quarta-feira, 9 de março de 2016

Novidade Bizâncio :: "Aïcha - A Bem-Amada de Maomé"

Com data de lançamento a 14 de Março, o terceiro volume da série As Mulheres do Islão, conta a história de Aïcha.


«Chamo-me Aïcha bint Abi Bakr.
Há cerca de sessenta anos que me chamam Aïcha, Mãe dos Crentes. Sei que Allah, o Clemente e Misericordioso, não tardará a julgar a minha vida.
Quis que ela fosse longa, bela e terrível.
Quis que a minha memória fosse incomparável, a fim de a pôr ao serviço da Sua vontade e do Seu Enviado»
«Aïcha» encerra a trilogia «As Mulheres do Islão».
Este último volume mostra o aparecimento de um Islão conquistador, que afastou as mulheres, apesar da oposição de Muhammad e que conduziu à divisão entre sunitas e xiitas, que ainda hoje ensanguenta o mundo árabe e o Ocidente.

Uma novidade


Outros livros da série Mulheres do Islão

terça-feira, 8 de março de 2016

Novidade Topseller :: "A Vingança Serve-se Quente"

SEIS INCÊNDIOS EM VINTE E QUATRO HORAS,
DOIS MORTOS E VÁRIOS FERIDOS…


Na calada da noite, três violentos incêndios iluminam os céus da cidade. Para a detetive Helen Grace, as chamas anunciam algo mais do que uma coincidência trágica — este cenário infernal de morte e destruição revela uma ameaça nunca antes vivenciada.
No decurso da investigação, descobre-se que aquele que procuram não é apenas um incendiário em busca de emoções fortes — os atos criminosos denunciam um assassino meticuloso e calculista. Alguém que pretende reduzir as suas vítimas a cinzas…
Uma nuvem negra de medo e desconfiança estende-se sobre a cidade, à espera da faísca que provocará a próxima tragédia. Conseguirá Helen descobrir a tempo quem será a próxima vítima?

Uma novidade

Relembramos a opinião aos primeiros livros da série 

Opinião "Um, Dó, Li, Tá" - ElsaR

«A Casa de Bonecas» :: Opiniaõ EfeitoCris

Os Mutilados - Hermann Ungar - Opinião


Os mutilados é um livro que marca pela diferença, é um livro desconcertante, cheio de personagens que não parecem reais, personagens que mexem com os nossos sentimentos, que quase nos obrigam a gritar com elas para ver se estão vivas, se reagem, já outras são completamente asquerosas e revoltantes, e ainda temos aquelas que não conseguimos definir, que se encaixam num limbo e das quais não sabemos bem o que esperar. 

A narrativa de Ungar é de tal forma viciante que quase entramos no delírio/paranóia da personagem principal.
O autor consegue fazer uma critica duríssima à sociedade da época, não escapando ninguém, nem religiões, costumes, o status do trabalho, a sexualidade, a moralidade... tudo! Talvez fosse esse não deixar nada de fora que lhe tenha valido o ser banido, vendo o seu livros nos livros proibidos do regime nazi.

A personagem principal é essencialmente perturbada, enfrentando as mais difíceis adversidades da vida, mas também porque luta contra si próprio, o que o vai deixando num vortex de emoções que o impedem de ser normal.

No entanto, a normalidade é algo questionável e ainda o mais devido às restantes personagens.
O autor rodeia o empregado bancário de outras personagens, todas elas mais ou menos loucas, temos uma viúva gorda promiscua, um amigo inválido com laivos de tirano paranóico, os amigos do trabalho que o acham invisível, um talhante com complexos religiosos, a mulher do inválido com dúvidas existencialistas... e dramaticamente tudo vai ter a polzer, oprimindo-o, instigando-o... até à exaustão.

Julgo que o livro é intemporal, pois mudando alguns costumes e temas de época, pode ser transportado para a actualidade, ainda assim, as atitudes e os dramas seriam bizarros e complexos. As personagens conseguem ser imortais, pois facilmente conseguiríamos atribuir a Polzer distúrbios maníaco depressivos tão na berra e facilmente conseguiríamos converter o enfermeiro num pastor de alguma seita evangelizadora dos nossos dias.

Mais ainda, o livro é dúbio o suficiente para cada leitor experimentar sensações diferentes e retirar conclusões muitos díspares, dependendo das explicações que cada um de nós vai "arranjando" para completar certas coisas que ficam por ser ditas ao longo do livro.  

Gostei muito que tivessem colocado o ultimo capitulo "extra", pois é como se tivesse lido dois livros, deixando em aberto sobre aquilo que se passaria na cabeça do autor e outro mais fiel à imagem de cada leitor... ou do que esperaria.



Uma edição E-PRIMATUR
Ver mais sobre o livro Aqui


segunda-feira, 7 de março de 2016

A hora solene - Nuno Nepomuceno - Opinião

Já há algum tempo que esperava para ver o que o Nuno tinha para nos oferecer no fim desta demanda.
Em conversas com o autor e com o mistério por resolver dos estranhos envelopes que fomos recebendo (desde já digo que foi uma campanha de marketing muito bem conseguida), antes da apresentação do ultimo volume, a minha ânsia pelo fim do mistério adensou-se.
Depois ainda ficou mais aguçada quando a capa prometia um banho de sangue, perguntei logo ao Nuno se iria ser uma BLOOD RAVE estilo Blade, o que me respondeu que iria haver sangue...
E sangue houve, disso não se podem escapar!

