Mostrar mensagens com a etiqueta Gonçalo M. Tavares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gonçalo M. Tavares. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 27 de março de 2017

Novidade Bertrand :: "A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado"


É este o grande aviso às personagens deste livro, o primeiro de uma série de Mitologias em que Gonçalo M. Tavares recoloca o humano e a história numa dimensão mitológica, que distorce para mostrar melhor e que, recorrendo ao universo narrativo da oralidade e do fantástico, explora brilhantemente aquilo que é a natureza humana

Uma novidade

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

«Uma menina está perdida no seu século à procura do pai», de Gonçalo M. Tavares :: Opinião

"- Não vale a pena grandes rodeios - disse-nos -, no limite é o nosso peso que está em jogo, é ele que temos de carregar para um lado e para o outro. Quando temos de fugir, podemos ter tempo para pegar num ou noutro objecto, mas tal é raro. (...) Pego nas minhas coisas ou não? Não! No fim, no limite, a decisão é sempre a mesma: não pegamos em nada (...)"

Uma menina perdida, um homem que não era um falador e um outro que tinha tanto para dizer. Entre outros. Todos eles formam um todo bastante fragmentado, como uma perspectiva dissociada da realidade, mas virada para entender essa mesma realidade... partem em busca de algo. Buscam o pai, buscam a verdade, buscam o outro, buscam um futuro... procuram tudo e não sei se chegam a encontrar algo.
Encontram-se uns aos outros e na medida do possível olham-se, percebem-se e tentam praticar a ajuda como podem.

Será este romance uma lição de como, se pararmos e nos libertarmos de certas amarras sociais, poderemos compreender melhor o outro!?

Terminei a leitura faz já algum tempo, não parti logo para escrever por falta de algo, faltava-me algo para esmiuçar, mastigar, ordenar a história na minha cabeça. Parti em busca de maior entendimento. Fui ouvir o escritor. Interessei-me pelas palavras do Gonçalo, aquelas que li e depois as que ouvi. Ficou a faltar-me algo na mesma, continuará sempre a faltar. É um livro feito por camadas, por sensações, emoções, entendimentos para a realidade que foge de nós, mas nos aproxima dos outros. E sem querer já me repeti, repetirei-me sempre...falta-me algo, não faltará a todos?

É nessa falta tão grande que se encaixa tamanho título, algo pesado como um século, algo profundo como a procura por alguém que não nos devia perder nunca, o pai. Quem é o pai? O que foi... onde estará? Que metáfora encara este pai fictício? A Humanidade!?
Os livros do Gonçalo M. Tavares (GMT), parece-me a mim, trazem sempre mais perguntas do que respostas que sosseguem o leitor. O leitor merece ser inquietado, desafiado, testado, posto à prova, relembrando-lhe o seu papel de pensador, de agitador de conversas.

Neste, «Uma menina está perdida no seu século à procura do pai» somos agitados por todas as personagens que vão compondo o caminho de Marius e Hanna, o homem pouco falador e a menina perdida, Joseph, Fried, Vitrius, Moebius ou Josh todos têm características impressionantes e quase surrealistas que levarão o leitor a tentar descobrir a mensagem nas entrelinhas... porque sobrará tanto mundo para uns e faltará tanto a outros?


Uma edição Porto Editora.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Novidades Gonçalo M. Tavares : Um mês, dois livros


A Porto Editora orgulha-se de publicar, no dia 10 de novembro, o mais recente e aguardado romance de Gonçalo M. Tavares.

Sinopse
Uma menina está perdida no seu século à procura do pai. Nesta história de busca, viagem e reflexão sobre o século XX, Marius encontra uma menina perdida à procura do pai. Hanna, rapariga, cabelos castanhos, olhos pretos, catorze anos, fala com dificuldades, entende mal o que lhe acontece, não percebe o raciocínio dos outros. Marius está com pressa mas muda o seu percurso, acompanha-a. A sua busca leva-os até Berlim, a um hotel com corredores que lembram fantasmas da guerra — e os dois circulam entre as obsessões e os escombros do seu século. 

