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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

De Bicicleta - Antologia de Textos

Mal vi este livro decidi logo comprar, não fosse eu um amante de bicicletas.... isto já se está a tornar num vício.

Neste livro encontrei alguns dos dos mais interessantes relatos literários sobre a bicicleta. São um género de crónicas publicados nos últimos cem anos, com imensos dados, muitos dos quais desconhecia por completo.

Alguns relatos chegam a ser motivacionais, daqueles em que nos apetece deixar o livro e agarrar na nossa bicicleta e pedalar por aí fora sem destino, sentir o ar na cara, e "voar" pelos campo fora, gozar da plena liberdade de ter connosco uma das invenções mais importantes de sempre (para mim é claro).

Esta antologia aproxima-nos da bicicleta, leva-nos a crer na perfeita simbiose entre Homem / Bicicleta,  "examinei-o com um olhar de águia, procurando descobrir qual dos dois (o homem ou a bicicleta) é que transportava o outro, e se se trataria mesmo de um homem  com a bicicleta às costas."

São ao todo vinte e dois autores reunidos num livro que tem como pano de fundo a bicicleta, mas não se enganem, nem todos são relatos de alegrias...
sim... que isto de pedalar tem que se lhe diga. Quem anda de bicicleta sofre, são as quedas, o esforço físico despendido para fazer a nossa locomoção, são os problemas mecânicos, entre outras...
"Isso permitiu-me comprovar que, embora estivesse todo estropiado, nessa altura ainda sentia um certo prazer em andar de bicicleta.... prendia as muletas, uma de cada lado, à barra superior do quadro; enganchava o pé da perna rígida...."

Adoro que se façam livros sobre este desporto, sobre este meio de locomoção que agora mais do que nunca toma outro fôlego, outra importância, e a ser um objecto de culto urbano, perdendo o medo e a deixar a vergonha em casa, para virem pedalar para a cidade ou de forma mais desportiva, entre amigos, com as famílias, como desporto, como passeio ou simplesmente como forma para chegar ao trabalho.

Hoje já se vê em Portugal as várias tribos de ciclistas que começam a apoderar-se dos espaços públicos para ter uma vida mais saudável e mostrar as suas potentes máquinas de pedalar...

Oiçam aqui, na voz de Carlos Vaz Marques, relatando o impacto e a importância do ciclismo.
Livro do Dia TSF, a 19/06/2012. Uma edição RELÓGIO D'ÁGUA.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Informacionista, de Taylor Stevens

Por sugestão da metade mais colorida deste blogue (leia a opinião da Elsa, aqui) e apesar dela ter adorado este livro, eu nem sei bem por onde começar para falar sobre "A Informacionista".

Por isso, de forma muito simples vou dizer-vos os extremos, começando pelo "fim":

O que gostei:
Tipicamente, é um livro que em certas partes se torna impossível de largar pela quantidade de acção que tem página atrás de página. Quando a acção domina queremos por força saber mais e mais e ficamos agarrados à história.

O que não gostei:
Achei que, em geral, enredo e o perfil de Vanessa Monroe são demasiado polidos, pois sem querer fazer comparações sexistas, a nossa "James Bond" é demasiado perfeita para ser verdade... isto se tivermos em conta o seu início.

Uma mulher que foi em criança criada aos pontapés nos recantos de África, enquanto filha de missionários americanos nos Camarões​ que se importavam com tudo e todos menos com ela. Depois passou a ser uma criança que se misturou com os locais e começou a aprender as suas línguas e dialectos, experiência que se tornou numa das suas maiores armas, falar 22 línguas.

Mais tarde quando se começou a misturar com traficantes e assassinos adquire capacidades letais, como mexer em armas, onde se considera que as maneja como ninguém. É no uso destas (todas) suas capacidades que demonstra ser uma autêntica super mulher. E é neste, a meu ver, exagero que tira um pouco de credibilidade à personagem. Julgo que existirem alguns defeitos lhe trariam mais perfeição e traços mais humanos... espera-se que apareçam no livros seguintes!?

No entanto e como logo indiquei, é um livro que vive da acção e se torna de fácil leitura, com grandes momentos de tensão, ainda assim ao nível do enredo temos algumas falhas que também são difíceis de engolir, talvez as explicações não sejam as melhores.


