segunda-feira, 10 de abril de 2017

Passatempo Editorial Planeta :: "Magnus Chase e os Deuses de Asgard"

Lá em casa começamos uma leitura conjunta com o mini leitor de "Percy Jackson" e não podíamos deixar passar esta novidade do Rick Riordian.
Quem quer mergulhar no mundo da mitologia nórdica?


Passatempo termina dia 16/04/17

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BOA SORTE!!!

Passatempo Nuvem de Tinta :: "Se Eu Fosse Tua"

E vamos lá continuar com os passatempos. Quem é que tem este livrinho na sua wishlist? 
EU! desde que o vi :D 

 Toca a participar. 
 BOA SORTE!


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Passatempo Minotauro :: "A Serpente do Essex"

E sejam bem-vindos a nosso primeiro passatempo com uma das nossas mais recentes parcerias.
Já conhecem a Minotauro?
Aproveitem para visitar o site e o facebook da editora.



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Passatempo Editoral Presença :: "Deixa-me ir"

A minha leitura deste fim de semana é o primeiro passatempo a ser publicado hoje.
Acreditem em mim, leiam este livro.
Especialmente se alguma vez já tiveram o pensamento "Eu preciso de uma pausa...da minha vida"


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Novidade Porto Editora :: "Os Vadios"


No seu primeiro dia de aulas numa nova escola, Lily trava amizade com Eva, uma das filhas do infame artista avant-garde Evan Trentham. Ele e a sua esposa, Helena, tentam escapar ao conservadorismo sufocante da Austrália dos anos 1930 convidando outros artistas, cujo ideal e ambição se coadunam com os seus, para viver e trabalhar em sua casa. À medida que a amizade de Lily e Eva cresce, a primeira deixar-se-á seduzir pela excentricidade desta residência de artistas, ansiando por se integrar e pertencer verdadeiramente a uma família improvisada. Mas há sempre um preço a pagar pelo sonho e, falhada a utopia, serão as filhas de Evan que mais sofrerão com as escolhas dos pais.

Emily Bitto oferece-nos em Os Vadios, o seu romance de estreia, uma narrativa comovente acerca da amizade insuperável entre duas raparigas com uma cumplicidade muito própria - de um lado a voracidade e irreverência de Eva, do outro o torpor e uma certa rigidez de Lily - ambas como que alimentando-se uma da outra. Uma fascinante história de ambição, sacrifício e lealdades comprometidas.

Uma novidade

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Passatempo "#GERAÇÃO CORDÃO - A geração que não desliga!"

Uma temática cada vez mais presente na vida de todos nós, especialmente os têm filhos. 
Uma visão e quem sabe valiosa lição que podemos aplicar a vida das crianças que nos rodeiam e até à nossa.


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Passatempo realizado com o apoio da


BOA SORTE

"Segunda Vez" :: Distopia Lisboeta de Gaspar Trevo e Rui Lacas

Sabem quando vos apetece ler algo diferente mas não sabem bem o quê?
Ora, eu deixo-vos uma sugestão que me chegou pela mão do próprio autor e que eu já inclui nas minhas leituras digitais.


"Segunda Vez" é uma série literária de Gaspar Trevo com ilustrações de Rui Lacas. Uma Lisboa distópica, num 2017 bem diferente do que vivemos hoje, vamos conhecer, episódio a episódio, semana a semana, as aventuras de seis jovens.

Meio século depois da catástrofe, ainda há uma Lisboa de ruelas e escadinhas que apodrece ao sol, mas a vida reorganiza-se nos bairros novos, entre muros. No Verão, sob a cobertura de vidro chinês, a cidade é um forno. Se aquele rio estivesse à vista, seria impossível trabalhar seis dias por semana. Mas quem se lembraria de procurar uma janela no topo dos edifícios mais altos? À noite, cumprida a atribuição, se alguém quiser dar umas braçadas pode ligar-se ao módulo. No melhor dos mundos, o mar não é tóxico.

Cumprir 17 anos dá acesso a essa realidade; ou, melhor, é a idade em que se recebe a atribuição, o trabalho imposto em função do bem comum: mas uma coisa implica a outra. Ninguém quer continuar a estudar quando, finalmente, há um mundo de experiências ao alcance no Rest.



