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sexta-feira, 25 de maio de 2018

«Aqui estou» de Jonatham Safran Foer :: Opinião


Aqui estou! Estou aqui! 
As mesmas duas palavras. Sentidos tão opostos.
Aqui estou, aceita, sacrifica. 
Estou aqui, afirma-se, destaca-se.

O novo romance de Foer, após onze anos de interregno, acerta em cheio no leitor e pede-lhe que se renda. Que aceite as atitudes, os sentimentos, as emoções, as decisões e as peripécias da família Bloch face a todas as necessidades da vida familiar, por vezes irreconciliáveis com as exigências do mundo actual.

"A parte de dentro da vida tornou-se muito mais pequena do que a de fora, o que criou uma cavidade, um vazio. Por isso o bar mitzvá parecia tão importante: era o último fio de um laço prestes a romper-se. (...)
O rabi entrelaçou os dedos, mesmo como um rabi.
- Há um provérbio hassídico que diz: «Quando corremos atrás da felicidade, fugimos da satisfação.»"

Talvez a família Bloch corresse atrás do barulho do tempo. Daquele zumbido de fundo, banda sonora de uma grande parte da vida em que ainda: pai, mãe e filhos convivem em puro ambiente de partilha.
Julia, Jacob, Sam, Max, Benjy e Argus, o cão; compõem uma família prestes a atingir duas décadas de história, mas a história deles tem ligações mais ancestrais, o judaísmo e a luta em Israel são personagens maiores que determinam tradição, conceito de família e noção de lar. E é essa vida de fora que tanto povoa a de dentro, que criou um fosso entre todos eles e os demais familiares que os rodeiam. Talvez se brinque às aparências, cumprindo rituais e forçando ligações e assim se vá jogando com sentimentos, numa constante ocultação do ressentimento e das necessidades tão próprias de cada um.

"Tudo era outra coisa sublimada: a proximidade doméstica tornara-se distância íntima, a distância íntima tornara-se vergonha, a vergonha tornara-se resignação, o ressentimento tornara-se auto-defesa. Julia pensara várias vezes que, se ao menos conseguissem seguir o fio até à origem da ocultação, poderiam chegar a encontrar a abertura."

Encontrar a abertura dar-lhe-à abertura para superar o que os separa? Serão os danos, entre familiares, recuperáveis com o passar dos anos? Ou apenas se aprende a esconder melhor o que nos incomoda? E por quanto tempo se aguenta esse esconde-esconde? E os outros, notarão?

Foer diz-nos que sim. Os filhos reparam, a família desconfia e os casais sabem que algo não está bem, mas avançam. «T-B-I-S-T-O-P-A-S-A-R-A-» é o nome de um dos capítulos deste romance, em jeito de prenúncio ou de aviso. Existem várias formas se superação, talvez só seja preciso encontrar o tempo certo para cada um.

"Tentava não repara nas vidas deles, mas era impossível ignorar a quantidade de vezes que o pai adormecia a ver a ausência de notícias, como a mãe se retirava para ir podar as árvores dos modelos arquitectónicos, como o pai agora se servia de sobremesa todas as noites, como a mãe dizia ao Argus que «precisava de espaço» quando ele a lambia, como o pai mudara a palavra-passe do iPad, (...) o fim do contacto visual."

É nessa ausência de contacto visual que deixamos de ver o outro e também de olhar para nós mesmos. Jacob e Julia são personagens interessantes, com complexos e medos transversais a todos nós. Ela com a necessidade de obter nos filhos um escudo, uma desculpa que a tudo dá justificação. Ele com a necessidade de ter e dar atenção, criou laços diferentes, mais flexíveis, mas nem por isso mais íntimos. Ambos se chocam e sentem ciúmes, girando em torno de dois grandes temas: os filhos e o facto de serem judeus, talvez para camuflar o desconforto da vida íntima.

"Ficou à porta até ouvir Benjy respirar fundo. Jacob era um homem que recusava o conforto, mas permanecia à porta quando outros teriam partido há muito. Ficava sempre à porta de casa até muito depois de o carro que levava os miúdos à escola ter partido. tal como ficava à janela até a roda traseira da bicicleta de Sam desaparecer na esquina. Tal como ficava a ver-se a si mesmo desaparecer."