Quanto ao livro em si, o Nuno não desilude. Uma escrita cuidada e cheia de detalhes, gosto muito de ler certas partes e conseguir ser transportado para cidades que já visitei, quase como um roteiro. Interessante é também o contrário, pensar que quando lá voltar conseguirei reconhecer os locais de certos episódios.


Os detalhes a que faço referência, indicam o cuidado e a pesquisa que o Nuno faz para tornar o enredo mais real, o para mim é  um dos pontos altos do livro, já o referi nas outras opiniões. Julgo que o realismo que ele consegue trazer para a acção, acabam por colocar o leitor na pele do nosso espião.

Neste «A hora solene», o autor consegue finalizar uma história de espionagem muito bem engendrada, por muitas vezes com voltas e reviravoltas de que não estamos à espera, outras que até descobrimos e tudo torna a narrativa mais empolgante e fácil de absorver, Chega a ser compulsivo.

A parte mais violenta consegue dar uma dose certa de malvadez e tornam o enredo mais próximo do que eu idealizo da realidade do mundo da espionagem, onde os bons nem sempre podem ser totalmente bons ou os vilões serem cada vez mais duros, mas não me pretendo alargar mais para não dar pista alguma.

Fico a aguardar futuras sagas e personagens criadas pelo autor. Obrigada Nuno!


Para saber mais sobre o livro e o autor Aqui.




«O Primeiro Muçulmano» de Lesley Hazleton - Opinião


"(...) um rapaz imbuído do rude igualitarismo da vida beduína." talvez seja uma das frases mais importantes para o rumo biográfico que Lesley Hazleton dá a este relato que narra a história de Maomé ou Muhammad, o primeiro dos muçulmanos, dando um lado mais humano, retirando a divinização e a idolatração que séculos volvidos sobre o nascimento do Islão atribuíram ao seu profeta.

"(...) trabalhando a história oral perfeitamente cientes de que tanto o tempo como a devoção tendem a distorcer a memória, desfocando a linha divisória entre o que foi e o que devia ter sido."

A teóloga por acaso, como a própria se intitula no seu blogue, considera-se também especialista e uma estudiosa dos três monoteísmos e pretende nos seus últimos dois livros explicar a crise de sucessão após a morte do profeta, que ainda hoje alimenta o cisma sunitas-xiitas. No entanto, neste «O Primeiro Muçulmano», a autora minuciou ainda mais a sua pesquisa e estudo do Alcorão para perceber quem foi, como homem, o tão invocado profeta.

"O que emerge é algo mais grandioso, precisamente porque é humano, a ponto de a sua vida real se revelar digna da palavra lendária."

É atrás dessa lenda que seguimos por mais de trezentas páginas que para mim foram acompanhadas com tantas outras, que ainda leio, conhecendo um outro lado mais romanceado e lírico pelas palavras de Marek Halter e o seu épico «As mulheres do Islão», já que, e isso a biografia também o diz, o impacto de Cadija foi enorme para a vida a que Maomé ascendeu. Tal como mais tarde a filha Fátima substituindo o filho homem que não sobreviveu, Qasim, ou a mulher final, Aischa, pela mão de quem os fieis receberam o Alcarão. Mito, lenda ou verdade, é interessante cruzar os diversos livros e perceber toda a adoração à vida de um homem que precisou de tantos outros para firmar a sua vontade de levar a palavra divina mais além, apelando à unidade numa comunidade total, a Umma, reconhecendo uma força além da compreensão humana.

"Como podia o conceito de unidade divina resultar em tanta desunião humana?"

É dessa mesma desunião, sectarismo, luta e segregação que resulta o conteúdo essencial que Hazleton pormenoriza ao longo de mais de duzentas páginas. Inicialmente mostra Muhammad desde o seu lugar incerto como órfão à sua posição de homem respeitado por união a Cadija, até ser considerado um hanifs, que pregava uma mensagem onírica e sem importância, fruto de uma meditação pouco valorizada. No entanto, a sua mensagem começa a alastrar e a não agradar à autoridade imposta por uma lasca intelectual da sociedade de Meca que depressa passa a tolerá-lo.

"(...) o facto de alguma coisa precisar de ser tolerada implicava que continuava de algum modo a ser ofensiva."

E Maomé era ofensivo para o snobismo e as tradições dos clãs da época. Mas para ele, perante a poesia e o efeito paralisante da aparição, era incapaz de não tomar consciência de que era um escolhido. Muhammad, o mensageiro, inicialmente em batalha interior experimentou o medo e a dúvida, aspectos essenciais da verdadeira fé, que juntamente com a força e o "Eu acredito!" de Cadija deram a incitação necessária.

A submissão que a palavra do mensageiro continha trazia em si uma instabilidade e muitas dúvidas face à interpretação alargada que a língua árabe podia conter, tal como ainda hoje se revela difícil de interpretar e afirmar o que contêm as palavras de cada sura. A própria autora, em diversas entrevistas e palestras, fala dessa dificuldade e da abrangência de significados da voz alcorânia, do árabe em si.

"(...) o árabe joga com as palavras, tomando uma raiz triconsonântica e criando sobre ela o que por vezes parece uma série infinita de significados."

Desde sempre divididos e considerando as palavras de Maomé como um ataque aos «costumes dos pais» este fora expulso e exilado, gerando um conflito intertribal, opondo clãs e suas descendências, crivando desde aí a luta eterna com o clã de Abu Sufyan, a elite coraixita e a tribo, clã hachemita de Maomé.
O relato avança pela hégira e o desenraizamento das suas origens, deixando Meca, sem esquecer a qibla e a longa batalha para impor o Islam até à peregrinação de retorno a Caaba e as tentativas de lhe boicotarem esse retorno.

