sábado, 24 de setembro de 2011

Filhos do Abandono, Torey Hayden - Opinião

«Filhos de Abandono» não é um livro complexo de ser lido, ou sequer escrito de uma forma muito literária, nem sequer é dono de um enorme enredo, mas é dono de uma frontalidade que fere e pesa e nos faz pensar sobre o efeito das crianças nas famílias, mas acima de tudo dos problemas das famílias nas suas próprias crianças, danificando-as. Observar a extensão desse dano, que o livro revela, isso sim é complexo.

Torey Hayden, foi ou ainda é, não aprofundei a pesquisa, terapeuta em mutismo electivo,uma patologia associada ao autismo que, apesar de complexa, não é nela que reside o peso desta narrativa. No entanto, são as histórias que envolvem e isolam as crianças aqui descritas que corroboram a balança dos nossos sentimentos e povoam, com obscuridade, a nossa imaginação - deixando questões que se sobrepõem e respostas ainda menos claras.

É um misto muito grande de ganância, orgulho, abandono e dinheiro que justificam o que se passa com estas crianças, no entanto, serão eles, que moldados por estas desculpas que mascaram o abandono, que farão a sociedade do amanhã.
Um trabalho com os terapeutas pode ser uma das soluções, mas fará a diferença crucial e mudará, efectivamente a vida de crianças como estas!?

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fantasmas do Passado, Minette Walters, Opinião

Há muito que um livro não me prendia tanto à leitura. Ainda não muito habituada aos policiais, assumo que ao início e em especial este título, custou bastante a entranhar, mas depois foi francamente bom, uma agradável surpresa.
As personagens bastante bem delineadas, tornavam-se cada vez mais claras, ao passo que evoluíamos na leitura e nos deixávamos envolver pelas ideias perturbadas, inquisidoras, ambiciosas, dilacerantes das várias cabeças e fantasmas que cada um carrega e que completam esta história.
São histórias de abusos, loucuras, assassinatos e complexos pessoais que se misturam com pudor e até amor, e misturam-se realmente muito bem.
O enredo pega num episódio desafiante e perturbador, com a qualidade, ou mais, das séries televisivas do género que abordem crimes violentos e maus tratos a crianças, com pseudo-detectives mais inteligentes e ousados que os verdadeiros.
Em Fantasmas do Passado a autora faz ainda mais e dá-nos todo um envolvimento realístico, através de um suporte documental, que nos leva para dentro de toda a investigação, tornando a leitura ainda mais envolvente e perturbadora.

Foi intensa e viciante esta leitura e pretendo ler outros do mesmo género.
Se têm sugestões, sintam-se à vontade!

Boas leituras.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

«A vida e as opiniões do cão Maf e da sua amiga Marilyn Monroe» Opinião

Marilyn Monroe vista e descrita aos olhos do fiel amigo, Maf.

Maf foi um presente de Frank Sinatra para alegrar o ícone da moda, da beleza, do cinema, a fantástica Marilyn, à época, devastada pelo rompimento com Arthur Miller.
A depressão, o desgosto, as vicissitudes de quem é famoso e vê a sua vida badalada e exposta a toda a hora foram difíceis de superar para a celebridade e Maf fez parte da solução.

Maf, um cão com uma personalidade astuta, mordaz, altruísta, sarcástica, inteligente e entendido em diversas matérias e com preocupações e sentimentos mais nobres e genuínos que muitos humanos, é assim que Maf é considerado e acarinhado.

Um livro especulativo, biográfico, revelador, quase um diário dos últimos tempos da diva, atormentada pelos seus problemas, dependências, infortúnios, lendas e coscuvilhices à volta dela e por sinal, igualmente à volta do seu Maf, abreviatura para Máfia ou mais uma outra especulação sobre as possíveis participações do próprio Sinatra no mundo obscuro do crime organizado!? Será?
Como podemos nós saber até que ponto as estórias à volta de tais celebridades são ou não verdadeiras!? 

