terça-feira, 9 de julho de 2013

«As bicicletas em Setembro» de Baptista-Bastos



«As Bicicletas em Setembro» é puro deleite!
Quando nos dizem que o lirismo de Baptista Bastos é um gáudio para leitor é inteiramente verdade.
Se a escrita prolonga o prazer e lhe alonga-lhe os detalhes, o palavreado poético, pulvoriza-nos os sentidos e conduz-nos a um caminho sem direcções, mas é um estar perdido sem vontade de achar ou ser achado no sentido das memórias.
"Risco maior não é a velocidade
mas o estilo bom da pedalada."
Nas palavras de Eduardo Guerra Carneiro, encontramos muito do que o autor nos quer transmitir de Jesuina ou talvez dele ou até de alguns ou todos nós. O que são as memórias confundidas com a vida, ou as vivências confundidas com os sonhos, os desejos, as ilusões? E o lugar da solidão, da desilusão, dos medos confundidos com a idade e o tempo de vida que não volta para trás?

"veeer-daaa-deee"

O que é verdade e o que não é? Será a verdade conduzida pelo tempo e adquirirá contornos que os olhos da experiência moldam e interpretam?

Quando é, que
se atinge o cunho de antigo e a marca de irrefutável? Convêm não demorar... "a dúvida e a indulgência são luxos que não podem ser oferecidos."

"Enviuvara nova, embalava no interior de si mesma a mordacidade que lhe permitia vencer eventuais ataques de desamparo, e nunca mais fora inflamada pelo desejo de conhecer homem (...) Às vezes, sobretudo no tempo do calor, apetecia-me homem. (...) Mas homem em cima de mim, a desfrutar-me, nunca mais!"

Entre o humor e a sagacidade, a partilha e os afectos vamos conhecendo Jesuina, no entanto, a dor, a solidão e a perda, completam-lhe o retrato literário.
Entre o lirismo, mas sem sentimentalismo lamechas, o autor apela a uma linguagem poética, que esconde e contorna alguns detalhes azedos e críticos que a obra apresenta. É por ser um misto tão curioso e exótico que este livro se torna mais que apetecível, um prazer peculiar.

"Todos querem ir para o céu, mas ninguém quer morrer."


Boas leituras e bons livros

Uma edição Oficina do Livro, mais informações aqui.


«O Filho de Jesus» de Denis Johnson



Já lido há quase um mês, este pequeno livro de Denis Johnson adquirido na Feira do Livro de Lisboa, andava a martirizar-me as ideias. Mesmo sendo um livro de reduzido tamanho, a escrita é cortante, concisa, rápida, mas aparentemente simples ou até oca, mas, novamente o mas, o mas vem depois... quando ficamos a pensar no conteúdo.
Depois, já no fim, essencialmente quando terminámos - sim, porque a leitura é imparável - é que somos arrebatados por todas as interpretações, por todas as metáforas e por todas as entrelinhas.
Ainda assim,  a minha maior dúvida persistia e prendia-se com o título!
Uma história que parece simples, boémia, ao sabor do vento e à margem de grandes ou importantes decisões, o narrador e as personagens que com ele se cruzam pesam pouco as suas atitudes. Dependentes de drogas e álcool e clientes assíduos do Vine, é lá que as crises existenciais e as suas filosofias de vida se cruzam com mais um shot de bourbon, um risco de coca ou uma escolha na jukebox.

Falando em escolhas, deixo-vos Heroin de Lou Reed (e a letra), a meu ver um excelente resumo e sinopse deste livro.


Entrar nesta história é como que pegar boleia da liberdade, mas estar sob fiança dos vícios e maleitas da sociedade, um homem, dois homens e um outro homem, são todos parte de nós, são todos o nosso lar ou o nosso hospital... é abraçar a vida em happy hour e é não ter trabalho com o trabalho que a vida dá!

BOAS LEITURAS


Uma edição AHAB, vejam mais aqui.


Comecei a ler....

A colecção Crime à Hora do Chá criou em mim o gosto pelos policiais, género que até ao início deste ano tinha pouca presença na minha estante.
Gostei muito de ler o primeiro volume desta colecção, Morte na Aldeia de Caroline Graham.
E até agora, estou a gostar imenso de ler este, tanto que desconfio de toda a gente, até de mulheres.

(foto ElsaR)

Sinopse:

Enquanto as irmãs Ellison – Charlotte, Sarah e Emily – visitam amigos e tomam chá nos melhores salões londrinos, uma das suas criadas é brutalmente assassinada. Para Thomas Pitt, o jovem e pacato inspetor destacado para o caso, ninguém está acima de suspeita. A sua investigação na requintada casa da família Ellison vai provocar reações extremas: para uns, será de absoluto pânico; para outros, de deselegante curiosidade; para a jovem Charlotte será algo mais íntimo e empolgante. Algo capaz de levar Thomas a perder momentaneamente o seu instinto detetivesco e a andar com a cabeça nas nuvens. Mas sobre o casal pairam sombras impossíveis de ignorar: Charlotte é uma menina da sociedade e Thomas pertence à classe trabalhadora… e o assassino que atormenta as ruas da cidade continua à solta, implacável. O Estrangulador de Cater Street, romance policial de Anne Perry, revela o primeiro mistério desvendado pelo famoso casal de detectives Charlotte e Thomas Pitt.

A coleção Crime à Hora do Chá, lançada pela ASA em Abril, pretende homenagear o romance policial clássico. Dedicada aos apreciadores deste género literário, a colecção destina-se também a leitores de romances e ficção em geral. A colecção valoriza a intriga, a complexidade dos personagens e a caracterização histórico-social. Os livros Morte na Aldeia, de Caroline Graham, e O Estrangulador de Cater Street, de Anne Perry, compõem a colecção Crime à Hora do Chá. 

Crime de Luxo, de Ngaio Marsh - outra grande dama do policial – será o próximo título da colecção, com lançamento previsto para Novembro.

Gosto desta novidade!
 Mais informações no site Edições ASA

Boas leituras!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Como se tornar seguidor do blog

Ajudem-nos a chegar aos 1000 seguidores!



Para responder a algumas perguntas que temos tido, aqui fica uma espécie de tutorial:
Fica o link para quem queira consultar no facebook
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.635080803170821.1073741832.475106999168203&type=1

senão ficam as fotos:





Sejam seguidores, divulguem e partilhem!
OBRIGADA

terça-feira, 2 de julho de 2013

Inferno de Dan Brown :: Divulgação e lançamento

O Inferno chega dia 10 de Julho.
Mas a apresentação em Lisboa acontece já dia 9, terça-feira, pelas 18h30, no El Corte Inglés.
Estão ansiosos por ler o novo livro de Dan Brown ?

(Edição capa simples e capa dura)
Mais informações no site
Sinopse:
«Procura e encontrarás.»

É com o eco destas palavras na cabeça que Robert Langdon, o reputado simbologista de Harvard, acorda numa cama de hospital sem se conseguir lembrar de onde está ou como ali chegou. Também não sabe explicar a origem de certo objeto macabro encontrado escondido entre os seus pertences.

Uma ameaça contra a sua vida irá lançar Langdon e uma jovem médica, Sienna Brooks, numa corrida alucinante pela cidade de Florença. A única coisa que os pode salvar das garras dos desconhecidos que os perseguem é o conhecimento que Langdon tem das passagens ocultas e dos segredos antigos que se escondem por detrás das fachadas históricas.

Tendo como guia apenas alguns versos do Inferno, a obra-prima de Dante, épica e negra, veem-se obrigados a decifrar uma sequência de códigos encerrados em alguns dos artefactos mais célebres da Renascença - esculturas, quadros, edifícios -, de modo a poderem encontrar a solução de um enigma que pode, ou não, ajudá-los a salvar o mundo de uma ameaça terrível…

Passado num cenário extraordinário, inspirado por um dos mais funestos clássicos da literatura, Inferno é o romance mais emocionante e provocador que Dan Brown já escreveu, uma corrida contra o tempo de cortar a respiração, que vai prender o leitor desde a primeira página e não o largará até que feche o livro no final.
Críticas de imprensa
«O Inferno está repleto de truques (…) O senhor Brown acaba não só por nos deixar um trilho de migalhas acerca de Dante (afinal de contas, isto é o Inferno), mas também por brincar com os conceitos de tempo, género, identidade, célebres atrações turísticas e medicina futurista.(...)
A grande ênfase está na prodigiosa pesquisa e na paixão por factoides que enformam as histórias do senhor Brown, a facilidade com que os põe em ação, os truques engenhosos e os grandes clímaces.»
The New York Times

Lançamento

Como referi antes, dia 9 de julho, pelas 18h30, no El Corte Inglés, será apresentado o Inferno, de Dan Brown, disponível nas livrarias de todo país no dia seguinte.


