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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Quando os livros se tornam filmes :: Wild / Livre

Desde que li o livro tenho estado em pulgas para ver o filme. Sabia que o facto de ter a Reese Witherspoon no papel principal e na produção do filme seria algo que contribuía imenso para eu vir a gostar do resultado final e não me enganei.


“Wild” (sim, nem falo do nome em Português porque o filme nem sequer vai chegar ao nosso país) está menos comercial do que eu julgava que seria, e acreditem, isso é bom. 
No entanto, ao longo do filme senti que faltavam detalhes, coisas que sabemos do livro, como quem lhe deu aquela t-shirt do Bob Marley que passa a usar a meio caminho mas depois, se olharmos para um grande plano, para o todo do filme, percebemos que esses detalhes são pequenas pérolas exclusivas dos leitores e ficamos satisfeitos com o que passaram para a tela.

Potente é a palavra que melhor descreve a interpretação de Resse. A Cheryl de Reese está como a imaginamos, crua, revoltada com a vida, com a pessoa que se tornou mas em paz (intervalada por muitos palavrões) com o caminho que tem à sua frente, por mais duro que este seja. E os momentos chave estão lá, quer no PCT quer nos flashes do passado, especialmente aqueles que dizem respeito à mãe, extremamente bem interpretada por Laura Dern (aquelas duas nomeações aos Oscars foram bem merecidas)

Gostava que no filme se tivessem centrado mais no quanto foi complexo para Cheryl percorrer aqueles quilômetros todos sozinha, em sofrimento, tanto que por vezes nem dava para ter momentos de introspeção mas compreendo que o filme se centre mais no que a levou até ali, até ao caminho para um destino melhor mas vá, não vou pegar por aí porque realmente gostei do resultado final. Só queria mais Pacific Crest Trail. Bem, se quero mais, talvez a solução seja percorre-lo, certo?


PS: aquelas duas cenas que me fizeram tremer no livro estão lá muito bem retratadas no filme.

Relembro a opinião ao livro
Uma aposta da Editorial Presença

sábado, 17 de janeiro de 2015

Opinião :: "LIVRE" de Cheryl Strayed

Há pessoas que dizemos não ter cara do nome que têm mas neste caso, a autora pode até não ter cara de Cheryl mas podemos ter a certeza que tem o apelido certo, pelo menos na altura em que a conhecemos antes e durante a sua caminhada pelo longo e duro Pacific Crest Trail.

Strayed: Extraviar-se do caminho certo, desviar-se do curso traçado, estar perdido, torna-se bravo ou isolado, não ter pai nem mãe, não ter casas, errância sem destino em busca de algo, afastar-se ou transviar-se

A descrição da palavra Strayed, que é igualmente o apelido adoptado por Cheryl após o seu penoso divórcio não podia ser o mais indicado. Sem família, marido, trabalho ou rumo, o PCT aparece no seu caminho como um chamamento da natureza ao qual Cheryl não conseguiu voltar as costas. Os longos milhares de quilômetros que se prometeu a percorrer, serviriam para pensar na sua vida até então e quem sabe, conseguir incutir-lhe algum sentido para o momento em que terminasse a sua jornada a pé e voltasse à vida na cidade. E logo nas primeiras linhas do livro temos a noção que o longo, doloroso, desafiante, perigoso, transformador e inspirador trilho do PCT a iria amassar, mudar, massacrar, transformar e até quem sabe melhorar, mas não como nem quando Cheryl queria. Mal preparada, tanto física como emocionalmente, Cheryl enfrenta a mais ferverosa batalha que alguma vez teve de travar, isto tudo com excesso de peso na mochila, umas botas de caminhada apertadas e uma desvantagem para com um trilho que lhe foi sugando tudo mas dando um turbilhão de outras coisas, especialmente momentos e pessoas que a marcaram para sempre.


“Livre “ é uma viagem inspiradora pelo PCT e uma dura jornada de introspecção pela vida e pensamentos de Cheryl, que por vezes nos deixa sem fôlego. Quer por tentar imaginar o que a autora viu naquele determinado ponto no mapa, quer por uma ou outra situação, especialmente do seu passado, em que sentimos um arrepio na espinha, de tão estranho que é o momento.

Ao longo da leitura fui invadida por uma estranha vontade de ir caminhar, uma manhã, uma tarde ou um dia inteiro que me deixasse cansada mas em paz de espírito. Sim, uma coisa de um dia porque eu sei que das muitas coisas que tenho coragem para fazer, embrenhar-me sozinha num trilho isolado durante meses enquanto percorro milhares de quilómetros é coisa para a qual não tenho “tomates” para fazer. Eu tenho coragem de muita coisa mas para isto não! Talvez o peso na mochila de Cheryl fosse isso mesmo, muito “cojones” para fazer esta viagem sozinha.


Mas depois, pensamos: “ela conseguiu, será que eu não conseguia?”
Acabei de descobrir que uma miúda de 11, com o pai, fez o PCT todo…..e ainda fez trabalhos de casa de lanterna na cabeça à noite na tenda :) espectacular!

Li este livro muito depois de a minha irmã o ter lido, muito depois de ver nos meus companheiros de blog dois ávidos caminhantes de longas distância (talvez não tão longas como esta). É engraçado passar a página e encontrá-la marcada pela minha irmã. Durante a leitura dou comigo a pensar na razão porque a marcou, parece que às vezes as marcações coincidem.

Não sei se já tiveram a oportunidade de ler a opinião da minha irmã, a caminhante, mas aqui fica.
Eu só a li depois de ter escrito a minha opinião e fiquei a rir porque começamos da mesma maneira, mas dissemos coisas tão diferentes. Os caminhos que percorremos por sedem iguais, mas será que o percorremos da mesma maneira?