“O livro é para jovens adultos” confessa o autor, mas adianta que pessoas mais velhas também podem “compreender essa sensação de pós-apocalipse.” Além do cenário distópico, Segunda Vez aborda temas transversais a todos os contos juvenis: diferenças sociais, a relação com o virtual, a construção ideológica, a dependência e a identidade sexual. Gaspar explica que “são temas actuais, mas apresentados num cenário alternativo.”



Com episódios novos a sair todas as semana, podemos acompanhar as aventuras nesta Lisboa alternativa.
Para os esquecidos, como eu, o ideal é activar o Feed ou subscrever a newsletter. Desta maneira não vão perder pitada dos 13 episódios desta primeira temporada de "Segunda Vez".

Visitem o site e o facebook do projecto para mais informações.

Quando os livros se tornam filmes :: "Sonhos Cor-de-Rosa/Tem Bons Sonhos"

O filme «Sonhos Cor-de-Rosa» do realizador italiano Marco Bellocchio, inspirado no o fenómeno internacional «Tem Bons Sonhos», de Massimo Gramellini, da Bertrand Editora, foi o filme de abertura da 10ª edição da Festa do Cinema Italiano que arrancou esta semana em todo o país e que estreou nas salas de cinema nacionais amanhã a 6 de abril.


Turim, 1969. A infância idílica de Massimo, um menino de 9 anos, é pulverizada pela misteriosa morte da mãe. O rapaz recusa-se a aceitar a brutal perda, ainda que o padre lhe diga que a mãe está no Céu. Anos mais tarde, na década de 90, o Massimo adulto é um jornalista bem-sucedido. Depois de uma reportagem sobre a guerra em Sarajevo, começa a ter ataques de pânico. Quando começa a tratar da venda da casa dos pais, Massimo é obrigado a regressar ao seu passado traumático.Mas a compreensiva Dra. Elisa ajuda o Massimo a abrir-se e a confrontar as suas feridas de infância.

Recebido com grande entusiasmo na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, «Sonhos Cor-de-Rosa» explora o luto e o medo de viver num drama elegante e contido interpretado por Valerio Mastandrea e Bérénice Béjo e realizado pelo consagrado Marco Bellocchio. Um livro e um filme a descobrir nas livrarias com edição Bertrand Editora e nos cinemas.


Uma aposta

Novidade PACTOR :: "#GERAÇÃO CORDÃO - A geração que não desliga!"

Um livro sobre as crianças e jovens que estão sempre online, que pretende ajudar pais, professores e a sociedade no geral a gerir esta ligação e a conseguir obter um consumo saudável do uso da internet.


Trata-se sim de um guião, sem ter o formato de guião, que propõe um conjunto de boas-práticas para se conseguir dedicar apenas o tempo necessário, perceber os perigos e evitar as dependências online.

Vivemos numa era digital onde acordar e ver de imediato o telemóvel já se tornou parte da nossa rotina. Atualizamos as redes sociais ao segundo e às vezes nem estamos propriamente a ver/ler algo, estamos simplesmente ligados por este cordão invisível que nos seduz. É precisamente sobre esta ligação à internet (invisível porque há wi-fi e rede móvel) das crianças e jovens em especial, que faz perdurar a necessidade de estar conectado e de não se estar sozinho, que levou à criação deste livro.

Gerir regras no uso da tecnologia e criar hábitos saudáveis são dois dos maiores desafios da educação atual, quer pelas famílias quer pelas escolas. O livro “#GeraçãoCordão” reflete sobre o modo como as vantagens e os riscos de navegar online contribuem para o desenvolvimento da nova geração de crianças e jovens e para a (re)construção das famílias. E pretende ser uma ajuda para cada um de nós aprender a usar a tecnologia/internet de uma forma saudável e criar as suas próprias regras.

Uma novidade

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Opinião "Desaparecidos"

A mente é um lugar sinuoso, cheio de canto e recantos, de lugares negros e outros onde a luz é tanta que é capaz de nos cegar.
Se existem tantos detalhes capazes de desaparecer da nossa mente, será que há possibilidade de desapareceremos dentro de nós mesmo?