"As armas enterradas na terra de Jacob e Julia não eram tão inofensivas como isso (...)
Os rituais domésticos estavam suficientemente enraizados para lhes permitir evitarem-se de forma fácil e discreta. (...) Ela dava o pequeno-almoço aos miúdos, ele tomava duche (...), ela levava os miúdos até ao carro e ia até à rua Newark para ver se vinham carros a descer o monte, ele fazia marcha-atrás."

Duas décadas de feridas demasiado rombas para matar, mas suficientes para equacionar a inautenticidade da vida e representar o espectáculo do divórcio. Nas entrelinhas resta-lhes compreender o barulho do tempo de cada um. 

"Demorou algum tempo (...) a perceber do que é que ele estava a falar. O frigorífico estava a ser arranjado, por isso faltava, na cozinha, aquele zumbido omnipresente e quase imperceptível. (...) Esse era o barulho do tempo dele.
O meu pai ouvia ataques.
Julia ouvia as vozes dos miúdos.
Eu ouvia silêncios.
Sam ouvia traições e o som de produtos da Aplle a ligar.
Max ouvia os ganidos de Argus.
Benjy era o único suficientemente jovem para ouvir a casa."

Encarar diferenças, limitações, profundidade das atitudes, necessidade de diversão, de espaço, de conforto ou de um abraço pode diminuir o desgaste próprio da vida e equilibrar melhor a rotina dos dias. «Aqui estou» tem alusões à Bíblia e à Tora, fala do luta dos Judeus, chama à atenção para a guerra eterna em Israel, satiriza e discute a causa, mas acima de tudo é um livro sobre o íntimo de cada um e a compaixão necessária para que a resignação não supere a vida.



sexta-feira, 4 de maio de 2018

«A minha avó pede desculpa» de Fredrik Backman - Opinião


Assumo, não sou uma fã do Harry Potter. Adormeci a ver o primeiro filme e nem sequer peguei num livro. Sim, eu sei. Sou uma muggle. Uma chata inveterada. Gostei da história da Elsa e aceito as desculpas da Avozinha doidona, este livro cheio de com reinos e magia, mesmo que a brincar, não é para as minhas delícias. Sou uma tipa mais áspera. Ainda assim gostava de voar de vassoura, com ou sem cachecol e ter um amigo como o dela. Adoro patudos, grandes e pequenos, de todas as cores e tipo de pêlo. 

A historia da avó excêntrica e da neta Elsa, vítima de bullying, não é mais do que a história de duas lutadoras. A avó, que na excentricidade, encontrou a fuga à culpa, e a neta, que na inteligência ímpar, encontrou uma outra forma de ver o mundo, tentando esquecer a dor de não ter amigos da sua idade. O cão, a fera encurralada no palácio, não é mais do que um amigo dócil e protector. E, se todas as crianças deveriam ter um herói, então também todas deveriam ter também um cão. 

"Ter uma avó é como ter um exército. É o derradeiro privilégio dos netos: saberem que têm alguém sempre do seu lado sejam quais forem as circunstâncias. Mesmo quando estão errados. Na verdade, principalmente quando estão errados.
Uma avó é, ao mesmo tempo, uma espada e um escudo. Quando na escola insinuam que Elsa é «diferente», como se isso fosse uma coisa má, ou quando chega a casa com nódoas negras e o director diz que ela tem de «aprender a integrar-se», é nessas alturas que a Avozinha a apoia. Nunca a deixa pedir desculpa. Recusa-se a permitir que ela assuma a culpa."

Elsa é especial. É diferente. É inteligente. E também é um bico de obra. A mãe que o diga, ou os vizinhos, ou até o pai. Com a sua inteligência, encontra estratégias e argumentos para se debater com quem lhe tenta fazer frente. E às vezes não se defende só com a inteligência. 

"Foi então que o rapaz clamou que Elsa não podia ser o Homem-Aranha, porque «só os rapazes podem ser o Homem-Aranha», e Elsa argumentou que ele podia ser a namorada do Homem-Aranha. Portanto, ele empurrou Elsa contra a parede e Elsa bateu-lhe com um livro.
Elsa ainda acha que o rapaz lhe devia ter agradecido, pois é possível que nunca tivesse estado tão perto de um livro." 

