A leitura é uma viagem por palavras nacionais, estrangeiras, umas cultas, outras menos, umas mais rebuscadas, outras simplificadas, algumas levam-nos às lágrimas, muitas delas às gargalhadas e as melhores, aquelas que nos deixam abismadas, tamanha é a profundeza da ideia, da genuinidade expositiva, onde a simples contemplação daquelas palavras nos deixa assim: sob o Efeito dos Livros!
Depois de ter entrado na montanha russa que é a trilogia de Malenka Ramos, acabo por ficar curiosa com este último volume, "Sem Compaixão" que nos vais provar uma vez mais que todas as acções trazem consequências.
A vida de Samara prossegue junto ao seu amor, tudo parece maravilhoso e, em determinados momentos, até roça a normalidade. Mas na realidade não é assim. Dominic infringiu as regras da casa para evitar que ela seja mais uma escrava e isso desencadeará uma trama que fará que os implacáveis, amorais e vingativos membros do clã Malbaseda reapareçam nas suas vidas.
Samara volta até nós de joelhos, com muita coisa para provar e outras tantas ainda por conhecer.
“A Iniciação” ainda agora começou…
O que mais nos vai chocar enquanto caminhamos na Herdade da Quimera?
Confesso que entrei nesta leitura em bicos de pés, com receio do que iria encontrar. Depois de ler “De Joelhos”, que para mim começou mal e que teve momentos em que me chocou/arrepiou, “A Iniciação” mesmo com a sua dose de crueldade, loucura, morbidez e drama é surpreendentemente melhor que o seu antecessor, mesmo nas cenas que me fazem arregalar os olhos.
Se eu achava que os personagens que conhecia eram retorcidos, imaginem a minha surpresa quando fiquei a conhecer a família extensiva da Quimera. Mãezinha do céu!
"Não concebo a minha vida sem ti, sem vocês, sem os que te rodeiam e isso aterroriza-me. Aterroriza-me pensar no que fui capaz de fazer desde que te conheci, essa falta de amor próprio quando me pedes algo..."
Na vilania que é a cruzada de vingança de Dominic há espaço para Samara querer marcar posição e território junto do seu amante e senhor e como sempre, todos os momentos que envolve estes dois são dotados de um erotismo sádico que simplesmente não combina com o tipo de coisa que gosto de ler, no entanto, é o bolo todo que me agarrou ao livro e que me fez devorá-lo em 4 dias.
Principalmente as pequenas histórias que se desenvolvem ao seu redor, daqueles que eles consideram amigos, irmãos, a sua família por escolha. Ou será que o que fazem, o que são é realmente escolha ou mais uma imposição que vem com eles desde sempre?
"Quer dizer que te deitaste com outros homens?
- Bom, gostava de acordar com uma mulher e um homem. Duas mulheres, outro homem...três mulheres...
- pára, pára...
- Não sou homossexual. Amo a feminilidade acima de tudo, mas quando a tua vida é um abismo onde não fazes mais do que cair e nada é suficiente, buscas o amor em todas a suas formas, experimentas muitos tipos de carinho, muitos tipos de sexo....Afinal de contas é só isso....sexo. Gostas de mulheres, Samara?
- Não!"
(hey marquei cantos neste livro, isso é positivo!)
Preparem-se para ficarem espantadas com as reviravoltas, as provações e as obscenidades da vida de Samara nesta nova etapa da sua vida como amante, mulher, submissa de Dominic e parte integrante da peculiar família que tem como centro do seu mundo a Quimera.
E o mais interessante é que no final, depois de ter entrado a medo, franzido o sobrolho e feito carretas, este segundo volume da trilogia Quimera deixou-me com vontade de ler a continuação porque finalmente conseguir ler algo em Dominic que não me deixou com vontade de ser eu a pegar na vara para lhe bater.
NOTA: A cena dos jogos de dor….quem ler que venha cá comentar comigo :) Payback is a bitch!
"Era divertido vê-la com esse vestido infantil, segurando a vara com esse homem corpulento atrás ajudando-a e sussurando-lhe como se de um demónio se tratasse.
- Agora....mais uma vez...castigo.
- É divertido!
- É antes excitante. Se te diverte, ficas à beira do sadismo, se te excita é mais moderado..."
Mas eu continuo a questionar-me….
Malenka, ¿de dónde viene su inspiración?
Esto es una locura.
Ou será que sou eu que começo a ficar meia louca?
É que....quero ler o terceiro! :|
Oh bem, saí para o mês que vem. Depois podem internar-me no Júlio de Matos :)
De Joelhos e olhos bem arregalados, foi como fiquei com a leitura do livro de estreia em Portugal de Malenka Ramos.
Uma história com uma premissa brutal, a da vingança por sofrimento amoroso, tornou-se num desafio de leitura ao entrar neste primeiro capítulo da trilogia que tanto zum-zum tem criado no país vizinho. O que anda na cabeça de nuestras hermanas para lerem e adorarem a história de Dominic e Samara sem questionarem a limite que separa o erotismo da violência?
Para mim essa linha é transposta logo de início e demasiadas vezes ao longo do livro. “De Joelhos” é uma história que não se deve encarar de animo leve e se têm um estômago fraco, talvez esta não seja posição para vocês. Digo…”De Joelhos”.
Mas alto e para o baile...mesmo depois de torcer o nariz, abanar a cabeça, desejar bater nas personagens (e perpetuar o ambiente violento), dei por mim a não conseguir parar, tipo “sei que isto é errado mas continuo” porque queria saber o fim, queria saber como acabava, queria saber até onde a autora estava disposta a levar a loucura que é a vida de Dominic, Samara, Luis e os outros que fazem da Quimera a sua casa longe de casa.
Conhecemos Dominic e Sarama, 15 anos volvidos desde a altura em que ela, popular e altiva o ignorava, quando ainda eram miúdos na escola. Essa dor e humilhação foram impulsionadores para na maioridade Dominic se tornar um homem de sucesso, atraente e a que consegue tudo o que quer, especialmente a mulher de que sempre sempre gostei e que odeia com todas as forças do seu ser. Até aí….íamos bem se não fosse o como se reencontraram e aproximaram.
Esta história dividiu a minha opinião, tão rápido queria lançar o livro janela fora como me controlava para não pegar no livro a meio do dia de trabalho para saber que cena se seguia.
Não consigo decidir se gostei ou não gostei. Tanto que tive de ir falar com outras leitoras que me disseram que adoraram. MAS, e quando há um mas, é sempre complicado, eu não consegui achar sexy, sensual, excitante, etc as cenas entre Samara e Dominic. Salvo sim, alguns momentos, curiosamente das personagens secundárias à história do casal. A base da história, a vingança de alguém que nos marcou e cuja dor causada acabou por nos moldar, é espectacular mas acho que o rumo que a autora tomou, além de violento e pouco digno, ficou muito aquém do que eu esperava encontrar no desenrolar desta história.
Falem comigo! Digam-me, o que acharam da história? Estaria eu extremamente feminista ou por outro lado sensível para achar que a relação perpetuada entre Dominic e Sarama roça mais a violência do que a sensualidade?
Livro em que não dobro cantos….hmmmmm é para estranhar. “De Joelhos” não tem nem uma marca.
E o vosso exemplar, o que vos disse?
Falem comigo!!
Isto porque há uma parte de mim que quer ler o segundo, rapidamente!!
E até lá fiquem com a música que ouvi na rádio enquanto andava a ler o livro e achei que se encaixava na perfeição :)