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sexta-feira, 7 de julho de 2023

Opinião "Ainda bem que a minha mãe morreu" de Jennette McCurdy

 Faz muito tempo que não me sento "aqui" para escrever.

As leituras andam pelas ruas da amargura e as opiniões, ui, reconhecem-se ausências de anos, menos regulares que aquele café que juramos combinar com aquela colega da escola secundária com quem (por sorte ou azar!) nos cruzamos na estação dos comboios.

Mas hey....aqui vamos nós!

"Ainda bem que a minha mãe morreu" não foi o único livro que li nos últimos meses (e anos!) de ausência aqui. Ainda bem!

"Ainda bem que a minha mãe morreu" foi um dos que nunca, nem por sombras, me viria parar à mãos por escolha própria. Foi o meu filho que disse "quero ler!" e eu pensei "ahhhhh, isto é alguma dica?!". 

Parece que não, era mesmo só um adolescentes com um olho no Tiktok e nas suas tendências. Eu acabei por o comprar, sem nunca ter ouvido falar da Jennette McCurdy e por mais que a leitura da contracapa me tenha deixado a pensar "Wow!", entreguei-o ao suposto leitor e nunca mais olhei para o livro.

Mas a curiosidade levou a melhor de mim e as pessoas que me enviaram um clip de uma entrevista no programa da Drew Barrymore também (vejam aqui)

Devorei este "Ainda bem que a minha mãe morreu" como se de ficção se tratasse, a arrepiar-me com as ações e reações de uma mãe manipuladora e doente e de uma filha que não conheceu outra realidade e assim cresceu condicionada. 

Dizia o Buzz (sim sou velha!), é "FACTO OU FICÇÃO?".

O que nos é contado não é ficção, é a vida de alguém, por mais que a Jennette não fosse conhecida no meu universo de trintona que nunca viu o iCarly, é chocante os episódios que vamos lendo sobre o seu crescimento, a relação da mãe com ela e com a restante família (especialmente o pai!), o desprezo por um caminho que nunca desejou seguir, uma total aniquilação da sua pessoa e as consequências nefastas de todos os fios que a mãe puxou na marioneta superestrela Jennette.

Ainda não terminei mas senti-me inspirada para vir escrever qualquer coisa. Nem que seja porque preciso de ganhar novo fôlego para continuar a leitura após tropeçar em 3 momentos de tradução que despertaram o Pat em mim.

(nota: o Pat de Guia para um final feliz  The Silver Linings Playbook do Matthew Quick)

NOTA: a capa/título gera sempre comentários e virares de cabeça das pessoas à nossa volta. E vejam lá se no vosso universo, a leitura deste livro não é uma dica a alguém.

Se for, então deviam mesmo ler.

Boas leituras!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Opinião "O Castelo de Vidro"

Se escrevessem um livro sobre a vossa infância em família, qual seria a primeira memória que partilhariam com o leitor?
Um momento feliz que ainda hoje vos faz sorrir ou um evento triste que vos marcou para sempre?
Jeannette começa com uma chapada na cara à minha precaução maternal de não deixar as crianças brincar com o fogo mas o mais interessante é que ao longo do livro as chapadas sucederam-se e mesmo assim cheguei ao fim a adorar ler as memórias de quem cresceu "ao deus-dará" e conseguiu dar a volta à sua vida.


Pergunto-me se eu teria sobrevivo à vida que Jeannette viveu. Ou melhor, que mazelas carregaria comigo na idade adulta?
Ao longo deste livro dei comigo a parar e pensar em episódios da minha tão banal e feliz infância. Decididamente não tinha conteúdo para um livro. Acho que seríamos aborrecidos quando comparados com os Walls. Não somos nem de longe tão interessantes, inconvencionais e loucos. Porque é isso que os Walls são.
Ah isso e uma cambada de inconsequentes que colocaram quatro crianças no mundo para viveram em permanente miséria e negligência.
Desculpem, mais que ser filha de uma família super normal, sou também uma mãe que por mais que ache graça à frase "I plan to give you love, nurturing, and just enough dysfunction to make you funny" consegue estabelecer e respeitar o limite do prejudicial para a educação do seu mini leitor.
Mas julgamentos à parte, esta é sem dúvida uma grande lição de vida e que merece uma leitura de diversas pessoas, nem que seja para que coloquem uma mão na consciência e umas quantas coisas em perspectiva.

