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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

«A rapariga que lia no comboio» :: opinião



Esta leitura teve o apoio da Porto Editora
e foi-me recomendada pela metade colorida.

***

Juliette, uma snifadora de livros, como todos os bibliómanos que conheço, cresceu a ajudar o avô, outro adorador de livros e cedo aprendeu a refugiar-se neles. E tentava, sempre que possível, passar essa sua adoração aos que lhe eram mais próximos; se bem que eram escassos. Juliette era quase só, quase invisível, presa num trabalho que já não tinha nada para lhe oferecer (se é que alguma vez chegou a ter) e lhe dava uma crispação nos dedos dos pés. É isso, Juliette é igualmente peculiar!

"Não nos ensinaram
o único exercício que poderia salvar-nos:
aprender a sustermo-nos de uma sombra."

Nem que essa sombra seja da espessura da lombada de um livro ou da espessura de um verso. 
 É nos livros que reside a esperança, o sonho, a viagem e a vida. E as frases que lhe inspiram os dias.

"Falava dos livros como seres vivos - velhos amigos, temíveis adversários por vezes, alguns a fazer figura de adolescentes provocadores e outros, de velhas senhoras a bordarem tapeçarias junto à lareira. (...) alguns livros eram cavalos fogosos, indomados, que nos levam num galope desenfreado, agarrados, de qualquer maneira, às suas crinas. Outros barcos que vogavam pacificamente nos lagos, em noites de lua cheia. Outros ainda, prisões."

A cavalo de livros e de ideias, Juliette tenta empreender a árdua tarefa de ser uma passadora de livros. À cabeça do cartel, Firouzeh e os seus enigmas, tentam revelar o que mais se pode esconder na espessura dos livros e nas pessoas que os lêem. Ainda que a resolução dos enigmas passe por deixar, a Juliette e aos leitores, mais questões do que respostas... tal como muitos livros.

"(...) no fundo, somos todos obtusos, impermeáveis às emoções de outrem, incapazes de decifrar os gestos, os olhares, os silêncios, e estamos condenados a explicarmo-nos, laboriosamente, com as palavras que nunca serão as certas."

Em busca de palavras, mas também de atitudes, pessoas e lugares, veremos Juliette partir numa estante andante, um mini-autocarro amarelo e assim deixar a porta aberta a um segundo volume. 

Este livro de Christine Féret-Fleury é um belo exemplar de biblioterapia, dá sugestões sem apontar caminhos, levanta questões com aparente delicadeza, mas atira-nos frases que nos deixam a pensar, e apresenta um enredo ternurento, que toca no quotidiano, mas dá-lhe uma capa um tanto inocente e improvável, mas afinal, os livros também são feitos para sonharmos. 



quarta-feira, 16 de maio de 2018

Opinião "A rapariga que li no metro"

"...cada livro é um retrato e tem pelo menos dois rostos.
- Dois...
- Sim. O rosto daquele....ou daquela, no seu caso...que o dá. E o rosto daquela ou daquele que o recebe"


Quando peguei neste livro esperava algo completamente diferente, algo mais superficial, mais romance simplista, mais mastiga e deita fora.
Foi com surpresa que me vi enredada na existência de Juliette, na curta viagem de metro que faz parte da sua rotina e que num dia de impulso muda por completo a sua vida.
Que vida em modo autómato levava Juliette, sempre carregada com os seus livros mas a observar outros que à sua volta liam.
O que fazem os livros pelas outras pessoas?
Será que significam para os outros o mesmo que para nós?
Dizer que um livro pode mudar a nossa vida não é uma afirmação feita de ânimo leve em "A rapariga que lia no metro". 

Com Juliette perdemos-nos na divagação pelos mundos possíveis e imaginários que os livros encerram. Inclusive, até ela se perde um pouco no seu discurso especialmente enquanto o seu rumo é incerto.
Como o que esperava foi totalmente diferente do que encontrei posso dizer que esta história remete-me para aqueles momentos em que ficamos a olhar perdidos para os livros que nos rodeiam, quer a recordar as boas viagens que fizemos juntos quer somente a sorrir perante a sensação de prazer e paz que é tocar em livros.

Acho que, à semelhança do voluntariado altruísta literário que encontramos neste livro, vou sugerir a leitura deste título à minha metade literária. Ela encontrará neste livro um sem fim de sugestões de leitura, mais uns quantos para somar à lista que cresce quase ao mesmo ritmo que a estante vai ficando sem espaço.

Vou só fechar com esta frase que me fez parar a meio da leitura, ficar em suspenso com o livro aberto numa carruagem de comboio apinhada de gente.

"- Também estive coberta de pó - afirmou. - Acumulou-se sem que o sentisse, percebe?"

pequenas frases que fazem tanto sentido mesmo quando podem dizer mais do que uma coisa. Assim como o livro é um retrato com dois rostos, também o sentido de uma frase para quem escreve e para quem lê podem ser diferentes.

"A Rapariga que lia no metro" é uma aposta

quarta-feira, 14 de março de 2018

Novidades Porto Editora :: Março


De segunda a sexta-feira, sempre à mesma hora matutina, Juliette apanha o metro em Paris. Nesse caminho diário e rotineiro para um emprego cada vez mais rotineiro, a viagem na linha seis é a única oportunidade de que Juliette dispõe para sonhar.

Aos poucos, essa necessidade espelha-se na observação dos demais passageiros, pelo menos, daqueles que leem: a velha senhora que coleciona edições raras, o ornitólogo amador, a rapariga apaixonada que chora sempre na página 247. Com curiosidade e ternura, Juliette observa-os como se, pelas suas leituras, lhes adivinhasse as paixões, e a diversidade das suas existências pudesse dar cor à sua vida, tão monótona e previsível.

Até ao dia em que, seguindo um impulso invulgar, decide descer duas estações antes da paragem habitual - e esse gesto, aparentemente inocente e aleatório, acabará por se tornar o primeiro passo de uma experiência completamente alucinante e tão perturbadora quanto a de Alice no País das Maravilhas.


Partindo de dezenas de entrevistas realizadas a terroristas, espiões, oficiais e chefes de serviços secretos - protagonistas da principal guerra do século XXI - o jornalista Henrique Cymerman junta-se ao especialista em contraterrorismo Aviv Oreg para trazer até nós uma obra que explora as origens da Jiade Global, acompanha de perto os atentados que mudaram a face do mundo e prevê os próximos passos do terrorismo islamista no ocidente.

Perante a lavagem cerebral feita a milhares de crianças raptadas pelos extremistas e as campanhas de ódio que seduzem ocidentais sem objetivos de vida, estaremos a salvo dos esfaqueamentos indiscriminados e dos atropelamentos em massa preconizados pela doutrina da "morte por 1000 punhais"?

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