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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Quando os livros se tornam filmes :: "Sonhos Cor-de-Rosa/Tem Bons Sonhos"

O filme «Sonhos Cor-de-Rosa» do realizador italiano Marco Bellocchio, inspirado no o fenómeno internacional «Tem Bons Sonhos», de Massimo Gramellini, da Bertrand Editora, foi o filme de abertura da 10ª edição da Festa do Cinema Italiano que arrancou esta semana em todo o país e que estreou nas salas de cinema nacionais amanhã a 6 de abril.


Turim, 1969. A infância idílica de Massimo, um menino de 9 anos, é pulverizada pela misteriosa morte da mãe. O rapaz recusa-se a aceitar a brutal perda, ainda que o padre lhe diga que a mãe está no Céu. Anos mais tarde, na década de 90, o Massimo adulto é um jornalista bem-sucedido. Depois de uma reportagem sobre a guerra em Sarajevo, começa a ter ataques de pânico. Quando começa a tratar da venda da casa dos pais, Massimo é obrigado a regressar ao seu passado traumático.Mas a compreensiva Dra. Elisa ajuda o Massimo a abrir-se e a confrontar as suas feridas de infância.

Recebido com grande entusiasmo na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, «Sonhos Cor-de-Rosa» explora o luto e o medo de viver num drama elegante e contido interpretado por Valerio Mastandrea e Bérénice Béjo e realizado pelo consagrado Marco Bellocchio. Um livro e um filme a descobrir nas livrarias com edição Bertrand Editora e nos cinemas.


Uma aposta

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Quando os livros se tornam filmes :: "A Rapariga no Comboio"


Ainda os comboios da adaptação do livro de Paula Hawkins não tinham saído das principais estações portuguesas, já o Efeito dos Livros tinha o seu bilhete na mão.
Com uma leitura que ronda o momento da explosão de popularidade à volta do livro e o seu lançamento em Portugal, alguns detalhes sobre a história estavam difusos mas o cerne do thriller contado a três vozes mantinha-se ainda bem presente nas nossas cabeças.

É sempre complicado fazer uma adaptação, principalmente uma que conquiste leitores e espectadores em igual medida.
Na nossa mais sincera opinião, "A Rapariga no Comboio" em filme, agarra-nos tão bem como o livro de Paula Hawkins.
No entanto, se há livros que gostava de não ter lido para que a cinéfila em mim pudesse apreciar em primeira mão, sem que uma parte do cérebro estivesse consciente das reviravoltas, dos culpados e do fim, esse livro adaptado a filme, seria "A Rapariga no Comboio".

Este será sem dúvida um dos filmes do ano, à semelhança da sua origem literária que já vendeu milhões de exemplares por todo o mundo.

Mas lá no fundo, há uma parte de mim, aquela que tem uma imaginação vivida e que retém uma Rachel desleixada, suja e em baixo de forma, não consegue encaixar uma Emily Blunt no papel principal, por mais credível que a sua interpretação esteja.
Fora disso, a mudança geográfica e um ou outro detalhe em nada afectam a nossa percepção enquanto leitores que agora podem apreciar mais uma adaptação ao cinema de um dos grandes sucessos literários do ano passado.

Para os passageiros de primeira viagem, aqueles que nada sabem do livro...sejam bem-vindos ao pensamentos do "wow, não tava nada à espera disto!".

Bom filme e...
leiam o livro primeiro :) nada bate o filme rodado na vossa cabeça.
Boas leituras!

Uma leitura e um sessão de cinema com o apoio

Relembramos o trailer



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Quando os livros se tornam filmes :: "Uma Escolha por Amor"


A minha primeira leitura do ano chega esta semana aos cinema nacionais mas graças ao passatempo da Wook, aqui a metade colorida, já teve oportunidade de ver a adaptação de "Uma escolha por amor" ao grande ecrã.
Quando terminei a leitura fui rever o trailer e os pensamentos foram exactamente estes:
"O namorado dela tem o aspecto que imaginei para Travis"
"Enah tanta mudança! Namorado é médico? Ele conhece os pais dela? A mãe dela???"
"Oh até ver o filme esqueço-me do livro!!"