Para ler mais do livro, visite a página da TOPSELLER, aqui.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Na Montanha de Hitler - Irmgard Albine Hunt - Opinião

A segunda guerra mundial é um dos temas sobre o qual mais leio. Normalmente temos livros que relatam factos sobre os principais protagonistas, sobre os judeus ou os campos de concentração, heróis de guerra ou sobre o Holocausto em geral, mas pouco se encontra sobre os cidadãos comuns, mas essa realidade tem vindo a mudar.
São muitos os livros que, actualmente, fazem o relato de diversas vivências durante a segunda guerra, neste caso temos um relato de infância naquela que foi a "montanha de Hitler."

Por ser um relato de um prisma que ainda não havia lido, comecei com grande entusiasmo, entusiasmo esse que se foi perdendo no passar de cada página.

Apesar deste livro ser um relato verídico e contado na primeira pessoa penso que se perde um pouco por relatos demasiados simples, sobre pormenores quotidianos... julgo que as descrições são muito detalhadas fazendo perder o foco daquilo que o leitor talvez vá à procura.

Apesar desta opinião o livro leva-nos a enfrentar a vida do dia a dia de uma família a viver literalmente junto do ninho da águia e onde se pode ver como funcionou o poder opressivo do regime Nazi, a Irmgard descreve-nos todas as alterações sofridas ao longo dos anos da sua infância, desde as mudanças na escola, na religião, nas músicas, no comportamento das pessoas, coisas simples como a troca de canções em épocas festivas até à forma como foi incutida a muito conhecida saudação nazi.

Depois mostra-nos como foi viver com a fome e racionamento durante os anos de guerra, como eram distribuídas as senhas de alimentação, como eram integradas crianças (refugiados) alemães nas escolas e na pequena comunidade das montanhas... e estes são os relatos úteis para compreender este lado da guerra, era muito mais neste sentido que eu gostava que o livro se orientasse.

Irmgard Albine Hunt recorda ainda a tristeza das famílias na perda de soldados na guerra e relata como estes eram elevados a heróis da pátria, tudo isto produzido por uma máquina de propaganda muito bem oleada.

Ainda nos dá uma perspectiva da ocupação da Alemanha pelas tropas Americanas e de como estas interagiram com o povo da montanha, dos saques às casas dos altos dirigentes das SS que viviam paredes meias com a montanha e refere a descoberta de verdadeiros tesouros nos bunkers da montanha.

Já na recta final do seu relato, Irmgard fala da sua vida na América e de como o povo alemão carrega uma culpa até aos dias de hoje.

Apesar de não ter gostado muito do livro é sempre um bom complemento para poder idealizar mais um lado muitas vezes esquecido das guerras, a vida de um comum.


Uma leitura com o apoio,

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O Banquete - Patrícia Portela - Caminho

Confesso. Nunca tinha ouvido falar de Patrícia Portela, nem nunca tinha lido nada dela. Este livro chamou-me à atenção pela sua capa, que achei fabulosa e porque o tinham recomendado à Cris por ela gostar de autores como Afonso Cruz e Sandro William Junqueira.

Assim que começou a minha aventura neste livro, cujo o género tenho dificuldade em classificar tive a noção de ser um livro totalmente alternativo e que tenho alguma dificuldade em classificar.

Após algumas páginas a primeira coisa que me veio a ideia foi: que estranho, que relatos tão distantes, que histórias e notícias são estas!? Cada capitulo parecia uma história diferente e depois existiam as notícias científicas e ainda a conferência dos pássaros, que mais tarde vim a descobrir existir em livro, da autoria de Farid Ud-Din Atal. 

Então temos: uma historia sobre um banquete, pequenas noticias, talvez até meio descabidas, sobre ciência e outros sobre acontecimentos insólitos e a conferencia dos pássaros, desconcertante? Sim. Original e diferente? Sem dúvida. Este é um daqueles livros que vamos lendo como que para descodificar exactamente exactamente o sentido do que lemos.

Mas, ainda assim, Patrícia Portela consegue agarrar-nos às páginas, de tão interessantes ou surreais que são as ideias que vai expondo. Com alguns toques de humor e com uma incrível capacidade de nos baralhar as ideias, a autora tem o dom da imaginação e brinca com o leitor deixando-a pensar no que vai sair daqui.

Entre mitos, teorias cientificas e a conferência dos pássaros a autora leva-nos a pensar no ser humano, na sua possível imortalidade e invoca uma quimera, com duas partes, uma humana outra animal, uma quimera dividida entre estas duas metades, sem nunca conseguir viver em separado.
Continua estranho? Sim, é certo. Talvez este seja um daqueles livros que não se explica, lê-se e sente-se, já que as explicações parecem demasiado racionais para aquilo que experimentámos.

