-la ver estrelas. Lila fica imediatamente obcecada - pelas plantas e pelo homem que as vende - mas, quando David a inicia no mito das nove plantas do desejo e depois de ela conhecer um homem chamado Armand que diz possuí-las todas, a sua obsessão alcança dimensões inesperadas.
Porque, segundo a lenda, se ela encontrar todas as plantas, verá cada um dos seus desejos mais profundos realizado.
Mas Lila confia em quem não deve e, em breve, ver-se-á envolvida numa aventura inesperada: no coração do Iucatão, sozinha, com uma mochila carregada de guias turísticos e um champô demasiado caro, acabará por desvendar os mistérios da selva - e da sua própria vida. 

Com uma breve pesquisa passo a explicar o que fique a entender ser um agrosexual.
  • a male who has farmed or currently farms and displays strong metrosexual tendencies
Pelo que Lila, a heroína da história descreve, um agrosexual é um homem arranjado e preocupado com o seu aspecto que não se importa...PERDÃO....que gosta de sujar as mãos na terra.
Tinha de começar por aqui visto que toda a gente, incluindo eu, franzimos o nariz quando nos deparamos com esta expressão. Já tínhamos ouvido falar dos metrosexuais, esta é a versão mais "do campo".

Confesso que não sou grande apreciadora de plantas, de facto, elas morrem com facilidade à minha volta. O facto de me esquecer delas não abona muito à sua existência.
Curiosamente este livro agradou-me imenso, especialmente pelas curiosidades interessantes sobre as plantas, as 9 plantas dos desejos e as outras que vão aparecendo ao longo da história.
Voltamos a uma mulher divorciada, assim como Elizabeth Gilbert em "Comer, Orar, Amar" e começo a achar que este é um mercado a florescer. 
Se habitualmente as mulheres compram livros por se identificarem com a personagem, com tema ou história temos, neste livro, meio caminho andado para um bestseller.
Mulher divorciada, corajosa e decidida parte numa aventura pela selva Mexicana. Bem, em tempos mais desanimadores como os dias de hoje, nada como ouvir falar do sucesso de alguém como nós para nos motivar a andar para a frente.
Parabéns Margot Berwin, Elizabeth Girlbert e muitas mais, toca a florescer o mercado de livros PushUP das mulheres de todo o mundo.

Este livro é uma viagem pelo mundo das plantas, dos homens, da mente feminina e das suas grandes falhas em se compreender a si mesma.

PS: a capa tem uma textura espectacular. Bela tirada Senhores da Porto Editora
Ah e o filme está a ser "feito"....staring Julia Roberts :D novidades novidades!!!

"Highlander - Amante Imortal" de Karen Marie Moning

ATENÇÃO: Macho alfa letalmente sedutor, de uma força imensa e sombrio erotismo. Não olhar. Não tocar. Não se deixe tentar. Não se deixe seduzir…

 
Sinopse:
Com os seus longos cabelos negros e olhos escuros magnetizantes, Adam Black significa Sarilhos com S maiúsculo. Imortal, arrogante e intensamente sensual, ele vive através dos tempos e dos continentes em perseguição dos seus apetites insaciáveis. Até ao dia em que uma maldição o destitui da sua imortalidade e o torna invisível - cruel destino para homem tão irresistível. Agora a única esperança de sobrevivência para Adam está nas mãos da única mulher que o pode realmente ver.
Para Gabrielle, uma estudante de Direito amaldiçoada com a capacidade de ver ambos os mundos, é o início de uma longa e perigosa sedução. Quando a demanda de Adam para recuperar a sua imortalidade os faz mergulhar num mundo de magia intemporal, o preço da rendição bem pode ser a própria vida. Tudo por um destino que poucos mortais jamais conhecem: um glorioso, assombroso, infindável amor… 

A minha opinião
Prazeroso, devo dizer que sim.
A meio do livro cheguei a achar que o calor que sentia (embora estivesse na praia) não se devia  só ao sol.
Imaginar a personagem principal, Adam Black é um exercício que permitia clonar umas mão cheia de homens bons e junta-lo num só.
Inicialmente, todo o conceito Fada soava-me um pouco ridículo. Vá a minha mente de abstrair da Sininho e imaginar um homem de 1,90m, musculado e interessante.
Gostei imenso do livro, tive pena de não ler os anteriores visto que fala de uma zona que me agrada muito, as Highlands. Já não é o primeiro livro que leio que aborda o tema, embora o género seja todo o mesmo....fantástico, fantástico erótico ou o que é que se chama ao tipo de livros que gosto de ler e que me entretêm e muito.