Catarina Wallenstein e Pedro Penim farão leituras do livro e de A Divina Comédia, de Dante, que inspirou Dan Brown neste regresso de Robert Langton; Eduardo Boavida, Diretor Editorial da Bertrand Editora, fará a apresentação.
 Durante o evento de lançamento estará disponível a edição especial de Inferno (capa dura, com PVP da edição normal).

O que torna este evento imperdível é também o passatempo «Florença, cidade de Inferno e de Dante Alighieri», promovido pela Agência Abreu e Bertrand Editora. Na compra de um exemplar da edição especial, no lançamento (e apenas no lançamento), os leitores terão acesso a um cupão que deve ser preenchido e entregue no local. O autor da melhor frase, com resposta correta às duas perguntas colocadas, poderá viajar até Florença, durante um fim de semana, uma oferta da Agência Abreu e da Bertrand Editora. O regulamento do passatempo «Florença, cidade de Inferno e Dante Alighieri» poderá ser consultado em www.grupobertrandcirculo.pt.

A todos, BOA SORTE e boas leituras!
 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Comecei a ler :: "Sorte Explosiva"

(foto ElsaR - com 36º na praia, quase a pegar fogo)

Sinopse:
«A vida da caçadora de recompensas mais famosa do mundo corre um risco explosivo nesta sua nova aventura. As férias de Stephanie Plum no Havai prometiam ser de sonho, mas acabaram por ser um pesadelo. Agora ela está num avião de volta a casa e já tem à perna dois agentes do FBI, um bando de criminosos e um psicopata perigoso.

O homem que viajava ao seu lado no avião é assassinado, e tudo aponta para que tenha sido por causa de uma fotografia que ele lhe teria entregue, mas que ela diz não ter na sua posse.

A agência de fianças vai pelos ares. Lula, a sua amiga e companheira de aventuras, apaixona-se por um Shrek, e todos querem saber o que se passou no Havai. Mas Morelli, o polícia mais sexy da cidade, não quer falar do que aconteceu. Ranger, o «vício» que ela não consegue largar, também se recusa a falar. E tudo o que a Stephanie tem a dizer sobre as férias no Havai é que… bem, é complicado.»
 
A Janet Evanovich já conhecia de "Gula Perversa", agora a série Stepanhie Plum é uma novidade para mim.
A única bagagem que tenho para ler este livro, que é o 18º da série Stephanie Plum, foi ter visto o filme "One for the money/ À Segunda não me escapas" adaptado do primeiro livro e que me deu a conhecer as personagens que acompanham a história.

Enquanto vou lendo a última aventura de Stephanie e companhia, vou pensando na foto que vai acompanhar a opinião do livro aqui no blog.
Lancei um desafio a mim mesma. Para cada livro novo que comece a ler, irei publicar SEMPRE uma foto criativa (vá, inspirada no livro) tirada por mim.
A que consta neste post, não é a definitiva....estou em processo de criação e leitura.

Até lá....
Boas leituras!

domingo, 30 de junho de 2013

Lançamento "In Sexus Veritas"

Ontem tivemos a oportunidade de estar presentes na sessão de lançamento do novo livro do escritor/orador/jornalista/cronista/humorista/PALERMA (palavras dele, não minhas!), Pedro Chagas Freitas. "In Sexus Veritas" é mais uma edição da Chiado Editora e chega-nos em dois volumes, compostos por 1481 páginas. Sim, isso tudo, eu não me enganei no número.

Sinopse:
Um trolha homossexual. Um jogador de futebol filósofo. Um humorista deprimido. Uma prostituta de alma. Um assassino refinado. Uma prostituta de corpo. Um homem que consegue pensar e sentir o que os outros pensam e sentem. Numa obra que é um gigantesco monumento, mistura frenética de poema e de thriller, Pedro Chagas Freitas visita os mais profundos calabouços da humanidade: o amor, a morte, a inveja, a paixão, a raiva, a mentira, o medo, o ciúme. E o sexo. Sempre o sexo. Porque é nele, sempre nele, que se encontra a verdade.

Quando li a sinopse deste livro sabia que tinha de o ler. E de facto, já comecei a leitura mas tenho de me obrigar a parar senão só termino daqui a quase 1400 páginas e esta leitura requer tempo, nem que seja para fechar o livro, dizer dois palavrões e reflectir enquanto apanhamos ar.
Se achamos que ao ler uma sinopse ficamos com uma ideia do que vamos encontrar, ir à apresentação de um livro e ouvir o autor falar sobre as personagens e o conceito geral do mesmo, leva-me sempre a crer que já conheço as personagens quando as começo encontrar com o virar das páginas, e essa familiaridade é impagável. 

Foram muitas as pessoas que quiseram estar presentes neste lançamento, a Livraria tornou-se pequena para tantos corpos e mesmo quando o calor se apoderou da sala, ninguém arredou pé.

 (foto elsar)

Escutaram-se excertos pela voz de duas mãos cheias de admiradores, que de modo emotivo leram e declamaram momentos cruciais para a apresentação dos personagens, dos 7 personagens que vamos conhecer neste novo livro.
O facto de estar dividido em duas partes prende-se pelo ponto de viragem na história que me deixou muito curiosa e a analisar a célebre questão "E se?".
Mas não vos vou contar nada. Se numa opinião gosto de me restringir ao básico, alguma vez iria estragar a oportunidade de experimentarem tudo em primeira mão, de saborearem cada frase e pensamento.
Se o tamanho vos assusta, então não sabem o comprimento da vossa determinação. Vão ler este "In Sexus Veritas" e num instante. 

“Ela sem medida. Ela como minha medida. Nós sem meias medidas. Trocava a minha vida inteira por tê-la um segundo à minha beira. A minha vida pelo sorriso dela. A minha vida pela mão dela, pela pele dela. A minha vida pela vida dela na minha. Sou um prisioneiro, sim. Mas dela.”

"In Sexus Veritas" vai ocupar 10 centímetros da minha estante mas questiono-me quanto açambarcará da minha alma?

Por aqui já se leram duas obras do autor. "Eu Sou Deus" ficou comigo, despertou-me para o fenómeno da escrita do Pedro.
Veremos o que me diz "In Sexus Veritas".

Uma breve actualização. 
Então não vos mostrava a parte mais interessante??
Autógrafos, elogios à ovelha negra (no relógio) e os livros, agora na estante já autografados.

(fotos Daniela Ferreira)
 (foto elsar)

Boa noite e boas leituras! 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

«Adeus Berlim» de Wolfgang Herrndorf - Opinião



Uma leitura motivada pela primeira Noite Literária Europeia em Lisboa e pelo facto de ter sido um Prémio Nacional de Literatura Juvenil Alemã, mas convêm também dizer que à quem compare este «Adeus Berlim» a obras como «As Aventuras de Huckelberry Finn», de Mark Twain e Uma Agulha no Palheiro, de J. D. Salinger ou até o registo descontraído e alucinante ao jeito de Jack Kerouac, por isso decidi-me a conhecer Maik e Tschick ou Psico e o Russo, como eram apelidados na escola, mas que graças ao mergulho numa aventura de Verão se auto intitulam de Condes... Conde Lada e Conde Koks.

Maik e Tschick constroem uma teia de diálogos que apelam à risota e à boa disposição, num misto de ingenuidade e curiosidade típica de jovens de quatorze anos. Não se pode dizer que ambos fossem compinchas e melhores amigos de escola, já que Maik é quase que invisível ao passo que Tschick é temido pelos colegas, no entanto tudo pode mudar e muda, graças a umas férias de verão diferentes e aventureiras.

