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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Jeff Em Veneza, Morte em Varanasi, Geoff Dyer - Opinião

Um jornalista freelancer, uma festa badalada, sim é a Bienal de Arte de Veneza, mas podia ser qualquer outra festa, já que o que interessa são drogas, álcool e sexo... com mulheres bonitas de preferência.
O trabalho é um empecilho, a arte também, suportam-se as festas e as pessoas que fazem as festas à custa de bellinis e a corrida aos convites mede-se pelo alcool e a droga que se conseguirá consumir. A prosa não gira só em torno desta fina camada de pó dos dias, mas pouco mais. Há Jeff e Laura, essencialmente, a droga, as cenas de sexo e o vago, sim, tudo é vago!

Vaga é a sociedade, as obras de arte, as opiniões, as reportagens... enfim, a elite (supostamente) letrada e opiniosa da arte contemporânea, artistas e tendências actuais. No entanto, com o recurso a uma escrita que seja quase a ser displicente, Geoff mostra-nos um lado fétido, desprovido de valores e bastante amoral, que todos falam e desconfiam, mas que nem sempre se coloca na montra e revela ao mundo.
É uma realidade artificial, superficial e efémera  daí o desprendimento e a desmotivação com que a personagem (um misto de escrita auto biográfica com ficção - palavras do autor) vive actualmente a fase da meia idade.

Vaga é também a história ou o fio condutor que se espera que a mesma tenha, há um pseudo romance no ar, que por momentos dá um novo fôlego à vida do homem de meia idade, mas há também um objectivo profissional que é mal executado, por momentos talvez se chegue a pensar que é propositado e que a história lá volte... mas não, não volta.

Desprendimento é algo que também encontramos na escrita deste livro, que podia muito bem dividir-se em dois, talvez possamos interpretar Veneza e Varanasi como dois lugares, duas entidades díspares e antagónicas que vivem dentro do personagem, simbolizando conflitos interiores diferentes e fases da vida em que a pessoa procura algo, não sabendo muito bem o quê.
Aliás, a dificuldade em se definir ou a necessidade em se afirmar é bastante notória em ambas as situações com o cabelo e o que isso representa, seja internamente para a pessoa, seja a aceitação e impacto na sociedade que o acolhe.

E falando em acolhimento, chegamos a Varanasi - é Jeff que acolhe Varanasi ou é a cidade que o acolhe?
A mudança para o Ganges View é uma mudança mais interna do que geográfica?

"O que se passa com o destino é que é algo que quase pode não acontecer e, mesmo que aconteça, raramente se parece com aquilo que é."


Se assim é, que importância têm as nossas escolhas, ou as nossas preocupações? Será o acaso a condicionante e mão oculta que conduz os mistérios das nossas vidas? Ou não haverá mistério nenhum e a busca por espiritualidade, paz, felicidade não faz qualquer sentido?

A escrita despretensiosa, crua (às vezes quase cruel) e por vezes até complexa e intrincada (se contarmos com o que as entre linhas nos dizem), traz uma nova roupagem à escrita de Geoff nesta metade de si, nesta viagem, mais interior que cultural, profissional ou turística. Jeff vai ficando em Varanasi, navegando de ghat em ghat, de funeral em funeral, respirando a morte, inalando o fumo e a putrefacção, ora dos corpos, ora das flores e ainda os dejectos animais e humanos que povoavam ruas, ruelas, becos e vielas, descendo escadas, como o povo que se banha no rio sagrado.

Eu gostaria de ter lido mais sobre cultura, tradição, festividades, simbolismo, mas talvez alguma da inactividade, incerteza e busca interior do personagem seja em si o simbolismo de uma sociedade que vive do instantâneo, dos factos, das garantias, numa insignificância de mordomias. E depois, uma vez por ano, de férias, normalmente, parte em busca de paz e espiritualidade, como um flash, um momento repentino que os curasse de anos de solidão ocupada por desconhecidos, anos de vazio povoado por fantasmas de gente, pelo consumo exacerbado...