Acho que é fiel ao seu género e para quem gosta, como eu, de certeza que vai adorar Adam Black :D

:D

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Opinião - "Um dia" de David Nicholls


"A totally brilliant book. Every reader will fall in love with it"
Tony Parsons

SINOPSE
Podemos viver toda uma vida sem nos apercebermos de que aquilo que procuramos está mesmo à nossa frente.

15 Julho de 1988 
Emma e Dexter conhecem-se na noite em que acabam o curso. No dia seguinte terão de seguir caminhos diferentes. 
Onde estarão daqui a um ano? e no ano depois desse? E em todos os anos que se seguirão?

:) 
Opinião
A ideia geral da história foi a razão principal da minha compra.
Sabia que este livro me ia tocar, fazer soltar uma lágrima e sorrir compulsivamente nos detalhes cúmplices de uma amizade que eu em tempos vivi.

Este livro fez-me pensar, analisar e chegar a algumas conclusões, sobre a realidade e a ficção.

Ema disse: "Eu amo-te, sempre te amei, mas não gosto de ti neste momento".
Por vezes os nossos actos nem sempre são fieis aos nossos sentimentos. Chamem-lhe inocência, ingenuidade, despreocupação, falta de interesse ou até cegueira emocional, mas por vezes, necessitamos de uma luz que nos ilumine os pensamentos e nos leve a ver o que realmente importa.
Seja para o bem, seja para o mal.

Um dia.....deveria dizer, um dia olhamos para trás e percebemos que gostar da mesma pessoa durante anos sem se ser correspondido é como andar às voltas num labirinto. São todos misteriosamente belos mas andamos por lá perdidos na ilusão que um dia conseguimos encontrar a saída. Damos voltas e voltas até chegar a becos sem saída. 
Somos como hamsters domesticados, entretidos nas nossas rodinhas, sem sair do lugar, contentes porque nos dão comida e água mas ansiamos sempre que nos tirem da jaula e nos levem para o colinho enquanto vêem televisão no sofá.

Amar alguém que nos vê como amigo bate forte, como Emma e Dex, "bate" durante anos. A todos os que um dia tiveram ou ainda têm uma história à Emma e Dex, não hesitem em ler este livro. Pode ser encarado de tantas maneiras diferentes, tudo difere do estado de espírito e do nível de aceitação em que estão.

A mim, fez-me sorrir por algo do passado e que já não volta. 

Quando ao autor, David Nicholls tem mãos mágicas a escrever guiões porque ao longo de cada página a minha mente foi imaginando todas cenas, todos os detalhes, por isso, PARABÉNS DAVID NICHOLLS, fiquei fã.
Honestamente, espero que façam um filme deste livro. 
:)
A surpresa é....
fizeram!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Só no escuro podes ver as estrelas, Cristina Boavida

Fugirias com alguém que não conheces?
Fugirias ainda para mais com alguém que meteu outros em perigo?
A tua vida é assim tão chata que desaparecias com um estranho, sem saber para onde vais?
O que farias para mudar a rotina e o aborrecimento na tua vida? Embarcar numa nave espacial?

Eu não saberia bem o que responder, mas as aventuras de Sofia saberão de certeza!

Um livro inesperado, mas bem contextualizado nas tendências actuais da literatura juvenil.

Revelou-se um bom presente.

"O Chamamento" de Augusto Cury Opinião

Augusto Cury investigador dedicado às temáticas da qualidade de vida e desenvolvimento da inteligência multi-focal, através de muitos dos ensinamentos da Bíblia, chega até nós com o Livro "O Chamamento" ou o 1º volume do Vendedor de Sonhos, relatando a história inesperada de um maltrapilho, dono de uma inteligência fora do comum, de um poder de argumentação extraordinário e ainda de uma capacidade social muito grande. O vendedor de sonhos vai reunindo à sua volta pessoas desesperadas que encontram nas suas palavras o conforto e a compreensão que não encontraram em parte alguma da sociedade onde estavam inseridos.

Esta saga do pensador maltrapilho, continua no segundo livro, "A revolta dos anónimos", o qual fiquei um pouco desiludida pois parecia que estava novamente a reler o primeiro livro, talvez os lesse muito seguidos, até porque todos os livros de Cury, foram boas fontes de conhecimento. Assim, fica a vontade de pegar novamente naquele que foi, sem dúvida, o melhor: "Maria, a maior educadora da História".

