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sábado, 5 de julho de 2014

Opinião :: "Destinos Interrompidos"

Quanto vale uma vida humana? 
Quanto é que estamos dispostos para pagar para ser eternamente jovens?
Se a prioridade são vacinar jovens e idosos, o que será do mundo se ficar sem a sua força motora, sem os adultos capazes de trabalhar, produzir e de levar o mundo para a frente, especialmente quando face a uma guerra?
Lissa Price dá-nos uma resposta quando nos apresenta Callie.


Projectem-se para um futuro talvez não tão distante. Uma guerra química assolou o mundo, mais especificamente os Estados Unidos, que desde a Guerra dos Espóros tem as fronteiras fechadas por muros tal é a urgência de conter a epidemia que dizimou a classe operacional, todos os adultos.
Nesta era pós guerra sobram apenas os vacinados, os menores e os idosos, sobrevivem. Ou melhor, os menores lutam por sobreviver, sem família, subsistência, tecto ou comida, enquanto a grande maioria dos idosos vive suptuosamente, com acesso a medicina capaz de aumentar a esperança média de vida até quase aos 200 anos.
"Destinos Interrompidos" dá um novo sentido à música dos Alphaville, Forever Young

É sinistro começar a conhecer Callie e ler as suas descrições do mundo que a rodeia. Deixem a imagem dos nossos avozinhos de lado, aqui não há a avó octogenária que nos faz bolos e nos dá uns euros quando lá vamos a casa ou o avó que nos leva para jogar à bola no parque. Os Terminantes, como são chamados os idosos, são egoístas, superfulos e abusam dos previlégios cedidos pelo seu dinheiro ao ponto de não acharem desumano o aluguer do corpo de um adolescente, como se um rent a car se trata-se. Não há limites para a perversidade do que podem fazer no corpo do dador, vale tudo para voltar a ser jovem, desde que o devolvem sem mossas, com o depósito cheio e na data certa.
Este conceito é arrepiante mas é exactamente isso que a Destino Primordiais proporciona aos seus clientes. Para Callie, o "banco de corpos" é a forma mais fácil e rápida de fazer dinheiro, para não dizer que é talvez a única. Desde a guerra em que perdeu os pais, Callie tem sido obrigada a viver nas ruas, fugida e a sobreviver de restos enquanto cuida do irmão de 7 anos, que além de orfão e sem-abrigo como ela, ainda está doente.

Mas a decisão de ceder o seu corpo como dadora ao banco de corpos é um caminho do qual não há retorno e só quando ela acorda na vida da sua locatária é que começa a perceber, por vezes da pior maneira, o quanto os planos da sociedade em que vive pode colocar a sua vida e a de todos os jovens não reclamados (orfãos) em perigo.

Numa luta contra os planos maquiavélicos da Destinos Primordiais, a frialdade dos terminantes e o cruel destino dos os adolescentes Iniciantes, Callie descobre que ninguém é quem realmente parece ser. Nem a sua locatária, nem o seu melhor amigo, nem o rapaz por quem se começa a apaixonar...
Para Callie sobreviver é apenas o começo e até ao cair do pano muita coisa acontece mas são uma ou duas reviravoltas que nos prendem à história e nos fazem ignorar os detalhes menos convidativos. Para mim, são as  últimas linhas do livro, exactamente na cena final, que me deixam interessada em começar o outro de imediato (algo que vou fazer).
Agora que já vos abri o apetite para o primeiro livro de Lissa Price, deixo-vos o booktrailer do primeiro enquanto eu vou começar a ler o segundo,  A Revelação - Destino Interrompidos II.

Boas Leituras!

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