Conhecemos Greta a balouçar num barco ao sabor das ondas. O marido e a filha foram passear numa ilha ao largo do Lago Maran onde se encontram a passar um dias. Mas o tempo passa (minuto, horas, dias?) e Alex e Smilla não voltam.

Começa assim a viagem turbulenta na companhia da mente, nem sempre clara de Greta.
Presa por uma âncora do passado, muitos são os detalhes difusos nos acontecimentos presentes.
Quando desapareceram Alex e Smilla ?
Porque não voltaram para casa?
Porque é um erro ir à Polícia?
Como assim Alex e Smilla não são seu marido e filha?!


"Desaparecidos" é um thriller psicólogo que nos dá a volta ao miolo. Por norma não é o meu tipo de livro. Dei comigo a fantasiar com os possíveis desfechos, com as culpas e os culpados mas acabei por estar um pouco ao lado da verdade.
Uma leitura interessante, que nos intriga, que nos faz colocar a mão na cabeça e acima de tudo nos faz compreender que há acontecimentos na nossa vida que nos moldam para sempre.
Quando menos esperamos que os pontos se liguem, eles iluminam-se perante os nossos olhos e deixam-nos a pensar em tudo o que sabemos e lemos para trás.

"Desaparecidos" é pequeno mas cativa amantes do género, isto se não descobrirem o fim antes de chegarem a meio.

Uma novidade

quarta-feira, 5 de abril de 2017

«A Rapariga de Antes» de JP Delaney :: Opinião

Há muito que não lia um livro deste género, suspense psicológico, com tanto entusiasmo. «A Rapariga de Antes» de JP Delaney é realmente um livro que agarra o leitor da primeira à última página.
Não sei se chega a ser terror psicológico aquilo a que o nº 1 de Folgate Street ascende e faz aos seus inquilinos ou se é apenas tudo o que lhes vai na alma.


"Estou sentada na espartana e branca austeridade do nº 1 de Folgate Street, muito satisfeita.
O meu olhar varre o imaculado vazio do jardim. Já descobri porque não tem flores. Inspira-se naquilo que a Internet me diz serem os karesansui, os jardins para meditação formal dos templos budistas."

O enredo navega em torno de uma casa, ou melhor, de uma peça de arte arquitectónica minimalista - arquiminimalista -, ganhadora de prémios e que atribuiu ao seu arquitecto, Edward Monkford, toda uma aura de génio, mas também de esquisitóide. E a exigência e dependência cada vez maior da tecnologia como um comando que regula e potencia a felicidade.

"Como arquitectos, somos obcecados pela estética, somos obcecados em criar edifícios que são agradáveis ao olhar. Mas, se aceitarmos que a verdadeira função da arquitectura é ajudar as pessoas a resistirem à tentação...
Mas que dizer da tecnologia? O que dizer daquela cidade invisível onde todos passeamos, ou nos escondemos, ou nos divertimos: a Internet?"

O constante Antes e Depois, com Emma e Jane, cria uma vontade imensa de perceber em que é que aquelas duas vida, naquela casa, se cruzam. Edward e Simon combinam muito bem psicoses destrutivas, mas elas também não o são menos. David ou Saul são dois personagens secundários que, de forma parca, mas muito incisiva determinam nuances do enredo. Considero que está tudo muito bem conseguido.

"Agora: Jane
(...)
Tenho dificuldade em concentrar-me. Não consigo parar de pensar no facto de ele ter proferido exactamente as mesmas palavras a Emma e a mim. (...)
Mas, também, penso, todos usamos as mesma frases conhecidas, os mesmos atalhos linguísticos. (...) Quem, por vezes, não se repete? Não será a compulsão para a repetição apenas um termo sofisticado para o facto de sermos criaturas de hábitos?"

Paranóia, obsessão, narcisismo, mitomania, repetição e manipulação, em dose curtas, mas constantes alimentam a desconfiança que é exigida ao leitor, para assim manter o interesse e a compulsão de leitura.

"- A teoria de Emma era que enterrá-los aqui fazia parte de uma espécie de ritual supersticioso - continua. - Quase como um sacrifício. (...)