«O naufrágio da luz» de Hermán Neira - Opinião



Ameland, a ilha hostil inóspita para onde um jovem faroleiro é enviado, uma ilha onde o calor humano ou simplesmente a socialização fica muito a dever à normalidade e ao desejável, ainda assim, este jovem proibido de ir para o mar descobre em terra o seu próprio naufrágio.

Mais não digo, leiam, pois é altamente viciante, apesar de ser ler em 2ou3 horas eu quis levar 2 ou 3 dias de tão bom que era.

A aguardar por mais de Hermán Neira.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Homem que sonhava ser Hitler, Tiago Rebelo


O Homem que sonhava ser Hitller, é um dos mais recentes romances de Tiago Rebelo. No entanto a minha "relação" com os romances deste autor já é longa data, mas nem sempre tão proveitosa como com este último romance, que  é para mim, quase um policial político!?!? (se é que esta categoria existe).
Depois de ter lido "És o meu segredo" e ter gostado bastante, percebi que já me tinha cruzado com este autor em "Não vou chorar o passado" e com a obra infantil "Amarguinha" com a qual fiz alguns trabalhos de literatura infantil.

Voltei mais tarde às leituras de algumas das suas obras com "Encontro em Jerusalém" e "O Tempo dos Amores Perfeitos", ambos lidos nas férias, fruto das requisições na Biblioteca. Alguns anos depois cá estou perante este novo título me despertou enorme interesse, ou não fosse eu ter um fanático pela 2ª Guerra Mundial/Hitler em casa.

Surpresa, surpresa... O Homem que sonhava ser Hitler foi lido pelo Paulo com elevado empenho e foi partilhando comigo algumas passagens que aguçavam a minha curiosidade e quando passou para as minhas mãos foi lido com a mesma energia e voracidade para que percebesse o desfecho desta história actual, política e que nos levou a muitas conversas paralelas.

Tiago Rebelo imprime um ritmo de leitura incessante que nos deixa preocupados por saber o que acontece a seguir, são diversas histórias que se cruzam e que estão invariavelmente ligadas por ideias e crenças políticas, tendências ou simplesmente ideais mais frescos e pouco fundamentados que nos fazem criar para esta história diversos desfechos possíveis. Quase que loucamente, o leitor perde-se em teorias e acaba sempre por estar enganado, o que aumenta ainda mais a curiosidade de ler e ler incessantemente até chegarmos ao fim.

O final é impensável, tão simples e quase hilariante, isto se tivermos em conta todas as nossas especulações (minhas e do Paulo) , talvez por ser um tema tão actual e tão discutido, tanto em Portugal como no contexto Europeu, especialmente com o surgimento galopante de políticas e tendências nacionalistas de extrema direita.

Leiam e depois digam-me quem é que sonhava ser Hitler!!!???



segunda-feira, 6 de setembro de 2010

"Sexualidade, uma breve introdução", de Veronique Mottier - Opinião

Depois de Henry Miller me cansar com tantos detalhes no seu «Sob os telhados de Paris» mas para não fugir ao tema e expandir conhecimentos adquiri "Sexualidade, uma breve introdução", de Veronique Mottier.

Uma obra que nos pretende elucidar para a evolução da sexualidade, a definição de conceitos e abrir a mente para novas tendências.

Um livro muito interessante e que nos deixa com curiosidade de expandir as nossas leituras, especialmente em áreas que desconhecíamos ou das quais há pouca informação. Fiquei bastante surpreendida com alguns factos e datas, especialmente relacionados com a aceitação e clarificação da homossexualidade e tendências daí consequentes, bem como as políticas eugénicas ou as dificuldades do universo trans.

Um relato interessante de ser ler!

«Auto-retrato de um escritor» de Haruki Maruakami - Opinião

As férias terminaram, mas a vontade de leitura e de relax continuam sempre! 

Em férias, Marakami foi um bom companheiro para as águas gélidas de Valhelhas;)



Apesar de não nos querer incentivar ou vender a ideia de que a Corrida é a melhor actividade física que um ser humano pode ter, a verdade é que a leitura do seu "Auto-retrato" me deu vontade de correr... algumas das vezes de correr até água em Valhelhas e correr de volta para a toalha apanhar banhos de sol, pois o autor tem toda a razão quando diz que "o sofrimento é uma escolha" e, por enquanto, correr para mim é mesmo um sofrimento!!!

Contudo, o livro de Murakami está muito bem escrito e até bastante encorajador, apesar de ele nos referir que não é esse o seu interesse, ainda assim sentimos nas suas palavras o quanto é importante a sensação de ser capaz de terminar uma Maratona ou quem sabe uma Ultramaratona ou até participar numa prova de Triatlo.

