Mostrar mensagens com a etiqueta a mulher louca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta a mulher louca. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"A Mulher Louca", de Juan José Millás - Opinião


"O meu ninho literário deste fim de tarde tem lições de gramática, idas ao psicólogo, uma mulher louca e um homem não menos louco que se divide em "um de lá" e "outro de cá", e um indiano com nome próprio de deus e sobrenome de demónio. Em conjunto, meditam... ou não, baralham-se e confundem também o leitor. 
As palavras têm grande peso nesta, alucinante narrativa, que fluí mas não é fluída. Há palavras feias ou poucas bonitas, mas que no fim compõem uma boa frase. Boa, adjectivo que caracteriza o substantivo frase... LOL, é a sigla que melhor resume toda a leitura que navega e abre caminho neste romance ou investigação para potencial romance de um jornalista de ofício, mas escritor de carreira....... 
E com isto, o que leio!? "A Mulher Louca" de Millas"

Foi assim, meio a quente, que me referi à leitura deste novo livro de Juan José Millás. Estava mesmo mesmo a terminá-lo quando no fim de semana passado escrevi este pequeno parágrafo sobre, tão peculiar e criativa narrativa.

Em "A Mulher Louca", a barreira que separa realidade, de ficção ou ainda de loucura é muito ténue, eu diria que é quase inexistente, apelando ao seguimento dos relatos e claro, o fim.
Millás é um autor intrometido e consequentemente personagem do seu próprio livro. Só tive pena que no meio de tanta personagens, não houvesse mais espaço para o chefe filólogo... e aí sim, o ramalhete estava completo.

A sua escrita é bastante específica e peculiar, chega a ser desconcertante com o ritmo e direcção que o autor dá à acção. Nomeadamente porque temos um autor, jornalista e escritor, que se representa a si mesmo na obra, sendo um narrador e escritor, também jornalista, que se divide e que pretenda analisar as atitudes com o seu "eu de cá" e o seu "eu de lá" - complexo? Sim, um pouco e um outra tanto de curioso. 

A meu ver a mulher louca não será o centro desta narrativa, mas sim a loucura em si, a divagação, o desdobramento psicanalítico, bem como a especificidade da própria linguagem e a análise (gramatical) da mesma. 

O caso de Emérita fez-me recordar a polémica que é o direito à eutanásia e com as revelações da moribunda veio aquilo que eu julgava vir a dar toda uma reviravolta à obra, mas o autor não foi por aí. Já Júlia, é um caso à parte e as visitas que recebe são hilariantes, no entanto, muitas delas educativas. Outro aspecto curioso e revelador da mestria deste aclamado autor espanhol.

Há como que uma certa bipolaridade no universo da escrita de Millás, que nos brinda com um dilúvio de devaneios, que mesmo insólitos e surreais, funcionam como um romance viciante e um enredo quase misantropo, mas ainda assim, estranhamente, com uma certa curiosidade pelo próximo.
E no final fica a questão: Millás criou um romance falso dentro de um verdadeiro ou um verdadeiro com contornos falsos, mas ainda assim legal!? Confuso? Leiam e ainda assim, ficará confuso na mesma.



Um leitura com o apoio, Editorial Planeta.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Novidade Planeta :: "A Mulher Louca"

Juan José Millás, regressa com A Mulher Louca, uma história em que o leitor terá de decidir o que é verdadeiro e o que é falso, uma investigação sobre os limites da realidade e da ficção, numa obra que condensa a essência do mestre da estranheza: humor inteligente, diálogos excepcionais e uma escrita provocadora. Um exercício de honestidade para enfrentar as suas angústias como autor a partir da verosimilhança da pura ficção.


Sinopse:
Julia trabalha numa peixaria e à noite estuda gramática, porque está apaixonada pelo chefe, que na verdade é filólogo.
Nos tempos livres, a jovem ajuda a cuidar de uma doente terminal, Emérita, e encontra-se com Millás, que está a fazer uma reportagem sobre a eutanásia. Durante as visitas, o escritor sente-se atraído pela ideia de romancear a vida de Julia, embora para o fazer enfrente o seu bloqueio criativo com a ajuda da psicoterapeuta.
A realidade transtorna os planos do escritor, quando Emérita revela um segredo que guardou zelosamente toda a vida. O que começara como uma crónica para o jornal converte-se então numa espécie de novela, onde se verá apanhado como personagem.

À volta deste novo romance convivem três Millás: o Millás autor, o Millás narrador e o Millás personagem, o que torna este livro numa mistura entre reportagem e romance, a que se junta um ingrediente autobiográfico.
O autor transforma-se no protagonista do seu próprio relato, quando ao conhecer duas mulheres que vivem na mesma casa percebe que tem ali material para escrever uma reportagem e um romance. «Havia apenas um problema: através de que tipo de personagem iria fazer a narração? E dei-me conta de que o único personagem possível era eu», refere Millás em entrevista ao jornal El País.

Galardoado em 2008 com o Prémio Nacional de Narrativa (O Mundo), Juan José Millás, um dos mais reconhecidos e premiados autores ibéricos, brinda-nos agora com uma história que toca as fronteiras entre a realidade e a ficção.

Leia um excerto do livro "A Mulher Louca"

http://www.planeta.pt/livro/a-mulher-louca-2