Um livro compulsivo e viciante, construído quase com o mesmo minimalismo que imaginamos para a casa, cada detalhe aparece no local certo, despertando o leitor tanto mais temas da actualidade, como para arquitectura, tecnologia ou costumes ancestrais e orientais.
Recomendação máxima para os fãs do género ou para quem quer um enredo psicológico.

Uma novidade

terça-feira, 4 de abril de 2017

Opinião/ Review "Quem não sonha voar, Alice?"

Todos nós vivemos com um filtro, quer para o que entra quer para o que sai.
Não importa as dimensões dos seus buracos, há coisas que não passam.
Depois há pessoas para as quais não existem filtros para as escoar, o que vemos e ouvimos é o seu estado mais puro e em "bruto".
E por mais quem por vezes seja um choque, não posso deixar de vos dizer que é igualmente uma tremenda lufada de ar fresco.


Conhecemos a engenhosa e desenrascada Alice ao ser destacada para um trabalho que poderia ser deveras simples não fossem as particularidades das pessoas envolvidas. 
M. M. "Mimi" Banning é a autora de um "one hit wonder" literário, reclusa por escolha própria na sua mansão de Bel-Air e que, devido aos infortúnios da vida, se vê em mãos com a necessidade extrema de escrever um novo livro para salvar a sua casa. 
Reservada e com laivos de altivez, Mimi é o menor dos encargos de Alice, já que a sua principal função é cuidar de Frank, o filho de nove anos da autora, que rapidamente destacamos com A PERSONAGEM a reter deste livro.
A sinopse de "Quem não sonha voar, Alice?" conquistou-me pela possibilidade de ficar a conhecer Frank, um miúdo caricato, dono de uma mente brilhante e uma guarda roupa digno de inveja (a capa faz jus ao conteúdo).

A avalanche que se abate na vida de Alice, é a melhor bola de neve que veremos crescer perante os nossos olhos. Frank conquista-nos desde o primeiro momento, os seus conhecimentos elevam-no a um patamar tão assustador como interessante.
Habituados a um mundo polido e de pensamentos calculados, é realmente refrescante conhecer alguém tão genuíno e carismático como Frank. 
E entre o passado enigmático da família, as pontuais visitas na mansão de Bel-Air, o malfadado romance que teima em não avançar, o piano que toca melodias pela calada da noite até à enxurrada de conhecimentos sobre um era dourada de Hollywood, este livro tem tudo para nos apanhar na sua teia. 

Uma lição de individualidade que perdemos com a idade ou que para nossa infelicidade nunca tivemos, "Quem não sonha voar, Alice?" é uma soberba história sobre família, amor inconvencional, mentes brilhantes e revezes que nos ensinam que nem toda a gente foi talhada do molde nem as nossas vidas seguem um padrão inscrito nos genes. Somos quem somos, produtos de quem nos fez, educou e marcou mas acima de tudo somos uma entidade própria, fiel às nossas peculiaridades e seremos sempre mais completos se nos amaram pelo que somos e não pelo que acham que deveríamos ser.

Adoro quando um livro que capta a atenção e não me deixa desapontada :)
"Quem não sonha voar, Alice?" é uma novidade


Review

We all have to live with a filter, either for what comes in or for what goes out.
No matter the size of its holes, there are things that simply can’t go through a filter.
Then there are people for whom there are no filters, what we see and hear is their purest and "raw" state.
And even if it’s shocking, I can’t fail to tell you that it is also a tremendous breath of fresh air.

We meet the ingenious and resourceful Alice when she’s assigned a job that could be quite simple if it was not for the particularities of the people involved.
M. M. "Mimi" Banning is an author of a literary “one hit wonder”, reclusive at her own choice in her mansion at Bel-Air and who, due to the misfortunes of life, finds herself in the hands of the extreme need to write a new book to save her house.
Reserved and quite haughty, Mimi is the least of Alice's concern since her main job is to take care of Frank, the author's nine-year-old son, who we quickly highlight as THE CHARACTER to retain from this book.
The synopsis of "Quem não sonha voar, Alice?" won me over by the possibility of getting to know Frank, a charismatic kid, owner of a brilliant mind and a wardrobe worth envying (the cover lives up to the content).


The avalanche that falls into Alice's life is the best snowball we'll ever see grow before our eyes. Frank conquers us from the first moment, his knowledge elevates him to a level as frightening as it is interesting.
Used to a polish world of calculated thoughts and words, it’s really refreshing to meet someone as genuine and charismatic as Frank.
And between the enigmatic past of the family, the occasional visits at Bel-Air's mansion, the ill-fated novel that does not go forward, the piano playing melodies in the dead of night to the flood of knowledge about a golden era of Hollywood, this book has everything to catch us up in its web.

A lesson of individuality that we have lost with age or that to our misfortune we never had, "Quem não sonha voar, Alice?" is a superb story about family, unconventional love, brilliant minds and setbacks that teach us that not everyone has been carved out of the mold nor our lives follow a pattern inscribed in the genes. We are who we are, products of those who made, educated and marked us but above all we are an entity of our own, faithful to our peculiarities and we will always be more complete if people love us for who we are and not for what they think we should be.

I love when a book captures my attention and doesn’t disappoints me :)
:)

«A Escada de Istambul» de Tiago Salazar :: Opinião


"A ponte é uma escada entre duas margens, não a margem da esquerda e a margem da direita, mas a margem de cima e a margem que fica em baixo (...). Uma escada tem dois limiares, define duas portas, a do primeiro e a do último passo, não importa se a sobes, se a desces, porque haverá sempre um primeiro e um último passo. Cada degrau implica um esforço, uma tensão, um esticar de corda no arco do corpo, que se curva em obediência para onde vai. Em alguns desgraçados seres, também se lhes dobra o arco do espírito.(...)"

É entre estas margens e neste sobe e desce que acompanhamos, inicialmente, Isaac Comondo e Abraham-Solomom de Comondo, nas escadas de Istambul que são metáfora para os primeiros e os últimos passos que aqui se descrevem para esta família de judeus, ao longo de quase cem anos. 
Os esforços e a dedicação para a educação, a liberdade e o conhecimento são as preocupações dos patriarcas, as escolas que respeitavam todos os credos foram um marco dos Comondo, ainda em tempos de Império Otomano. E mais tarde, já em França, numa sociedade mais polida e artística, também pela mão de Abraham-Béhor de Comondo e de seu filho, também ele Isaac, são reconhecidos mecenas. 

Embora sempre pouco compreendidos e acusados de negócios duvidosos que lhes atribuíam fortunas incalculáveis, os Comondos ou os «Rothschild do Oriente» são aqui descritos sempre com intenções filantrópicas, aliás, a devoção ao próximo e em benefício da humanidade eram a sua tsedaka

"- Tsedaka? - perguntei.
- Um sentido da vida como uma missão, um dever para com outros, o Outro, acima de tudo."

"Nesta casa podes contar com o que precisares. Aprendi uma coisa de meu pai que o teu já te deve ter ensinado, pelo que vejo nos teus olhos humildes: a franqueza de dizer o que tem de ser dito e de pedir ajuda quando dela verdadeiramente se precisa."

É essencialmente assim que a conversa e a história se vai tecendo entre o narrador e Mehte, um turco que Tiago conhece numa das suas viagens e com quem prossegue nesta escada de Comondo, entre gerações e feitos de uma família que o Holocausto findou. 

"A França, gritava o arauto da destruição, iria ter a sua última queda antes de se levantar um novo mundo, governado pelos mais aptos, não uma raça qualquer, mas a raça dos homens eleitos, uma nobreza onde não cabia o palhaço Auguste, nem Isaac, nem qualquer semita usurpador."

É ainda de salientar que este livro me permitiu uma estreia na escrita de Tiago Salazar, também ele em estreante no romance, se bem que as viagens estão presentes e muito bem, diria eu. Como também achei muito conquistadora a beleza da sua escrita, de descrições muito bem conseguidas, de diálogos bem estruturados e de um enredo bem encadeado. 

"O Sena iria fazê-la esquecer o Bósforo, dissera-lhe o marido numa carta; mas como podia aquele fiozinho de rio translúcido e lamacento, que vira pelo caminho em valsa lenta da janela do coche, superar as memórias de um estreito corpulento, cuja a força se impunha como um mar de possantes vagas? As ruas e avenidas de Paris desenhadas a régua e esquadro não tinham a balbúrdia ululante dos bairros de Istambul, onde tudo ameaçava ruir ou consumir-se na histeria do desacato."

*

Opinião "Sinto a tua falta"

Será possível sentir falta de alguém que não se conhece?
Dizem aquelas frases feitas que por aí andam que "há alguém no mundo que procura por ti em todas as pessoas que encontra"
Mas o que será que acontece se, aquela pessoa que nos é suposto encontrar, já passou por nós e não nos viu?


Pensei que Florença seria o palco de um grande amor mas afinal é apenas o cenário do primeiro acto "os amantes encontram-se (mas nunca se conhecem)"
Conhecemos Tess a fechar umas férias com a melhor amiga semanas antes cumprir o seu sonho, ir para a Universidade.
Com uma vida toda pela frente, Tess não reconhece o seu presente quando a vida decide fazer das suas e alterar toda a sua dinâmica familiar, tornando-a indispensável e por esse motivo, incapaz de seguir o seu plano.
Já Gus deambula por Florença com os pais. Eternamente na sombra do irmão, delimita um caminho que sabe não levantar ondas junto da família, mesmo quando o seu coração sempre pediu satisfação pelos caminhos da arte.

A vida de ambos começa aí, de Florença para o mundo. Tão perto mas igualmente tão longe, vemos Tess e Gus surgirem perante os nossos olhos alternadamente, ora a sorrir ora com os olhos rasos de lágrimas.
Caminhamos ao seu lado ao longo dos anos, torcemos por eles, apaixonamo-nos por e com eles mas sabemos, lá no fundo do nosso ser, num cantinho de extrema esperança, que há forças cósmicas que colocam os caminhos a cruzarem, algures um dia.

A demanda de Tess toca-nos desde o primeiro momento mas é por Gus que o meu coração ficou em suspenso. A sua história, as decisões que toma em desacordo consigo mesmo, a dinâmica amorosa digna de tortura a que se propõe.....lembrou-me pessoas mas também personagens de outros livros que li e que, de alguma maneira, também me ficaram no coração.

"Sinto a tua falta" é romance de encontrões da vida mas cheio de desencontros, que começa e que fecha um ciclo em Itália, essa terra para mim tão cheia de história para contar e outras tantas para viver.
No entanto, talvez porque não ando bem virada para os romances, senti que faltava alguma coisa mesmo quando o fim me deixou com um sorriso. Elsa, elsa....lá tás tu com esquisitices. 

Aceitem umas férias, viagem com este livro para Florença, nem que seja só no papel.
Boa viagem, bons caminhos e boas leituras.

"Sinto a tua falta" é uma aposta

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Opinião "Os Imperfeitos"

Num país onde o erro não tem perdão e onde um acontecimento marca uma vida inteira, quem julga é rei mas os reis também tombam.
Diz a história que, por vezes, a mais pequena centelha ateia o maior dos incêndios.
E um acto de compaixão numa sociedade fria pode ser exactamente aquilo que seria necessário para "descongelar" os corações do povo.


Conhecemos Celestine North no auge da sua perfeição, no centro da sua vida idílica de menina bonita, aluna brilhante, namorada querida e filha modelo.
Lógica por natureza, Celestine compreende e rege-se pelas regras da sociedade em que tão bem se insere mas quando um evento a faz considerar a justiça e o poder instituído, a nossa heroína deixa que a mancha dos renegados pela sociedade a afecte.