«Combatei, pela causa de Alá, aqueles que vos combatem; porém, não pratiqueis agressão, porque Alá não estima os agressores."

A biografia desenvolvida por Lesley Hazleton é a meu ver, bastante detalhada e até complexa, cria um desafio para entendermos um homem que quebrou com o mundo que o rodeava, impondo uma nova fé, obrigando a um novo início que homenageava o seu sonho inicial, a umma!
Lê-se quase como um romance, largamente descritivo, mas recheado de detalhes suculentos e reveladores, alimentando a curiosidade do leitor até ao fim, mesmo que, fiquemos com a total certeza que existem metáforas e enigmas associados a toda esta lenda e ao Alcorão propriamente, que nos ultrapassam.
Talvez seja mesmo uma questão de fé inquestionável.


Uma edição ELSINORE

Novidade Saída de Emergência :: "Uma Sombra sobre Florença"

O terceiro volume da série de Gabriel assombra-me e aguarda que eu seja mulherzinha para cumprir a minha promessa.
A promessa é ler o terceiro volume da história em Florença :)
Gabriel, este pode ser o nosso ano.
Depois, sim...Raven, o Príncipe e Uma Sombra Sobre Florença :) 


Sinopse:
O Príncipe voltou, professando o seu amor por Raven Wood, que terá de tomar uma decisão difícil: permitir que o Príncipe vingue o passado que ainda a atormenta ou persuadi-lo a deter-se. Mas há muito mais em jogo do que apenas o coração ou os sentimentos de Raven: uma sombra abateu-se sobre a cidade de Florença. O inspetor Batelli mantém-se incansável na busca pela ligação de Raven ao roubo de obras de arte de valor incalculável da Galeria Uffizi. E, enquanto o Príncipe persegue um traidor que o ilude a cada passo que dá, torna-se ele próprio alvo de um inimigo mortal… Serão capazes de ganhar esta batalha? Uma coisa é certa, o seu amor terá de permanecer secreto, caso contrário estarão ambos em grande perigo.

Uma novidade

Opinião "Simplesmente Nua"

Encontrar alguém que nos descobre o corpo e alma é das melhores coisas que nos pode acontecer.
Brynne descobriu isso e muito mais. Na presença de Ethan Blackstone, as barreiras que ergueu à sua volta começam a ceder até ela dar por si Simplesmente Nua.


Conhecemos Brynne, uma Americana erradicada em Londres, o local longe o suficiente do drama do seu passado.
Estudante de pós-graduação e modelo fotográfico (maioritariamente de nu artístico), Brynne vive o seu dia a dia longe de confusões, especialmente longe de problemas masculinos.
Mas o momento em que os olhos de Ethan Blackstone recaem sobre si e o nu fotográfico que adorna a parede de uma galeria da cidade, Brynne sabe que foi colocada em movimento uma mudança drástica na sua vida.
Ethan, o auge do controlo e segurança, é um homem decidido e apaixonado que se prende a Brynne desde o primeiro momento em que a vê.

 

Juntos são ingredientes de uma atracção explosiva, capaz de banir os entraves íntimos de dois desconhecidos para juntos criarem uma sintonia mágica.
Delicioso! Foi o meu pensamento ao observar a dinâmica em mutação de duas pessoas que começam como estranhos e que rapidamente estabelecem confiança e se aceitam nos braços um do outro.
Mas por vezes o corpo vai mais longe do que a mente está disposta a ir e Brynne tem fantasmas que assombram o seu presente e a possibilidade de tornar um acaso fortuito com Ethan em algo mais.

Além de dedicação e carinho, é de honestidade que Brynne mais precisa.
Será que é isso que irá obter desta tempestade de olhos claros e sotaque inglês que entrou a trovejar na sua vida? 
Ou Ethan será mais um desastre que a irá deixar repleta de cicatrizes?

"Simplesmente nua" é a combinação perfeita entre a tesão e o coração, especialmente no personagem de Ethan, nas suas duas facetas, a pública e privada.
Apaixonei- me por ele antes da 100° página 😆
Mas não deixei de achar que o fim é precipitado e previsível. Sim, previsível. Acho que dei por mim a saber como isto acabava logo nas primeiras páginas mas eu quando gosto de algo quero, mesmo do que me faz mal, quero sempre mais. Poderia enrolar a história ali por mais 50 ou 100 páginas só para Ethan ter mais tempo de antena, mesmo que tenha encontrado coisas que não ache normais.

"Entrega total", o segundo livro da série Blackstone, não chega amanhã, logo não cedo o suficiente.

Faz tempos que falava de querer ler esta série e não desilude mas com toda a certeza está era daquelas que consumia TODA seguida.
Mesmo com as falhas, sim...porque eu encontrei uma ou outra mas esta REVIEW que li no goodreads fez-me rir. A realidade de Londres Versus A ficção criada pela autora.

