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terça-feira, 17 de junho de 2014

Entrevista :: Dorothy Koomson (PT/EN)

As temperaturas altas que se verificaram este fim de semana contribuíram para os corredores desertos da Feira do Livro mas o Efeito dos Livros ainda andou por lá à torreia do sol. Na sexta-feira com o Picnic Literário e no sábado, para a sessão de autógrafos à autora Dorothy Koomson.
Já no ano passado tivemos oportunidade de conhecer a autora num dos passeios familiares à Feira e desde então, a nossa mãe tornou-se mega fã e já devorou quase todos os livros. À data do lançamento do mais recente romance, “Os aromas do amor”, aqui a metade colorida decidiu iniciar a leitura pela última carruagem do comboio. Já com nove títulos editados em Portugal, Dorothy Koomson tem já uma legião de fãs que anseia sempre por um novo livro e pela sua vinda à Feira do Livro.


Como ainda sou uma novata no mundo Dorothy Koomson, perdoem-me se as perguntas não são as que estão habituadas a ler noutros locais mas eu também nunca gostei de me reger pelas regras, por esse mesmo motivo, por aqui não se segue a mais básica noção de entrevista, com Pergunta-Resposta.

Com a leitura de “Os aromas do amor” fiquei completamente assoberbada com o volume de situações complicadas com que Saffron, a nossa personagem principal, tem de lidar. Curiosamente, todas as pessoas com que comentei este facto, incluindo a minha mãe, dizem que é normal a autora colocar as suas personagens em cenários bem dramáticos. “Já alguma vez a chamaram de Drama Queen?” Foi com uma gargalhada que a autora que respondeu que sim, que pessoalmente é uma Drama Queen (qual a mulher que não o é?!) mas que acima de tudo a razão para colocar as suas personagens em apuros se deve ao facto de tentar perceber como elas reagem e ultrapassam certas situações difíceis. Por mais que possamos considerar que por vezes o emaranhado é tão incrível que não pode ser verdade, a autora acrescenta que quando aborda um tema tenta sempre saber mais a seu respeito, falar com pessoas que viveram e ultrapassaram tal contratempo.

Curiosamente , como portuguesa que sou, dei comigo a pensar na velha máxima “podia ser pior” quando li “Os Aromas do amor”.
“Acha que os problemas que as suas personagens vivem fazem com que o leitor se sinta um sortudo?”
“Mais que sortudo, abençoado“. A  verdade é que estas situações existem e muitas pessoas têm de as suportar.  No entanto, o feedback por parte do fãs, que a autora diz receber via email e facebook é inspirador. Os leitores agradecem à autora por contar determinada história, por abordar este ou aquele assunto que lhes é pessoal. Afirmam que a leitura os ajudou  a perceber que não estão sozinhos nessa luta e que, em alguns casos, o livro até os ajudou a perceber como resolver alguma situação.
É este o efeito dos livros que encontramos nos romances da autora e que nos faz questionar sobre o que a inspira a escrever, especialmente sobre o que a levou a escrever "Os Aromas do Amor", a história de uma viúva que é atacada por diversas frentes enquanto tenta lidar com os seus próprios problemas íntimos.
“A sociedade tem expectativas sobre o papel de uma mulher viúva. Se fosse um homem a casar com outra mulher após um ano da morte da esposa ninguém ia criticar mas uma mulher, quase que se supõem que deveria  ficar sozinha para sempre, que não tem direito a sentir desejo novamente, a querer ter sexo com outro homem”
E a história de Saffron e o livro em si acaba por quebrar esse estereotipo da viúva mas foca igualmente outro aspecto muito importante, relacionado com a filha a personagem principal. Numa era de informação é incompreensível que tantas jovens ainda estejam tão mal informadas quando decidem dar os primeiros passos da sua vida sexual. Faz-nos pensar que somos tão evoluídos para tanta coisa mas, por vezes, falhamos nos conhecimentos mais básicos e dos quais a nossa vida depende.

Mas de modo a aligeirar o ambiente, desviámos a conversa para a nossa linda cidade, Lisboa. “O que a inspirou  a mencionar a nossa solarenga cidade no seu mais recente livro?” 
Nota: Joel e Saffron conhecem-se a caminho de Lisboa (spoilers, sim!)
Na sua última visita teve oportunidade de passear pelo centro da cidade, não muito longe da zona da Feira do Livro e embora já tivesse visitado Portugal noutras ocasiões, considera a cidade  um local  encantador, digno de um romance, com a sua luz magnífica e as suas ruas tom de cobre. Pessoalmente, não poderia estar mais de acordo. Sempre considerei Lisboa uma cidade romântica, por isso, este é o cenário ideal para um romance, seja qual for a sua nacionalidade.
Não é para mais que a opinião da autora sobre a cidade se estende aos seus habitantes, que apelida de generosos, simpáticos e até, afortunados. A recepção de que é alvo em cada uma das suas visitas não podia ser mais calorosa (sem piada associada aos quase 40 graus que se faziam sentir durante a entrevista). E prova disso mesmo foram as vezes que durante a entrevista a autora foi abordada por fãs para mais um autógrafo.


Rita, uma fã da autora que não fazia ideia que esta se encontrava na Feira, veio a correr assim que ouvi falar da sessão de autógrafos. "Nem acreditava no que estava a ouvir" disse com um sorriso enquanto Dorothy autografava "O outro amor da vida dele".
Realmente é enternecedora a reacção dos diferentes fãs que foram chegando e a brindaram com um sorriso, um abraço e umas palavras carinhosas durante o tempo que estivemos à conversa no Pavilhão da Porto Editora. Houve até quem voltasse para um segundo autografo após comprar mais um título .
Estes momentos são a prova viva do quanto os livros estão presentes no dia a dia das pessoas e o quanto os leitores valorizam as historias contadas por Dorothy Koomson.
“Recebo imensos emails de leitores a dizer que o livro que leram os ajudou a explorar um tema ou a criar um ponto de vista próprio”. Mais que uma ajuda a lidar com um problema que nos consome, alguns livros acabam por nos ajudar a ver o outro lado, ao permitir que nos coloquemos no seu lugar e a ver as coisas do seu ponto de vista.

E ao fim de nove livros é difícil eleger um preferido. Enquanto a autora refere que para a grande maioria dos seus leitores a escolha do preferido recai sobre "A filha da minha melhor amiga", para ela será sempre o primeiro, “O amor está no ar”. Este é o seu bebe literário, o que mudou tudo, embora todos os seus livros a tenham feito evoluir muito pessoal e profissionalmente.

E para terminar, roubei ao Humans of New York, umas das minhas páginas de Facebook de eleição neste momento, a minha pergunta final.
“Se pudesse dar um conselho a um grande grupo de pessoas, qual seria?
"Que acreditem que são bons o suficiente, que são perfeitos como são e que não precisam de mudar“

Como referi anteriormente, eu comecei pelo fim, por isso, agora vou ao contrário das outras pessoas. O próximo será "A Praia das Pétalas de Rosa". Na colecção da família Rodrigues ainda nos falta "O amor está no ar" e "Amor e chocolate" mas com tempo fica completa.
Relembro a opinião ao mais recente romance, "Os Aromas do Amor" para o qual recriámos a capa. Fiquei muito contente de saber que as fotografias que acompanham a opinião foram enviadas à responsável pela criação da capa. É sempre bom ver o nosso trabalho reconhecido!

Obrigada Dorothy pela simpatia com que me recebeu e respondeu às minhas perguntas fora do vulgar. No próximo ano estaremos novamente na fila para dois dedos de conversa, dois beijinhos e um autografo.

Obrigada à Porto Editora pela oportunidade de ler o mais recente romance da autora e de a entrevistar nesta edição da Feira do Livro.


INTERVIEW

The high temperatures felt last weekend contributed to the deserts corridors of Lisbon's Book Fair but Efeito dos Livros still hang in there under the boiling sun. On Friday with our Literary Picnic  and on Saturday at Dorothy Koomson's book signing. 
Last year we had the opportunity to meet Dorothy in one of our family walks in the Fair and since then our mother became a fan and has already devoured most of the books. When "The scents of love" was released, this half of the blog decided to start reading the last wagon on the Dorothy Koomson's train. With already nine books published in Portugal, Dorothy Koomson has a legion of fans that are always waiting for a new book and the opportunity to meet with the author.