Elsa é perita em fugas, mas a partir da morte da Avozinha a fuga deixará de lhe ser possível e outros episódios passam a ser mais importantes. Convivência e solidão ganham outros contornos, à medida que as cartas que a Avozinha deixou vão sendo lidas. 
O livro tem também algum humor e o que mais me fez rir, foi "encontrar" o meu sobrinho em algumas deixas e piadas secas da Elsa (que por sinal é o nome da minha irmã).

«A minha avó pede desculpa» de Fredrik Backman é um conto de fadas para adultos que ainda gostam dos feitiços do Harry Potter. 

segunda-feira, 19 de março de 2018

Opinião "Caraval"

Antes de entrares no mundo mágico de Caraval, lembra-te...é apenas um jogo!
Mas será...apenas um jogo?



Scarlett cresceu a ouvir histórias fantasiosas sobre Caraval, os jogos anuais repletos de magia, aventura e truques do Mestre Legend e da sua equipa. Todos os anos ansiava por fugir, juntamente com a sua irmã, para um mundo que lhes permitisse esquecer a sua realidade.
Peões sob a mão tirana do seu pai, estas duas irmãs cresceram não na base do respeito mas do medo. A mãe desapareceu quando eram miúdas e secretamente sempre desejaram fazer o mesmo e agora, perto da altura do casamento arranjado de Scarlett, estão mais perto disso do que nunca.
Foram tantos os anos a desejar visitar Caraval que no dia em que chegam os convites para o jogos anuais, acompanhados por uma carta assinada pela mão do próprio Legend, como é possível resistir à tentação?

Scarlett que sempre fez tudo para proteger a irmã acaba por se ver embrulhada numa jornada que nada tem de simples, acompanhada por Julian, um marinho, que nada tem de honesto.
E quando a irmã é raptada e este se torna o ponto fulcral dos jogos desse ano, Scarlett não tem outro remédio do que entrar na onda que a pode levar para uma nova vida ou afundar-la de vez.

Já dizia Albert Einstein, “Tens de aprender as regras do jogo. E, depois, tens de jogar melhor do que qualquer outra pessoa.”.
Com uma vida vivida como peão às mãos do pai, em que jogo entrou Scarlett ao cumprir o velho sonho de visitar Caraval?
Poderá Scarlett bater o Mestre Legend e salvar a irmã?
Ou acabar ainda mais perdida do que quando começou?

Um jogo de sombras e espelhos, repleto de truques destinados a tornar o enredo mais interessante mas capazes de levar alguém à cometer uma loucura, Caraval é tão fora do vulgar como o seu Mestre. Cada participante sabe para o que vai mas estará preparado para lidar com aquilo que leva?

"- Parece-me que tu já não sabes o que significa estar vivo, e a tua irmã está a tentar recordar-te - insistiu ele. -  Mas se a única coisa que te interessa é não correr perigo, voltamos para trás."


Adorei ler este livro!
O meu cérebro automaticamente levou-me para uma Veneza obscura, quase assombrada e apenas com outros noctívagos pelas ruas e canais que já visitei. Não, carnaval não é Veneza mas o seu cérebro levou-me lá :) mind games! 
Adorei as descrições, a maneira fantasiosa como as cenas, os fatos e as emoções são descritas. É uma história bastante visual e que nos permite dar largas à imaginação enquanto lemos.
Não vos quero dar mais detalhes sobre a história porque temo que isso vos tire o entusiasmo da leitura. Eu li opiniões negativas e positivas, o que me fez começar o livro de pé atrás, sem grande entusiasmo. Tendo em conta que consumi o livro em menos de 2 dias, acho que podemos dizer que só me enganei a mim própria :P 

Só não leva 5 estrelas porque embora eu tenha gostado bastante do livro, das reviravoltas, das descrições, metáforas e etc....não me conseguiu arrancar aquele arrepio nas cenas chave, quando já estamos tão envolvidas na história que sofremos como se fossemos a própria personagem
MAS o problema pode estar em mim porque na realidade eu devorei o livro em menos de 2 dias, logo....ele é bom!

