Mostrar mensagens com a etiqueta D. Quixote. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta D. Quixote. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de março de 2018

Novidades Dom Quixote :: Março


O retábulo definitivo sobre mais de 30 anos da vida no País Basco sob o terrorismo. 
No dia em que a ETA anuncia o abandono das armas, Bittori dirige-se ao cemitério para, na sepultura do marido, Txato, assassinado pelos terroristas, lhe contar que decidira voltar à casa onde tinham vivido os dois. Mas poderá ela conviver com aqueles que a perseguiram antes e depois do atentado que transtornou a sua vida e a da família? Poderá saber quem foi o encapuzado que num dia chuvoso matou o marido, quando este regressava da sua empresa de transportes? Por mais que chegue às escondidas, a presença de Bittori alterará a falsa tranquilidade da terra, sobretudo a da vizinha Miren, amiga íntima noutros tempos, e mãe de Joxe Mari, um terrorista encarcerado e suspeito dos piores receios de Bittori. O que aconteceu entre essas duas mulheres? O que envenenou a vida dos filhos e dos respetivos maridos, tão unidos no passado? Com lágrimas escondidas e convicções inabaláveis, com feridas e coragem, a história arrebatadora das suas vidas, antes e depois da tormenta que foi a morte de Txato, fala-nos da impossibilidade de esquecer e da necessidade de perdoar numa comunidade fragmentada pelo fanatismo político.


Um romance admirável sobre Portugal (e a mentalidade portuguesa), um país que ainda não conseguiu curar das feridas do seu passado histórico recente.

Após a morte do pai, um jovem abandona o curso de Direito e aluga um pequeno apartamento no sótão de um palacete de Lisboa, com o fito de escrever um romance. Aí vive a família Peralta Perestrêllo, cuja matriarca centenária – d. Consolação, há muito acamada – é visitada no dia 13 de Maio de 2017 pela aparição da irmã Lúcia, após o que consegue erguer-se e dar uns passinhos. Filho, nora e netos ficam hesitantes quanto a acreditar no suposto milagre; mas cada um a seu modo (e também a Igreja, chamada imediatamente para avaliar a situação) descobre como retirar dividendos do episódio – o mesmo acontecendo, aliás, com o jovem escritor que, sem ideias para o seu romance de estreia, tem subitamente um filão ao dispor, para não falar do seu interesse pela neta mais nova da miraculada... Porém, entre as aparições, a depressão da mãe viúva, a história secular do palacete e o passado e presente da família Peralta, que não se recomenda, chegará a escrever uma página que seja?
Cheio de humor (mas também de crítica e até de alguma verrina), Cadáveres às Costas é um romance admirável sobre Portugal (e a mentalidade portuguesa) que, apesar do século xxi, ainda não conseguiu curar-se de muitas das feridas do passado.


Um thriller cheio de humor negro em que o assassino é afinal uma personagem que nos comove. 

Olav é um assassino contratado, mas tem uma vida solitária e tranquila. Quando o que se faz na vida é matar o próximo, não é fácil fazer amigos, mas sem ninguém a quem se afeiçoar ou prestar contas, os dias também decorrem sem problemas. Só que o quotidiano de Olav complica-se ao conhecer a mulher dos seus sonhos. Apaixonar-se por alguém já é por si só uma situação desafiante, mas há duas outras particularidades que fazem desta mulher um vendaval na sua rotina: é casada com o seu chefe. E este acaba de o contratar para a matar.
Como é que Olav irá gerir a situação?
Será que vai conseguir enganar um dos mais temíveis criminosos do país?

Este livro, anterior à série Harry Hole, tem já todos os ingredientes que fazem com que Jo Nesbø seja um dos autores nórdicos de policiais mais bem-sucedidos em todo o mundo.


9 de abril de 1918 foi um dos dias mais mortíferos na história militar de Portugal. Numa só manhã, perto de 400 portugueses morreram, muitos mais foram feridos e o número de prisioneiros rondou os 6600.

O Corpo Expedicionário Português (CEP), símbolo máximo do esforço de guerra nacional durante a Primeira Guerra Mundial, desapareceu dos campos de batalha franceses enquanto unidade organizada.

A jovem República apostara forte na constituição do CEP e seu envio para a Frente Ocidental, e perdera.

Neste volume Filipe Ribeiro de Meneses regressa ao tema da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, propondo uma nova interpretação das causas e das consequências do desastre sofrido em La Lys.


Uma insólita e divertida história de amor. Um dos mais  deliciosos e conhecidos romances de Jorge Amado.

Florípedes, mais conhecida por dona Flor, divide o seu tempo entre a direcção da conceituada Escola de Culinária Sabor e Arte, muito apreciada pelas senhoras da sociedade, e o seu casamento com Vadinho, irremediável boémio. A sua vida muda quando Vadinho morre num domingo de Carnaval, a dançar samba mascarado de baiana. Em sete anos de casamento, dona Flor sofrera com o comportamento desregrado de Vadinho, mas amava-o. Porém, vendo-se viúva aos trinta anos, com o desejo do corpo a incendiar-lhe o recato da alma, acaba por casar-se com o pacato e respeitável farmacêutico Teodoro Madureira, em tudo oposto ao seu defunto marido. Cerimonioso e equilibrado, Teodoro vive para a farmácia e para os ensaios de fagote. Flor é feliz, mas sente um vazio que não sabe definir. Certa noite, para seu espanto e desassossego, dona Flor encontra Vadinho nu, deitado na cama, rindo e acenando-lhe – o seu primeiro marido tinha regressado do outro mundo para a atormentar, como sempre fizera em vida. A partir daí, o fantasma do malandro passa a viver com o casal, formando um singular triângulo amoroso. Dividida entre os seus dois maridos, dona Flor vai travar uma «espantosa batalha entre o espírito e a matéria».