EXCERTO

– E vocês? De onde vêm? Tentei explicar-lhe que não era um homem falador. Gosto de ouvir, disse-lhe, não tenho muito para dizer. Ele perguntou, virado para Hanna:
– Como te chamas?
Hanna respondeu. Ele não percebeu. Hanna repetiu, ele continuou sem perceber. Eu repeti:
– Chama-se Hanna.
– Hanna – disse Fried. – Bom.
– Que idade tens?
– Catorze – respondeu, e agora percebeu-se.
Fried sorriu para ela, simpaticamente. Ela disse:
– Olhos: pretos. Cabelo: castanho.
Eu disse: – Ela aprendeu assim.
Depois ela disse:
– Estou à procura do meu pai.



Neste mês, a Caminho, apresenta também mais um livro do autor. 

"Os Velhos Também Querem Viver" tem um pé na tragédia Alceste, de Eurípedes, de onde parte, e outro no cerco de Sarajevo nos anos de 1992-1996. 
Deste cruzamento de duas realidades separadas por cerca de 2.500 anos Gonçalo M. Tavares extrai uma obra literária que nos prende da primeira à última linha porque não perdemos nunca a sensação de estarmos a tocar um dos grandes dramas da Humanidade, que no livro se pode exprimir assim:

"Em Sarajevo e em redor de Sarajevo, no século XX, a regra particular é igual à regra geral: os mortos estão mortos, os vivos é que ainda não".


Sinopse

De 5 de Abril de 1992 a 29 de Fevereiro de 1996 Sarajevo esteve cercada pelo exército sérvio muitos fugiram; 12.ooo mortos, 50.ooo feridos; a população da cidade desceu para metade. E metade é muito; é muitíssimo. Um sniper atingiu Admeto; Admeto está a morrer. Sabe que poderá ser salvo apenas se alguém morrer em sua vez; todos recusam excepto a mulher, Alceste. Alceste morrerá para que Admeto possa ficar vivo. É esta a história. A partir da peça Alceste de Eurípedes.

Prólogo

"De 5 de Abril de 1992 a 29 de Fevereiro de 1996
Sarajevo esteve cercada pelo exército sérvio
muitos fugiram; 12.ooo mortos, 50.ooo feridos;  
a população da cidade desceu para metade.
E metade é muito; é muitíssimo.

Um sniper atingiu Admeto; Admeto está a morrer.
Sabe que poderá ser salvo apenas
se alguém morrer em sua vez; todos recusam
excepto a mulher, Alceste. 
Alceste morrerá para que Admeto possa ficar vivo.
É esta a história."

A partir da peça Alceste de Eurípedes


Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Desde 2001 publicou livros em diferentes géneros literários. Os seus livros receberam vários prémios em Portugal e no estrangeiro. Com Aprender a rezar na Era da Técnica recebeu o Prix du Meilleur Livre Étranger 2010 (França). Alguns outros prémios internacionais: Prémio Portugal Telecom 2007 e 2011 (Brasil) Premio Internazionale Trieste Poesia 2008 (Itália) com 1. Prémio Belgrado 2009 (Sérvia). Grand Prix Littéraire du Web – Culture 2010 (França) com Aprender a rezar na Era da Técnica. O Senhor Kraus recebeu o Prix Littéraire Européen 2011 (França). O seu recente livro Uma Viagem à Índia recebeu, entre outros, o Grande Prémio de Romance e Novela APE 2011. Em 2013 Atlas do Corpo e da Imaginação integrou a seleção de melhores livros do ano do jornal Público e da revista Visão. Os seus livros deram origem, em diferentes países, a diversos trabalhos artísticos e académicos. Está a ser traduzido em cerca de 45 países.

IMPRENSA 


Um Kafka português. Irá Gonçalo M. Tavares tornar-se tão exportado como o vinho do Porto ou a saudade?
Le Figaro Magazine

Tavares criou algo atraente, sombriamente belo e inspirado, e totalmente original.
The Independent

Gonçalo M. Tavares vale por uma literatura inteira.
António Guerreiro, Expresso

Hoje, Gonçalo M. Tavares tem uma projeção e um impacto internacionais só comparáveis, entre os autores portugueses, aos do Nobel José Saramago e, postumamente, de Fernando Pessoa.
Filipa Melo, SOL