Uma novidade, que espero que tenha continuação para breve, pela mão da
Para mais informações visitem o site Editorial Presença 

LEITURA PARA A CATEGORIA 
LIVRO VENCEDOR DO PRÉMIO GOODREADS
NO DESAFIO DE LEITURA EFEITO DOS LIVROS 2018

segunda-feira, 5 de março de 2018

Tertúlia Literária * Efeito dos Livros




Dos muitos projectos que andam fora e dentro da gaveta do Efeito dos Livros, organizar uma Tertúlia Literária é um que finalmente vai ver a luz do dia. E para tal precisamos da vossa participação.
Lançarmos os desafios de leitura, foi o primeiro passo para esta ideia se tornar uma realidade, e é com base nas leituras efectuadas para esses desafios que vamos estar à conversa em cada encontro. 

Sim! Não é online. É ao vivo e a cores!!!

Abriremos o trimestre com uma primeira sessão, ainda a realizar em Março. Esta será uma de quatro que prevemos fazer em 2018.
Neste primeiro encontro iremos orientar a conversa pelas categorias do Desafio de 2017 e os restantes irão focar-se nas do Desafio de 2018. A tarde à conversa, será orientada pelas leituras efectuadas para as diferentes categorias dos Desafios.


Condições de participação: 

- Todos os interessados em participar nos encontros da Tertúlia Literária * Efeito dos Livros devem ter seguido o Desafio de Leitura 2017 e claro, estar a seguir o Desafio de 2018.
- Quem ainda não seguir o Desafio Literário, poderá ficar a conhecê-lo no grupo do Efeito dos Livros
- Devem ter lido livros para quase todas as categorias mencionadas no Desafio Literário 2017 e estarem a prever leituras para o de 2018.
- Os interessados devem inscrever-se preenchendo o formulário que iremos disponibilizar brevemente.


NOTA: APENAS PODEREMOS ACEITAR 20 INSCRIÇÕES.
Adoraríamos aceitar mais inscrições, mas por uma questão de espaço e organização da tertúlia, não nos é possível reunir um grupo maior.


Datas e Horário Previsto:
Sábados, entre as 15 e as 18h
1º encontro: 7 de Abril, entre as 15 e as 18h
Encontros seguintes a realizar em Junho, Setembro e Dezembro, em datas a anunciar.

Local:
Lisboa - Livraria Almedina - Atrium Saldanha

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

«O Diário Secreto de Hendrik Groen aos 83 anos e 1/4» - Opinião



"O Diário Secreto de Hendrik Groen aos 83 Anos e 1/4" foi livro do dia na TSF e, embrenhe-se desde já nesta intimidade com traços de realismo, algumas dicas de génio e muitas risadas... até com a desgraça alheia, afinal são quase 94 anos e, coerência, equilíbrio e bom senso, nem sempre são o mais importante. O passado também já não tem importância nenhuma, o futuro resume-se às actividades do clube «Velho mas não morto», o dia a dia, o presente é o melhor presente!!! É redundante!? E ser velho é o quê?

Redundante ou não, é hilariante de certeza, pelo menos descrita do ponto de vista de Groen. Tudo tem um carácter temporário quando se chega a esta idade, tudo menos as maleitas. E não se pense que neste relato, quase isento de lamurias ou lamechismo, não se falam de coisas muito sérias. Expõe-se assuntos tão sérios como o desejo da eutanásia, a solidão e as medidas políticas que são pouco amigáveis para os velhos

"Um dos pacientes da ala das demências enfiou uma bola de bilhar na boca e não conseguia tirá-la de maneira nenhuma. Emitia sons estridentes enquanto dois enfermeiros tentavam tirar-lhe a bola da boca com uma colher."

"A minha carreira profissional temporário de acompanhador de cão à rua faz com que tenha de dar três voltas por dia. Felizmente o Mao anda ainda mais devagar do que eu. Andar... bem, é mais balançar em câmara lenta."

"Hoje caiu-me um frasco de pepinos das mãos numa tentativa infrutífera de lhe tirar a tampa. (...) Alguém devia reclamar à indústria das embalagens por dezenas de milhares de acidentes (...) Se conseguem mandar homens à Lua, têm de conseguir fazer umas tampas mais decentes, não?! Confesso, hoje estou um bocadinho maçador."

