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domingo, 7 de agosto de 2022

«Gente Ansiosa» de Fredrik Backman - Opinião


Imaginem o enredo que dá, colocarmos oito pessoas ansiosas, prestes a se tornarem reféns acidentais de uma outra pessoa pouco experiente nas lides do crime (pouco!) organizado e a contar serem salvas por duas outras pessoas que não se entendem, embora sejam policias, são também pai e filho.

"(...) algo que é impossível aos filhos compreenderem e que os pais têm vergonha de admitir: na verdade, não queremos que os nossos filhos persigam os seus próprios sonhos nem que sigam as nossas pegadas. Queremos, sim, seguir as pegadas deles enquanto perseguem os nossos sonhos."

Azar de Jim que não queria Jack como polícia. E, aparentemente, azar daquele apartamento cheio de gente que conta com eles para desvendar o roubo e a consequente situação de reféns. Situação essa, que, à boa maneira de gente ansiosa, se altera rapidamente com pessoas muito diferentes a descobrirem laços que julgavam inexistente e a se identificarem e protegerem mutuamente

"Esta coisa das palavras é complicada, em particular quando uma pessoa é mais velha e tudo o que quer dizer a alguém mais novo é: «Vejo o teu sofrimento, e isso faz-me sofrer.”

E para ver o sofrimento do outro, basta por vezes parar para ouvir realmente, com espaço e admitir o quão fácil, horrível e assustador é fracassar nisto de ser adulto, ainda para mais quando ser adulto envolve ajudar outros a tornarem-se adultos.

E até quando seguimos nisto de tornarmo-nos adultos?

Conhecendo Roger e Anna-Lena, diríamos que uma vida toda. Ou é apenas medo pelo excesso de tempo, quando temos tempo para pensar que já nos falta pouco tempo? Parece um pouco idiota, mas a ansiedade não nos torna a todos um pouco idiotas?

«Gente Ansiosa» de Fredrik Backman é um livro cheio de perguntas, mesmo quando aparecem sobre a forma de respostas. É um enredo com tantos enredos dentro, tantos quantos são os personagens. Aliás, mais, é gente com gente dentro. Gente com problemas e ansiedades como as da gente 😉 E ao mesmo tempo é uma narrativa cheia de saltos e perspectivas, momentos tensos e outros de calmaria. E lucidez. Pois até mesmo «gente ansiosa» tem momentos de lucidez, como Zara na psicóloga a debater o que é a felicidade. A debater não, a afirmar.

Tal como o livro se vai afirmando com pequenas verdades: «[…] a solidão é como a fome: só nos apercebemos do quão esfomeados estávamos quando começamos a comer.»