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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Novidade Cavalo de Ferro :: "A Maldição de Hill House"

"Era um acto de força moral levantar o pé e pousá-lo no primeiro degrau, e pensou que a sua profunda relutância em tocar na Hill House pela primeira vez advinha directamente da sensação nítida de que a casa estava à espera dela, maligna, mas paciente. As viagens terminam com o encontro dos amantes, pensou, lembrando-se finalmente da canção, e riu-se, parada nos degraus de Hill House, as viagens terminam com o encontro dos amantes, e assentou o pé com firmeza e subiu até chegar ao alpendre e à porta. Num abrir e fechar de olhos, sentiu-se envolvida pela Hill House; ficou numa obscuridade total, e o ruído dos seus passos na madeira do alpendre era um ultraje ao profundo silêncio, como se há muito tempo ninguém pisasse os soalhos de Hill House. Ergueu a mão para bater a pesada aldraba de ferro com uma cara de criança, decidida a fazer mais e mais barulho para que a Hill House tivesse a certeza de que ela estava ali" 


John Montague, especialista e estudioso do oculto, chega a Hill House em busca de algo concreto que possa provar a existência do sobrenatural. Acompanham-no, Theodora, a sua assistente, Luke, o futuro herdeiro da propriedade e Eleanor, uma mulher solitária e frágil, já com experiência de encontros com poltergeists.

Contudo, aquilo que, inicialmente, era apenas uma experiência em torno de fenómenos inexplicáveis torna-se, em pouco tempo, uma corrida pela sobrevivência, à medida que Hill House ganha poder e escolhe, de entre eles, aquele que quer para si…

A Maldição de Hill House é um dos mais perfeitos exemplos do terror e do suspense em literatura. Fonte de inspiração para nomes como Stephen King ou Guillermo del Toro, confessos admiradores de Shirley Jackson, a história foi adaptada por duas vezes ao cinema em filmes de grande sucesso.

«Uma das histórias de terror mais perfeitas que já li.» Stephen King

Uma aposta


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Opinião "As nossas almas na noite"


Este título não me passou despercebido. Entre as noticias sobre o seu sucesso no Festival de Veneza, o facto de ser uma novidade Netflix (também conhecida como ferramenta principal do demónio das distracções) e ter à cabeça da história dois megas actores, acho que não havia mesmo maneira de a história me passar ao lado.
À semelhança de Kent Haruf, eu também sou uma grande apoiante das segundas oportunidades, dos romances perdidos no tempo, da crença que não existe idade limite para amar e das história sem fins convencionais.
Addie e Louis são prova disso mesmo.
E por isso, assim num ataque meio maníaco-saudosista de quem não lia nada desde meio de Agosto, devorei o "As nossas almas na noite" em dois bocadinhos.

Viúva e só, Addie ganha coragem de propor a Louis, igualmente viúvo, um acordo de companhia.
Melhor que passar noites em branco ou a ver as horas no relógio enquanto não se consegue adormecer, é ter a presença de outra pessoa ao nosso lado e cair no sono ao ritmo pausado da conversa de almofada. 
Alvo de falatório na cidade onde vivem, Addie e Louis criam, à margem das convenções sociais para um novo romance na terceira idade, uma ligação bonita, de apoio e compressão mútua. 
Uma história que vai revelando o passado ao longo do desenvolvimento do presente e do selar do futuro.
Mais que algumas coisas que dizem, talvez sejam os silêncios confortáveis que partilham entre si o ponto chave para este novo bem estar que encontram lado a lado. Esse silêncio é algo que sei que vou gostar de encontrar na adaptação deste "As nossas almas na noite" que é uma grande lição para novos e velhos, quer no que toca a nunca ser tarde para voltar a encontrar a paz e a felicidade nos nossos dias, quer pela ideia que Addie transmite.
"Disse-te que nunca mais queria viver daquela maneira....atenta às outras pessoas, àquilo em que elas pensam, àquilo em que acreditam. Acho que isso não é maneira de viver. Pelo menos para mim deixou de ser".
E eu concordo plenamente!

O livro é lançado dia 20, a sua adaptação estreia dia 29 na Netflix.


Uma novidade

NOTA: Agora acho que vou abrir os olhos à escrita de Kent Haruf. Andei à procura e só existe traduzido para português "Canto chão" que curiosamente é mencionado neste livro. Probabilidade de encontrar este livro? 
Pouca! 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Opinião :: "Por Treze Razões"

Hey tu, tens noção do impacto que tens na vida das pessoas à tua volta? Compreendes até que ponto as tuas acções podem, directa ou indirectamente, afectar o bem estar de uma pessoa próxima de ti?
Agora recua ao secundário. Estás a recordar esses tempos? És um daqueles que diz ter vivido os melhores anos da sua vida ou um dos que lutou por sobreviver àqueles tempos?


Eu tive os meus altos e baixos, já Hannah Baker sentiu que foi sempre em queda até ao momento em que desistiu e se suicidou. “Por treze razões” conta-nos os motivos que levaram Hannah ao limite e serve de um tremendo abre olhos para os que passam na vida alheios ao que as suas acções provocam nos outros e aos que estão cegos de mais para ver quem à sua frente pede ajuda.

Conhecemos Clay no momento em que recebe a encomenda com as cassetes de Hannah. Numa era digital, gostei do toque retro das gravações em K7. No entanto, é com pesar, além de muito interesse, que vamos “ouvindo” a voz de Hannah intercalada com os pensamentos e poucos acontecimentos que rodeiam Clay enquanto vai virando K7s, umas atrás das outras, sabendo detalhadamente o que criou a bola de neve que soterrou Hanna e a levou à decisão de terminar com a sua vida.
Uma a uma, lado A e lado B das K7s, Hannah conta como tudo começou, como um rótulo nos tempos de escola podem mudar a percepção que as pessoas têm de nós e marcar-nos para sempre. Como se sai de um buraco onde cada vez que damos um balanço para cima alguma coisa nos empurra para baixo?



Passamos por pequenas brincadeiras, maldades propositadas, falsidades, rumores infundados, paixões secretas, quebras de confiança, raiva, perplexidade, culpa, irresponsabilidade, arrependimento e luto. 
“Por treze razões” é um prato cheio, uma ligação forte entre alguém que sente não ter feito o suficiente e alguém que aos poucos foi cedendo, que por mais que tente, não conseguimos deixar de nos identificar.
Quem nunca teve problemas na escola que mande a primeira pedra. 
Ah esperem, provavelmente se não tiveram, eram vocês quem as atirava, certo?

Nota: “Por treze razões” passa a ter lugar cativo na estante. Pergunto-me “porque não lia livros quando era adolescente?!”
Embora saiba que a compreensão é outra nos dias que correm, teria sido óptimo ter lido algo deste género. Nunca perdi ninguém perto de mim desta maneira mas quantas pessoas precisam de ajuda diariamente porque já não conseguem lidar consigo mesmas?
O que podemos nós fazer quando o pior inimigo de alguém que nos é próximo é a sua própria cabeça?
É por isto que gostei deste livro, incluindo o fim. Podia ter mais justiça mas essa também está muitas vezes em falta na vida real, por isso, há que manter as coisas fieis à realidade.

http://www.presenca.pt/livro/ficcao-e-literatura/romance-contemporaneo/por-treze-razoes/