Questão é que...não me esqueci da história e ontem tive a oportunidade de comprovar isso mesmo.
Confesso que a ideia inicial com que entrei nesta adaptação, que o actor escolhido para o papel de Travis não era o mais indicado, caiu por terra nas cenas de "fazer chorar as pedras da calçada" e pelo charme sulista que Benjamin Walker imprimiu no personagem masculino desta história.
Já Teresa Palmer encaixa muito bem na personagem de Abby, embora ache que as alterações que fizeram do seu lado (família/namorado/valores éticos) acabaram por a tornar um pouco mais superficial do que o original.
No entanto, em suma, é um romance Nicholas Sparks que preenche os requisitos ao entrar os créditos finais com algumas pessoas da sala a fungar ou a sonhar com juras de amor à filme.
Um filme que os leitores vão conseguir aceitar deveras bem, mesmo com as alterações e que quem gosta do género e não conhece a história, vai ficar em bicos de pés até ao final.
Repleto de cenários lindos, bom humor, amor e dor, "Uma Escolha por Amor" não é um dos meus filmes preferidos da série Spark mas eu por vezes sou uma pessoa difícil de agradar quando as alterações feitas na adaptação são as coisas que eu mais gostei.


Nos infindáveis romances À LE Sparks há sempre uma coisa que ganha. Independente dos grandes amores, dos desgostos, dos choros e das mortes, o cenário é brutal. Eu nem me importo de sofrer, desde que a vista seja tão espectacular como as que têm povoado os filmes inspirados nos livros do autor.

TRAILER


E que venha o próximo. Um livro para ler e um filme para ver :)

Boas leituras e bons filmes.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Quando um livro se torna filme :: "Lugares Escuros" + Opinião Livro


Visto que "Lugares Escuros"de Gillian Flynn foi uma das leituras de verão da metade colorida, o que coincidiu com o lançamento da adaptação cinematográfica nas salas Portuguesas, decidimos fazer um "dois em um".

Aqui fica a opinião do caracol literário (que só viu o filme)

Um filme intrigante...
Um filme que nos leva a tentar adivinhar o que se passou...
Um filme que nos mostra diversas escolhas...
Escolhas de quem está desesperado...
Escolhas de oportunistas...
Escolhas coagidas...
Enfim, um emaranhado de boas/más escolhas que tecem a teia deste filme..
Gostei bastante de como todos os dados são encadeados, e gostei muito dos pormenores de imagem dados a certos pormenores das personagens..



Opinião da Metade Colorida que leu o livro e depois não resistiu em ver o filme

Acho que até agora não me engano quando digo que o meu livro preferido de Gillian Flynn foi o primeiro que li, "Objectos Cortantes". Este foi igualmente o primeiro livro da autora, tendo sido recentemente reeditado pela Bertrand. A versão que li, emprestada (Obrigada Filipa que também me emprestou este!) era da Gótica, uma editora que creio já não se encontrar activa.
Desde então, os livros que li da autora era bons mas ainda não conseguiram suplantar o primeiro. "Lugares Escuros" é ainda capaz de ficar em terceiro lugar, sendo ultrapassado por "Em Parte Incerta" e a maquiavélica Amy.

A história de "Lugares Escuros" prende-nos pelo mistério que revolve em torno da fatidica noite em que a família Day foi assassinadam, sendo que os únicos poupados foram Libby, a nossa personagem principal, e o seu irmão Ben, o principal suspeito.
Desde os 7 anos que Libby vive sob a sombra deste acontecimento e quer por incapacidade ou apatia, nunca se tornou mais do que a sobrevivento do massacre, acabando por ainda viver às custas do fundo criado por benfeitores nos tempos após o massacre.
Cleptomaniaca, oportunista e de incapaz de pensar fora da zona de conforto que criou, Libby tornou-se uma adulta incapaz de fazer algo por si, até tentar descobrir a verdade do que se passou tantos anos antes.
Apenas perante o contacto de um clube de curiosos investigadores, Libby é incitada (em troca de dinheiro) a abrir as portas para o passado, em busca da verdade.
Quem matou realmente a sua mãe e irmãs naquela noite? Fora Ben, como ela acreditou todos estes anos? Fora o culto satânico que a vila dizia acompanhar o irmão em rituais malévolos? Fora o pai num acto cobarde de revolta?

