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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Opinião "36 perguntas que me fizeram gostar de ti"

 
Qual foi a última vez que tiveram um encontro com um estranho?
Sei que na era da Internet, do Tinder e companhia isso é capaz de ser bem comum mas mesmo assim garanto que existem muitos de vós que responderam "nunca" ou "nem pensar" à minha pergunta.
Agora imaginem que são pessoas predispostas a responder a inquéritos, estudos de mercado e coisas do género. Achariam interessante o confronto de dois desconhecidos, escolhidos aleatoriamente, perante 36 perguntas feitas para se ficarem a conhecer melhor, quem sabe, até se apaixonarem?
Eu acho a experiência uma coisa curiosa e creio que por vezes encontramos mais facilidade em abrirmos a alma a um estranho, do que a quem nos conheceu toda a vida.

Hildy é a típica menina de boas famílias, voluntariosa por natureza que decide participar no estudo por puro "desporto", ou melhor, por interesse na área de psicologia. Quando descobre a temática fica um pouco de pé atrás, talvez por complicações amorosas passadas mas não hesita em avançar.
Já Paul chega desinteressado e pronto a despachar tudo num ápice, já que o incentivo à participação só é recebido no final.
O completo oposto a Hildy, que fala sem parar quanto mais nervosa está, Paul parece inicialmente arrogante e mais interessado em queimar o tempo do que ouvir a parceira no estudo mas quando o verniz entre ambos estala é que a coisa anima a valer.
Serão estas 36 perguntas suficientes para que os pólos opostos se atraíam?

Duas pessoas que caso se cruzassem na rua não olhariam uma para a outra com interesse, encontram nesta "experiência" o escrutínio que lhes permite olhar para si e para o outro com uma perspectiva diferente.
Um romance que me surpreendeu pela positiva e que me deixou a querer mais. Mais história, mais um livro, mais Paul e Hildy.

E vocês? Estão dispostas a sentar frente a frente com um desconhecido e responder honestamente a 36 perguntas que vos colocam a alma a nu?
Leiam o livro de Vicki Grant e confirmem isso mesmo. Eu dei por mim a responder às perguntas para mim própria e pensei no quanto deve ser um desafio olhar outra pessoa nos olhos e deixar sair cá para fora a verdade.

"36 perguntas que me fizeram gostar de ti" é um livro

Opinião da metade negra

sexta-feira, 4 de maio de 2018

«36 Perguntas que me fizeram gostar de ti» de Vicki Grant - Opinião



Vicki Grant recupera o estudo do psicólogo nova-iorquino Arthur Aron que tem por base 36 perguntas que pretendem verificar se o relacionamento interpessoal pode sair beneficiado deste encontro entre dois estranhos. O estudo foi popularizado pela coluna «Modern Love» e agora Grant pegou nele para criar este romance e perguntar: pode o amor ser despertado por um punhado de perguntas?

"Hildy: Lá está esse tom novamente. 
Paul: Não há nada de errado com o meu tom.
Hildy: Desculpa. Tens razão. Desta vez foi mesmo o que disseste.
Paul: Oh, agora tens problemas com a verdade?
Hildy: Equívoco popular. A chamada sinceridade nem sempre é a melhor política, especialmente se estás apenas a usá-la como desculpa para ser desagradável. (...)"

Paul e Hildy submetem-se ao estudo por razões completamente opostas e isso despoleta uma dinâmica divertida, sustentada por diálogos credíveis e inteligentes. Apesar de ser um livro juvenil, facilmente ganha adeptos de outros escalões etários. É um livro leve, mas bastante bem conseguido.

"Paul: O quê? Não aguentas uma boa réplica?
Hildy: Pensei que tinhas dito que não lias.
Paul: E então?
Hildy: Estás a mentir. «Réplica»? Isso é uma palavra de livro.
Paul: É uma palavra do Bugs Bunny. 
Hildy: Não me lembro de o Bugs Bunny alguma vez ter dito «réplica».
Paul: Oh, bem, então devo estar enganado, porque obviamente decoraste cada palavra."

Apesar das motivações opostas, as diferenças sociais também acentuam esse fosso, no entanto, a forma como a autora compõem a vida de Hildy dá-lhe um outro universo particular que não cai na tipificação de miúda mimada com dinheiro, aliás torna-a um pouco estranha, tal como acontece com Paul. 

"- Alguma vez te sentiste uma nulidade completa? - perguntou Hildy.
- Sim, todos os dias. Mas também cago todos os dias. Em ambos os casos, puxo o autoclismo, lavo as mãos e culpo o último tipo pelo mau cheiro.
Hildy não se riu."

Claro que nem de tudo é assim tão fácil de "lavar das mãos" ou de culpar os outros; Hildy, Max e Bob sabem disso!