quinta-feira, 10 de abril de 2014

"Entre o Agora e Nunca" :) Sim, é especial! - Opinião

Terminar este livro é perigoso. Ao ler esta obra pode sentir desejos de se apaixonar por um desconhecido ou em casos graves, largar tudo e sair sem destino pelo mundo. No caso de sentir estes sintomas, não consulte um médico, SAIA PORTA FORA E VÁ SER FELIZ. 
 

Um começo banal, com uma miúda de 20 anos com neurónios a mais e uma carga emocional elevada para alguém da sua idade visto ter amado e perdido o amor da sua vida, Ian, num acidente de viação. Camryn passa pela vida sem a viver, sem se permitir sentir ou emocionar como as outras pessoas. Não que não queira, simplesmente não consegue.
A sucessão de acontecimentos fatídicos que definiram os últimos anos deixaram-na dormente para a vida pacata que leva numa cidadezinha da Carolina do Norte e lá bem fundo na sua cabeça, existe o desejo de algo mais, de partir em busca de um rumo que dê significado à sua existência já que nem a família, os amigos ou o trabalho a conseguem preencher.

Quando um dos únicos elos que ainda a prendem à sua cidade natal se quebra, Cam parte num autocarro com destino para o primeiro lugar que lhe ocorre, uma escolha completamente aleatória que a leva numa roadtrip que se podia intitular de "People are Strange" (sim, The Doors - aqui)

"Todos começamos como estranhos"

É no autocarro que encontra Andrew e embora a empatia não seja imediata, torna-se inegável que a provocação verbal serve o propósito de se conhecerem melhor. A dinâmica de ver avançar a história alternada entre a visão de Camryn e a Andrew dá-nos dois pontos de vista diferentes, carregados de elementos característicos ao género feminino e masculino. A autora captou bem a mente masculina de Andrew mas no entanto, à medida que ele nos é dado a conhecer, eu dei por mim a rir por cada coisa nova que sabia a seu respeito visto que mais parecia estar-me a ver ao espelho. Revejo-me na sua personalidade, muitas das coisas que fez e disse são exactamente o que eu faria ou diria. Bem, somos parecidos, à excepção de eu nunca ter andado à porrada, não conduzir um Chevelle (com muita pena minha) e não ser homem (entre outros detalhes que seriam considerados spoilers se o dissesse). Mas é a sua faceta de "empurrar os outros", de os fazer testar limites que me faz sorrir.

A ligação que se cria entre Andrew e Cam, os perigos que vivem juntos, os momentos mais tocantes, os constantes desafios e "ofensas" são algo que os aproxima mesmo quando juram a pés juntos que não se envolvem um com o outro.
O que aproxima o leitor desta história é a normalidade deste par, mesmo na autenticidade e "rebeldia" dos momentos que vivem, eles são fieis à máxima de viver a vida, de dizer e fazer o que querem. Talvez por ser uma história mais credível, em que até o sexo surge sem floreados e com a naturalidade do dia a dia de qualquer um de nós (que esteja a embarcar numa relação com tamanha dose de atracção, teimosia e gosto por sexo à bruta). É esta fuga aos estereótipos que nos faz ficar pregados à história, e no fim, nos faz ganhar coragem para dizer o que nos vai na cabeça, nos torna mais receptivos a algo ou alguém novo e que na hora do prazer nos faz mandar as inseguranças para trás das costas e dizer "Eu quero isto!".
É impossível ficar indiferente à história de Andrew e Cam (acho que já disse isto antes!)  seja por empatia com as personagens, com as suas histórias individuais ou a que maravilhosamente começam a escrever juntos sobre milhares de quilómetros e centenas de horas de rock clássico.


Para mim, que tento não ver em love stories uma inspiração, este livro vale pelo desejo de sair para a estrada, sem destino, simplesmente ir vivendo a vida um dia de cada vez. Quem nunca sonhou, talvez depois de ter esbarrado com isso num filme, em fazer uma Roadtrip pelos Estados Unidos, pela Route 66 ou quem sabe costa à costa (de Nova Iorque a San Francisco - a que eu escolhia). Muitos são os filmes, as músicas e até livros que me inspiram e permitem germinar em mim esse desejo.
Boa companhia, boa música, o pôr do sol no horizonte, muitas cidades novas e pessoas diferentes ao longo do caminho. Raios, quero isto desde o Thelma e Louise (sem fuga a maridos abusivos ou armas mas definitivamente com um Brad Pitt na casa dos 20's ou um Andrew Parrish de guitarra ao colo no banco de trás)

Ok Elsa, para de divagar e concentra-te no livro!

Todas as estradas levam a um destino e a realidade é algo de qual não se pode fugir eternamente. A dura realidade acaba por apanhar Andrew e Cam enquanto rumavam em direcção ao pôr do sol. Não gosto de dar spoilers a ninguém mas acredito que plantar a semente do "prepara-te para o pior" é sempre melhor do que deixar alguém viver na ignorância (isto sobre o livro e sobre o curso da vida)
Com "Entre agora e o nunca" vais sorrir, sonhar, sentir o vento nos cabelos, a cabeça leve com o álcool e o prazer mas vais ser brutalmente atropelado pelos sentidos e o destino.
A questão é lembrar-nos que tudo sempre acaba bem, e se ainda não está bem, é porque ainda não acabou.

Sei que ainda não foi lançada a data para Portugal mas temos o 2º livro pelo qual ansiar "Entre o Agora e o Sempre" e mal posso esperar para voltar a ver Andrew e Cam.

Até lá fica a playlist do livro e eu oiço em repeat Rolling Stones (acho que estou apaixonada pela música Laugh i nearly died)


AVISO: Este livro é para ser lido com moderação por jovens no fim da adolescência e 20's. Não há muitos Andrews e Camryns por ai mas a promessa para uma aventura épica está em todos nós, até nos que acham que o seu momento já passou. Não deixem a vida adulta e o peso das responsabilidades vos prender, ainda são livres e podem voar. Saiam sem destino, vão ver que a aventura espera por vós :)

1 comentário :

Lina disse...

Olá,
Eu li o livro pela net e assim que foi publicado cá, eu tive logo que o comprar.
Adorei a tua rubrica. Tenho muitas opiniões sobre o livro igual a estas.
Quando o li e estava a chegar ao fim fiquei tão irritada que disse que nunca mais iria ler um livro sem saber o final. Mas nas últimas páginas o ter lido fez valer muito a pena.
Também aguardo a publicação do segundo. Ainda não o li, mas nas ferias quem sabe? Pela net...
Bj