Booktrailer


e não David Gandy não o Ethan Blackstone, lamento imenso. Gandy, na minha cabeça é o Professora Gabriel Emerson....ok!?
Estamos conversadas?
:)

sexta-feira, 4 de março de 2016

«Romance» de Helder Macedo - Opinião



Tento compreender a escrita de Helder Macedo, lendo sobre o mesmo. Leio que a sua obra é pouco acarinhada em Portugal, mas largamente estudada no Brasil. Efectivamente não é fácil ler este escritor poeta que ao longo deste extenso poema nos relata um romance complexo e cheio de encruzilhadas, partindo do poema renascentista de Bernardim Ribeiro, incluindo partes do mesmo neste seu «Romance»


Não é de fácil compreensão a torrente de ideias, de supostos diálogos, de amores e desamores vividos por quem se encerra nas palavras que compõem este romance em forma de sonho, mas até do sonho duvidamos, tal como duvida de si mesmo o personagem, o narrador e as palavras com que compõe este amor pessimista e fatal, fazendo o leitor nunca ter a certeza do que lê.

"sem aquela ilha
sem a menina de tempo antigo
a dizer-lhe
ou ele a dizer-se
como se fosse ela a dizer
no sonho
entre as duas margens da estrada
como um rio
em construção"


Em construção fica também o texto, que ora se monta em desejos claros, ora se desmonta em duvidas e pensamentos sombrios, de dois enamorados, um, talvez mais inexperiente que o outro... numa constante questão sobre de quem é o sonho que sonham, se é que sequer sonham...

"fosse uma fantasia solitária
não uma mudança acontecida
não a metamorfose
desejada
(...)
do amor desabitado
no silêncio"

Obscuro, hermético e labiríntico, é assim que consigo sentir e ler a narrativa desconexa de Macedo, percorrendo o rio que acompanha a acção, tentando contornar as duvidas que ficam em nós, leitor, mas sedentos de querer perceber se este amor se consumou, se foi real, se ainda há amor, se a violência das palavras e a frieza intermitente escondem uma verdade violenta, abusiva... uma verdade dura que só um poema a tornaria mais aceitável, mais bela e logo menos verdadeira?!?

Mais para o final, intensifica-se a ausência, a fuga e todo o desencontro, o silêncio e as direcções opostas, ainda assim, há o passado que trilha o futuro, num futuro que não pode existir para vidas que ainda não se podem viver ou que foram vividas sem terem tido vida...

"um poema de silêncio
um romance que fosse
o que nele não fosse escrito
um olhar a olhar um olhar
a olhar em direcções opostas"

*
Helder Macedo em entrevista no I e na RTP

Um livro Editorial Presença

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Opinião "FRACTURED - Fraturada"

Fraturada por dentro, única por fora.
O mundo não pode saber que Kyla já não é apenas a reiniciada especial que consegue vergar as regras pré estabelecidas aos seus pares. Para o mundo oficial, Kyla é diferente e está sob vigilância desde que o seu melhor amigo foi levado pelos Lordens. Para o submundo da revolução ela é a peça  chave do jogo que terminará com a tirania Lordem.
Mas em quantos tabuleiros Kyla pode ser peca principal sem acabar estilhaçada?
E quando Kyla começa a jogar o seu próprio jogo, que truque mágico a vai salvar das mãos que lhe querem fazer mal?

"Há tantas ameaças para as quais olhar por cima do ombro, que devia instalar um espelho retrovisor para não as perder de vista"

Com o fim de Slated conhecemos os lados de Kyla que a tornam especial, a sua capacidade de recordar quem era, o que fazia, os princípios que defendia mas nem sempre o que julgamos ser a verdade é o que realmente aconteceu.
Em "Fractured", o segundo volume da trilogia, reencontramos Kyla dividida em fracções que a tornam o todo que é hoje. Mais do que nunca, Kyla encontra-se numa encruzilhada, sem saber em que lado depositar as suas crenças, a sua lealdade, os seus pensamentos sobre o que certo e errado, o que é real do que é fabricado. 
Se por vezes já é difícil viver com uma só personalidade, a nossa, como será viver com 2 e meia? 
E se a personalidade alfa não for a melhor e mais correcta? E se a personalidade dominante se torna, aos olhos do presente, um lado abominante e que Kyla é incapaz de aceitar?
Pior, quando nem sequer podemos confiar em nós mesmo, em que confiamos?


Mais que a predominância da personalidade que o reinicio não conseguiu apagar, está o desejo de fazer o correcto, pelas pessoas que a acompanharam sempre mas também por quem ainda agora entrou mas já tem um grande impacto na sua vida, como é o caso de Ben.
Mas existem outros factores humanos que vão exercer pressão na tomada de decisão de Kyla e é essa dualidade de sentimentos, entre a pessoa que era e a que ainda agora começou a ser, que nos faz ficar sentadinhos na beira do sofá ao ler mais um capítulo.
"Fractured" sobe ainda mais a fasquia ao deixar-nos sem saber em quem confiar, que personalidade de Kyla vai transparecer em cada cena e o que realmente aconteceu para ela estar onde está, reiniciada. Afinal qual é a verdade que se esconde no passado de Kyla e das pessoas que foi anteriormente? Até que ponto ela é quem dizem ser?

E curiosamente lembrei-me desta música...

Uma história complexa, rica em personagens que têm muito mais para mostrar do que a superfície polida que deixam transparecer ao mundo, a série Slated conquistou-me por completo e já só quero ler o terceiro, saber como acaba, que papel decide Kyla ter nos acontecimentos marcantes do seu país e quem é que afinal ela realmente é.

A série Slated é uma aposta

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Resultado Passatempo Especial Dia dos Namorados

Sim, sim, nós sabemos, o dia dos namorados já passou mas o que é que se costuma dizer? 
"podemos dar amor todos os dias"
ou até
"o dia dos namorados é quando um homem quiser"
Ou será o natal?
:) 
O que interessa é que vamos divulgar os dois vencedores do passatempo especial do dia dos namorados.


Com 2158 participações, a vencedora de "Atracção Magnética" é a Rosa Catalão com a participação nº 1335.
"O Chefe - A Ex" vai para casa com a Vanessa Martins com a participação 553

Os vencedores já foram contactados por email.

Um passatempo com o apoio

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

«A Amiga Genial» Elena Ferrante :: Opinião

Fiquei com uma ideia agridoce e um sentir contraditório sobre este primeiro volume de «A Amiga Genial».
Lila e Lenú são quase como um boneco sempre em pé, funcionam num jogo do gato e do rato... no início da amizade, quase ainda sem o ser, ora uma se afastava ora outra se aproxima. É enigmática e chega a ser depressiva a dependência de uma e a independência de outra.

"Era um receio antigo, um receio que nunca me passara: o medo de que, perdendo bocados da vida dela, a minha perdesse intensidade e importância."

Estranha amizade que pauta, até ao fim, este primeiro livro, de uma tetralogia que pretende revelar a vida de ambas até ao desfecho, penso eu que assim seja, com que nos acenam no prólogo.

Gostei bastante da forma como Ferrante começa a desvelar a amizade, o capítulo da Infância, é realmente superior ao da Adolescência, já que os episódios são mais caricatos e adequados à idade das meninas ou então foram certos excertos da narrativa que me cativaram mais neste arranque.

"Também Lila a certa altura me parecera bonita. Geralmente, a bonita era eu. Ela, pelo contrário, era seca como uma anchova salgada, exalava um cheiro bravio, tinha uma cara comprida, estreita nas têmporas, apertada entre duas faixas de cabelo liso e negro. (...) Lila é mais bonita do que eu. Portanto, eu era a segunda em tudo. Fiz votos para que ninguém se apercebesse disso."

A dependência de Lenú e a procura constante de aceitação por parte de Lila, parece-me condicionante e sufocante, mas na infância, parece-me justificável, pois Lila emanava uma aura de guerrilha, fazendo frente às adversidades do bairro e da condição pobre de ambas, promovendo um certo crescimento às personagens, mais tarde na adolescência, cansou-me um pouco, queria vê-las crescer e ter outras preocupações. Ainda assim, a densidade dada a ambas é interessante se formos a pensar nas cenas dos próximos volumes.

"(...) ouvimos o ruído da destruição ao longo de vários dias: as árvores estremeciam, emanavam um cheiro a madeira fresca e a verdura, fendiam o ar, tombavam no chão depois de um longo resmalhar que parecia um suspiro, enquanto ele e os outros serravam, rachavam, extirpavam raízes que exalavam um odor a subterrâneo."

Foram momentos descritivos como este que me cativaram na escrita de Ferrante, mas a mesma não me agarrou de forma viciante, antes pelo contrário, por vezes fatigou-me, senti-me no meio de uma novela cheia de contornos e episódios meio infantis e repetitivos, no entanto, a autora é muito boa em avisar o leitor de que algo decisivo e modificador vai acontecer, como que nos preparando para uma reviravolta. Ainda assim não considero que tenham existido muitas reviravoltas, a amiga genial para mim foi sempre Lenú e minha suspeita inicial, mantêm-se até ao final, aliás, mesmos nas últimas páginas e justificando a minha ideia existem dois, três parágrafos brilhantes, daqueles que gostava de ter encontrado mais durante todo o livro.

"Nunca a tinha visto nua, envergonhei-me. (...) Nessa altura foi apenas uma tumultuosa sensação de inconveniência necessária (...) a violenta emoção que te domina, e por isso te obrigas a ficar, (...) sobre o pavimento irregular manchado de água, e agita-se-te o coração, inflamam-se-te as veias. (...) Tive sentimentos e pensamentos confusos (...)"

Fica também em aberto o prólogo enigmático «Apagar o rasto» que foca, desde o início, o sentido do leitor em anos mais avançados da vidas destas duas amigas, instigando-nos a persegui-las pelos quatro livros procurando o tumulto de uma idade mais madura, na espera por encontrar uma Ferrante mais cáustica e genial como aqueles parágrafos do capítulo 57.


Novidade Bertrand - "Hitler- Morreu no Bunker?"

Celebraram-se, a 30 de abril de 2015, os setenta anos sobre o suicídio de Hitler. No entanto, terá Hitler realmente morrido no seu bunker? Os seus restos mortais nunca foram encontrados… 


Eric Frattini teve acesso a numerosos testemunhos e documentação da época que demonstram a incerteza que rodeia a sua morte e as pistas sobre a suposta fuga de Hitler e da sua esposa, Eva Braun, colocando-as agora, pela primeira vez, ao dispor dos leitores. O autor consultou mais de duas mil páginas de documentos que falam da fuga de Hitler nos arquivos do FBI, CIA, MI6, OSS, KGB, FSB e CEANA (Comissão de Esclarecimento das Atividades Nazis na Argentina). Ficará nas mãos do leitor decidir se o homem mais odiado do mundo acabou os seus dias com um disparo na cabeça fechado num bunker obscuro ou numa confortável casa nalgum local perdido na Patagónia.