O filme, que estou muito curiosa para ver, chega a 26 de Fevereiro
Fica o trailer
Deixo uma música da banda sonora do filme e o album todo aqui

Um livro 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Comecei a ler...

Prometi que lia este livro antes de o filme sair. Como mencionámos na nossa lista "Quando os livros se tornam filmes - 2015", Livre estreia em Portugal já na última semana de fevereiro.
Por isso, aqui vou eu no caminho com Cheryl Strayed.


Sinopse: 
Aos 26 anos, Cheryl Strayed tinha perdido tudo - o casamento, a família, a estabilidade profissional -, e a sua existência aproximava-se perigosamente do ponto de não-retorno. Sem nada a perder, toma a decisão mais impetuosa da sua vida - embrenhar-se sozinha na natureza selvagem, percorrendo a pé, durante três meses, 1700 quilómetros do Pacific Crest Trail. Sem qualquer experiência neste tipo de aventuras, com excesso de bagagem e com umas botas apertadas – é assim que Cheryl empreende esta viagem violentíssima em termos físicos e psicológicos, mas extremamente redentora.

Numa fusão única entre livro de memórias e narrativa de aventuras, Livre é uma obra inspiradora e um testemunho vivo da capacidade do espírito humano para superar as crises mais agudas e reinventar um sentido para a vida.

e o trailer do filme com Reese Witherspoon no papel de Cheryl

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

«LIVRE» de Cheryl Strayed - Opinião

S-T-R-A-Y-E-D

Strayed é sinónimo de alguém desviado, perdido... sinónimo de vaguear, sem destino, sem rumo... mas é também sinónimo de ultrapassar limites, sair fora do pensamento normal e comum...

Para mim, Strayed seria sinónimo de:
M-E-D-O!!!

O medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisica como psicologicamente.

descarga de adrenalina + ansiedade = M-E-D-O
medo + medo = P-A-V-O-R

E quem tem pavor e medo não anda sozinho, ou anda? Talvez não, mas quem é Strayed - perdido, isolado, desviado vai e não anda simplesmente: C-A-M-I-N-H-A e caminha muito, são mais de 1500 kms em cerca de 3 meses pela floresta entre o deserto do Mojave e o estado de Washington, com o objectivo de atingir a Ponte dos Deuses, naquele que é o percurso do PCT - Pacific Crest (scenic) Trail.


Cherly Strayed é a autora de WILD ou LIVRE, em português, uma das últimas novidades literárias da Editorial Presença - mais informações do livro aqui. Se quiserem podem começar por ver o vídeo da própria autora, senão deixem para o final que é uma excelente surpresa e completo à leitura.


Se preferirem podem começar pelo excerto facultado pela Presença, e vejam o mapa do percurso, bem como a leitura das primeiras páginas, tomando contacto com as primeiras batalhas que Cheryl travou na sua vida, a doença da mãe e a decisão atribulada de caminhar no PCT, como solução à balburdia em que se torna a sua vida.


Antes de vos falar propriamente da leitura, não posso deixar de vos falar da Lista de Livros Queimados no PCT - não vos vou contar porque são queimados - isso descobriram na leitura do livro - mas se eu já queria ler Flannery O'Connor, Coetzee, Faulkner ou Eudora Welty... junto-lhes agora «The Novel» por James Michener e «The Dream of a Common Language» de Adrienne Rich... o Guia do PCT talvez não, mas um de Santiago de Compostela ou da Rota Vicentina talvez acompanhem as leituras e projectos de 2014.


No entanto, não vos posso dizer que ler «LIVRE» seja um factor motivacional para fazer uma caminhada de longa duração, o sofrimento, os motivos de Cheryl ou as provações são desmesuradas, algumas pelo desconhecimento da própria, mas outros pelo desconhecido que é caminhar na Natureza selvagem.

Vejo «Livre» como um diário de bordo, não tanto da caminhada, mas da viagem interior que a autora fez. Um relato, que segundo a mesma não tem parte alguma de ficção, portanto, entendo-o assim como um relato sofrido, pesado, rebuscado e que rebusca no interior da sua mente, os seus medos, as suas perdas, as memórias de criança e as decisões que cedo tomou e se viu compelida a fazer.
As descrições da morte da mãe e dos seus pesadelos com as formas de a matar novamente, talvez seja a melhor forma de o dizer, são duros, exageradamente duros!

"Quem é mais rijo do que eu?"
"-Ninguém!"


"Se a coragem lhe faltar - exceda a que tem." Emily Dickinson

Devo confessar que a única coisa de que senti falta no livro foi uma maior descrição de cenários, já que o PCT, tem o nome consigo - scenic, mas na ausência dessas descrições, registei todos os nomes, parques, lagos e locais de passagem e desde a leitura tenho apetrechado a minha mente com cenários lindíssimos. E isso sim, é factor de motivação suficiente para partir para a dureza de uma caminhada deste calibre.

E para caminhar, se os sons da Natureza não chegarem , carreguem o Ipod ou o MP3 e façam-se ao caminho (... não se esqueçam das pilhas... e do peso que elas representam ;) por isso deixo-vos com Stevie Ray, uma escolha musical da autora.



E depois de 1730 kms, 3 meses, 6 unhas dos pés caídas, feridas várias, cobras, neve, chuva, calor de derreter, falta de dinheiro, encomendas atrasadas, pés doridos (é pouco)... botas apertadas... Orgulho e Alegria são de certezas sentimentos sentidos entre tantos outros. Eu acrescentaria R-E-A-L-I-Z-A-Ç-Ã-O!


BOAS LEITURAS E BOAS FÉRIAS
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Uma leitura com o apoio