Num país não identificado mas claramente europeu, vive uma sociedade fechada que adoptou um modelo de exclusão de todo e qualquer individuo que quebre as regras, que comete erros, que prejudica os seus ou a sociedade. 
Esses renegados são marcados como imperfeitos. Párias de sociedade, vexados em praça pública, perseguidos, controlados e limitados a um sem número de regras. Cabe à Guilda e aos seus juízes, encabeçados por Craven, preservar o estado imaculado e perfeito que o pais atingiu e ao mesmo tempo eliminar as ameaças perpetuadas por imperfeitos.
Mas no dia em que umas das suas mais promissoras cidadãs do futuro se vê no banco dos réus por algo tão simples como um acto de compaixão para com um velho doente, o curso da história sofre mudanças de desfecho imprevisível.
Será Celestine um peão ou a cara da revolução por uma mudança mais que necessária na sociedade?
Poderá a mão da Guilda ser toda poderosa nas suas decisões ou haverá já quem esteja preparada para a cortar?
Poderá a perfeição ser a resposta para um futuro melhor? 


Fiquei deveras surpreendida quando vi esta novidade. Não são muitos os livros que tenho lido da Cecelia mas tinha plena certeza que nenhum deles se encaixava nesta categoria de distopias e young adult. Achei a premissa interessante. Sou contra a perfeição mas compreendo a ideia de afastar quem más decisões tomou em prole de um futuro melhor, mais livre de (tantos) erros. No entanto, a mão soberana não é livre de defeitos quando não há ninguém que a julgue.

Em suma, confesso que gostei deste primeiro capítulo da série de Cecilia Ahern do mesmo nome que o livro.
Sinto e espero estar enganada, que o próximo livro pode trazer aquilo que sempre me chateou um pouco nas trilogias YA...o triângulo amoroso. 
Espero que a autora saiba dar a Celestine uma visibilidade pela força, pela combinação única das qualidades que a tornavam perfeita e aquelas que a marcaram mais do que uma vez como imperfeita.
Somos todos umas combinação do bom e do mau, porque haveria ela de ser diferente?

"Os Imperfeitos" é uma novidade

Para mais informações visitem o site Editorial Presença

«A Construção do vazio» de Patrícia Reis :: Opinião



"Não há palavras para a solidão a que cheguei. Secaram-me na angústia de me explicar. Talvez seja melhor começar pelo início. O início é sempre o momento da verdade, algo louco, imprevisto. Como um fado que se canta sem se saber a letra, na comoção de reconhecer algo sem, ao mesmo tempo, conseguir dizer o poema e a sua intenção inteira."

Eu diria antes que é difícil encontrar palavras para descrever a solidão e a dor que não secaram, como secou o amor, muito cedo oprimido na infância marcada pela violência e o abuso. O início deste livro é, ele sim, recheado de vazios e cheio de tudo o que não devia habitar uma infância. Sofia, é uma vítima, tanto às mãos da bela mãe, como do pai tirano. Ambos violentos, ambos a marcarem-lhe o corpo e a alma, transformando-lhe a personalidade, deixando-a ao abandono de quem cresce no silêncio de uma família faz de conta.

"A minha mãe era tão bonita.
Não se podia falar com ela. Tudo lhe fazia dores de cabeça e, na presença do meu pai, mirrava, um corpo a reforçar-se por desaparecer. Ficávamos como a minha coleção de brincar: uma família faz de conta. Era o nosso retrato, mas só o soube muito mais tarde."

"E o meu pai percebeu que a distância entre nós, (...) era uma distância imensa, era um labirinto fatal no deserto, uma viagem transatlântica. O ponteiro do relógio deixara de rodar de acordo com o seu ritmo, eu detinha o poder sobre a corda; atrasar, adiantar, suspender. Era o meu tempo."

Nesse seu tempo Sofia cresceu, mas o medo, o refúgio no silêncio, os segredos, o isolamento, eram repetitivos e também cresceram com ela. Numa fase, Sara e Rosa preencheram alguns espaços, mais tarde Luísa, amigas também do silêncio e donas dos seus próprios problemas familiares, mas a vida, no seu curso normal, afastou-as, ainda que a normalidade exigisse uma amizade.

"A minha avó perguntava pelas minhas amigas, parecia-lhe essencial que eu tivesse um grupo (..) tudo isso implicava cumprir com um programa de normalidade e a normalidade é desejável perante o desconhecido. O meu rosto denunciava um mal-estar que a minha avó não queria desvendar. Manter a leveza era o seu mote."