Para mim todas as situações são familiares, porque tendo quem goste de correr à minha volta ou até quem participa e lida com as vicissitudes do Triatlo, o livro tornou-se ainda mais delicioso de ler e ficou a ter bastante significado para mim.

É sem dúvida um guião para a auto-determinação, para a motivação e força pessoal, mostrando o quanto a persistência pode ser uma qualidade essencial para que nos sintamos vivos!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"Um dia" de David Nicholls

"Um dia" de David Nicholls insere-se na categoria de "este livro dava um filme".

Consigo traçar na minha mente os planos perfeitos para cada cena. A incidência da luz ao mergulhar no quarto sobre dois estranhos amantes entrelaçados que aproveitam as últimas horas de uma noite que não dormiram.
Consigo ver o personagem masculino a deambular por Roma, confiante no seu charme bóemio, enquanto aquela luz maravilhosa o envolve...consigo, acima de tudo, apenas estando na 38º página, saber que vou adorar este livro.
Nas primeiras dez páginas encontrei o ponto de familiarização com a minha realidade e estou, alegremente a passar páginas, no livro da "amizade" entre Dexter e Emma.

Pior que "viver a vida inteira sem nos apercebermos de que aquilo que procuramos está mesmo à nossa frente" é saber o que temos à nossa frente e não fazermos nada para que seja nosso.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A viagem do Elefante - Opinião

Passados não sei bem quantos anos, decidi que queria voltar a ler Saramago. E peguei em "A Viagem do Elefante".

Começo já por dizer que adorei o modo como está escrito, pelos jogos de palavras, pela inteligência como certas ideias estão colocadas, mas sinceramente tenho a necessidade de dizer que o livro me chateou, cheguei a achá-lo enfadonho! Dos muitos últimos que tenho lido este foi realmente cansativo de ler, não me apetecia, cansava saber que ia continuar a seguir com os olhos as palavras que descreviam, sempre, desde o princípio até ao fim, a viagem de certo Elefante desde Belém até Valladolid e depois até à Áustria...

Será que há aqui um detalhe histórico que me falha?
Existe alguma ironia e critica à monarquia dessa época que eu desconheço e então a história perde o sentido e o interesse?

Ainda assim quero dizer que o modo como está escrito é sem dúvida o melhor deste livro, Saramago descreve-nos o Elefante como um ser equiparável às pessoas que o rodeiam, ou melhor, em certas fases, um ser superior! E é sem dúvida o Elefante que faz toda a diferença.


Está tudo na cabeça, romance, Alastair Campbell, opinião

Está tudo na cabeça, não podia estar mais de acordo com a afirmação do autor e director de comunicação e estratégia do ex-ministro Tony Blair.

Sem dúvida que a cabeça comanda o corpo, a vida, as decisões, as relações, as manias, as depressões, as alegrias e até a morte.

É um livro fantástico, escrito de uma forma devoradora, que come, sem peso nem medida as nossas horas, as nossas ideias, até sermos capazes de terminar mais um capítulo e outro e ainda outro e sem darmos por isso termos terminado o livro.

No fim a sensação é de cansaço, afinal está tudo na cabeça e este livro pede uma dose substancial de reflexão, inclusive marcante, que durante dias me fez lembrar no desfecho que as vidas levam. E tudo fica na nossa cabeça!

The Times, comentou-o assim "Um romance notável... uma experiência absorvente e inesquecível."
EXACTAMENTE! Leiam, recomendo vivamente!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Opinião - "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago



Talvez um dos melhores livros que já li, se não o MELHOR.
é verdade, não li muitos mas este deixou-me de rastos.
é poderoso,
tocante
marcante
perturbante
pega na nossa imaginação e esfrega-a no chão, no lixo, deixa-a moribunda na valeta enquanto nos mostra o nível baixo a que podemos chegar.
Demorei um pouco a digerir a escrita, é diferente, completa e complexa.
O livro agarrou-me do princípio ao fim, dava por mim a pensar na história sem a estar a ler.
Dei por mim a olhar para um copo de água e a pensar "e se este fosse o último"
Este livro é um abanão, uma chapada na cara e um murro no estômago.

Quem o lê e não se sente assim ou tem uma carapaça muito dura ou não percebeu metade do lá estava escrito.

Este é daqueles que tenho de ter na minha estante para o reler.....marcar...sublinhar....ser meu.
Este é daqueles que não pode faltar.

Ignorante fui todo este tempo que me recusei a lê-lo.

Agora....Tenho o Blindness de Fernando Meirelles à minha espera lá em casa.