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quarta-feira, 6 de março de 2024

«A Nação das Plantas» de Stefano Mancuso :: Opinião


O novo livro de Mancuso é uma apologia aos seres vivos mais vulneráveis e frágeis, facilmente esquecidos ou ignorados e cada vez mais ameaçados. O objectivo do autor é claro: demonstrar para conhecer e conhecendo, sermos incapazes de ignorar ou não defender esta nação das plantas. Uma nação da qual fazemos parte e vamos querer continuar a pertencer. Não compreendê-la é querer viver à margem, numa bolha. Mas atenção, a bolha está prestes a rebentar!

“Ao percecionarmos as plantas como algo mais próximo do mundo inorgânico do que da plena vida, cometemos um erro fundamental de perspetiva, que nos poderá custar caro. Para tentar remediar a escassa consciência que temos do mundo vegetal e a baixa estima pelo mesmo, dado que nós homens compreendemos somente as categorias humanas, este livro trata as plantas como se todas elas fizessem parte de uma nação, ou seja, de uma comunidade de indivíduos que partilham a mesma origem, história, organizações e objetivos: a Nação das Plantas. Ao olharmos para as plantas como quem olha para uma nação humana, os resultados são surpreendentes.”

“(…) os fungos têm uma biomassa seis vezes superior à dos animais (12 gigatoneladas). As plantas (450 gigatoneladas) representam mais de 80% da biomassa da Terra, e os homens, com as suas 0,06 gigatoneladas, significam uma mísera percentagem de 0,01%. É evidente que não é em virtude do nosso número que exercemos a soberania no planeta. Pelo seu número e relevância, a soberania da Terra deveria pertencer às plantas.”

Continuar a ignorar os factos sobre o peso da importância das plantas e da sua necessidade fulcral, juntamente com os actos inconscientes dos humanos e a distância mantida como se habitássemos um planeta à parte (a tal bolha), só pode, na visão de Mancuso, dar um resultado semelhante ao do horror e do mal causado pelo Holocausto. Perpetuá-lo por desconhecimento já nem sequer é aceitável, uma vez que todos os tipos de debates têm deixado claro os possíveis desfechos. Ainda assim, Mancuso sublinha:

“As afirmações de Arendt foram à época julgadas irracionais. A tese de que numa dada organização hierarquizada na qual: 1) exista suficiente distância entre a própria ação e os resultados da mesma, 2) a autoridade seja forte, 3) as relações no interior da hierarquia sejam despersonalizadas, é possível recriar o horror do Holocausto afigurou-se totalmente inaceitável para a maioria. O que Arendt escreveu escandalizou o mundo: não só o Holocausto podia acontecer novamente, como qualquer um podia ser responsável por ele.”

Mancuso não pretende chocar, mas pretende enviar um forte alerta. Somos todos responsáveis pelos danos ao planeta, essencialmente e embora não se consiga adivinhar a extensão total dos danos, não podemos ignorar o que está a acontecer diariamente diante dos nossos olhos. A militância deveria ser diária também, especialmente porque todos os anos estamos cada vez mais cedo a atingir o Earth Overshoot Day (EOD).

“Todos deveriam ser mobilizados, e se acham que estou a exagerar e não veem qualquer razão para se levantarem do sofá a fim de defenderem o ambiente e as florestas, então fiquem a saber que esta é a única e verdadeira emergência mundial. A generalidade dos problemas que afligem atualmente a humanidade, mesmo que aparentemente longínquos, estão relacionados com a ameaça ambiental e representam apenas os sintomas inofensivos daquilo que está para vir se não enfrentarmos esta questão com a devida firmeza.”

O uso e abuso de recursos já incapazes de se regenerar é uma emergência maior que todas as outras, um dano irreversível para o ecossistema terrestre e para a própria sobrevivência da espécie humana. E mesmo embora se reconheçam capacidades exclusivas e extraordinárias à Nação das Plantas, as suas estratégias de adaptação e sobrevivência não são inesgotáveis e muitas delas são fruto da característica que mais as distingue: a sua falta de movimento, que os cientistas muito têm estudado na tentativa de aplicar a outros seres vivos, no entanto, essa enorme sensibilidade está proporcional a milhares de anos de evolução e epigenética. E claro, de cooperação. E com estes exemplos de «apoio mútuo» muito se poderia aprender, uma vez que têm sido determinantes para a evolução inter-espécies e este detalhe é o mais fascinante. No obstante, a competição que existe por água e luz, a competição versus cooperação exige evolução e resiliência, gerando estratégias de sobrevivência e progresso das espécies de plantas.


Carta dos Direitos das Plantas


Artigo 1.º - A Terra é a casa comum da vida. A soberania pertence a cada um dos seres vivos.