Como sempre a escrita de Gillian Flynn prende-nos, leva-nos alternadamente entre personagens, no tempo presente e no passado, para assim desvendar o que realmente aconteceu.
E curiosamente, confesso que assim que terminei o livro pensei "Isto vai ficar espectacular em filme".



Na transição da leitura para o filme a primeira coisa que posso apontar é a personagem principal. Adoro a Charlize Theron mas onde está a Libby baixinha, mamalhuda e sem graça? É que esta atriz, embora tenha encaixado muito bem o papel de Libby, nos outros aspectos chave da história, fica muito aquém da imagem que criamos na nossa cabeça durante a leitura.
A adaptação está muito bem conseguida, o espectador é tão bem apanhado como o leitor ao descobrir a verdade e embora algumas cenas não tenham sido tão arrepiantes como no livro, a interpretação de personagens como Diondra, Ben ou até Libby estão de acordo com a ideia que criamos com a leitura.
Um filme que não desilude mas que para muito boa gente até pode ser considerado um pouco parado.


Os livros de Gillian Flynn, editados pela Bertrand, já se encontram aqui no Efeito dos Livros, assim como a crítica ao filme "Em Parte Incerta"
Vejam a opinião a:

Opinião -- " Objectos Cortantes "

Opinião :: "Em Parte Incerta"

Quando os livros se tornam filmes - Gone Girl / Em Parte Incerta

quinta-feira, 12 de março de 2015

Quando os livros se tornam filmes :: Antes de Adormecer

E se toda a nossa vida nos fosse contada por outra pessoa?
"Antes de Adormecer" estreia hoje em Portugal.
Quem está curioso para ver esta adaptação?
O Efeito dos Livros não ficou particularmente satisfeito.


Visão da Elsa:
Tendo lido a história original faz ja algum tempo demorei os primeiros minutos do filme a situar-me. Christine vive no abismo da memória e todos os dias, ao adormecer, cai no esquecimento de saber quem é e como chegou aqui. Cada dia ao acordar é recordada por Ben, o marido, de que são casados, que ela teve um acidente e por mais coisa ela descubra ao longo do dia, não há maneira de as reter, que todos os dias ao acordar regressa ao mesmo momento, algures quando tinha 20 anos.
Mas secretamente e assim que o marido sai de casa, Christine começa a terapia seguida pelo neuro psiquiatra e começa a lembrar-se, a confrontar o presente com as poucas informações que consegue reunir do passado. Que segredos esconde o passado de Christine? Será a vida dela exactamente o que o marido lhe conta? Se não puder confiar no seu próprio marido, o mesmo que a lembra quem é todos os dias, em quem mais poderá confiar?
A premissa da história, já quando a li em 2012 despertou a minha atenção para níveis altíssimos. 
E se toda a nossa vida nos fosse contada por outra pessoa?

A escolha de actores aqui foi soberba mas sinto que falta algo, mesmo quando posso jurar a pé juntos que gostei do filme, da interpretação das três personagens centrais e da adaptação do livro à tela (claro que decorridos 2 anos após a leitura não consigo confirmar até que ponto está fiel ou não mas os pontos básicos estão lá).
Decididamente, um não leitor terá aquela adrenalina do desconhecido, salvo aquelas pessoas que toparam o enredo todo nos primeiros cinco minutos. Para os leitores, os que conhecem a história e que sabem o fim no momento em que colocam os olhos em cima dos actores que dão corpo e voz às personagens, esses saem sempre a perder. São raras as adaptações que fazem jus à nossa imaginação.
Depois de já ter lido tantas histórias, talvez reler "Antes de Adormecer" não tenha o mesmo impacto mas o filme, criou um friozinho na barriga de expectativa mas não capaz de me gelar.
Um thriller que é capaz de roubar uns arrepios, especialmente às mulheres, visto que a amnésia de Christine não foi....ohhh spoilers! Leiam o livro ou vejam o filme.