Since I'm new to the Dorothy Koomson's world, forgive me if my questions are not like the ones you are used to read in other places but I never really liked to follow the rules and for that reason, here you have a not so typical  Question-Answer type of interview.

While reading "The flavours of love" I was completely overwhelmedwith the volume of complicated situations that Saffron, our main character, has to deal with. However, all the people with who I talked about this, including my mother, say it is normal for the author to put her characters in very dramatic situations. "Has anyone ever called you a Drama Queen?" It was with a laugh that the author confirmed me that personally she's a Drama Queen (what woman isn't?) But the main reason to put her characters in trouble is to discover how they react and overcome certain difficult situations. As we may consider the web of problems too extreme, the author says that whenever she talks about a subject she tries to discover more about it, talk to people who lived and exceeded such mishaps.

Curiously, since I'm Portuguese, I found myself thinking about one of our most common sentences, "it could be worse", while i was reading "The Flavours of Love".
"Do you think that the problems that your characters live make the reader feel lucky?"
"More than lucky, blessed." The truth is that these situations exist and many people have to endure them. However, according to Dorothy, the feedback received by email and facebook is inspiring. Readers like to thank her for telling a particular story, by addressing this or that subject that is personal to them. They claim that reading helped them realize they are not alone in their struggle and that, in some cases, the book even helped them find a way to deal with a situation.
Is this the effect that Dorothy's novels have on readers and that makes us question what inspires her to write, especially what led her to the theme of "The Flavours of Love", the story of a widow who is attacked by several fronts while trying to deal with their her intimate problems.
"Society has expectations about the role of a widow. If it was a man marrying another woman one year after the  death of his wife no one would criticize but when it comes to a woman, everyone assumes that should you should be alone forever, that you have no right to feel desire again or wish have sex with another man"
Saffron's story and the book itself ends up breaking that stereotype of the widow but also focuses on another very important aspect related to the main character's daughter. In an age of information is mind boggling how many young people are still so misinformed when they decide to take the first steps in their sex life. It makes us think that we are so evolved for so much stuff but sometimes fail in the most basic knowledge and of which our life depends.

But in order to lighten up the atmosphere, the conversation strayed to our beautiful city, Lisbon. "What inspired you to mention our sunny city in your latest book?" 
Note: Joel and Saffron met on their way to Lisbon (spoilers, yes!)
On her last visit, Dorothy had the opportunity to walk around town, specially in the city center, not far from the Book Fair area and although she had already visited Portugal on other occasions, she considers our city to be a lovely place, worthy of a romance, with it magnificent light and copper streets.  Personally, I could not agree more. I always considered Lisbon a romantic city, worthy of a setting for a novel, whether a national or international one.

Dorothy's opinion about the city extends to its inhabitants, who she considerous to be generous, friendly and even fortunate. The reception she's given in each of her visits couldn't be warmer (no pun intended with 40 degrees we felt during the interview). Proof of this good receptions were the times, during the interview, that the author was approached by fans for another autograph.
One of them was Rita. She was just taking a walk in the Fair and had no idea about the book signing. "I could not believe what I was hearing. I came running!" she said with a smile as Dorothy autographed "The other love of his life."
The reaction of the people coming to greet Dorothy with a smile, a hug and some kind words during the time we were chatting in Porto Editora were simply  heartwarming. Some even came back a second time with another book they just bought to be autographed.


These moments are the living proof of how books are important in our daily lives and how much readers value the stories told by Dorothy Koomson.
"I get lot of emails from readers saying that reading the book helped them to explore a theme or create personnal point of view." More than helping us deal with a problem that consumes us, some books end up helping us see the other side. They allow us to place ourselves in someonelse's shoes and see things from their point of view.

And after nine books its difficult to choose a favorite. While the author states that for the vast majority of her readers, the choice lies on "The daughter of my best friend," for her, will always be the first she published, "The cupid effect", although all of them made her evolve personally and professionally.