Artigo 2.º - A Nação das Plantas reconhece e garante os direitos invioláveis das comunidades naturais enquanto sociedades assentes nas relações entre os organismos que as compõem.

Artigo 3.º - A Nação das Plantas não reconhece as hierarquias animais, fundadas em centros de comando e funções concentradas, favorecendo antes democracias vegetais difusas e descentralizadas.

Artigo 4.° - A Nação das Plantas respeita universalmente os direitos dos atuais seres vivos e os das próximas gerações.

Artigo 5.° - A Nação das Plantas garante o direito a água, solo e atmosfera limpa.

Artigo 6.º - É proibido o consumo de quaisquer recursos naturais não renováveis para as gerações futuras de seres vivos.

Artigo 7.º - A Nação das Plantas não tem fronteiras. Todos os seres vivos são livres de se deslocarem, transferirem e viverem nela sem qualquer limitação.

Artigo 8.º - A Nação das Plantas reconhece e incentiva o apoio mútuo entre as diferentes comunidades naturais de seres vivos enquanto instrumento de convivência e de progresso.


***
Este livro foi lido a propósito de um desafio proposto para 2024 na RODA DOS LIVROS



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Leituras ElsaR/Metade Colorida 2016

E mais um ano que chega ao fim e com estes 12 meses de 2016 muitos foram os livros adquiridos e e lidos.
No ano passado tinha colocado uma meta meia louca e fiquei pelo caminho. Este ano pensei fazer a coisa pelos 100 livros mas fiquei nos 85. Sim...Hoje e amanhã não devo ler nada.
Já tenho planos para 2017. O desafio no goodreads vai ter apenas 80 livros, uma quantidade que tenho conseguido ler.
No entanto, o desafio vai ser outro....
Já viram no nosso facebook o desafio de leitura para 2017? São 24 dicas para nos ajudarem a escolher leituras diferentes neste novo ano que se avizinha.
Eu já tenho tenho alinhavadas as primeiras três leituras do ano....
que rapidamente vão ser atropeladas por outras....mas pronto! :) 
Sigam as actualizações ao desafio de leitura no nosso grupo no facebook (AQUI)

Até lá....vamos relembrar o que se leu por aqui neste 2016
































































E os últimos ainda não têm opinião :) 
E a vossa lista de leitura de 2016 foi menor, maior ou igual à minha?

Boas leituras
é o desejo do Efeito dos Livros para 2017 !

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A Metade Colorida e a Dieta do Chá

Quem me conhece sabe que eu não alinho em dietas.
Onde é que eu encaixava o meu pão matinal, o meu doce ocasional e o meu copo de vinho preferencial? :) ahah 
Mas a Dieta do Chá captou a minha atenção. Com este tempo outono/inverno, o chá é sempre um fiel companheiro durante o dia de trabalho, seja como aquecimento ou desculpa para fazer uma pausa nas tarefas diárias.
Mas a questão é...em que é que o chá me pode ajudar?
A Dieta do Chá de Kelly Choi dá-nos algumas respostas se soubermos quais as perguntas certas a colocar.


Mas se é a dieta do chá, quer dizer que não posso comer?
Não. A ideia é incorporar o chá certo no nosso dia a dia e nas alturas indicadas.
Além do chá há um plano a seguir. Eu vou começar com passos pequeninos. 
Primeiro vou começar por me habituar a beber os chás certos, nas alturas certas.
Depois penso em como é que vou deixar de comer as minhas torradas matinais.

Mas a ideia é beber chá, um chá qualquer?
Não. Cada momento diário em que devemos consumir chá tem uma mão cheia de sugestões . Eu por exemplo não sou grande fã de chá verde, no entanto, a autora sugere pelo menos mais uns cinco tipos de chás em alternativa.

Na capa diz que podemos perder até 4kg em 7 dias? Será verdade?
Não tenho bola de cristal mas se seguirem o plano é bem provável que esses 4kg voem pela janela fora numa semana. Eu aceitei o desafio por uma questão de saúde, pelas muitas vantagens que o consumo de chá tem para o nosso bem estar físico e mental. Se já têm por costume beber chá, porque não aceitam o desafio?

Vais publicar a tua perda de peso?
Não. Podem esperar sentados se acham que vou publicar aqui o que a balança grita cada vez que meto os meus pés em cima dela. :P
No entanto, vou fazer o registo interno. Daqui a 7 dias, mesmo sem estar a seguir o plano à risca, vou ver se a balança grita menos comigo.

E por último, mas não menos importante...
 tenho de deixar de beber o meu copinho de vinho de vez em quando?
NÃO!
Embora o vinho tenha calorias e essas coisas todas más ahah um copo de vinho por dia não sabe o bem que lhe fazia.