Para mim foi um livro de enigmas e um tanto ao quanto confuso. Ainda assim, recomendo pelo desafio que representa.

Mais informações no site da Caminho. Uma leitura com o apoio do grupo Leya.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

INVISÍVEL, de James Patterson e David Ellis - Opinião


Como a Cris bem escreveu:

"Invisível é coisa que James Patterson não consegue ser. E felizmente!"

Os livros de James Patterson são viciantes.
E dito assim, fica logo quase tudo dito.


Como sempre, página atrás de página tentei descobrir o assassino, percebe os motivos para os crimes, desvendar o mistério, mas Patterson continua a ser mestre em tornar os seus criminosos invisíveis. Tem também o dom de nos pregar à história e querermos sempre ler mais uma página, mais outro capítulo.

Este talvez seja um dos livros mais macabros que li do autor, os pormenores maquiavélicos que Patterson e Ellis se lembraram de criar para o assassino cometer são por vezes arrepiantes, fazem-nos por vezes retorcer a cara e pensar na dor infligida na vítima.
Os livros só por si já são bons, mas quando me fazem lembrar alguns bons episódios das séries que mais gosto, como o Hannibal ou mentes Criminosas, melhor ainda... será que é a mão do co-autor David Ellis!? Se sim, venham mais.

Quanto à história propriamente dita, é melhor não revelar nada pois a sinopse já faz bem esse papel e qualquer dica pode tirar o factor surpresa para os futuros ávidos leitores. Basta resumir que temos Emma, uma agente que não desiste de provar que a sua irmã foi assassinada, desconfiando de diversos "acidente" e é nesta demanda pela verdade que faz com que seja possível remexer em cold cases que passaram ao lado do radar do FBI.



Vejam mais Aqui
E relembro também algumas das nossas fotos aquando da campanha 
de brand activation deste livro como "O livro do Verão"







segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

«O meu nome é....» de Alastair Campbell - Opinião


Alastair Campbell traz-nos um relato do impacto esmagador do vício do álcool. Um livro que nos leva ás profundezas de um dos maiores vícios da sociedade, um vicio que não é tão badalado, como a "droga", já que por vezes é aceite como um hábito social e de menor impacto.

O álcool é aqui relatado como uma droga que envolve milhões e milhões de euros e muitos lobbies; mantidos por empresas que utilizam programas, concertos, estrelas de cinema ou festas para conquistarem, desde cedo, um público bem jovem, fácil de induzir e claro, viciar.

O álcool é um vício. Tão devastador quanto a droga e tal pode ser lido aqui, no retrato da vida de Hannah. É um alerta e uma denúncia para um flagelo social, um consumo degradante e violento que arruína muitas vidas.

Dentro então desse público jovem e facilmente influenciável, encontramos Hannah que desde jovem que se entregou ao álcool, e com ele quase tudo o que existe de tóxico para a sua vida. Uma viagem impressionante de tão degradante e comovente que é.

Sexo, roubo, desespero, violência... são algumas das vivências a que Hannah tem de sobreviver. A amizade ou a bondade, não são esquecidas, garantindo a redenção e a esperança na sociedade. Ainda assim, o leitor balança entre o ódio e o amor, sentindo pena de alguma personagens e logo para logo a seguir as detestarmos.

Alastair Campbell exploraa muito bem essa transição e introduz as personagens sempre com influência e twists na vida de Hannah, um percurso cheio de altos e baixos, vincando bem a perspectiva violenta e destruidora do mundo do alcoolismo.

Mais informações aqui, no site da BIZÂNCIO


domingo, 7 de dezembro de 2014

O Grande Rebanho - Jean Giono - Presença

"O Grande Rebanho" é, para mim, um daqueles livros que faz falta ler a muita gente, pois com a descrição dos horrores que se passa numa guerra, faz-nos lembrar o quanto não devemos desejar uma guerra.

Jean Giono constrói um romance pejado de descrições que comovem e impressionam... afinal são pessoas. Pessoas que fizeram, viveram e sobreviveram aos horrores da guerra. Os relatos de Giono são muito humanos, muito reais, somos capazes de sentir os sentimentos e as angustias, tanto dos que partem como dos que ficam.
Mostra-nos a transformação do ser humano, num outro ser, um ser medonho, violento e capaz de matar, mas ao mesmo tempo amar e expor os seus sentimentos.

