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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O Banquete - Patrícia Portela - Caminho

Confesso. Nunca tinha ouvido falar de Patrícia Portela, nem nunca tinha lido nada dela. Este livro chamou-me à atenção pela sua capa, que achei fabulosa e porque o tinham recomendado à Cris por ela gostar de autores como Afonso Cruz e Sandro William Junqueira.

Assim que começou a minha aventura neste livro, cujo o género tenho dificuldade em classificar tive a noção de ser um livro totalmente alternativo e que tenho alguma dificuldade em classificar.

Após algumas páginas a primeira coisa que me veio a ideia foi: que estranho, que relatos tão distantes, que histórias e notícias são estas!? Cada capitulo parecia uma história diferente e depois existiam as notícias científicas e ainda a conferência dos pássaros, que mais tarde vim a descobrir existir em livro, da autoria de Farid Ud-Din Atal. 

Então temos: uma historia sobre um banquete, pequenas noticias, talvez até meio descabidas, sobre ciência e outros sobre acontecimentos insólitos e a conferencia dos pássaros, desconcertante? Sim. Original e diferente? Sem dúvida. Este é um daqueles livros que vamos lendo como que para descodificar exactamente exactamente o sentido do que lemos.

Mas, ainda assim, Patrícia Portela consegue agarrar-nos às páginas, de tão interessantes ou surreais que são as ideias que vai expondo. Com alguns toques de humor e com uma incrível capacidade de nos baralhar as ideias, a autora tem o dom da imaginação e brinca com o leitor deixando-a pensar no que vai sair daqui.

Entre mitos, teorias cientificas e a conferência dos pássaros a autora leva-nos a pensar no ser humano, na sua possível imortalidade e invoca uma quimera, com duas partes, uma humana outra animal, uma quimera dividida entre estas duas metades, sem nunca conseguir viver em separado.
Continua estranho? Sim, é certo. Talvez este seja um daqueles livros que não se explica, lê-se e sente-se, já que as explicações parecem demasiado racionais para aquilo que experimentámos.

Para mim foi um livro de enigmas e um tanto ao quanto confuso. Ainda assim, recomendo pelo desafio que representa.

Mais informações no site da Caminho. Uma leitura com o apoio do grupo Leya.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A pensar em ler, a divulgar e a ler sobre O BANQUETE, de Patrícia Portela


Apelida por uma forte imaginação, ou antes ainda, por uma imaginação invulgar, Patrícia Portela é assim apresentada no Livro do Dia TSF.
O Banquete, foi uma das últimas leituras do Caracol Literário e em breve uma das minhas.

Por isso, não podia deixar passar a oportunidade para divulgar.

Fonte: TSF

O que é que poderá juntar numa mesma narrativa notícias científicas absurdas, a história de uma investigadora em Biologia Molecular condenada à reclusão na sua própria casa e uma assembleia de pássaros, abelhas, aranhas e ventos reunida para discutir o desvario humano? A unir tudo isto está a imaginação inclassificável de Patrícia Portela. Inclassificável porque há nos livros que tem vindo a publicar uma originalidade difícil de catalogar.
Como acontece em textos anteriores, também este nasceu para uma performance da autora, já há alguns anos. Antes de ser uma escritora, Patrícia Portela é uma mulher do palco e essa marca está em praticamente tudo aquilo que escreve. Embora «O Banquete» esteja longe de ser um texto dramatúrgico em sentido linear.

Aquilo a que Patrícia Portela se dedica é a um exercício de reflexão ficcional em torno de algumas ideias filosóficas antigas e sempre atuais, como por exemplo o mito de Fausto, aquele que se troca a alma por uma coisa qualquer. E a pergunta é: o que é que nos leva hoje a vender a alma?

Uma das histórias que se conta em «O Banquete» é a de um casal que cumpre escrupulosamente a obrigação de alimentar uma criança virtual que tem a seu cargo mas que acaba por deixar morrer à fome, por desleixo, o seu próprio bebé de carne e osso.

A ficção tomou conta da realidade.

*
«O Banquete», de Patrícia Portela, edição Caminho.

Uma leitura com o apoio: