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domingo, 15 de novembro de 2015

«Flores» de Afonso Cruz :: Opinião

Começo já pelo final quando é dito que são os detalhes que mostram a essência das pessoas. Será que podemos dizer que pela qualidade dos detalhes, pelo cuidado e atenção que o autor coloca no seu texto está a essência da sua escrita?

Se sim, estamos perante uma essência bastante rica e profunda. Cada história que Afonso Cruz traça nunca vem só, são camadas e camadas. As flores não são só flores. As flores são palavras e as palavras têm espinhos, mas antes com espinhos e ter flores e palavras que ter apenas o vazio ou a solidão.

Este flores é um jardim inteiro, são as flores para a alegria e são ao mesmo tempo as flores que se depositam no corpo que se leva a enterrar. São as flores que acompanham a noite da paixão, como as selvagens que crescem e embelezam os campos... mas são também as flores que murcham e secam como os dias resignados à rotina.

«Flores» é metáfora para medo, espinhoso e que pica, mas que desperta e faz o indivíduo agir e corrigir a sua direcção. «Flores» são música, são poesia.. detalhes recheados de música e força que podem corrigir e conseguem salvar o mundo, vencer a guerra, meter um sorriso num rosto triste e só.

«Flores» é a taumaturgia do próprio Afonso Cruz! O poder enigmático e metafórico da sua escrita, simples, mas profunda, que esmaga a rotina e realça a esperança que pode haver em todos os momentos.

Foto de Afonso Cruz por Bruno Colaço, na entrevista da ESTANTE

Uma leitura com o apoio
COMPANHIA DAS LETRAS


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