Opinião da Cris
A adaptação cinematográfica de "Antes de adormecer" de S.J Watson não me convenceu.
Inicialmente pensei estar a ver um remake , mais intelectual e sério do clássico de domingo à tarde, A minha namorada tem amnésia, entretanto essa sensação passou, mas nem por isso o filme é no seu todo melhor.
O mote para o enredo é bom, o impacto da perda de memória na vida do dia a dia, no perigo que isso representa para a pessoa fragilizada, mas também no fardo que tem tem ou quer conviver de perto com isso.
O amor não chega é preciso dedicação ou então, obsessão!
Podia socorrer-se da intensidade e dos contornos doentios de "Gone Girl", por exemplo, mas fica-se só pela mente doentia de um homem.
Um aparte, não consigo reconhecer o Colin Firth em papeis de vilão

Fica o trailer

Boas memórias.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Quando os livros se tornam filmes :: Wild / Livre

Desde que li o livro tenho estado em pulgas para ver o filme. Sabia que o facto de ter a Reese Witherspoon no papel principal e na produção do filme seria algo que contribuía imenso para eu vir a gostar do resultado final e não me enganei.


“Wild” (sim, nem falo do nome em Português porque o filme nem sequer vai chegar ao nosso país) está menos comercial do que eu julgava que seria, e acreditem, isso é bom. 
No entanto, ao longo do filme senti que faltavam detalhes, coisas que sabemos do livro, como quem lhe deu aquela t-shirt do Bob Marley que passa a usar a meio caminho mas depois, se olharmos para um grande plano, para o todo do filme, percebemos que esses detalhes são pequenas pérolas exclusivas dos leitores e ficamos satisfeitos com o que passaram para a tela.

Potente é a palavra que melhor descreve a interpretação de Resse. A Cheryl de Reese está como a imaginamos, crua, revoltada com a vida, com a pessoa que se tornou mas em paz (intervalada por muitos palavrões) com o caminho que tem à sua frente, por mais duro que este seja. E os momentos chave estão lá, quer no PCT quer nos flashes do passado, especialmente aqueles que dizem respeito à mãe, extremamente bem interpretada por Laura Dern (aquelas duas nomeações aos Oscars foram bem merecidas)

Gostava que no filme se tivessem centrado mais no quanto foi complexo para Cheryl percorrer aqueles quilômetros todos sozinha, em sofrimento, tanto que por vezes nem dava para ter momentos de introspeção mas compreendo que o filme se centre mais no que a levou até ali, até ao caminho para um destino melhor mas vá, não vou pegar por aí porque realmente gostei do resultado final. Só queria mais Pacific Crest Trail. Bem, se quero mais, talvez a solução seja percorre-lo, certo?


PS: aquelas duas cenas que me fizeram tremer no livro estão lá muito bem retratadas no filme.

Relembro a opinião ao livro
Uma aposta da Editorial Presença

sábado, 31 de janeiro de 2015

Quando os livros se tornam filmes :: Teoria de Tudo /Viagem ao Infinito


Depois de largamente comentado, livro e filme, chegou a nossa oportunidade de assistir e reunir opiniões sobre este "A teoria de tudo" ou "Viagem ao infinito", que retrata de forma biográfica a vida de Jane e Stephen Hawking, debatendo-se com aquele que foi um desafio, esse sim, semelhante ao infinito, a doença e as barreiras físicas a que a mesma condicionou e condenou Stephen Hawking.
Uma filme biográfico que é um tributo à vida, mas cima de tudo à resiliência e ao amor. 


A teoria da Elsa

Vi o trailer do filme mais ou menos no mesmo momento em que soube da existência do livro, aquando do lançamento do mesmo em Portugal pela Marcador.
Fiquei reticente de ver o filme antes de ler o livro, muito mesmo. Como é suposto encaixar 25 anos de casamento, extremamente desafiantes, em apenas 2 horas?
E embora ainda não tenha lido o livro, tenho de vos dizer, está espectacular. Pode ter alterações temporais ou alguns detalhes polidos para a grande tela, mas a adaptação da história contada por Jane Hawking fala-nos de um amor que luta contra um prognóstico desanimador da doença de Stephen, quando os médicos lhe dizem que terá apenas 2 (complicadíssimos) anos de vida.
Contra tudo e todos, incluindo por vezes até a si próprios, Jane e Stephen casam, têm filhos, vivem juntos por mais de duas décadas e Stephen torna-se no famoso e brilhante físico que todos conhecem. O que ficamos a conhecer neste filme é o que se passou no intermédio dos eventos,  entre os dois.
E no filme, os dois, interpretados por Felicity Jones e Eddie Redmayne, estão perfeitos, então Eddie está soberbo. Se esta interpretação de Stephen Hawking não vale um Oscar, não sei o que vale. 