And finally, in the spirit of one of my favorite facebooks pages nowadays, Humans of New York, I asked my last question.
"If I could give advice to a large group of people, what would it be?
"Believe you are good enough, perfect just as you are and you do not need to change"

As I mentioned earlier, I started at the end, so now, unlike other people my next book will be "The Beach of Rose Petals". In the Rodrigues Familly Library we are still missing two books, "The Cupid Effect" and "The Chocolate Run" but in time we will complete it.
I recall the review of "The Scents of Love" for which we recreated the cover. I was very glad to know that the photographs we made were forwarded to person who createad of the cover. It's always nice to see our work recognized! 

Thank you Dorothy, forthe sympathy with which you received me and answered my out of the ordinary questions. Next year we'll be back in line for a small chat, two kisses and an autograph.

Thanks to Porto Editora for the opportunity to read Dorothy's latest novel and for the chance to interview her in this edition of the Lisbon's Book Fair.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Entrevista :: S. D. Gold - "Hoje é melhor do que para sempre"

Depois da opinião, fica a entrevista.

Claro que a primeira questão será sobre o anonimato. 
Foi uma escolha em detrimento da paz e sossego pessoal/ profissional ou receio de associações infundadas relativamente à escolha do género literário?
Poder expor o meu livro sem me expor a mim é perfeito. Não vou dizer que não. Mas a motivação para não revelar a identidade não foi essa. Tem a ver com a incompatibilidade entre a minha profissão e o facto de ser autora de um livro deste género literário. Ainda existe preconceito e acredito que, na minha área profissional, está muito presente. Por isso, porque quero continuar a poder fazer as duas coisas, tomei esta decisão.
Que não foi nada fácil e torna todo o processo mais complexo. Tenho noção que só teria a beneficiar por dar a cara pelo meu livro. Mas foi a minha escolha, e foi muito ponderada.


Mesmo com a crescente popularidade do género, achas que os leitores deste livros são rotulados negativamente pela sociedade? 
Acho que genericamente não são. Não acredito que muitas pessoas assumam que acham que quem escreve um romance erótico deve ser “um grande maluco”. Mas, na realidade, há muitas pessoas que pensam assim e, conscientemente ou não, acabam por fazer juízos de valor. O que não faz sentido nenhum. Porque eu, por exemplo, não sou melhor ou pior profissional por ter escrito um livro deste género literário. E se eu escolhesse escrever outro tipo de livro não haveria espaço para rótulos menos positivos.

E tu também és uma leitora do género? Tens um preferido?
Sempre li muito, dos mais variados géneros. Mas confesso que sou apaixonada por ler o amor nos livros. Algumas histórias mais picantes, outras mais subtis, clássicos e contemporâneos. Romance é o meu género favorito. O meu autor de referência de sempre é Gabriel García Marquez. Um dos livros dele (“Memória das minhas putas tristes”) está presente no meu livro. Gosto muito dele!


A ideia de não localizar imediatamente a história deste casal no espaço permite-nos divagar sobre o local de origem das personagens, especialmente tendo em conta as diversas nacionalidades e destinos de viagens. Era esse o objectivo, o de conseguir tornar esta uma história passível de acontecer em qualquer cidade europeia?
Desde o início que eu sabia onde eles estavam. Mas não queria que fosse óbvio. Queria manter essa dúvida tanto quanto possível. Por isso, deixei para revelar no fim qual a cidade onde viveram as emoções mais fortes. E não podia ser outra!

Dizem que para se escrever bem devemos escrever o que conhecemos. 
Partes da história de Max e Viviane têm detalhes reais (pessoais ou emprestados) ou é tudo pura inspiração ?
O Maxwell e a Viviane são personagens ficcionais. Mas têm traços de pessoas como eu e, certamente, como muitas outras pessoas. A história não é real, mas não acredito que seja possível escrever sobre o que não conhecemos. Pelo menos, quando falamos de relações humanas, de paixão e de amor. Ainda que seja uma história ficcional, é inspirada em pessoas, em momentos, em experiências que vivi ou conheci, presencialmente, nos livros, nos filmes, ou pela voz de outras pessoas.

