«Temporada de Furacões» de Fernanda Melchor é uma narrativa
gargantuesca que se desenrola a um ritmo frenético, não só pela forma como os
eventos acontecem (pelo menos até certa parte), mas pela escrita de Melchor, uma
escrita de tirar o fôlego, como se subíssemos uma escadaria enorme.
Interminável. Onde cada degrau é bem maior que o anterior e precisamos sempre
de balanço para continuar a subir. As frases –
e sim, as frases – muitas
delas são de mais de uma página e narram uma enorme miséria, sofrimento e
violência, mas ao mesmo tempo demonstram a riqueza bruta da escrita da autora.
A escrita é o furacão!
“(…) com os cabelos despenteados e as faces rosadas pela
emoção, as mulheres da terra benziam-se porque podiam imaginá-la nua, a montar
o diabo e a afundar-se na sua verga grotesca até à empunhadura, com o sémen do
diabo a escorrer-lhe pelas coxas, vermelho como lava, ou verde e espesso como
as mistelas que borbulhavam no caldeirão em cima do lume e que a Bruxa dava a
beber às colheradas para as curar dos seus males…”