A teoria do Paulo

Um filme sobre um grande Amor, sobre família, aquela que por muitas vezes é o nosso apoio, a nossa base, mas por vezes destrói, por não entender, por não querer, por não ver que está a fazer mal...
Um filme sobre mentes brilhantes, não só a do Stephen Hawking, como a de Jane que à sua maneira consegue estimular, debater-se com o seu marido, ajudar e levar a novas conclusões, uma Jane que se pode considerar uma heroína, uma mulher que mostra bem a força que se pode ter, consegue manter um amor, uma família, uma mente...
Um filme que me fez pensar o que faria numa situação semelhante, que nos faz perguntar, e se agora sem uma data pré estabelecida de fim, como lidaria com uma doença semelhante da minha cara metade? uma pergunta que foi debatida a caminho de casa, onde as respostas variam a cada momento derivado a uma imensidão de probabilidades.
Enfim um grande filme, que nos faz pensar, acreditar.
Quero realçar uma grande interpretação do actor Eddie Redmayne  a meu ver merecedora de Oscar.


A teoria da Cris

A minha teoria é a das sensações, das questões, do amor e da inteligência.
A doença é uma força destruidora e o amor será uma força tão grande que possa torna indestrutível a degradação que a doença provoca? Será o amor capaz de vencer a barreira dos anos como cuidadora, como responsável, como aquela que garante a segurança, a saúde, a continuação do outro!?
Vejo isso para os filhos, mas para o cônjuge e logo em início de vida parece um desafio quase desumano. Não sei se o filme prova o contrário na sua totalidade, mas demonstra que a paixão, a amizade, a cumplicidade e a tenacidade pode mudar o curso até da ciência e das previsões da medicina para uma doença.
A grande questão é o tempo. O tempo para Stephen tinha toda a importância e é o centro do seu universo. Para ela o universo com ele seriam os anos que lhe restassem de vida, de uma vida ainda por construir, por imaginar como seria. O tempo foi o que foi arruinando e consumindo, por dentro, pelo âmago a relação de amor que os unia. Sobrou a dedicação, a amizade, a compaixão, os filhos e acredito que uma admiração enorme pela mente brilhante como físico, como homem das ciências.
Existem inúmeras teorias a discutir com as várias "portas" que este filme abre, mas a dificuldade é avaliar a prática, como em tudo, é a vida do dia a dia, com as pequena coisas e a rotina que constrói ou destrói uma vida. Não sei se me faço entender...

É no seu todo um filme com uma temática complexa, que está filmado de uma forma comum mas cativante, que nos toca e nos sensibiliza. Há uma transformação brutal de Eddie Redmayne, cujo o tempo todo do filme eu passei a penar de "onde era ele" e é da mini série "Os Pilares da Terra", que se revela numa interpretação brilhante e impactante, com uma expressão no olhar que revela tanto. A interpretação de Felicity Jones está igualmente muito boa pela força e tenacidade que consegue transparecer, mas também fragilidade e exaustão quando a vida a isso conduz.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

American Sniper :: A arma letal dos Americanos na guerra do Iraque

Por aqui somos fãs de quando os livros se tornam filmes. Desta vez estivemos todos presentes na antestreia de American Sniper e não podemos deixar passar a oportunidade de partilhar convosco a nossa opinião.

Fica o agradecimento à revista Metropolis e à editora Vogais pela possibilidade de assistirmos à ante-estreia.


A visão da Cris.