Acompanhamos o crescimento de Jeannette e dos irmãos ao sabor do vento e com directrizes de pais despreocupados cujo os ocasionais rasgos de genialidade permitiram que tanto a nossa autora como os irmãos se tornassem ser humanos forçosamente autónomos, interessantes e fortes mas também altamente cicatrizados por uma vida inteira vivida aos trambolhões. Se no início acompanhamos uma Jeannette que idolatra o pai, esse fascínio sobre a realidade da sua vida e sobre os seus progenitores vai ganhando outros contornos com a idade e os momentos ultrajantes que vai vivendo.


Rex, o pai, faz vida a saltar de trabalho em trabalho, sempre a sonhar alto com planos que o vão enriquecer mas sempre a cair fundo com a bebida. Rose Mary, a mãe, é uma artista sempre em produção mas sem qualquer pingo de instinto maternal e foco no resto das coisas, especialmente na sua família. Resumindo, a família Walls é encabeçada por dois adultos mais concentrados na sua auto-satisfação que no bem estar dos seus filhos. Ambos vivem em busca da excitação de uma aventura e de mais um copo. E o que custa ainda mais ver na degradação sofrida no seio da família Walls é que não falamos de dois pais sem capacidades para darem aos filhos e a si próprios uma vida em condições, onde existe comida na mesa e um tecto sobre as suas cabeças.
A questão é que....eles simplesmente não estavam nem aí e com a idade de Jeannette e dos irmãos veio o intensificar das condições deploráveis em que tiveram de crescer.
Há momentos que me deixaram de boca aberta, outros que me revoltaram, outros em que tive vontade de gritar mas também houve os que me fizeram sorrir.


Por mais reservada que seja em relação à minha vida, actual ou passada, acho interessante a capacidade que Jeannette teve para abrir uma janela...perdão, partir uma parede para um passado tão pouco convencional.
"O Castelo de Vidro" não é um conto de fadas, nem sequer uma obra de ficção. É sim uma dura visão da realidade de duas almas inconformistas que arrastaram os filhos para a aventura da vida numa montanha russa onde ninguém está amarrado e da qual pode ser cuspido a qualquer momento. 

Espero realmente que o filme faça justiça à realidade que Jeannette nos conta. Pelo que já vi, a escolha do Woody Harrelson para o papel de Rex, o pai de Jeannette é simplesmente espectacular.
Deixo ficar o trailer. O filme chega em setembro.


E o trailer vem acompanhado de uma das minhas músicas preferidas :D

Mas primeiro leiam "O Castelo de Vidro". É uma boa mudança dos tipos de livros que costumo ler. Não me lembro da última vez que li um livro autobiográfico, muito menos com esta carga emocional.

"O Castelo de Vidro" é uma magnífica aposta

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Christiane F - 35 anos depois

35 anos depois de Os Filhos da Droga, chega-nos a autobiografia de Christiane F. pelas suas próprias palavras.
Em Outubro passado falamos sobre o lançamento do livro na Alemanha e agora temos oportunidade de o ver chegar às livrarias Portuguesas pela mão da Bizâncio.

Sinopse
A vida de Christiane F. deu a volta ao mundo. Milhões de jovens cresceram com as confissões trágicas desta adolescente alemã, de 13 anos, drogada, prostituta. E depois? Qual foi o seu destino?

Trinta e cinco anos mais tarde, Christiane F., hoje com 51 anos, fala-nos dos tempos que se seguiram à publicação do livro Os Filhos da Droga e das diferentes etapas da sua vida até aos dias de hoje: os anos felizes na Grécia, depois de ter estado presa, o combate constante contra a dependência, o convívio com os seus ídolos do rock&roll e os momentos de felicidade com o seu filho, Phillip. Sem subterfúgios, tendo como pano de fundo o mundo da droga e as relações que se estabelecem, aquela que o mundo conhece como Christiane F. conta tudo neste livro, com uma franqueza surpreendente.