A distância familiar era imensa e evidente, parecia não ter fim, no entanto, três homens, a bem dizer quatro, alteraram-lhe a adolescência: Carlos, Eduardo, Lourenço e Jaime, atenuaram, mas não a fizeram esquecer que no escuro, no sofrimento não houve nunca uma mão que a resgatasse.

"O meu pai violentava-me, a minha mãe ignorava e batia-me. Não havia a quem pedir socorro. (...)
Um sobrevivente não ultrapassa, finge que vive. Pode até esconder a cicatriz. Mesmo quando o tempo pede tréguas, eu acelero e não faço nada do que me pedem, escondo o que me aconteceu e ataco e ataco de forma feroz, finjo que sou louca e irresponsável, torno-me um animal, o mesmo animal que berrou na casa de banho e que sangrou depois."

 A maldade, a indiferença e as decisões desastrosas definiram o caminho de Sofia, perpetuaram a sua dor e limitaram a sua vida. Existem fantasmas que são mesmo para uma vida toda.

"O tom da sua voz ainda me sobressaltava, o medo fazia-me perder a saliva, a garganta seca, seca, e as mãos tremiam ligeiras, sem sentido, com vontade de se apertarem para controlar o pavor do corpo. O cheiro dele. A pele dele. Toda a minha vida, bastou um segundo para regressar à prisão onde me colocou, aí onde me foi roubada qualquer hipótese de ser como as outras pessoas, aí onde a virtude perdeu toda a solidez e o corpo derramou o pior de tudo."


Um livro Dom Quixote | Leya

domingo, 2 de abril de 2017

Está a chegar...."Escrito na Água"

Sabem o que vem aí?
O novo livro de Paula Hawkins, a autora que ficou nas bocas do mundo com o seu primeiro livro "A Rapariga do Comboio".

Quem já está de olho em "Escrito na Água"?
O Efeito dos Livros faz parte dos blogs escolhidos para a divulgação desta novidade Topseller.
E sim, leram bem. Faltam 30 dias!

Preparados para a contagem decrescente?


sábado, 1 de abril de 2017

Novidade Topseller :: "Escrito na Água"

Um thriller intenso, da autora do bestseller mundial A Rapariga no Comboio.
"Escrito na Água" chega já no início de Maio.


CUIDADO COM AS ÁGUAS CALMAS. NÃO SABEMOS O QUE ESCONDEM NO FUNDO. 

Nel vivia obcecada com as mortes no rio. O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas.

Agora, é ela que aparece morta. Sem vestígios de crime, tudo aponta para que Nel se tenha suicidado no rio. Mas poucos dias antes da sua morte, ela deixara uma mensagem à irmã, Jules, num tom de voz urgente e assustado. Estaria Nel a temer pela sua vida?

Que segredos escondem aquelas águas? Para descobrir a verdade, Jules ver-se-á forçada a enfrentar recordações e medos terríveis há muito submersos naquele rio de águas calmas, que a morte da irmã vem trazer à superfície.
Um livro profundamente original e surpreendente sobre as formas devastadoras que o passado encontra para voltar a assombrar-nos no presente. Paula Hawkins confirma, de forma triunfal, a sua mestria no entendimento dos instintos humanos, numa história com tanta ou maior intensidade do que A Rapariga no Comboio.

O que também é uma óptima novidade é o facto de a autor vir à Feira do Livro de Lisboa deste ano


Uma novidade

sexta-feira, 31 de março de 2017

Novidade Tinta da China :: "A Guerra de Samuel"

LIVRO PÓSTUMO DE PAULO VARELA GOMES. 


A Guerra de Samuel e Outros Contos colige as narrativas que Paulo Varela Gomes deixou antes de morrer, em Abril de 2016.

Uma novidade

Novidade Pergaminho :: "A Falta de Sentido na Vida"

Um clássico da psicoterapia


De facto, hoje em dia, já não somos confrontados, como no tempo de Sigmund Freud, com uma frustração sexual, mas sim com uma frustração existencial. E o doente típico dos dias de hoje já não sofre tanto, como no tempo de Alfred Adler, de um sentimento de inferioridade, mas sim de um sentimento profundo de falta de sentido, que se associa a um sentimento de vazio - razão pela qual falo de um vácuo existencial.

Uma novidade