O horror, tanto o que se vive na aldeia como o que se vive nas trincheiras chega-nos por palavras duras e sentidas, talvez pelo facto do próprio autor ter estado na Primeira Grande Guerra.

"O dia era longo, longo... O céu parecia que tinha envelhecido, cada vez mais branco, cada vez mais baixo. Os soldados tinham-se habituado a olhar constantemente para cima e para fora, do fundo do trincheira. Não havia riscos. Via-se sempre a mesma coisa (...) não se ouvia nada, exceto, a certas horas, a carrinha com os mantimentos. Na hora em que o céu era ainda mais pesado, ao meio dia, passava um corvo, provavelmente sempre o mesmo."

De uma maneira crua o autor conta-nos em pequenos excertos, os dias em combate, onde seres humanos são confinados a covas, as trincheiras, onde vêem morrer os seus colegas, amigos família, homens que passam por estados de loucura e que se agarram a cartas como se fossem as próprias pessoas que as escreverem. São homens que desejam mais que tudo a normalidade, o retorno às suas vidas, mas tem de continuar a combater e a viver naquele pesadelo.

"O Grande Rebanho" de Giono é um metáfora para a comparar entre os homens e os animais, ora brutalizados ora vítimas de uma guerra. Apenas a esperança dita a diferença entre continuar a lutar para viver ou render-se, deixar-se morrer e não voltar aos seus entes queridos.

Conta-nos ainda como foi o voltar a casa e tentar refazer a vida, com os traumas não só dos que ficaram como dos que foram a guerra. A angústia e o sofrimento daqueles que ficaram, sem saberem notícias...

No final sobressaí a esperança, o gosto pela vida, a luta por tudo aquilo que é contrário à guerra.

"E antes de mais, digo-te: eis a noite, eis as árvores, eis os animais. Mais tarde verás a luz do dia. (...) pouco a pouco, amar tudo e todos, como alguém que cultiva a terra (...) de estar à beira das estradas como uma fonte que mate a sede ao viandante. E amarás as estrelas."


Podem ler mais aqui.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O Espião que Devia ter Morrido - Luigi Carletti & Agent Kasper

É fã da ou das várias teorias da conspiração que existem? Sim? Se sim, leia este livro!

Em Supernotes e pelas aventuras de um agente especial inflitrado, somos levados para um universo que pensamos só existir nos filmes. Mas esse universo é o mundo do Agente Kasper, um agente Italiano das brigadas especial ROS.
E parece mesmo um filme, já que Kasper podia bem desempenhar o papel de Bond, James Bond, num qualquer filme do Agente 007. Kasper é multifacetado e dotado de inúmeras habilidades. 
É piloto de aviação, é especialista em artes marciais, sabe lidar com todo o tipo de armas e conhecedor de explosivos... a lista é extensível e reúne um bom currículo para aquilo que atribuímos no nosso imaginário a um destes agentes com dotes de mercenário. Já que foi utilizado pela ROS e por outras agências secretas mundiais em todo o tipo de operações contra a criminalidade internacional, nomeadamente em operações contra o tráfico de droga e lavagem de dinheiro.

Aos 55 anos de idade, este agente, agora em (supostamente!) em idade de reforma, decide contar em livro a história da sua prisão em alguns campos de concentração no Cambodja, devido ao seu envolvimento numa operação, onde... ninguém fez nada para o resgatar! 
O relato na primeira pessoa revela-nos os dias de sofrimento nestes campos onde foi privado de tudo e torturado, desde ser esfaqueado, deixado à fome e até drogado. 

Toda esta experiência na primeira pessoa é ainda mais pessoal e, digamos, humanizada, já que há relatos da vida pessoal do agente, ao longo do seu crescimento, relacionamentos e familia, quase como para nos lembrar que apesar de todas as suas habilidades é um homem como os demais.

Toda a história desenrola-se na premissa de que o nosso super agente descobre um dos segredos mais bem guardados dos Estados Unidos, após alguns anos de perseguições, de frustrações, Kasper descobre o fio da meada que o leva ao processo das Supernotes.
E o que são as supernotes? Podia dizer que só lendo saberão, mas não, é fácil e polémico e qualquer pesquisa rápida nos dá uma ideia do que se trata. As Supernotes são quantidades assustadoras de dólares falsos que são contraproduzidos na Coreia do Norte. Sao notas cuja falsidade ninguém consegue detectar. 
Melhor... são notas frequentemente utilizadas nos mercados internacionais, para comprar um pouco de tudo, desde armas a boing's. E, como é óbvio, todos estes negócios envolvem altas patentes, nomes que as teorias da conspiração apontam e que ninguém quer ver serem divulgados.