Uma novidade

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Opinião "SLATED - Reiniciada"

Os reiniciados não questionam, agem segundo o comportamento padrão que lhes foi ensinado.
Os reiniciados não têm passado, são uma folha em branco, são cidadãos a quem foi dada uma segunda oportunidade.
Os reiniciados não são prisioneiros, a vigília é para o seu próprio bem, para se afastarem dos maus caminhos.
Então porque se questiona Kyla? Porque a sua mente foge ao padrão de ensinamentos que lhe foram passados após o reset? Porque é assaltada por fragmentos de memórias, especialmente em sonhos?
E se está segunda oportunidade é para não fazer dos reiniciados prisioneiros, porquê um mecanismo que os destrói, que os controla, que os vigiava e que pode em último caso matá-los?
O reinicio é suposto ser simples...quando resulta.


Conhecemos Kyla no seu último dia de internamento no hospital após ter sido submetida ao reinício, um procedimento que a deixa uma tábua rasa humana e que a obriga a começar de novo, a aprender tudo desde o mais básico, aos 16 anos. Este procedimento foi estabelecido como uma medida de redenção para criminosos menores que graças a este reset têm a oportunidade de ainda se tornarem membros activos e válidos da comunidade que após tumultuosos eventos terroristas, num cenário económico complicado, se fechou sobre si mesma apenas com as garras de fora, pronta atacar.

Meia perdida e sob avisos, Kyla é encaminhada para a sua nova família, a quem ela deve obedecer e pedir orientação. Uma boa menina reiniciada não deve questionar, deve seguir as ordens, não deve ter pensamentos que fujam dos padrões, não se deve meter em sarilhos (isso inclui rapazes).
Mas para Kyla as coisas não são assim tão simples já que constantemente é atacada por pesadelos que colocam em risco a sua estabilidade diária e a tornam um alvo de interesse para todos os adultos que a rodeiam. Mais que preencher a sua mente em branco com cenários inventados durante os sonhos, Kyla começa a vislumbrar algo mais, algo que a faz questionar todo o processo de erradicação de memórias, o seu método de selecção, assim como o que a torna especial por não ser afectada da mesma maneira. E é nesse momento, em que ao levantar uma pontinha do véu, se percebe que o que foi mostrado nunca mais se poderá novamente esconder.

Rodeada de outros reiniciados, adultos que se dividem entre o controlo e a ajuda, dúvidas sobre o seu eu presente e o passado que teimam em surgir na sua cabeça, Kyla tem em mãos uma aventura que pode permitir encontrar o caminho da verdade ou fazer com que a sua vida acabe às mãos da autoridade.
E é sabido que quem vai, já não volta!


Uma historia que nos faz pensar neste tratamento, nas implicações que apagar alguém pode ter, no controlo futuro que se fará sobre a população, nas mudanças extremas que podem acontecer no mundo e no quanto é possível confiar em nós e nos que nos rodeiam.

Uma história que lá para mais de meio ganhou um foco muito actual quando menciona que lá para os anos 20, "quando o Reino Unido saiu da União Europeia e fechou as fronteiras" o cenário em Inglaterra tornou-se caótico. Curioso que seja essa uma das notícias no telejornal, o referendo para permanência do Reino Unido na UE.

Claro que com o fim de Slated, que me deixou a salivar pelo segundo, tive de ir buscar Fractured - FRATURADA.
Estará Kyla a salvo de si própria e da sua memória? Ou o elemento mais perigoso na sua vida é externo e está pronto a acabar com a sua segunda oportunidade?
Quem terá sido Kyla antes do reinício?

Booktrailer feito por um fã da série

As questões começam a ser respondidas...
e vocês não vão querer perder o desfecho desta história.

Uma aposta

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Novidade Editorial Presença :: "Uma Chama Entre as Cinzas" de Sabaa Tahir

Uma novidade com data de lançamento a 3 de Março
"Uma chama entre as cinzas", considerado o melhor livro juvenil de 2015 pela Amazon.


Elias pertence aos Ilustres, as famílias da elite do Império. Desde os seis anos que treina na Academia Militar de Blackcliff para se tornar um dos soldados mais implacáveis ao serviço dos Marciais.
Laia pertence aos Eruditos, um povo oprimido pelo jugo firme dos Marciais. Quando o seu irmão é preso e acusado de traição, Laia procura a ajuda da Resistência. Em troca, tem de se infiltrar como escrava em Blackcliff.
Quando se conhecem, Elias e Laia percebem que as suas vidas estão interligadas —e que as escolhas de ambos podem mudar o destino do Império.

Uma novidade

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

Opinião "Atracção Magnética" - 1º Livro da série Hacker

atração  (a.tra.ção) 
força que se exerce entre dois corpos e que tende a aproximá-los


A atracão é um demónio poderoso, capaz de fazer vítimas, desviar para um caminho perigoso quem se quer manter longe de tentações e fazer sucumbir ao pecado a mais distraída das almas.

Conhecemos Erica a concluir a sua licenciatura enquanto tentar luta pelo seu futuro e pelo do seu projecto. Determinada em levar a sua ideia a bom porto, Erica busca apoio financeiro numa empresa da área, com profissionais dedicados e advisers experientes. O que ela não esperava encontrar era um desafio sob pernas, personificado na pessoa de Blake Landon, self made millionaire da área tecnológica que está habituado a reclamar como seu tudo o que lhe interessa.
Será Erica mais uma das suas conquistas?

