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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

(Auto)medicação literária AKA Opinião "Remédios Literários"


Quando o livro "Remédios Literários - Livros para salvar a sua vida de A a Z" me chegou às mãos dei comigo a pensar "Quais são as minhas maleitas? De que me queixo?". 
Incapaz de selecionar este ou aquele mal, percorri por ordem alfabética, qual buffet, os males do corpo e da mente representados no livro, numa espécie de "vamos lá ver com o que é que me identifico".
Confesso que como em todos os buffets, escolhi um bocadinho de todos e acabei com uma barrigada de sugestões de leitura.

- Canto chão de Kent Haruf
- Monte dos Vendavais
- Moby Dick
- O Preço do Sal
- Falsa Aparências
- O quarto de Jack
- Maurice
- A noiva despida
e por ai em diante...

O conceito é espectacular. Biblioterapia. Na realidade já o fazemos há imenso tempo.
Vamos ao médico de tanta coisas, porque não consultar também um médico dos livros? 
Não, os nossos livros não estão doentes. No máximo têm um pouco de pó e um ou outro bicho do papel. Já nós temos pequenos bichos que nos carcomem física e psicologicamente todos os dias. Há quem os combata homeopaticamente, quem os envenene de químicos e os outros que preferem ver se passa e não tomam nada. Eu confesso que sou daqueles que acreditam que há males, não todos, que podem verdadeiramente beneficiar de um remédio literário. Por isso, além de estudar o compêndio biblioterapeutico de Ellen e Susan, as duas metades do Efeito vão consultar um especialista esta semana e quem sabe possamos medicar as nossas e as vossas maleitas. Sim, porque quem é que nunca se automedicou ou passou a sua sabedoria médica ao próximo? 
Eu automedico-me com os romances loucos dos outros, purgo a alma com lágrimas pelos dramas desta ou daquela personagem e viajo pelo mundo enquanto estou presa numa carruagem apinhada de gente.
Para os bons e os maus momentos, LER É O MELHOR REMÉDIO!


Nota: tiro umas quantas sugestões práticas deste livro. Vou passar a ter um registo de leitura ao qual pretendo chamar Diário da Honestidade Literária. Cada livro terá uma entrada, um resumo para mim mesma, repleto de spoilers e lembretes sobre a leitura. Creio que nunca mais vou ficar na dúvida sobre um ou outro detalhe quando pegar num livro que tem continuação.

Mais informações no site QUETZAL 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Guia de Tratamento | Paciente: Metade Negra


«Remédios Literários, Livros para salvar a sua vida - de A a Z»
de
Ella Berthoud & Susan Elderkin | Edições Quetzal 

*
Paciente: respondo pelo nome de Metade Negra, tenho 35 anos e várias patologias.
Sintomas: 
- Diagnostico em mim crises diversas e variadas; teimosia agravada e solidão cristalizada;
- entre outras coisitas físicas mais simples, como dificuldade em fechar a boca ou síndrome de cão da pradaria...

Após uma leitura atenta, divertida e considerando conselhos e avisos das autoras, estou prepara para emitir a Guia de Tratamento e a posologia adequada perante as diversas crises diagnosticadas.

A forma como o diagnóstico se vai construindo a ele próprio, é brilhante, ou seja, este livro é a prova de que um mal nunca vem só e à medida que procuramos por uma maleita encontramos logo outra associada que facilmente reconhecemos como mais uma na nossa lista.

Por isso aqui fica o enumerado de maleitas e respectiva prescrição.

- Prisão de Ventre e Flatulência - para soltar notícias das suas entranhas, as autores prometem que «Shantaram» de Gregory David Roberts fará milagres, tais são as descrições. Aliás, a barrigada de riso que é a entrada neste livro sobre esse outro livro, é divinal e só por si já melhora os movimentos intestinais. No caso concreto da flatulência, estou muito satisfeita com a medicação, aliás, já a testei (opinião), é o livro «Uma conspiração de estúpidos», um livro fabuloso de John Kennedy Toole. 

Associado a estas quezílias do corpo com ele mesmo, o livro diagnostica também irritabilidade (confirmo!), gula (culpada!), rabugide e letargia... tudo sintomas várias vezes experimentados, logo para tratar a irritabilidade a proposta é: «O navio-farol de Blackwater» de Colm Tóibín; para superar a rabugide, que as autoras avisam ser contagiosa e eu não quero contagiar ninguém, que não quero ninguém igual a mim, a sugestão é: «A Ilha do Doutor Moreau» de H. G. Wells - que pela descrição deste livro de remédios me parece ir encaixar que nem uma luva. 

Para acabar com a Gula, essa inimiga eterna, as autores sugerem «A divida ao prazer» de John Lanchester que tem uma sinopse bem suculenta. E ainda para o combate à letargia, um livro que promete alimentar o bichinho carapinteiro, que eu ás vezes também preciso controlar, por isso ficam ambas as sugestões: «O céu que nos protege» de Paul Bowles e "Ulisses" de Homero.

Associado ao desejo de andar de um lado pro outro, há duas patologias distintas, uma é o desejo de abandonar o barco e outra é o de viajar, para o qual, Ellen e Susan, alertam para o seguinte: não vá você tornar-se numa dessa pedras que não criam musgo. A ideia é maravilhosa, mas como por enquanto não me importa de ser um seixo rolante, iria bem até ao Japão e para tal viagem é recomendado tomar uma dose de Yasunari Kawabata com o seu «Terra de Neve». 
Daqui, fico ainda com a referência à série de John Updike com início em «Corre Coelho», na qual estive para pegar neste final de Verão, mas faltava precisamente este primeiro livro. Agora já tenho mais um motivo.