Rimos muito, mas também temos muito espaço para reflectir sobre a velhice. Groen tem dias mais tranquilos, outros mais atribulados e cheios de aventura, mas tem alguns bastante mais dedicados aos outros, onde a solidão, a demência, a doenças, as dependências e as políticas do lar, nos abrem caminho a pensarmos nos idosos de outra forma. Ainda assim, o autor consegue, numa escrita simples e directa, tratar de todos os assuntos com um toque de humor e de simplicidade. Talvez se o olhar geral fosse esse, se evitasse tratar de forma tão fria certas questões da velhice. Porém, nem todos os velhos são Groen's e nem todos seriam capazes de olhar para dentro de si desta forma despreocupada e quase calculista. 

"Com a criação do nosso grupo Velho mas não morto houve um aumento na alegria de viver. Parece agora ter sido uma última manifestação de felicidade. 
O Evert inválido, a Grietje a ficar demente e a Eefje feita numa plantinha. Um clube de apenas oito elementos não consegue digerir tudo isto, mesmo que se continue a beber bom vinho juntos."

"A minha scooter e eu tivemos um encontro com uns arbustos. 
Fui, depois do jantar, dar um giro pelo parque e observei à minha volta uns vinte coelhos sentados por todo o lado na relva a comer. Quando voltei a olhar em frente, tinha um coelhinho bebé a nem sequer um metro da minha roda dianteira. Tenho de ter reagido bem depressa, porque um segundo mais tarde já estava com a cabeça presa entre os ramos."

A mensagem deste livro é bastante importante e extensível a vários "ramos". E desengane-se quem julgue que as queixas deste idoso são diferentes das de muitos aqui em Portugal, aliás, algumas políticas e ideias para lidar com velhos, lares e cuidados paliativos, parecem saídos das nossas notícias. 


Uma leitura com o apoio

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Opinião "Perdida em mim"

Sara, Sara, Sara....em que caminhos sinuosos te meteste ao começares a preencher os espaços vazios deixados por Rebeca? Nem fazes ideia de quem é quem, nem mesmo tu.
Porque algo me diz que isto, antes de acabar bem, ainda vai correr muito mal?! 


Desde que deixámos Sara em "Escondida em ti", naquele momento de puro terror (e alguma claustrofobia), que esperamos saber como tudo vai correr para Sara e se a sua jornada sempre a leva à verdade sobre o desaparecimento de Rebecca e a estranha ausência da sua amiga Elle.

Sara tem muito com se preocupar enquanto tenta dar o seu melhor no seu emprego de sonho. Dividida entre descobrir a verdade, manter os limites com o seu chef e derrubar barreiras com Chris, Sara passa por uma roda viva de emoções e acontecimentos neste "Perdida em mim" que finalmente nos dá muitas respostas, excepto aquelas que podem decidir o futuro de Sara ao lado de Chris. 
Com que demônios terão de lutar para que fiquem finalmente rendidos um ao outro? 
Que segredos os esperam do outro lado do Atlântico? 
Que parte de Chris ainda falta conhecer?

 Os segredos de Sara que descobrimos neste livro permitem-nos, ao contrário do que acontece no primeiro, estabelecermos uma maior ligação com ela, mesmo que não concordemos com ela ou tenhamos vontade de gritar "não vas por aí" como se faz num filme de terror quando aquela personagem ouve um barulho e desce as escada para a cave. Vamos lá ver de Sara não se elimina por completo para aceitar ser um Nós com Chris. 

À semelhança de "Escondida em ti" (opinião aqui), também fiz uma leitura sprint a este segundo livro da série que eu pensava ser apenas uma trilogia. 
Sentimos uma certa necessidade de correr para a próxima cena, embora goste de levar o meu tempo a saborear as cenas retiradas dos diários de Rebecca.

 Próxima leitura, feita de seguida, "Rendida a nós" o terceiro e último livro da Serie de Lisa Renée Jones, uma aposta


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Opinião "O mapa que me leva até ti"

Perdi a conta ao número de vezes que me sentei com o intuito de escrever sobre este livro. Já o li em Janeiro e continuo a ter dificuldade em falar sobre ele.
É engraçado como é complicado falar dos livros de que gostamos muito. 
"O mapa que me leva até ti" tem duas características que me prenderam logo com a sinopse: uma viagem e um amor inesperado que nos deixa viradas do avesso.