Um interessante jogo de gato e rato inicia-se entre Erica e Blake, que embora tentem manter a cabeça cada um no seu negócio, acabam sempre por voltar a pensar no outro.
Uma combinação perfeita no quarto, uma guerra no escritório, um futuro incerto e que requer uma tomada de decisão.
Será boa ideia misturar negócios e prazer?
Ou a linha da independência é estabelecida nesse ponto?

Mas mais que um conflito de interesses, "Atracção Magnética " traz a cena os acontecimentos marcantes que encerramos bem dentro de nós e que queremos esquecer. Embora a atracção entre Erica e Blake seja inegável, há pedras a remover do caminho, especialmente no dela.
Um passado recente é como uma mancha no CV de mulher brilhante, determinada e independente que Erica prima por ser.
Irá Blake mudar a visão que ela tem de si própria ou ajuda-la a mudar o mundo à sua volta?


Este primeiro capítulo começa bem, com níveis adrenalina elevados, cenas interessantes a dois mas por três passos que dá na direcção certa, anda dois para trás. A linguagem nas cenas íntimas e a falta recheio são os problemas que encontrei. Mas vamos por partes:
A Linguagem - ora vamos ver uma coisa. Depois de mil e uma cenas escaldantes com mais ou menos nível de ordinarice, não há nada que me choque mas uma coisa é certa, o uso de nomes parvos ou irritantes para falar daquilo que nós sabemos IRRITA-ME! Ou se chama os bois pelos nomes ou há muita maneira de dar a entender o que se quer sem usar coninha e piça. Livros com coninha, desculpem lá, mas deviam todos voar pela janela fora!
Falta de Recheio - talvez porque ultimamente tenho lido livros maiores, senti que precisava de ver mais, sentir mais, reclamar mais. A história de Erica e Blake é interessante, a dinâmica intima/profissional/social entre os dois é boa, o trama à sua volta tem óptimos frutos para colher mas eu queria mais. Ou então o problema sou eu, ando a ler muito rápido. 
Mas pronto, a  conclusão deixa-nos com vontade de colocar um pé na cena seguinte, no primeiro capítulo do segundo volume.
Ahhh e não falta mesmo nada para o segundo livro ser lançado.
:)


Agora vamos ser pessoas simpáticas e apurar os nomes dos vencedores do passatempo do dia dos namorados em que um feliz contemplado irá receber um exemplar de "Atracção Magnética"

Boas leituras :D

Uma aposta

Novidade Planeta :: "O PAI" de Anders Roslund & Stefan Thunberg

ELES PLANEIAM CADA SEGUNDO.
CORREM TODOS OS RISCOS.
E COMETEM OS ASSALTOS A BANCOS MAIS OUSADOS DA HISTÓRIA DA SUÉCIA.


O PAI 
Anders Roslund & Stefan Thunberg

Um thriller intenso e inquietante inspirado na extraordinária história real de três irmãos – os irmãos de um dos autores deste romance, Stefan Thunberg - que cometeram dez audaciosos assaltos a bancos na Suécia, em apenas dois anos.
 Nunca nenhum cometera um crime. 
 Todos tinham menos de vinte e quatro anos. 
 Transformaram-se nos criminosos mais procurados da Suécia. 
 O seu vínculo foi forjado enquanto cresceram sob o jugo de uma família violenta.  E do homem que os moldou dessa forma: o pai. 
 Quando o seu incrível percurso chegou ao fim no turbilhão da imprensa internacional, todos mudaram para sempre como indivíduos e como família.

Baseado numa série de acontecimentos violentos e macabros que marcaram a Suécia na década de 1990, o livro é a história de um destino comovente de uma família, do amor que une três irmãos e da complexa relação entre pais e filhos.

O livro é narrado a dois tempos: no passado, onde podemos perceber a dinâmica familiar, assim como a tirania e influência negativa do pai, e no presente, onde decorrem os assaltos.
A fuga durante meses do trio de assaltantes que ludibriava a polícia acaba com a sua prisão pelo detective John Bronk e com uma pena exemplar na história da Suécia.

Os direitos para filme já foram comprados pela Dreamworks, e arealização estará a cargo de Steven Spielberg.

Site dos Autores

Uma novidade

Novidade Bertrand :: "Nora Webster" de Colm Tóibín

Colm Tóibín, autor do aclamado Brooklyn, chega até nós com mais um livro finalista do Booker Prize e Costa Award.


O extraordinário novo romance de Colm Tóibín apresenta-nos a inesquecível Nora Webster. Viúva aos quarenta anos, com quatro filhos e pouco dinheiro, Nora perdeu o amor da sua vida, o homem que a salvou do mundo opressivo em que ela nasceu. E agora tem medo de ser arrastada novamente para ele. Magoada, egoísta, com uma vontade de ferro e a viver numa pequena comunidade, Nora mergulha na sua dor e ignora a dos filhos, que perderam o pai. Tem no entanto momentos de espantosa empatia e sabedoria e quando começa a cantar de novo, depois de décadas, encontra um refúgio e um porto de abrigo.

Uma novidade

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Novidade Suma de Letras :: "A vida é fácil, não te preocupes"

Ficamos a conhecer Diane em "As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café" e agora temos a oportunidade de continuar a nossa jornada em "A vida é fácil, não te preocupes"
Data de lançamento prevista para 2 de Março



É em Pessoas felizes lêem e bebem café, o seu refúgio, que Diane conhece Olivier. É simpático, atencioso e, sobretudo, compreende e aceita a sua recusa em ser mãe de novo. No entanto, um acontecimento inesperado muda tudo: as certezas de Diane, as suas escolhas, pelas quais tanto lutou, vão entrar em colapso, uma após a outra. Será que tem a coragem necessária para aceitar um outro caminho?