Até à data não sou muito fã de biografias, suspeito sempre do cunho de tais obras. Se forem muito defensivas da personagem em si, fico com dúvida se tanta exaltação é realmente verdadeira, se forem sempre negativas, fico com a sensação de que são mais do mesmo e que nada há que se possa dizer em defesa de celebridade. 

Segue-se a história com interesse, sabendo verídica a existência de Maf, a sua origem escocesa, mas de discutível miscigenação canina... será que é isso que lhe confere tal personalidade!? ;)

Maf esteve com Marilyn durante os últimos dois anos de vida tornando-se numa celebridade como ela, levando uma tremenda vida de VID - very important dog ;)

Enfim, eis um resultado divertido, com episódios hilariantes entre lojas e restaurantes, num quase auto-retrato pela pata narrativa de um cão!!!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Opinião - "Manhãs Gloriosas" de Diana Peterfreund

Quinta Essência
NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: A ambiciosa produtora televisiva Becky Fuller é despedida de um programa matinal de Nova Jérsia e a sua carreira começa a parecer tão deprimente como a sua vida amorosa.
Desesperadamente necessitada de um emprego, mas ainda assim cheia de um optimismo sem limites, Becky (Rachel McAdams) promete assentar bem os pés na terra e depara com uma oportunidade no Daybreak, um programa matinal que é gravado em Nova Iorque. Os péssimos níveis de audiência são apenas a ponta do icebergue: os produtores executivos raramente sobrevivem ao intervalo publicitário seguinte e as câmaras antiquadas deviam estar num museu.
Prometendo ao director da cadeia televisiva (Jeff Goldblum) que é capaz de reverter a espiral descendente, Becky faz ao lendário apresentador Mike Pomeroy (Harrison Ford) uma oferta que, por contrato, ele não pode recusar. Acrescenta Pomeroy com êxito à equipa, mas ele recusa-se a participar nas reportagens mais lamechas do Daybreak e em rubricas sobre celebridades, meteorologia, moda e artesanato. Além do mais, antipatiza imediatamente com a sua igualmente difícil co-apresentadora, Colleen Peck (Diane Keaton), em tempos vencedora de um concurso de beleza.
A única alegria na carreira de Becky é Adam Bennett (Patrick Wilson), um colega produtor maravilhoso, mas a alucinação de Daybreak vem dificultar o seu incipiente romance. À medida que a química entre Mike e Colleen no ar se torna mais explosiva a cada dia, Becky é forçada a lutar para salvar a sua vida amorosa, a sua reputação, o seu trabalho, e, finalmente, o próprio Daybreak.

Veja aqui o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=s9lWUqraDoU 

A minha opinião: (depois de ter visto o filme)

Quando eu era miúda queria ser jornalista. Eu desejei ser muita coisa, passando por veterinária, hospedeira de bordo ou famosa (não interessava saber em quê).
Sempre achei que seria interessante trabalhar nos bastidores de grandes produções, fosse de publicações ou televisão. Talvez por isso gostasse tanto de ver a Betty Feia ou há já meio século atrás, até fosse extremamente devota da Murphy Brown.
Por esse motivo, este Manhãs Gloriosas despertou tanto interesse em mim. A Becky, mesmo “workaholic” e desprovida de vida social, é uma fatia daquela imagem ideal que sonhava para mim em pequena mas ao saber o que sei hoje percebo que a vida não é assim tão cor-de-rosa como a via em pequena.


Os trabalhos dos nossos sonhos nem sempre estão ao nosso alcance, a nossa dedicação raramente é valorizada e apenas se lutarmos com muito afinco, conseguimos aquilo que queremos.
Ao ler este livro é exactamente isso que vejo, alguém que tem um sonho e mesmo quando cai e tropeça pelas escadas abaixo, não deixa de se levantar com um sorriso e continuar a subir.


Sem dúvida que se querem consumir o livro e o filme, devem-no fazer por esta ordem e não ao contrário (como eu fiz). Deste modo, quando me deparava com os momentos transcritos, à letra, do argumento cinematográfico não precisava de magicar na minha cabeça como seria aquela cena, bastava recordar o que tinha visto no filme alguns dias antes.