Para as noites de insónia, que não é bem assim que elas o referem, fica o curioso título, «A Casa do Sono» de Jonatham Coe, que eu tenho na estante há tanto tempo. A ver se lhe pego.

Tal como a insónia quem é que, de vez em quando, não se sente insatisfeito ou com saudades de algo!?
Para combater a Insatisfação: «Bairro de lata» de Steinbeck e para as Saudades um livro ternurento, misterioso e suave, «Seda» de Alessandro Baricco: um livro muito bom e que já li. (opinião)

Típico de gaja são as dores associadas àquela altura chata e tenebrosa do mês, para esses dias algumas das recomendações eu já li, por isso escolho, pelo título «A Tenda Vermelha» de Anita Diamant, livro o qual não deverá ser fácil de encontrar, por isso, outra sugestão é o «Até ao fim do mundo» de Maria Sample, que eu, gentilmente, sugerir à rede de bibliotecas e eles adquiriram. 

Nessa altura do mês outra coisa que me afecta são as dores, umas mais gerais que outras e logo aqui eu já tomei deste remédio: «Acasalamento» de Norman Rush e é um remédio muito bom (opinião).
A outra sugestão é um livro que me persegue «A história de Edgar Sawtele» de David Wroblewski

Para quem como eu, pode, sabe-se lá, não arriscar o suficiente, o remédio é português e é do meu ano, 1982... tantas coincidências. A prescrição é «Balada da praia dos cães» de José Cardoso Pires.

O mais patológico talvez sejam dois:
- em busca da felicidade - o remédio é ler «Fahrenheit 451» de Ray Bradbury (lido agora em 2018, opinião)
- não ter filhos (e continuar a não tê-los) as autoras recomendam: "She" de H. Rider Haggard que pela sinopse não me convence e pergunto-me se depois de "Temos de falar sobre Kevin" é preciso mais discussões!?

Para terminar a lista de medicamentos, faltam três:

- para tratar a patologia de DIY, "faça você mesmo", um livro e um pedido de atenção para não martelar dedos - «A ilha de Caribau» de David Vann

- para se iniciar à ficção científica - como se não lê-la fosse um mal maior, mas ok, pelas sugestões apresentadas eu até considerei: «1984» e «Nunca me deixes» no novo Nobel da Literatura

E a cereja no topo do bolo, um dos meus livros de sempre e recomendados para quem tem mais de 100, exacto, cem anos ;) o «DRACULA» pois claro. Não sei o que dirá de mim ter como favorito um dos livros recomendados para pessoas com mais de 100 anos. E atenção, na lista existem outros, como o hilariante e já lido (opinião), «O centenário que fugiu pela janela e desapareceu". Li o livro e vi o filme, dose dupla, sou um fóssil!!! 


Se estes remédios não forem suficientes há uma lista de livros só porque a malta já passou dos 30, mas ainda não entrou nos 40, aqui ficam:

- «A inquilina de Wildfell Hall» de Anne Brontë
- «Middlesex» de Jeffrey Eugenides
- «O sol nasce sempre (hiesta)» de Ernest Hemingway
- «Anna Karénina» de Lev Tolstoi
- «Servidão Humana» de W. Somerset Maugham
- «2666» de Roberto Bolaño
- «A sorte de Jim» de Kingsley Amis
- «Orgulho e Preconceito» de Jane Austen
- «Mau tempo no canal» de Vitorino Nemésio (Já tentei e desisti, se calhar foi antes dos 30)


Ah, já me esquecia. Hoje o meu sobrinho disse-me, como já me disse muitas vezes: "Tia, és estranha."
Não quero deixar de ser estranha, mas aceito o remédio para a estranheza: «Oscar e Lucinda» de Peter Carey



Peguem neste livro e passem umas horas bem divertida a fazer a vossa prescrição




terça-feira, 29 de março de 2016

Sr. Dr. tenho um problema. Ai sim, leia um livro!

Remédios Literários
de Ella Berthoud, Susan Elderkin

De A a Z, desde Abandono até Zangar-se com o melhor amigo - centenas de livros para a cura de todos os seus males. O seu amor não é correspondido? Sofre de depressão? Está com uma crise identidade? Constipada? Tem falhas de memória? Acha que sofre de reumatismo? É hipertenso? Tem falta de sono? Corre risco de ter diabetes? Para este livro, o remédio está na leitura dos grandes romances que imortalizaram autores como Saul Bellow ou Stefan Zweig, passando por Goethe, Tolstoi, Kafka, Isabel Allende, Mia Couto, Salinger, Jane Austen, Melville, Nabokov, Eça de Queirós, Saramago e muitos outros.

A experiência de biblioterapia que aqui se propõe baseia-se na experiência das autoras com pacientes — e é apoiada por uma avalanche de provas empíricas. Para cada crise, doença, situação de sofrimento físico ou de comoção espiritual, há um livro indicado que pode servir de cura. Por vezes, é a história que encanta, outras vezes é o ritmo da prosa que trabalha na psique, aquietando ou estimulando, ou é uma ideia ou uma atitude sugerida por uma personagem que está num dilema ou num sarilho semelhantes. Os romances recomendados neste livro - mais de 750 - têm o poder de curar e de aliviarem todas as maleitas. Inclui um vasto número de listas que vai entusiasmar qualquer leitor ou amante de livros: os melhores romances para abafar o ressonar, para baixar a tensão arterial, para ler na sanita, para combater os pesadelos, para ler no comboio, para ler durante uma constipação, para superar um divórcio, para quem não pode viajar, para ler durante a gravidez, etc. — incluindo uma lista dos melhores romances «para parecer um bom leitor». 

Com o livro, vamos oferecer um bloco de receitas - semelhante aos das receitas médicas - em que cada um pode prescrever romances que curam males e inquietações. Ler este livro vai, também, ser divertido.

Uma novidade
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