Se já tem curiosidade, leia o livro e fique com mais curiosidade ainda.
Boas leituras
Vejam a entrevista aqui
Mais sobre o livro aqui

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Também me salvaste - Opinião



Conhece a história verídica de Aron Lieb? Se não, é isso que Susan Kushner Rednick propõe com este "Também me salvaste".

Há em torno deste livro toda uma enorme história de denúncia, mas também de superação, de horror, mas também de compreensão, de amor, mas igualmente de amizade, respeito e partilha. 
São duas histórias que se cruzam, que se entrelaçam e que nos deixam curiosos com o desenrolar da história.
Podem haver que se foque mais no lado romântico e de superação. Ou quem se incomode mais com o lado humano, ou desumano, com os relatos do sofrimento da guerra e dos episódios dos campos. E pode ainda o leitor olhar a todo o complexo aqui narrado como um acontecimento peculiar e retirar daí os ensinamentos que a sua própria história pessoal lhe permita.

É um livro que, por certo, mexerá com cada leitor. Como testemunho já não me espanta, devido à quantidade de outros testemunhos lidos. A parte mais romanceada agradará a muitos leitores, talvez para mim não seja tanto do meu agrado, mas ainda assim, foi outra forma de olhar às vítimas do Holocausto sem ser só pelo relato das atrocidades.

A forma como está escrito, entre um registo de carta, mas também como quase um diário, pode por vezes ajudar o leitor e dinamizar a leitura ou pode, por vezes, tornar-se cansativo pela constante alteração de datas. É praticamente compreensível o porquê e dá um contorno ainda mais realista ao relato.

Sem dúvida, uma leitura que agradará a muitos, talvez mais do que a mim, ainda assim foi uma outra perspectiva.


Uma leitura com o apoio da Sinais de Fogo

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

"A Velocidade dos Objetos Metálicos" - Tiago R. Santos


A velocidade dos objectos metálico estava a chamar por mim desde que tive o prazer de estar na amena cavaqueira com o autor no Piquenique Literário de 2014, organizado aqui pelo nosso Efeito.

À conversa com o Tiago fiquei com a sensação de ser uma pessoa directa, sem muitos rodeios, decidido a espalhar as suas palavras para quem as quiser ouvir. Isso agradou-me!
Nessa conversa descobri que já tinha visto e até gostava de alguns dos filmes onde ele esteve envolvido e deixando o seu cunho pessoal, por isso, fiquei bastante interessado em ler e sentir com o que ele tinha para "contar" neste que é o seu primeiro livro.

“O monitor, a quem os amigos chamam Joãozinho, apesar de já ter 36 anos, só aceitou o emprego porque não tinha qualificações para trabalhar num banco e tudo o que precisava, explicaram-lhe, era ter um ar assustador, andar pelos corredores e impor respeito aos alunos. Ele sonhava ser escritor mas faltava-lhe o talento e a disciplina e, com uma mulher grávida em casa precisava de um cheque ao final do mês. “É a coisa mais fácil do mundo”, disseram com um sorriso, o que talvez explique a razão pela qual não estava preparado para ver um miúdo de 14 anos a lançar-se das escadas abaixo até bater com a cabeça na parede e fazer um som que, talvez devido à falta de capacidade literária, nunca foi capaz de descrever.” (pp.24)

Confesso que fiquei bastante agradado com a escrita e a história que Tiago nos conta. Um livro cheio de personagens mais ou menos cativantes que vão andando e aparecendo em tempos diferentes, mas por vezes cruzam-se em tempos passados ou em tempos futuros... Curiosos? Leiam!
Este jogo de andar para trás e para a frente com as personagens, leva-nos a criar mundos paralelos e a tentar encaixar as peças para construir a história, uma história que o autor controla e da qual apenas vai fornecendo algumas dicas, umas pequenas outras maiores, alimentando a vontade do leitor e de modo a entrelaçar todos os personagens.

“Não tenho perceção nenhuma do tempo, confundo-me todo, quando é que foi o quê e o que é que veio primeiro. É o problema da eternidade, dá-te cabo da perceção espácio-temporal. O álcool também.” (pp.170)

Alem deste espaço temporal onde todas as personagens imprimem a sua velocidade, temos tempo para amar, para odiar, para rir, para sentir pena, para nos surpreender com algumas das situações...

Gostei bastante! Quem sabe e assim espero, já que autor é também argumentista, que um dia o possa converter em filme....

Fica o desafio,Tiago.



Foto do Piquenique Literário na FFL, na Tertúlia Cinéfila moderada pelo próprio Tiago. 




terça-feira, 7 de outubro de 2014

O diário da bicicleta - David Byrne

Como amante das bicicletas este era um livro que não podia passar sem ser lido. foi com grande alegria que o descobri na Feira do Livro de Lisboa (e em promoção!!!) e decidi imediatamente comprar.

Quando comecei a ler ainda fiquei de pé atrás, pois David Byrne começa por relatar as suas pedaladas pelas cidades americanas, e ao principio pareceu-me mais uma descrição das cidades do que do acto de andar de bicicleta, enfim ... não era bem o que eu queria ler, mas esta sensação depressa desapareceu.

Mas, efectivamente, o autor leva-nos a "pedalar" pelas cidades, dando-nos uma visão muito própria sobre a cada cidade, os seus habitantes, as condições para se pedalar e a evolução das cidades através do seu gosto pelas bicicletas.

Nestes primeiros capítulos ficamos com a sensação de uma América muito diferente do que vemos na TV e em filmes, pois David relata uma América muito negra, quase destrutiva, tanto a nível das cidades, de um modo geral, como o facto de andar de bicicleta nelas.

Ainda assim, esta sensação vai passando, essencialmente pela determinação de (muitos) "loucos", que tal como eu, sempre que podem, decidem usar a bicicleta como meio de transporte, mesmo que isso seja feito no meio do trânsito caótico.

Byrne está sempre sentado na sua bela bicicleta e é dela que nos um banho de cultura, desde a música, passando pela literatura e pelo cinema e não se esquece de "passar" pela politica dos vários países por onde andou a pedalar na sua vida.

É mesmo um diário, são algumas dezenas de anos compiladas neste belo livro.

Chegou ao ponto de ser tanta a informação que eu decidi lê-lo com o caderno ao lado para tirar apontamentos sobre muitos dos temas por ele relatados, deixo-vos alguns exemplos:

Trapped in the closet de R. kelly (música)
Que remete para uma das crónicas...

Bandonéon (instrumento musical)
Baile Funk (género musical - Brasil)
Rancheras (género musical - México)
Zydeco (género musical - Folk americano)

entre muitas outras..

Nota: este livro ainda me proporcionou um maior gosto, pois muitas das cidades por onde o autor passou, também já tive o prazer de lá pedalar... Belas lembranças me voltaram à cabeça...

Por isso, deixo-vos com algumas das cidades onde eu e a minha cara metade já tivemos o prazer de pedalar, umas do livro outras nem por isso....


 


Se gostar de bicicletas e de saber a opinião de outras pessoas que andam por aí a pedalar, este é o livro que deve ler!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário Ikea - Romain Puértolas - Opinião




De vez em quando encontramos livros assim.
Livros que nos chamam à tenção pela capa, pelo titulo, livros que são "amor" à primeira vista, este é um deles.
Quando o vi anunciado em pré lançamento disse logo para mim: tenho de o ler, e assim foi!

Desde as primeiras páginas este é um daqueles livros que nos coloca um sorriso rasgado no rosto, esse sorriso mantém-se até chegarmos à última página. Por isso fica, desde já, a vontade de ler mais rasgos de criatividade de Puértolas e esperar por mais episódios insólitos e loucos.

Esta é a história incrível de um um faquir que fica fechado num armário Ikea, mas isto já vocês sabem, o que não sabem é a quantidade de loucuras, de viagens, de aventuras que este faquir vai ter de enfrentar, até chegar ao fim da sua grande viagem.

Sem vos dar muitos spoilers posso contar que este faquir vai visitar algumas das principais capitais da Europa numa viagem no mínimo insólita. Episódios, um atrás do outro, onde acontecem situações que nos mantêm aquele tal sorriso de que vos falei. A partir de certo ponto já só pensamos como é que o nosso faquir vai sair dali... E mais não digo para não estragar a leitura.

Quero só referir, que apesar de ser cómico e meio louco, este livro serve, e muito bem, para alertar para alguns perigos da nossa grande Europa, leva-nos a conhecer alguns pormenores que muitas vezes nos passam ao lado, essencialmente sobre Emigração e a maneira como os emigrantes ilegais são tratados, os países onde são capturados, as máfias de tráfico humano....
Romain, mesmo que a "brincar" consegue despertar muito bem os nossos sentidos para esses flagelos.

