sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Daddy de Loup Durant, 1987

Daddy!?


Será este o título aconselhado!? ou sequer o correcto!?!
Seria melhor: "Mother"!? ou "Mummy"... ou quem sabe "She", pois a meu ver o drama central é muito mais baseado na perspectiva da relação de suposta independência da criança com a mãe do que com o pai... ou suposto pai!?

As personagens, as descrições, o enredo da própria acção, pelos países, locais, pessoas, carros... toda a complexidade da escrita do autor é, a meu ver, o mais marcante de todo o livro. Há quem o intitule de enigmático ou hipnotizante, com uma trama tensa... eu chamar-lhe-ia, denso, rebuscado, complexo e a certo ponto desmotivador, tais são os detalhes, as viragens e as personagens que vêm, literalmente, de todas as direcções.

O autor é autêntico, rico em metáfora, dono de uma criatividade com as descrições, que eu só me lembrei de Eça de Queirós, mas aqui trocamos o amor, pela geografia, os enredos amorosos, pelos deveres das personagens e os delírios do amor, pela perseguição aos milhões de marco em jogo...
Quem sabe, caso eu soubesse jogar xadrez, o livro teria partes ainda mais desafiantes e criativas, assim foram apenas partes, estrategicamente, aborrecidas! ;/

A luta intelectual entre presa e predador,  uma criança dos seus E.X.C.E.P.C.I.O.N.A.I.S. onze anos e uma alta patente do terceiro Reich, respectivamente são a delícia desta acção, essencialmente quando se percebe a relação fria, mas igualmente poderosa que Tomás mantêm com Ela e a entrada emocial, desajeitada e conturbada de Ele... desculpem, mas assim faz-me mais sentido, seja na linha de raciocínio deste romance, seja na escrita deste autor.

O traço próprio de Loup Durand é o de uma descrição profunda, detalhada, divagadora e desconcertante, que assume dois papeis, em certos casos seja a ser cinematográfica, noutros é pura distração...
A história inicial que reporta aos milhões de marcos do terceiro Reich, a meu ver, perdem-se pela história  pelos países que os acolhem, pelas mensagens entrelinhas... há, na minha opinião dados a mais, já outros que não fazem sentido, adiante.

Mas ainda pondero sobre o tema... a questão nazi não é, a homossexualidade também não, a educação e a parentalidade controversa ainda menos, já que em parte alguma é posta em causa, afinal do que "fala" este drama!? Tomás é o centro, mas todo o livro converge para lhe dar razão, para o tornar ainda mais excepcional...

Enfim, mais um livro de amor, ou não fosse o amor um dos motores da criatividade ao longo dos séculos!
E atenção que isto não é uma critica, é apenas uma constatação. Já que mesmo em tempos de guerra, existe amor, seja ele de que género for.


Em resumo, um livro controverso, com um olhar crítico, com pontas soltas, com ideias e inúmeras sugestões. Talvez um livro perfeito para divagar, afinal de contas a segunda guerra mundial e dos eventos da nossa história que talvez mais perto esteja, seja em espaço temporal e geográfico, seja pela instabilidade actual, seja pela curiosidade e conhecimento histórico...

É mais uma sugestão de leitura, já que nem só de novidades, destaques e tendência vivem os leitores;)

Boas leituras!

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