Ainda antes de ter terminado o livro dei comigo a olhar para as pouco mais de 50 páginas que faltavam e a escrever algo deste género:
"Há livros que passam como uma brisa pela alma do leitor. Pouco incomodam, não levam mais que um breve olhar e rapidamente são esquecidos.
Depois há aqueles são uma rajada de vento. Chegam rápidos e velozes, abanam tudo à sua passagem mas rapidamente seguimos o nosso caminho resguardados e alerta para uma próxima vez.
Mas por vezes, há livros que são ciclones. Ventos loucos que arrancam raízes, derrubam barreiras e levantam casas das fundações e que sem aviso arremessam a alma do leitor para uma turbulência tal que após a sua passagem só lhe resta cair de joelhos e apanhar os pedaços do que ficou.

"O mapa que me leva até ti" ainda não terminou e as minha raízes estão expostas ao vento, as minhas barreiras oscilam e só eu sei quanto pedaços de alma vou ter de apanhar quando chegar ao final. 
Como se escreve sobre um livro que nos faz isto? "

Sim, como se fala sobre um livro que me dá vontade de me meter num avião e ir viajar?
Como se fala de um livro que nos faz sorrir em igual medida que nos deixa com uma lágrima no canto do olho?
Como se fala de um livro que nos dá vontade de saltar para imprevisibilidade de uma nova paixão repleta de altos e baixos?

Eu prometo...vou tentar ser objectiva e não me perder como já fiz nas primeiras 30 linhas desta opinião.

Comecemos por falar de Heather. Em viagem pela Europa, a aproveitar aquelas derradeiras férias antes de entrar na vida adulta, Heather guia a sua vida e a viagem com as suas duas amigas a régua e esquadro. Conhece todas as curvas do seu tour, revê cada detalhe ao minuto e pouca coisa sai do seu controlo.
Já Jack, aquele moreno com um ar super descontraído e viajado, leva a sua viagem ao sabor do vento, da vontade e de um objectivo pessoal que é talvez um dos primeiros passos para que Heather fique rendida ao seu discurso e ao mistério de alguém de quem durante bastante tempo nem sabe o nome todo.
Quando as suas rotas entram em colisão é certo que tudo vai descarrilar rumo a um destino bem diferente do planeado. Noites de álcool e jazz, viagens de barco pela madrugada a dentro, assaltos a jardins e um sem número de momentos carpe diem são um dos pontos que fazem a história de Heather e Jack algo especial.
Isso e toda a força com que somos sugados pela sua viagem, pelas suas discussões, pelo processo de se conhecerem um ao outro e a si próprios.
Contar mais é tirar magia a descobrir esta jornada por vocês mesmos. 

"O mapa que me leva até ti" merece ser lido de espírito aberto, de mochila às costas e com um sorriso nos lábios para o desconhecido enquanto passeamos por um local que tanto nos dá mas que também nos rouba um pedaço da alma com a nossa passagem.
Se estão a precisar de viajar em sair do lugar, leiam "O Mapa que me leva até ti".
Se vos apetece conhecer um amor meio ingénuo, sonhador e capaz de inspirar uma infinita banda sonora, LEIAM "O mapa que me leva até ti".


Acima de tudo, o que mais gostei no livro foi a escrita. ADOREI as palavras de Joseph Monninger. Por vezes leio romances que me dizem pouco. Em que chego ao fim e posso dizer "nem uma página marcada", em que me pergunto "como é possível não ter nem uma frase sublinhada?".
Com "O mapa que me leva até ti" tenho dificuldade em escolher uma frase. Tenho parágrafos, tenho cenas inteiras marcadas.
Como eu disse logo de início, desculpem se começar a divagar.

Nota: este livro é new adult. Gosto de salientar isto porque nem toda a gente está disponível para ler um amor novo, com personagens que têm características do início dos 20's. "O mapa que me leva até ti" não é um amor mais adulto e maduro mas é um bom passo. Imaginem o primeiro filme de trilogia "Antes do amanhecer". Lembram-se desse filme? Este livro seria o equivalente ao primeiro capítulo. E agora fiquei cheia de vontade de rever o filme :) 
E parece uma óptima sugestão para hoje à noite...afinal é dia dos namorados :) 

"O mapa que me leva até ti" é uma aposta


Este livro é uma óptima sugestão de leitura para o Desafio deste ano sob a categoria "Livro sobre viagens ou com uma viagem"