Montados num velho Lada, os jovens sentem a liberdade de conduzir - quase - sem destino, já que o destino é duvidoso, bem como os habitantes e as descendências - suábios, valáquios, ciganos judeus, franceses ingleses... e toda uma conversa surreal, que dos contornos geográficos, viaja às opções sexuais e aos preconceitos de que se veêm alvo na escola.
De braço de fora e cabelos ao vento, a banda sonora desta jornada, oscila entre a Beyoncê, isto quando se insiste no caminho do coração, mas o verdadeiro caminho é o aventura e o grito de revolta por umas férias ousadas grita mais alto e com os White Stripes.

Se a história de Tschick é envolta num mistério, Maik desvenda tudo, a mãe é alcoólatra e o pai, que tem cara de teckel, usa os negócios para descuidar o seu papel. No meio da lixeira, enquanto procuravam uma mangeira, encontram Isa, envolta num cheiro fétido e numa história que fede a mentiras... mas adiante, que a juventude não se perde em detalhes, mas antes em novidades.

Talvez por coincidência, ou não, encontro semelhanças numa leitura recente, do livro de Dennis Johnson, não sei se pelos amigos, se pelo carro e também com Kerouac, mas aí devido aos hipopótamos... ou então talvez seja mesmo fruto de uma narrativa alucinante e recheada de detalhes grotescos.

"Um hipopótamo surgiu à nossa frente, abrindo caminho por entre os arbustos. Algures na Alemanha, mesmo junto à autoestrada, no mais completo deserto, um hipopótamo abriu caminho por entre os arbustos e desatou a galopar na nossa direcção. Usava um fato azul, tinha uma permanente loura, de caracóis tipo carapinha, e empunhava um extintor..."

Mais uma leitura com o apoio da 

Leia as primeiras páginas aqui
e obtenha mais informações no site da PRESENÇA

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Entrevista a Manuel Monteiro, autor do livro «O Suave e o Negro»



Manuel Monteiro foi seleccionado como Novo Talento Fnac da Literatura, com o conto «O Pátio», incluído na colectânea de contos com edição Fnac, mais informações aqui e aqui.
É autor dos livros:
«DEMANDA OU A COR NUNCA VISTA» de 2008, informações aqui.
E de «O Suave e o Negro» o qual lemos e apreciámos, leiam a nossa opinião, aqui.


Entrevista a Manuel Monteiro, autor de «O Suave e o Negro»

Efeito dos Livros - "A longo prazo, nunca ninguém é atormentado pelo Bem que fez." É um disperso teu que muito me agradou e que ligo particularmente ao teu livro. Esta é a tua forma de fazer o Bem?

Manuel Monteiro - Agradeço o elogio. Nem sempre o autor é o ventríloquo e o narrador o seu boneco. Descrever como administro o Bem soaria paroquial. Soaria a um desejo de pastorear.


Efeito dos Livros - Uma amizade (assim) é uma forma de filantropia?

Manuel Monteiro - Não gosto de acrescentar interpretações ao livro. Ou as coisas estão na obra ou não estão – o escritor não as acrescenta com comentários sobre a mesma. Não sei. Só se for por rimar com doentia. Talvez seja. Terias de perguntar ao Alexandre...


Efeito dos Livros - “Distorcíamos os factos, achatando-os até que eles coubessem nos nossos ideais.” 
Distorcíamos ou distorcemos? É uma forma de crítica social?

Manuel Monteiro - É uma forma de crítica, sim. Distorcemos e distorceremos. Creio ser um traço do ser humano. Inapagável. Como tantos outros.


Efeito dos Livros - Lê-se numa outra entrevista tua e que não pareça descontextualizado: “(…) a realidade é um pormenor irrelevante para o fanático.” É assim que vês a actualidade? Recheada de fanáticos fideístas  (posso hiperbolizar assim?)

Manuel Monteiro - Há fanáticos em todas as áreas em todas as épocas. Todos temos os nossos preconceitos negativos e positivos. Eu tenho os meus. O que observo é que nenhum fanático se reconhece como tal – talvez que se isso sucedesse o seu fanatismo se começasse a desmoronar. O fanático é sempre uma categoria vista de fora.