Vê esta mesma critica no meu blog :) faz meio século atrás quando vi o filme e li o livro num fria tarde de Março em São Pedro de Moel a beber cházinho

«Diário Sexual e Conjugal de Um Casal» de Marta Crawford, opinião

Marta Crawford tem o dom da simplicidade e de chamar as coisas pelos nomes sem que as mesmas ganhem um sentido vulgar, despreocupado ou diminuído.
Seja o "casal casado", o "casal enamorado", o "casal amante"... heterossexual, bi ou homo... o que interessa é que todos procuram respostas para o dia-a-dia das suas relações e o mais importante é sempre reconhecer que se procuram essas soluções.
Isto poderia facilmente tornar-se no SA - Sexualidades Anónimas (quem sabe um grupo a explorar), mas o que é verdade é que muitos casais frequentam terapia e superam os seus problemas e elevam a outro patamar a sua vida sexual, tornando assim a relação muito mais satisfatória..

Este livro é um relato de pequenos excertos de pensamentos, conversas e troca de ideias entre os vários personagens, como Joana, Miguel ou o irmão mais novo que é gay, ou a Matilde e o Bernardo que quando casados eram como gato e rato e depois do divórcio "levam uma relação colorida". Há também o tipo que tem dificuldade em se comprometer e então... "come todas". Há claro, no meio de tudo isto, as condicionantes do ambiente que os envolve, os pais, os filhos, as relações familiares e de amizade, o trabalho e a bagagem emocional.

Marta Crawford consegue fazer um misto entre relatos de consultas, explicações quase como se se tratasse de um manual, tudo numa leitura fácil, descomplexada, esclarecedora, mas bastante introspectiva, já que todos temos problemas (não vale a pena negar).

Uma leitura adequada ao verão;)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

"Os Olhos Amarelos dos Crocodilos" de Katherine Pancol, opinião

A escrita, a enfabulação e as metáforas utilizadas por Catherine Pancol foram uma inspiração, pois apetece-me escrever ao reler o que destaquei neste livro.
Utilizando uma excelente combinação de palavras, a história de Josephine, Philippe, Antoine, Hortense e da pequena Zóe acompanham-nos como se estivessem mesmo ali ao nosso lado, tal como a reserva africana de crocodilos ou as ruas e cafés de Paris.
A frieza e a vaidade de algumas mulheres comparada com a delicadeza mascarada de outras, a combinação de diferentes feitios que se completam e protegem compõe assim a história das irmãs, sejam elas Íris e Josephine ou as pequenas Hotense e Zóe. As diferenças entre vários tipos de mulheres, as aventuras e emoções que constituem as suas vidas, se se cruzam ou se afastam e voltam a unir, porque na fraqueza de umas se descobre a força e vontade de outras. É assim este enredo, cheio de reviravoltas e peças que vão desencaixando e encontrando novas silhuetas de encaixe.

Neste livro, Pancol viaja pelos sentimentos dos outros e facilmente apela aos nossos. Uma leve mistura de fantasia (em que tudo pode acontecer, basta acreditarmos) com um relato transparente e apaixonante da dura realidade que nos pode envolver, desde o desdém à falta de dedicação ou amor, porque por vezes apenas há um elevado muro de mentiras que nos separa e afasta daqueles de quem era suposto estar próximo, unido e confiante.

Um livro que questiona o amor, a mentira, a união, a família, o materialismo, a força interior, mas acima de tudo questiona cada um no seu Eu mais profundo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

«Tudo o que eu tenho trago comigo» de Herta Müller - Opinião


Tudo o que eu tenho trago comigo. 

Ou: Tudo o que é meu trago em mim.



Talvez estas sejam as frases mais passíveis de resumir este livro. Um livro muito pouco passivo, esgaçando o relato histórico e biográfico, surpreendendo pela crueza com que está escrito, transcende a própria história, transcende o homem desprovido de bens, transcende a nossa capacidade de ler sobre tanta miséria, fome, morte e pobreza. Transcende a desumanização de que foram vítimas milhões de pessoas aquando na Segunda Grande Guerra.

Um livro que se faz notar pelo peso que tem, para além do Prémio Nobel, mas antes pelo peso de cada palavra, uma a seguir à outra, cirurgicamente escolhidas e estrategicamente colocadas para nos fazer viajar por tamanha brutalidade como a doença da fome, que se alastra pelo corpo ao mesmo tempo que consome a mente, rendilha as ideias e os sentimentos.

Este livro arrepiou-me tantas vezes que algumas mo fizeram fechar, a dimensão do sofrimento humano é tal, que chega a ser difícil de continuar a ler. 



"A Irma Pfeifer jazia no meio, de cara voltada para baixo. A argamassa fazia bolhas (...)A cabeça afundou-se e o barrete flutuou lentamente até ao bordo, como pomba emproada. Com as mordidelas dos piolhos em crosta, a nuca rapada (...) a Irma Pfeifer desceu à terra provavelmente vestida e os mortos não precisam de roupa, quando há vivos a morrer de frio.
Achar pode achar-se muita coisa. Saber é que não."

A frieza das palavras, a rapidez com que as coisas acontecem, os pensamentos duros, nus, crus, cozinhados apenas na dor causada pela fome, são para mim atordoantes e assustadores.

"O anjo da fome deita um olhar à sua balança e diz: "Ainda não estás suficientemente leve..."
E com rapidez, de lábio empinado, comi então todas as cascas de batata enregeladas.
E chega a noite. (...) E todos sobem para a fome...
(...)
Quando a fome aperta mais, falamos da infância e de comida. (...) Umas vezes é o pato recheado à evangélica, outras, o recheado à católica."

Volker Weidermann refere que esta é uma obra que se alimenta do horror, eu acrescentaria que se alimenta antes do poder de gerar horror, numa tal dimensão que nos deixa alerta para o respeito e a humildade com que devemos olhar à história e retirar dela todas as lições que o futuro nos pede. Sei que pode parecer filosófico, mas a guerra é o horror daquilo que uns são capazes de fazer contra os outros, por necessidade, por defesa, por obrigação ou por poder e ilusão. A verdade é que a guerra é um complexo de horrores, de mortes, de atrocidades, cicatrizes que marcam toda uma história mundial.

Já quase no final do livro, no capítulo "a gente vive, vive só uma vez", as primeiras palavras são curtas, concisas e arrepiantes - "a alimentação do corpo permanece até hoje um mistério para mim."


"A minha radical prática de abandono. Preciso muito de proximidade, mas sou incapaz de me entregar. (...) Desde o anjo da fome, não permito que ninguém me tenha."


TAMBÉM LÁ ESTIVE (...) EU FIQUEI LÁ (...) DE LÁ NÃO CONSIGO SAIR



Apaixonei-me! Rébecca Dautremer ilustra "O livro que voa" de Pierre Laury

A combinação é perfeita... a escrita simples e mágica de Pierre Laury e a ilustração sonhadora e apaixonante de Rébecca Dautremer em o "Livro que voa", da Editora Educação Nacional, ganho com muito prazer no passatempo do D'Magia ;)



Pautado pela música, pela ventania, pela vontade de ser livre, este livro só queria voar e dar asas às suas letras... à sua própria imaginação.
Esta é a história de um livro que se faz amigo de pequenos pássaros, é a história encarnada de Ícaro e das suas asas quase tão verdadeiras como as dos pássaros, mostrando que a vontade de voar reside em nós, na nossa força.
Voar é levar as letras a outras paragens, fazer com elas novas palavras, novas histórias, é criar e deixar que cada um de nós possa imaginar. Tal como estas divagações que hoje aqui faço, fugindo assim à história deste livro sonhador.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

MEDO, Jeff Abbott



Não sei se o MEDO, será o caminho para o PÂNICO ou se passarei a CONFIAR EM MIM, só sei que estou em rota de COLISÃO.
Era uma frase digna de um passatempo e é também um resumo, numa única frase, que para alguns poderá não fazer sentido, mas para quem lê Jeff Abbott e consumiu todos esses títulos, resume bem os enredos acelerados do autor.