Se gostam de aventuras loucas este é um livro a ler. Mais informações aqui. Ou leia as primeiras páginas aqui.
Uma leitura com o apoio:


sábado, 4 de outubro de 2014

Holocausto Brasileiro - Daniela Arbex - Opinião


Quando li o titulo do livro de Daniela Arbex, a primeira ideia que me passou pela cabeça foi: "mais um livro sensacionalista", outro livro que se quer aproveitar da desgraça de uma guerra (II grande guerra) e lucrar com a palavra Holocausto, mas depressa, mal comecei a ler o livro, essa ideia fugiu.

"Holocausto Brasileiro" é um livro intenso, muito intenso, um livro que por vezes me levou a ter um nó na garganta e as lágrimas quase me vieram aos olhos (só não chegaram a cair pois li-o numa tarde na praia).

Este livro conseguiu levar-me ao inferno, um inferno que existiu mesmo durante muitos anos no século XX, onde cerca de 60 mil pessoas foram tratadas como animais, foram privadas dos mais básicos direitos, foram torturadas, deixadas ao abandono, tudo em nome da Razão.

Daniela Arbex conseguiu recolher testemunhos de ex-residentes, funcionários, recorreu a imagens que foram feitas em 1979 (sim estamos a falar de isto ter acontecido à menos de 40 anos), e juntar todos estes factos neste livro que serve de testemunho de coisas que não deviam ter acontecido e que temos de tentar garantir que não voltam a acontecer, daí o alerta e o passar de testemunho.

Algumas das histórias contadas na primeira pessoa são arrepiantes, e para nos arrepiar ainda mais, este livro está documentado com fotografias. Para além disso, existe ainda existe o video que vos deixo, caso queiram "espreitar."

Ficam também alguma das imagens que acompanham o livro:






Uma leitura com o apoio

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Intempérie - Jesús Carrasco - Marcador

Este é um daqueles livros que posso dizer que é belo demais para a história que conta.

Que quero dizer com isto?  Jesús conta-nos uma história negra com belas palavras, com descrições deliciosas e que por vezes nos fazem quase sofrer, de tão boas que são.

E sim, podem fazer-nos sofrer. Existem partes que, durante a sua leitura, me levaram lá ao local. Senti a necessidade de aquecer os meus pés, de tanto frio que a personagem sentia. Quase me faltou o ar e senti o fumo alastrar nos meus pulmões, tamanha era a realidade com que a cena era descrita. O incómodo foi grande que quase senti o cheira a queimado e a dor e o aperto que aquele menino sentia.

A escrita do autor é igualmente bela e dura e de um realismo intenso.

O autor presenteia-nos com odores, em forma de palavras que inundaram a minha mente durante algum tempo. Faz-nos o relato de uma das zonas quentes e áridas de Espanha que me levou muitas vezes até ao meu Alentejo. Sentindo ora o calor doloroso e seco, ora o frio cortante e tenebroso da noite. A noite só e silenciosa... às vezes aterradora.

Quanto a história, como já disse é bastante negra, falá-nos, de forma simples, de uma brutalidade extrema. Uma criança que se vê obrigada a fugir para sobreviver e que tem de aprender que a sobrevivência é dura e implacável, mas também pode conter bons ensinamentos, aprendizagens para a vida.

Uma história de medo, mas de aprender a confiar.
Um relato de horror, mas de esperança.
Uma vida, ainda pequena em idade, mas grande em sofrimento. Onde os medos, atormentam, mas são catalisadores para perder outro medo maior, o do desconhecido.

Ao mesmo tempo, Jesús Carrasco falá-nos de amor, de compaixão, de amizade, do poder do sacrifício e de uma humanidade muitas vezes esquecida por todos nós. A capacidade de darmos e sermos pelo o outro, mesmo que o outro seja um desconhecido.

A tal humanidade e compaixão aqui oferecida, por uma pessoa, que provavelmente seria o ultimo a passar pela cabeça capaz de o fazer, é talvez uma surpresa... e não vou explicar muito esta parte, pois durante algum tempo a minha mente levou, estas qualidades, para outros lados obscuros, o que poderia ainda tornar o livro mais duro. Depois de lerem tudo fará sentido.

Enfim, um livro a não perder, adorei....

A Amante - James Patterson

Ao bom estilo de Patterson este é mais um livro daqueles que se devoram, os capítulos estão feitos para se querer ler sempre mais um, e mais um, e assim ficamos até conseguir acabar o livro.