Agora fora de brincadeiras. 
Vamos lá beber uns cházinhos e a pouco e pouco pensar como integrar os outros pontos abordados pela autora no meu dia a dia.

Boas leituras e bons cházinhos.

"A Dieta do Chá" de Kelly Choi é uma aposta Arte Plural Edições

terça-feira, 25 de outubro de 2016

[TAG] CONFISSÕES DE UM LEITOR :)

Vamos lá aceitar um desafio para partilhar umas curiosidade literárias convosco. :) 
O TAG para este desafio foi feita pela Sandra do Mil Estrelas no Colo.
Obrigada Sandra.

1. Alguma vez estragaste um livro?
Estraguei o Acheron! Decidi num dia frio levar o Acheron para a cama, acompanhado de uma caneca de chocolate quente....
Deu nisto!

2. Alguma vez estragaste um livro emprestado?
Nunca. Trato-os com muito amor e carinho.
Isto, meus caros amigos a quem empresto livros, é uma dica. 


3. Quanto tempo demoras a ler um livro?
Depende do livro, depende do cansaço diário, depende da minha inclinação para a leitura naquele dia. Por norma, 2/3/4 dias :)
Se for algo que eu realmente esteja a gostar, eu devoro um livro em pouco mais de um dia e meio.

4. Livros que nunca terminaste?
Por norma não agarro coisas que sei que não são o meu género de leitura. Por vezes acontece tropeçar em livros que não estou a gostar muito mas continuo. Já deixei livros a meio mas agora não me sai nada. :S

5. Livros populares que não gostaste?
Ficam muito chateados se eu disser que tentei ler Tolkien mas achei uma seca? :S 
Ou que li o Principezinho em português e inglês e não fiquei por aí além louca com o livro? 
Que sou mega fã de Game of Thrones mas que só consegui ler até ao terceiro livro porque demorava quase 3 semanas a ler um livro? 
É....sorry!

6. Há algum livro que não dirias a ninguém que leste?
Ahhh....nem por isso, estou bastante confortável com as minhas escolhas. O que é suposto ser um livro que se tem vergonha de dizer que se leu? 
Aqueles que eu leio? :) hahaha


7. Quantos livros tens?
ahhhh umas três ou quatro centenas. Acho eu!
Da última vez que os arrumei, quando comprei estante porque já não tinha espaço para os arrumar, lembro-me de os ter contado e a conta ia mais ou menos aí. 
Hey, sei quem tenha muitos mais :) 

8. És uma leitora rápida ou lenta?
Acho que me considero uma leitora rápida, quando estou efectivamente a ler. Por vezes, o trabalho, a família, o cansaço, os filmes, as séries, a cama ou a procrastinação é que me tornam lenta :P

9. Gostas de fazer leituras conjuntas?
Nunca o fiz!
Já fico feliz de ler os mesmos livros que algumas amigas minhas e ter depois a oportunidade comentar a história com elas mas ao mesmo tempo, nunca aconteceu.
Quem sabe um projecto para os próximos meses. É uma coisa fácil de fazer, especialmente entre blogs. Que tal um TAG LEITURA CONJUNTA?

10. Lês melhor mentalmente ou em voz alta?
Mentalmente, sem dúvida. Dentro da minha cabeça sou uma óptima leitora. Faz algum tempo estive a ler para os miúdos e detesto ouvir-me ler em voz alta.

11. Se tivesses autorizada a só ter um livro qual seria e porque?
Ahhhhh "A Rapariga que roubava livros" porque me dá....esperança. Especialmente o pequeno livro dentro do livro.  Acho que preciso de o revisitar.

E agora....
quem é que vou identificar aqui?
Podem ser leitores/ seguidores do Efeito dos Livros?

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Leituras ElsaR 2015

Oh mãezinha, mais um ano que terminou.
Em 2015, estabeleci uma meta bem alta mas não consegui lá chegar.
De 111 livros, li 92. Nem todos estão nesta lista que podem encontrar de seguida, alguns foram lidos fora do âmbito do blog, outros ficaram com a opinião por fazer até já ser demasiado tarde...

Ao fazer esta lista dei comigo a recordar os livros que li este ano. Não consigo tirar UM único favorito mas consigo salientar duas mãos cheias deles que me fizeram sorrir, chorar e sonhar.

O primeiro do ano é sempre um Nicholas Sparks, mesmo quando vimos a arrastar alguma leitura do ano anterior.
Aqui fica a lista de leituras para 2015, com opinião publicada no blog.

Faltam aqui os últimos livros lidos e que também figuram no top das preferências de 2015.Um ano cheio de bons livros.
E vocês? Leram muito?

2016 já tem meta, são 100 livros.Se será atingir ou não, o Dezembro o dirá.

Boas leituras!