Será a Índia uma sociedade flagelada pelo cunho de uma tradição que parece mórbida, macabra e até arcaica? Ou será a nossaflutes de álcool, pós de alívio rápido e tecnologias de felicidades à distância de um clique!?
sociedade, afogada em

Talvez o livro até tenha muito para nos ensinar se nós estivermos as questões certas para lhe colocar.
A maioria dos meus destaques (páginas com cantos dobrados) vão para referências a filmes, músicas, autores, peças de arte... enfim, pequenos grandes deleites a que a sociedade de consumo nos habitua...





terça-feira, 30 de abril de 2013

Geoff Dyer em Portugal em Maio - Divulgação

Comecei a ler «Jeff em Veneza, Morte em Varanasi»

de Geoff Dyer

“O modo engenhoso como Dyer liga estas narrativas contrastantes é indicativo da sua inteligência e elegância estilística, e a sua habilidade para evocar os ambientes com uma clareza impressionante é mágica.”
Publishers Weekly 


Sinopse
O jornalista Jeff Atman está em Veneza para cobrir a abertura da Bienal de Arte. Espera ver muitas obras de arte, ir a muitas festas e beber muitos bellinis. Não espera conhecer a sedutora Laura, que irá mudar completamente a sua curta estadia na cidade. Outra cidade, outro trabalho: desta vez nas margens do Ganges, em Varanasi. Por entre as multidões, os ghats e o caos da mais sagrada cidade hindu, espera-o um tipo diferente de transformação. Uma narrativa muito bela sobre amor erótico e desejo espiritual, Jeff em Veneza, Morte em Varanasi é divertido, elegante, sensual, cómico, engenhoso e absolutamente cativante. Consagra Geoff Dyer como um dos mais provocantes e originais escritores britânicos.

«Jeff em Veneza, Morte em Varanasi de Geoff Dyer» é uma edição CIVILIZAÇÃO



O autor terá novo trabalho publicado em Portugal, mas desta vez pela Quetzal com o título:
«Yoga para Pessoas que não estão para fazer Yoga»
Já divulgado por nós aqui

"Este livro é a arqueologia da alegria, do desespero e da redenção. O mundo é um lugar muito mais divertido quando visto através dos olhos de Dyer."
The Independent



Sinopse
Muito mais do que um livro de viagens, Yoga para Pessoas Que não Estão para Fazer Yoga é uma viagem por paisagens reais - Amsterdão, Cambodja, Roma, Indonésia, Nova Orleães, Líbia, deserto do Nevada - e oníricas, por histórias, ideias, poemas e todos os labirintos da imaginação. Nesta prosa reverberante de inteligência, graça e de uma imensa comicidade, Dyer explora a noção de que experiências em diferentes lugares e diferentes tempos ocorrem, de alguma forma, em simultâneo; de que cada experiência é única, irrepetível, sem paralelo; observa os fenómenos (e as sensações) que suspendem distância e espaço, e as categorias de proximidade e distância. E, em busca de experiências exóticas e experiências-limite, Dyer procura o momento e o lugar perfeitos.

«Yoga para Pessoas que não estão para fazer Yoga» é uma edição Quetzal

terça-feira, 23 de abril de 2013

Geoff Dyer em Maio na Quetzal...


Este é o primeiro livro de Geoff Dyer que a Quetzal vai publicar. A tradução é de João Tordo. 
O livro sai a 10 de maio e o autor estará em Portugal.

*

«Se Hunter S. Thompson, Roland Barthes, Paul Theroux e Sylvia Plath fossem de férias no mesmo corpo, talvez inventassem algo deste género.»

*
Críticas de imprensa

“Inteligente, provocante, por vezes muito cómico mas acima de tudo profundamente sério.” 
The Telegraph


"Este livro é a arqueologia da alegria, do desespero e da redenção. O mundo é um lugar muito mais divertido quando visto através dos olhos de Dyer."
The Independent



Uma aposta QUETZAL