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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

«13 anos para sempre Marion», o Bullying mata, de Nora Fraisse - Opinião

Na passada quinta feira, dia 23 de Fevereiro teve lugar na Fnac do Colombo um debate em torno do Bullying, a propósito deste livro escrito pela mãe de Marion Fraisse que se suicidou, aos 13 anos, por não resistir às constantes agressões que sofria na escola e através das redes sociais.
Nesse sentido e por ser cada vez mais recorrente o tema estar nas páginas de muitos jornais, Daniel Sampaio, Tito De Morais e Vanessa Limpo estiveram à conversa para alertar e sensibilizar para a prevenção e a identificação do Bullying nas escolas.

Este texto mistura o que se leu, o que se ouvi e o nos preocupa.

Muito se fala de Bullying, muitas notícias fazem correr tinta, cá e lá fora, e claro, muito blogs, fóruns, associações e páginas de facebook por esse Mundo Virtual afora. É preciso não esquecer e é preciso manter os alertas constantes e mais recentemente o foco vai para o CiberBullying, uma forma mais "actual" e adequada aos dias que correm, visto o digital estar presente em tudo.

Nora Fraisse, mãe de Marion, escreve este livro exactamente nesse sentido. O de alertar e o de não pactuar com o silêncio em que entram muitas escolas, famílias ou comunidades. O seu pedido de sensibilização vai no sentido de afirmar que o Bullying e o CiberBullying levam as crianças e jovens aos desespero e ao limite, sendo a causa de suicídio de alguns deles. Nora pede uma comunicação mais efectiva, um diálogo constante e campanhas mais eficazes. Alerta até para que as leis sejam alteradas afim de proteger com outros recursos as vítimas de situações desta natureza e ajudar as famílias quando estas precisam de mais informações.

O Bullying é um tema que parece estar na ordem do dia, mas as variações que ocorrem no tipo de agressão parece dificultar a catalogação do que é, ou não, Bullying ou CiberBullying. Porém, existem comportamentos comuns:
- Insultos verbais ou escritos;
- Agressões sistemáticas, mesmo que não sejam graves ou violentas, como empurrões, rasteiras...;
- Ameaças, para levar a vitima a fazer o que os agressores querem, situações que implicam actos mais violentos, por vezes entre as diversas vítimas;
- Pequenos roubos ou danos em propriedade da vitima, exemplo material escolar;
- Publicações nas redes sociais de mensagens que agridem verbalmente e humilham, o mesmo acontecem com fotos que expõem e denigrem a imagem da vítima.

Entre tantas outras situações.
Difícil é escolher, avaliar e eliminar. E também é difícil contrariar o ciclo: vítima - agressor - vítima, sabendo que muitas vezes as diferenças de idades vão permitir que antigas vítimas se tornem agressores, bem como é importante perceber o porquê de alguns serem agressivos sem motivo aparente e atingirem o fenómeno da popularidade exactamente pelas piores razões..

O livro de Nora Fraisse levanta diversas questões, mas, ainda assim, julgo que a mais pertinente é aquela que refere a culpabilização dos pais. É sempre dramático perder um filho, mas perdê-lo às mãos de situações destas é dramático, revoltante e digno de culpa e isso Nora deixa bem claro, a confusão de emoções, a culpa constante e o total questionamento como pais, e ainda o peso da morte de um filho na vida dos filhos que ficam, que não sobram, mas para os quais sobra pouco dos pais que tinham.
E claro, o desejo de ver os culpados e o sistema de ensino responsabilizado, exigindo alterações, respostas e acções, que neste caso tardaram em chegar e noutros não chegam mesmo. Aliás, na sessão na Fnac existiram testemunhos nesse sentido.


Ficam alguns excertos.

"A minha cabeça toldada pelo desgosto enumerava as tuas razões. (...) Imagina tu que em todas as hipóteses que nos ocorreram, foi esta a conclusão a que chegámos. E se fôssemos pais terrivelmente culpabilizantes, pais demasiado ambiciosos para a sua progenitura, pais autistas que se interessam menos pela personalidade dos seus filhos do que pela imagem que querem ter deles?"

"Julgava saber tudo sobre ti. As mães extremosas e muito ligadas aos seus filhos tê, por vezes, algum tempo de atraso, sabes. vi-te tornares-te uma adolescente. Mas as tuas asas também cresciam. Não chamaste pelo pai ou pela mãe quando te viste apanhada nos jogos perversos da selva dos adolescentes."

"Tenho dificuldade em ordenar os fragmentos de informação que conseguimos recolher. Tenho dificuldades em atribuir uma lógica a este relato de uma animosidade colectiva totalmente irracional. Dir-se-ia que é uma situação de facto, a maldade gratuita, nos corredores daquela escola. Imagino que o mesmo se passe noutros lugares."

"No ano seguinte ao teu desaparecimento, eu e o teu pai vimo-nos num turbilhão de emoções confusas. (...) Deparávamos com uma direcção muda, professores esquivos e pais que por vezes se mostravam hostis. A tua carta, que não fora divulgada, mas cujo conteúdo eles adivinharam, causava-lhes receio. (...) Mas a justiça parecia não saber avaliar o drama que te levara a dizer adeus ao mundo. (...) Com toda a delicadeza, reconheceu que tudo isto era muito triste, e que, infelizmente, não se podia fazer nada. Acabou por dizer que talvez se conseguisse que o director fosse alvo de sanções disciplinares..."

"A tua morte não pesava mais do que uma folha caída de uma árvore. Uma mera fatalidade. Um revés da vida."

E foi para lhe atribuir ainda mais peso que Nora Fraisse escreveu este livro e criou a associação Marion La Main Tendue.

*
«13 anos para sempre Marion», é um livro BERTRAND EDITORES

1 comentário :

Marilina Simões Fernandes disse...

Olá,
Estive presente na Fnac na apresentação do livro.
Gostei muito de ouvir os convidados, uma vez que o tema me interessa muito. Trabalho com pré-adolescente que sempre nos questionam sobre estes temas.
Quero ler o livro mas como se trata de um tema, para mim, difícil já que lida com a morte tenho de estar muito bem com a vida, talvez nas minhas férias o "pegue".
Bom Carnaval,
*-*