Desta vez Patterson e David Ellis dão-nos uma personagem que à primeira vista poderia ser um galã, mas não seria nenhum "Bond", É um editor de jornal online, que ninguém lê, assim meio para o playboy, mas com grandes, mesmo grandes problemas, que lhe geram alguns entraves sociais e poderei nomear alguns.

Ben Casper, como refere na sinopse, é paranóico e obsessivo, uma obsessão por factos dos presidentes da América, ele sabe tudo: se faziam jogging e porquê, o que comiam, o que disseram, entre outras, para quem gosta do tema no fim deste livro certamente ficará a conhecer muito melhor os presidentes americanos. Além desta obsessão, como se já não fosse suficiente, é ainda cinéfilo. Sabe todos os pormenores, desde deixas dos actores até pequenas curiosidades, o que dá alguns excelentes momentos de risada, quando nos colocamos na pele desse actor e no filme que é descrito. Faz também uma extensa lista de filmes para além da lista de efemérides e detalhes dos presidentes.

Dá para fazer uma maratona cinematográfica com este livro. Fica a dica.

Quanto ao enredo criados por estes dois autores, considero-o bastante bem conseguido, desde o momento inicial da morte de Diana, até ao fim do livro existem voltas e reviravoltas que nos confundem e nos levam a imaginar diversos finais, mas somente no fim se consegue chegar à solução deste enigma.

Na minha opinião algumas partes são levadas ao exagero, e fazem que de uma simples história tenhamos um enredo gigantesco, um bocado impossível de acontecer, mas isto e um livro temos de deixar a imaginação crescer e pensar, que talvez esteja feito para mais uma adaptação cinematográfica, bem ao género de Hollywood ;)

Quem sabe chega mesmo ao cinema e com os actores certos, será mais um blockbuster.

Fico a aguardar novas aventuras deste possível "Bond".


quarta-feira, 30 de julho de 2014

A MISTERIOSA MULHER DA ÓPERA - Opinião


Gostei bastante do conceito deste livro!!!

Sete autores meteram as suas mãos à obra, literalmente, e construíram histórias que aos poucos se vão encaixando umas nas outras e formam a história final.
Assim nasce "A misteriosa mulher da Ópera", uma amálgama de histórias, que devido a quantidade de autores, dá voltas e reviravoltas, que muitas vezes nos deixa meio perdidos pelo caminho, mas que mais tarde ou mais cedo nos leva de volta ao fio condutor.

Alice Vieira, Afonso Cruz, André Gago, David Machado, Catarina Fonseca, Isabel Stilwell e José Fanha dão-nos este enredo, até um pouco estranho, talvez insólito, havendo detalhes e envolvimentos para todos os gostos.

Acredito que quem já tenha lido, pelo menos um livro de cada um dos autores, reconheça, até com alguma facilidade, que partes deste livro pertencem a determinado autor.

Temos um rol de 7 personagens todas diferentes e bastante engraçadas, temos fantasmas, temos pianistas, temos "dondocas" da alta sociedade, temos psicólogos/tarólogos/doutores de reputação duvidosa, temos assassinos e até um playboy entre outros... como disse há-os para todos os gostos.
Todas estas personagens criam um enredo difícil de se definir ou enquadrar num género, acho que posso considerar este livro como sendo estilo policial, thriller, com elevada tendências para o humor, que foi a parte que me fez gostar mais dele.

Mas há ainda outra parte engraçada que é a de tentar descobrir quem escreveu o quê? Alguns dos autores são facilmente identificados por certas características a que já nos habituaram, pequenos traços de genialidade, pequenas descrições que nos fazem perceber de que "mãos" saiu aquele pedaço de texto. Claro está que se as diferenças entre escritores é positiva e dá grande diversidade ao livro, já a mudança característica do estilo de escrita, faz com que algumas partes do texto sejam maçudas e até de difícil leitura.
No entanto, isso não inviabiliza ou retira o prazer da sua leitura.

No fim posso dizer que que gostei bastante do enredo, pois apesar da história menos usual, consegui prender-me às personagens e aos rasgos de humor que me fizeram rir desalmadamente.

Deixo uma frase que gostei bastante:
"Olhei com mais atenção e percebi que estava apaixonado. Nunca vira nada assim: os cabelos pretos, que pareciam velas apagadas, o olhar infantil, que era como uma pergunta."

Aventure-se neste mistério, lendo AQUI as primeiras páginas.




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