A sua escrita é simples, mas a trama complicada, as personagens são fáceis de entender, mas têm dramas confusos, vêm coisas que mais ninguém vê, sentem medos que os afastam, mas que os tornam iguais uns aos outros e daí uma certa colisão.

«Medo», é um drama psicológico com pouca carga emocional, mas carregado de histórias que podem apelar ao sentimento dependendo da sensibilidade do leitor.

Medo, revela-nos a história de Miles, Celeste, Nathan, Allison, a visão de Andy e Groote, bem como de algumas outras personagens, todas elas lutando pelas suas próprias necessidades, que apesar de os tornar diferentes, torna-os perseguidores de uma cura, um medicamento ou apenas descobrirem quem são. 

Neste jogo psicológico e arriscado, as interpretações podem ser diversas.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

"Abrigo?", de António Torrado

Por vezes um poema só é mais que um livro!

Abrigo?

Sentei-me devagar na mão que me estendiam
Era espalmada, branca não demais, e tinha rios escuros, mansos, desfiados
um tanto apoquentados, sim, ou aturdidos de ali desaguarem
sem aviso
na palma ensoleirada
tão pouco protegida

Não estou a magoar? Não estava.
Um sorriso bom, gigante deu fé
do meu abrigo.

Podia então ficar? E descansei.
Macia que era a mão, almofadada,
não tinha, no entanto, a meu ver
a consciência desajeitada. Ampla era,
de genero espaço, mas talvez demasiadp
frouxa, com covas muito côncovas
maleáveis ao corpo, o meu,
que queria a cpmplacência pois,
mas não tão dada.

Adivinhando provavelmente o desconsolo
e mau conforme ao meu estado
a mão esticou-se, espalmou-se de repente,
lisa e oleada.
Sobressaltei-me e escorreguei.
Por pouco não caia da mão ao chão
se outra mão não detivesse o perigo,
não me amparasse.

Levantei-me. Sentia-me desfrutado.
De pé, na plataforma que fora mão
e cama de colchão mal acamado
defrontei o patrão da mão:
Então? Assim ou assado?

Como se sentisse e a inquietasse o pulsar da minha comossão
a mão sofreou-se, resguardou-se
e numa corpulenta onda de caprichos,
quase se fechou sobre a carga
desamparada do meu corpo
que resvalou e se abateu
pelo desfiladeiro de montes vivos
até se afazer à gruta ou concha humedecida,
duvidoso abrigo, subterrêneo e céu,
Estaria protegido?
Protegido de quê,
se a protecção era ela própria
o perigo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

«Justine», Sade - Opinião

Penetrando nas perversas vidas intimas de Justine e Juliete, esta obra erótica de Marquês de Sade, muito mais rebuscada e dissimulada que a maioria das leituras eróticas que tenho feito, leva-nos a viajar nos meandros seculares das orgias, das provações, das torturas e das vidas sexuais da alta burguesia e do clero.

O livro descreve com detalhes floreados e sombrios os prazeres proibídos e jocosos vividos na escuridão e na frieza de um castelo misterioso e longínquo.

Às mãos de tais comportamentos desvirtuosos, pois os maiores abusadores eram os clericais "Não me abandonaram, em quaisquer circunstâncias da minha vida, os sentimentos de religiosidade", estavam diversas mulheres que eram castigadas em orgias rebuscadas. 


Máquinas de Ler Livros

Chamem-me antiga, torta, teimosa, info excluída... mas eu espero que esta época esteja mesmo longe muito longe...
Desculpem os ecologistas, mas as árvores podem continuar a dar-nos livros, pois eu adoro lê-los, tê-los, mexer-lhes...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

é por isso que eu gosto de ler em silêncio

Cada gota de silêncio é a chance para que um fruto venha a amadurecer.
Paulo Valéry

Deus viaja sempre incógnito

"Finalmente terminei"! Não porque o livro me estivesse a cansar, nada disso antes pelo contrário, mas digo "finalmente" porque demorei muito tempo a lê-lo, o que normalmente não acontece. No entanto, com este livro era impossível acontecer o contrário. Este livro fez-me pensar, pensar bastante, em vez de lê-lo fui-me perdendo nos meus pensamento... e olhem que quando eu me perco a pensar, perco-me mesmo! Aliás costumam dizer-me que penso demais ;\

Este romance é sem dúvida um livro de auto-ajuda disfarçado, camuflado nas histórias de amor superficiais, um livro que nos quer ensinar, de uma forma indirecta a olharmos a nós mesmos, aos nossos medos, às nossas inseguranças, mostrando que o caminho se faz muito mais curto, prazeroso e até menos penoso se adoptarmos algumas estratégias.

Em parte alguma se diz que é fácil!
Este livro fez-me mesmo pensar, dobrei muitos cantos de muitas páginas, reli por vezes mais de duas ou três vezes a mesma frase e tentei repetir a ideia para mim, fixá-la... pois bem precisava de fixar alguma delas. Confesso!

O incógnito na nossa vida pode ser Deus, por ser uma decisão, pode ser o companheirismo da pessoa que amamos, pode ser um sentimento, uma emoção... só precisamos é de o descobrir, sentir, presenciar e deixar de vê-lo como incógnito. Este é um livro que nos mostra que o caminho é para a frente, mesmo que por vezes se façam algumas curvas e o caminho demore mais a percorrer. É importante não regredir, não perder a força, devemos sempre levantar a cabeça e orgulharmo-nos de nós, reconhecer as nossas capacidades, mesmo que muitas vezes estejam escondidas.

Desde que comecei este blog, sem dúvida foi um dos livros que mais significado teve para mim nestes tempos de dúvidas, inseguranças e muitos pensamentos... é assim, sou eu mesma, mas tento ser feliz, o difícil é que quero ser sempre, todos os dias;) Mas afinal quem é que não quer?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Afinal há livros que viram filmes

Assim como tinha falado no post sobre "Um dia" de David Nicholls, este filme vai ser mesmo transformado em filme e já estão a decorrer as filmagens.

como Dexter e Emma
:) vamos aguardar visto que só sai para o ano. 


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O sono e a Leitura

Ler, normalmente não me dá sono, mas se o local a tal convidar é sempre difícil resistir, por isso esta semana é definitiva... vou fazer um cantinho para leitura... desta vez a sério...

Algumas inspirações:







Há dias assim...

Há dias assim...










em que a gente enfia a cabeça num livro e simplesmente lê, lê sem parar!


Depois há os outros dias...









em que a gente só consegue enfiar a cabeça na almofada e o livro adormece sem ser tocado, lido, folheado...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Opinião - "9 Plantas do Desejo" de Margot Berwin


Sinopse
Pouco depois do divórcio, a publicitária Lila Nova compra a sua primeira planta.
Trata-se de uma exuberante estrelícia e o vendedor é David Exley, um agrossexual rude, que promete fazê-la ver estrelas. Lila fica imediatamente obcecada - pelas plantas e pelo homem que as vende - mas, quando David a inicia no mito das nove plantas do desejo e depois de ela conhecer um homem chamado Armand que diz possuí-las todas, a sua obsessão alcança dimensões inesperadas.
Porque, segundo a lenda, se ela encontrar todas as plantas, verá cada um dos seus desejos mais profundos realizado.
Mas Lila confia em quem não deve e, em breve, ver-se-á envolvida numa aventura inesperada: no coração do Iucatão, sozinha, com uma mochila carregada de guias turísticos e um champô demasiado caro, acabará por desvendar os mistérios da selva - e da sua própria vida. 