Uma novidade


http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2014/05/as-pessoas-felizes-leem-e-bebem-cafe_28.html

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Novidade Teorema - "Do Fundo do Poço se vê a Lua"

Uma história sobre a vida de dois gémeos idênticos com um toque de humor e exotismo.


Depois da morte da mãe – perseguida e torturada pela ditadura militar –, os gémeos idênticos William e Wilson são criados numa redoma pelo pai, actor e encenador num teatro decadente. As semelhanças entre os irmãos são, porém, apenas físicas: enquanto William é bruto, acomodado e taciturno, Wilson é sensível, carente e obcecado pela figura de Cleópatra desempenhada por Elizabeth Taylor. No dia em que os jovens fazem dezoito anos e podem, finalmente, deixar a casa paterna, uma misteriosa tragédia abate-se, porém, sobre toda a família.
Numa trama surpreendente que envolve amnésia, dança do ventre, comércio sexual e assassinatos, William receberá vinte anos mais tarde, da cidade do Cairo, um postal de Wilson. E não precisa de muito para saber que se trata de um pedido de socorro...

Com um estilo ao mesmo tempo cómico e violento, poético e digno da melhor pulp-fiction, Do Fundo do Poço Se Vê a Lua é uma história admirável sobre como o amor fraternal resiste ao tempo, às diferenças e à ameaça constante da morte.

Uma novidade

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

«Oculta» de Héctor Abad Faciolince :: Opinião


Sou fã de livros como este, que me abraçam, me transportam, me fazem esquecer do tempo que passa e nos quais se sente que nada é forçado, nada é a mais, desnecessário ou mal calculado. Enquanto leio, sorrio, sinto uma falta imediata do que li e deixei para trás, marco frases e pequenos episódios dentro de momentos maiores... Não me apetece em fase alguma parar de lê-lo, mas depois sinto vontade de poupar aquelas histórias e fazê-las durar, para absorver mais lentamente todo o lado íntimo, sensível, familiar, oculto, desta narrativa de Faciolince.

Desde que li «Os dias de Davanzati» que sabia ter ficado fã deste autor colombiano. A sua escrita, sem uma estrutura muito habitual ou um enredo que caminhe para um desfecho, cria no leitor uma dependência pelas personagens e pelo envolvimento que cria. Somos levados para dentro das vidas daquelas pessoas quase com um instinto de expiar, de nos intrometermos e sabermos os seus segredos. Foi assim com Davanzati e é assim com a família Ángel. Desde o primeiro capítulo, onde conhecemos António pressentimos o desassossego que vai ser característico nesta família rodeados de emoções fortes que os ligam uns aos outros e à quinta, La Oculta, um pedaço de terra que chega a assumir proporções místicas, que ora os empurra e os afasta ora os arrasta até lá, perdidos de saudades e carregados de nostalgia.

Nas palavras de poéticas de Eva:
"Bastava eu chegar a La Oculta para sentir uma coisa especial, uma espécie de euforia interior misturada com serenidade, uma alegria tranquila, uma ligação com as montanhas, os barulhos, as infinitas cores das flores e da fruta, a brisa vinda do rio, a água escura do lago (...) o som das folhas de teca a cair no caminho de terra, o bafo da tarde e a frescura plena de orvalho da manhã.

Nas divagações de António:
"La Oculta faz sonhar (...)
(...) às vezes apodreço de frio e de nostalgia por não estar lá, em La Oculta. O Jon ensinou-me o significado da palavra nostalgia. Nostos, em grego, disse-me ele, quer dizer «regresso», e algia, «dor», e tal como mialgia é a dor dos músculos, a nostalgia é a dor do regresso.

E finalmente na crueza e na frontalidade de Pilar:
"Nostalgias parvas de um passado mais difícil e que as pessoas, por não terem noção de quão duro foi, idealizam."

É pela beleza mas também por algum tormento que conhecemos Eva, por alguma aspereza e ruralidade que conhecemos, mas menos tradicional do que se julga, Pilar e pelo carinho e pela memória com que narra a história dos seus anteriores que desde o início apreciamos o relato de António. Estes são os irmãos, filhos de Dona Ana e Jacobo Ángel, Anita e Cobo, como os filhos os tratavam. Por isso, esta não é só a história e a tradição que La Oculta encerra, nem podia, já que a terra é a família e todos eles lutam, à sua maneira, pela quinta que fez os Ángeles quem eles são.
Há algo de muito tradicionalista, algo muito colombiano em se ter um pedaço de terra!

"Nós já não éramos camponeses, como o avô, mas conversávamos o último quinhão das suas terras para honrarmos a sua memória, quem sabe, mas talvez para termos o prazer de ver os amanheceres de lá, de sentirmos o que se sente - é uma coisa profunda e antiga - quando se está num sítio que sabemos que é nosso e do qual ninguém nos pode tirar."

Há algo também profundo e de muita união entre os irmãos, nem que sejam as memórias e os segredos que nos revelam e que nos fazem dar corpo e alma a cada um deles, tornam-se pessoas completas, complexas, atormentadas, sofridas, mas também que partilham, que amam e que querem seguir as suas vidas, apesar de todas as contradições e dificuldades.

"A família é a mesma, mas é como diz o tango: uns nascem com boa estrela, outros nascem estrelados."


Um livro QUETZAL