Chris Kyle, um herói, um guerreiro, uma arma mortal, um perigo, uma vítima... amado por muitos, odiado por tantos outros.
Sem dúvida um filme intenso, rematando de forma cruel que ambos os lados sofrem horrores indescritíveis. Todos os lados, e, vendo bem são muitas as perspectivas envolvidas. 
Da guerra nada de bom advém e é bem certo... pelo menos tudo o que é apanhado no meio. 
Não é fácil tomar partido e acho que essa também é uma das mensagens do filme.
Pela mão de Clint Eastwood, entre tantas outras coisas, captando o lado mais introspectivo e sério que vi até hoje em Cooper.


A visão da Elsa

Quando soube que este filme ia ser adaptado ao cinema por Clint Eastwood não hesitei, ofereci-o ao Caracol e coloquei-me em lista de espera para o ler (a isto se chama prenda estratégica!)
Comecei a ler o livro no próprio dia da estreia e não tinha ido mais adiante na história de Chris do que o primeiro curso que realizou nos SEALs e o seu casamento com Taya. Gosto do seu modo sincero e directo de escrever, da razão inequívoca da sua decisão de defender o país e especialmente os seus camaradas no terreno. Só vou nas primeiras 200 páginas e confesso que nunca tinha lido tanto sobre armas mas estou a gostar de ter uma visão da guerra por quem lá esteve. É exactamente isso que temos no filme, um relato directo e brutal pela mão de Clint Eastwood, que nos reforça a ideia que na guerra é matar ou ser morto.


"O que me atormenta são os tipos que não salvei"

Quando soube que seria Bradley Cooper o escolhido para o papel de Chris Kyle fiquei apreensiva. Tinha vista fotos de Chris Kyle e ele era uma armário, em contrapartida o Br(e)adley é tão bonito que doi só de olhar para ele, bonito de mais para ser parecido com Kyle (na realidade o SEAL fazia dois dele). E querem saber uma coisa espectacular? Durante todo o filme quase me esqueci que estava a olhar para o Cooper, ele encarnou Kyle dos pés à cabeça, tão bem que tenho lido testemunhos de veteranos que consideram a sua prestação tão brilhante ao ponto de o considerarem um irmão SEAL (honorário mas ainda assim SEAL).
Chamem-lhe propaganda patriotica de bandeirinha a abanar mas no final, mais que o filme sobre guerra, sobre um dos grandes males do mundo, é também uma pequena amostra da vida militar, do efeito que esta tem na família e nas relações dos soldados e acima de tudo, é uma homenagem a Chris e a outros que perderam a vida nesta e noutras guerras.
Pensar que um gajo que esteve na guerra tanto tempo e que conseguiu salvar a vida de tantos colegas é morto por um veterano com stress pós traumático a meia dúzia de quilómetros de casa.

Nota: encontro alterações entre o que vi no filme e que já fui apanhando do livro. Se querem uma visão mais detalhada, não tão perfeitinha da vida e missão de Chris, então leiam o livro. Garanto-vos que a descrição das armas não é assim tãaaaao detalhada.




A visão do Paulo.

Apesar de muitos críticos dizerem que o filme é propaganda americana fora de horas, eu penso que Sniper Americano não podia vir em melhor hora, devido aos acontecimentos mundiais de terrorismo.

Um filme que de uma maneira muito séria, nos leva a pensar na guerra e nos seus efeitos.
As escolhas que muitos homens e mulheres têm de tomar num contexto de guerra, matar ou não uma criança, quando está a ser instigada pela mãe a atirar uma granada contra o inimigo, são perspectivas pesadas que nos mostram o efeito da guerra. O filme mostra também o peso do clima nas famílias, o ambiente de pós-guerra dos que regressam e a vida daqueles que perdem, familiares, amigos, alguns perdem-se a si mesmo, fisicamente e mentalmente.

Mostra-nos também a crueldade, tanto do lado dos Americanos como dos Iraquianos e outros que lutaram nesta guerra, aqui sempre a defender o lado americano, não era de esperar outra coisa, mas um dia espero ver um filme do mesmo estilo do outro lado.

Enfim, a mensagem também é, devíamos a todo o custo evitar a guerra!

Mais coisas a apontar neste filme, adorei toda a a transformação do actor principal Bradley Cooper 
e a interpretação da sua esposa Sienna Rose Miller e por fim tenho de dizer que sou fã da maneira de filmar simples e eficaz do Clint Eastwood.


Boas leituras e bons filmes !