Gostava tanto de reler Os Filhos da Droga. Passaram-se tantos anos desde a minha primeira leitura, mais de 10. Infelizmente, o nosso exemplar está desaparecido faz tempos.

E o vosso, continua na estante?

Vejam o nosso artigo de Outubro passado

“Talvez porque Christiane F. seja parte da nossa juventude, parte de nós”

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Opinião :: "O Lobo de Wall Street"

"O Lobo de Wall Street" é um cocktail explosivo de poder, dinheiro, drogas e loucura, embrulhados na lábia e vozinha interior de Jordan Belfort que é capaz de levar qualquer pessoa ao abismo ou a cooperar com ele sem sequer questionar.
Ler esta autobiografia é embarcar numa viagem cheia de peripécias na vida dos ricos e disfuncionais.

» Excerto «

Sempre ouvi dizer "desce o nível, sobe o interesse" e em "O Lobo de Wall Street", embora o estatuto de Jordan Belfort seja o de alto corretor da bolsa, este cava um buraco bem fundo na década que vive sedento de drogas, poder e dinheiro. Conhecemos um Jordan simples e humilde que é corrompido no seu primeiro dia de trabalho em Wall Street, no preciso momento em que o barulho da sala de corretagem lhe entra no sistema. Quase como num gráfico animado, vemos duas linhas que se distanciam ao longo dos tempo, a subida da sua estrondosa capacidade de fazer dinheiro através dos mais variados esquemas financeiros e uma decadente queda humana inebriada por corrupção, prostitutas e droga, muita droga, dos mais variadíssimos nomes.
Ao longo das 517 páginas passamos por várias estados da sua parónia, conhecemos (mesmo que com outros nomes) pessoas que o influenciavam para o bem e para o mal e vemos como tudo acaba e vem dar aos dias de hoje.
A opinião sobre o personagem, pelo menos a minha, sofreu severas mutações ao longo do livro e confesso que o considerei repugnante, nojento, pacóvio, idiota, extremamente cómico, leal (ok, talvez não como marido), deveras cativante mas no fim de tudo, terminei o livro com pena de Jordan, porque além daquela lábia toda, da fascinante capacidade argumentativa, da facilidade que tem para falar em público e mover massas (algo SIMPLESMENTE INCRÍVEL),os anos que passou completamente pedrado foram um desperdício de tempo e de talento.

"O Lobo de Wall Street" é realmente uma auto-biografia que se lê como um romance. Se Hemingway disse "Escreva bêbedo, edite sóbrio", Jordan Belfort fez exactamente o contrário, brindando-nos com uma história dos anos mais loucos e decadentes da sua vida. O relato de Jordan é mesmo o espelho do estilo de vida dos ricos e disfuncionais, como a certo ponto lhe chama. Através do seu ponto de vista, temos acesso à reconstituição da loucura que foi a ascensão de Jordan e a aparatosa queda a nível pessoal, profissional e mental.
Garanto-vos que lá para meio se esquecem de que o que estamos a ler algo que aconteceu mesmo e entramos na onda da loucura de Jordan e até somos capazes de nos rir, mesmo nos momentos mais absurdos. Afinal, o homem chega a lançar borda fora do seu iate de milhões um helicóptero que mal utilizava.
:)

Para terminar em beleza, este fim de semana vou ver a adaptação da dupla Scorsese/DiCrapio. Se o próprio Jordan Belfort teceu comentários favoráveis sobre a prestação de Leonardo logo após este ter ganho o Globo de Ouro para Melhor Actor, então é porque é uma boa aposta.

Hoje ficámos a conhecer as nomeações para os Oscars e embora se conheça a malfadada sorte de ser apontado mas nunca levar para casa a estatueta, Leonardo DiCrapio está nomeado para Melhor Actor, Martin Scorsese para Melhor Realizador e "O Lobo de Wall Street" para Melhor Filme e outras duas categorias, perfazendo um total de 5 nomeações.
Quantas estatuetas acham que "O Lobo de Wall Street" levará para casa tendo em conta a concorrência?
Fiquem com o trailer.


Uma leitura com o apoio 
Leiam mais sobre o livro, aqui, no site da editora.

Não percam a oportunidade participar no nosso passatempo AQUI