Efeito dos Livros - Face à tua leitura a Bukowski escreves que ele “(…)consegue manobrar muito bem a mescla entre ironia e o debate existencial, sem que o livro de forma alguma resulte desconchavado.” Eu, se o tivesse conseguido dizer assim, escreveria o mesmo sobre a tua abordagem à amizade. Revês-te na escrita de Bukowski?

Manuel Monteiro - Aprecio a genuinidade de Bukowski. Prefiro o poeta ao prosador. Mas há uma certa recorrência que cansa, um nunca-sair-de-si e a sua escrita não é a mais sólida e a mais bela. Mas tem uma voz única. E isso é tão tão tão difícil. A ironia é muito importante para mim, especialmente nos assuntos mais sérios.


Efeito dos Livros - A escrita é um hiperónimo do quê? 

Manuel Monteiro - A escrita hiperónimo da vida ou a vida hiperónimo da escrita – tenho pensado nisso, curiosamente.


«Lionel Asbo» de Martin Amis, uma edição Quetzal

Lionel Pepperdine, isole a pepper e troque-a por tabasco - fica intragável.
Pense em dine de dinner, mas esqueça, Lionel Pepperdine seria indigesto.
Agora troque Pepperdine por Asbo, ou melhor A.S.B.O. - mas não pense, que ao bom jeito de herói de filme que esta troca de apelido é benéfica, antes pelo contrário. Asbo é acrónimo de - Ordem de Comportamento Antissocial - exacto - Asbo, que bem poderia bem ser Asno, é o hiperónimo de anti-social.

Junte ainda a este espécime, o bairro social de Diston com todos os seus flagelos de crime, droga, álcool, prostituição, corrupção, junte também o Joe e o Jeff ou o Jon e o Joel, cães ferozes alimentados a tabasco. Mas se isto ainda não chegar para completar esta refeição literária, junte umas MILF's ou uma AQEGF... ou seja, avós que eu gostava de f*....

Ainda assim, para sobremesa, sirva-se a quente o recorte de jornal onde diz:
"Ando a ter um caso com uma mulher mais velha. Ela é uma senhora de alguma sofisticação e constitui uma refrescante mudança em relação às adolescentes que eu conheço. (...) O sexo é fantástico, e penso que estou apaixonando. Mas há uma complicação muito séria e é esta: ela é a minha Avó!"

A cereja no topo do bolo é Desmond Pepperdine, Des ou Desi, que faz jus aquela pergunta: "Afinal és um homem ou és um rato?" Convêm desde já elucidar o leitor que o pequeno e pouco espevitado Des é O neto!

Deus (o deus dos casamentos de Pentecostes, como mastro em género de dança do varão (piada sobre as origens deste estilo de dança)] nos livre dos rituais de acasalamento entre criatividade literária e crítica social que ilumina Martin Amis, pois a iluminação é negra, mas sagaz, cortante, mas hilariante.

O ingrediente que faz toda a diferença neste menu impróprio a dietas mais comedidas é mesmo a Lotaria, são 139 milhões de Libras para Lionel Asbo, o Bobo do Loto, preso e acorrentado ás garras da prostituição e da vida fácil, mas lembre-se: que um gajo da prisão e da pornografia sabe sempre com o que pode contar, palavras do autor.

Esqueça a profilaxia recomendada e deixe-se contagiar com a escrita cómica e incisiva daquele que é considerado o melhor escritor inglês da actualidade.

Uma leitura com o apoio 
Mais informações do livro, aqui.
Leia as primeiras páginas, aqui.
Martin Amis na Quetzal.







Uma visita sob o Efeito dos Livros - Óbidos, Vila Literária


A nossa singela cobertura fotográfica, pela capacidade e o olhar do nosso Caracol Literário!







Na Livraria do Mercado Biológico



Livraria da Galeria da Arte Moderna


No largo, praça central da Vila, uma Livraria ao ar livre




e mesmo na esquina...




Um deleite para os nossos olhos, 


com o toque final - a exposição fotográfica




A dinâmica das estantes nesta genuína Livraria...



Livraria Santiago



a minha favorita!





Uma visita a Óbidos vale sempre a pena!
E agora com livros ainda mais!