Novidades

segunda-feira, 3 de julho de 2017

«A bofetada» de Christos Tsiolkas :: Opinião


Li este calhamaço (538 páginas) nuns poucos dias de férias e só pensava numa questão: quantas camadas de pele é que esta bofetada atinge?
Muitas, com certeza. Só pode. A dureza e a realidade que Tsiolkas narra são tensas, explosivas e algumas até amorais, no entanto, convivem lado a lado com vidas que se assemelham a perfeitas, famílias supostamente felizes, boas categorias profissionais e educação de filhos menores. Mas o leitor que não se engane, este livro não traz uma bofetada só, traz muitas e de variada intensidade, algumas chegam até sem ruído algum. Resultado: o leitor sai um bocado amassado e um tanto menos esperançoso nas pessoas e na sociedade, mas literariamente falando, sai muito rico. 

"Sem abrir os olhos, sentindo um sonho a dissolver-se tão rápido que já nem se lembrava de qual era, Hector levou uma mão ao outro lado da cama, num gesto indolente. Óptimo. Aish já se tinha levantado. Soltou um vigoroso peido, enterrando o rosto bem fundo na almofada para fugir ao pegajoso fedor."

Indolente é cada capítulo, um melhor que o outro, onde cada personagem em destaque aumenta a tensão do episódio inicial. Harry dá uma bofetada numa criança, Hugo de aproximadamente quatro anos, um menino que não é seu filho. O chocante, para além deste acontecimento, são as opiniões que se dividem pelos mais variados motivos. Nesses motivos, vamos destapando as vidas, as relações e a mediocridade de cada um no seio da sua privacidade. Nenhuns são isentos de podres e segredos e cada capítulo explorará de forma brilhante a mentira, as drogas, os lados profissionais menos bem sucedidos, as expectativas de futuro que saíram frustradas, a violência doméstica, o álcool e a velhice, tudo muito bem esmiuçado como se de uma doença degenerativa se tratasse e que os fosse consumindo. Mirrando-os de forma a já só se ver o que resta, o que não podem esconder mais. 

"Abrira a porta e olhara para a rua. Era Verão, havia sol e o ar estava parado e não se via vivalma. Ficara na entrada durante uns bons dez minutos, de mala ao ombro, de punho fechado sobre as chaves, a contemplar o mundo. Não és livre, dissera a si própria. Se queres sobreviver a isto, se não queres matar-te ou matar o teu filho, tens de perceber que não és livre. A partir de agora, até ele poder virar-te as costas e afastar-se de ti, a tua vida não significa nada - a vida dele, é a única coisa que importa. Fora então que dera um passo atrás e fechara a porta, deixando lá fora a rua, o mundo."

Sem dúvida que é de punho fechado e de pedras na mão que vamos encontrar algumas destas personagens, tanto Harry como Hector, ou Gary, são homens destroçados, mas as suas mulheres também não o são menos. Os pedaços que vão sobrando de eventos violentos e do passar dos anos vão deixando mágoas e buracos que não se podem tapar. Mas no final importarão? Que peso deixam essas marcas quando se chega à velhice?  
No capítulo dedicado a Manolis, pai de Hector e sogro de Aish, que reflecte o passar do anos, julgo que certas conclusões são igualmente uma bofetada, talvez de pragmatismo e aceitação.

"Manolis olhou em redor da cozinha. Koula cobrira as paredes com fotografias dos netos. Adam acabado de nascer, Melissa no Zoo, Sva e Angeliki na aldeia na Grécia, fotos da escola, fotos do Natal, os miúdos sentados nos joelhos do Pai Natal. Porque é que eles tinham de crescer? Cresciam e tornavam-se egoístas. Acontecia com todos eles, sem excepção. Manolis estava cansado; os homens viviam demasiado tempo (...) agarravam-se com desespero à vida. Se ele fosse um cão, já alguém o teria abatido com um tiro na cabeça."

Não há aqui tiros na cabeça, mas pouco falta. «A bofetada» é realmente um grande livro e que vale muito a pena ler.

"Iria ao armário dos medicamentos e encheria uma seringa com sessenta miligramas de Pentobarbital. Injectaria o anestésico líquido e verde num saco de soro fisiológico e depois prenderia o saco ao doseador. Regularia o débito do aparelho para o máximo. Depois, introduziria o cateter na veia, provavelmente no braço esquerdo, e ligar-se-ia o aparelho. Um morte esmeralda. Adormeceria, morreria. Continuava a achar que era o método mais humano para abater um animal; e o que eram os seres humanos senão animais?"

segunda-feira, 26 de julho de 2010

«O miúdo que pregava pregos numa tábua» de Manuel Alegre - Opinião

Quem sabe talvez Manuel Alegre seja um miúdo do Porto que pregava pregos numa tábua ou não. Quem sabe se seria um outro miúdo cujo os avós tiveram certas influências na sua vida, quem sabe também se são a mesma pessoa ou uma outra!?
Nada é certo, mas tudo fluí e encanta.

Em jeito de biografia, Manuel Alegre, brinda-nos com o seu jeito enfabulatório, como ele próprio afirma ser capaz, levando-nos assim numa suposta auto-biografia, num pequeno relato, quase romanceado sobre uma criança que cresceu e que hoje, talvez, confunda as crianças, os adolescentes e as revoluções que viveu.

Aliás, Alegre faz-nos a todos pensar se quando paramos num dado momento da vida e se aí nos fosse pedida a nossa história, se saberíamos ao certo distinguir entre o que fomos, o que temos ideia de ter sido e aquilo que realmente fizemos.

Fica a pairar a questão!