Com uma breve pesquisa passo a explicar o que fique a entender ser um agrosexual.
  • a male who has farmed or currently farms and displays strong metrosexual tendencies
Pelo que Lila, a heroína da história descreve, um agrosexual é um homem arranjado e preocupado com o seu aspecto que não se importa...PERDÃO....que gosta de sujar as mãos na terra.
Tinha de começar por aqui visto que toda a gente, incluindo eu, franzimos o nariz quando nos deparamos com esta expressão. Já tínhamos ouvido falar dos metrosexuais, esta é a versão mais "do campo".

Confesso que não sou grande apreciadora de plantas, de facto, elas morrem com facilidade à minha volta. O facto de me esquecer delas não abona muito à sua existência.
Curiosamente este livro agradou-me imenso, especialmente pelas curiosidades interessantes sobre as plantas, as 9 plantas dos desejos e as outras que vão aparecendo ao longo da história.
Voltamos a uma mulher divorciada, assim como Elizabeth Gilbert em "Comer, Orar, Amar" e começo a achar que este é um mercado a florescer. 
Se habitualmente as mulheres compram livros por se identificarem com a personagem, com tema ou história temos, neste livro, meio caminho andado para um bestseller.
Mulher divorciada, corajosa e decidida parte numa aventura pela selva Mexicana. Bem, em tempos mais desanimadores como os dias de hoje, nada como ouvir falar do sucesso de alguém como nós para nos motivar a andar para a frente.
Parabéns Margot Berwin, Elizabeth Girlbert e muitas mais, toca a florescer o mercado de livros PushUP das mulheres de todo o mundo.

Este livro é uma viagem pelo mundo das plantas, dos homens, da mente feminina e das suas grandes falhas em se compreender a si mesma.

PS: a capa tem uma textura espectacular. Bela tirada Senhores da Porto Editora
Ah e o filme está a ser "feito"....staring Julia Roberts :D novidades novidades!!!

"Highlander - Amante Imortal" de Karen Marie Moning

ATENÇÃO: Macho alfa letalmente sedutor, de uma força imensa e sombrio erotismo. Não olhar. Não tocar. Não se deixe tentar. Não se deixe seduzir…

 
Sinopse:
Com os seus longos cabelos negros e olhos escuros magnetizantes, Adam Black significa Sarilhos com S maiúsculo. Imortal, arrogante e intensamente sensual, ele vive através dos tempos e dos continentes em perseguição dos seus apetites insaciáveis. Até ao dia em que uma maldição o destitui da sua imortalidade e o torna invisível - cruel destino para homem tão irresistível. Agora a única esperança de sobrevivência para Adam está nas mãos da única mulher que o pode realmente ver.
Para Gabrielle, uma estudante de Direito amaldiçoada com a capacidade de ver ambos os mundos, é o início de uma longa e perigosa sedução. Quando a demanda de Adam para recuperar a sua imortalidade os faz mergulhar num mundo de magia intemporal, o preço da rendição bem pode ser a própria vida. Tudo por um destino que poucos mortais jamais conhecem: um glorioso, assombroso, infindável amor… 

A minha opinião
Prazeroso, devo dizer que sim.
A meio do livro cheguei a achar que o calor que sentia (embora estivesse na praia) não se devia  só ao sol.
Imaginar a personagem principal, Adam Black é um exercício que permitia clonar umas mão cheia de homens bons e junta-lo num só.
Inicialmente, todo o conceito Fada soava-me um pouco ridículo. Vá a minha mente de abstrair da Sininho e imaginar um homem de 1,90m, musculado e interessante.
Gostei imenso do livro, tive pena de não ler os anteriores visto que fala de uma zona que me agrada muito, as Highlands. Já não é o primeiro livro que leio que aborda o tema, embora o género seja todo o mesmo....fantástico, fantástico erótico ou o que é que se chama ao tipo de livros que gosto de ler e que me entretêm e muito.

Acho que é fiel ao seu género e para quem gosta, como eu, de certeza que vai adorar Adam Black :D