Gosto do facto de a história ter intercalado os pontos de vista dos intervenientes, especialmente de Max e Viviane quando estão juntos na mesma cena. É esta uma maneira de dar protagonismo ao casal ou será sempre Viviane a personagem principal?
Fiz questão que ambos fossem protagonistas. E confesso que esse foi o meu principal desafio: ser capaz de transmitir a perspetiva masculina com algum realismo. Espero ter estado, pelo menos, próximo desse objetivo.
Este não é um livro para mulheres. É um livro para todos.

As redes sociais tem-te ajudado a manter uma ligação mais próxima com os leitores.
Verifiquei que já várias pessoas deixaram a sua opinião ao livro no Facebook. Como tem sido o feedback dos leitores que já ficaram a conhecer "Hoje é melhor do que para sempre"?
Os feedbacks dos leitores têm sido incríveis. Na verdade, têm-me surpreendido. Pelo carinho e pela simpatia. As pessoas são fantásticas.

Já começaram a dizer que imaginam Max ou Viviane como algum actor ou actriz?
E para ti, quem seriam os actores escolhidos para dar corpo ao par numa produção com elenco de luxo (mesmo que imaginária, vamos só sonhar!).
Eu já imaginei! Sonhar não custa. J E imaginando que seria uma produção internacional, escolheria o Javier Bardem para o papel de Maxwell Fox e a Penélope Cruz para o papel de Viviane Rose. E a realização podia ser do Alejandro Iñarritu. Achas que aceitam?
Qual a melhor coisa que um/a leitor/a te pode dizer sobre o teu livro? (ou já te disse!) 
Já me disseram coisas que me deixaram muito feliz. Várias. Que a experiência de ler o livro é gratificante. Que se sentem “próximos” das personagens, conseguem sofrer com eles, emocionar-se, sentir o que eles sentem. E que o final é surpreendente. Esta última é muito frequente.

"Os romances eróticos estão para as mulheres como a pornografia está para os homens" - Já falámos sobre isso aqui e embora a minha opinião já tenha mudado um pouco desde Dezembro, qual a tua opinião? Concordas?
Não concordo. Por três razões.
Primeiro, porque não acredito nessa distinção entre homens e mulheres. Se ainda existe, tenderá a desaparecer.
Depois, porque acho que quer os romances eróticos quer a pornografia são para homens e mulheres. Nenhum deles está circunscrito a um destes públicos.
E por fim, porque romance erótico e pornografia são coisas totalmente diferentes. Se falássemos em filme erótico e filme pornográfico estaríamos pelo menos no mesmo universo, o cinematográfico. Ainda que, mais uma vez, sejam distintos.
Contudo, acredito que a pornografia é, genericamente, pouco “atenta” às preferências femininas. E aí um romance erótico pode compreender e aproximar-se mais do que as mulheres gostam.

Queres deixar algum mensagem ou incentivo aos leitores do Efeito dos Livros para que conheçam o teu "Hoje é melhor do que para sempre"?
Antes disso, quero agradecer-te a divulgação e a recomendação que estás a fazer do meu livro. É um contributo muito importante!
Para os potenciais leitores, fica o convite para entrarem nesta viagem e acompanharem as aventuras e desventuras do Maxwell e da Viviane, dois jovens adultos que querem desafiar os limites da sociedade e não têm medo de arriscar para viverem todas as experiências que acreditam que os farão felizes. É um romance intenso, sobre a paixão e o desejo. Mas também sobre o amor e a vida.
Arrisquem-se a ler. Hoje. Experimentem! E que valha a pena!

E é assim, se gostarem da minha opinião e da entrevista com a autora, sigam o meu conselho. Vão passear à Feira do Livro de Lisboa e aproveitem para passar no Pavilhão da Alêtheia Editores (D38/D40) e levar para casa um exemplar de "Hoje é melhor do que para sempre".

Em breve, teremos mais novidades quanto a este livro.
É esperar para ver! :)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Entrevista :: Agnés Martin-Lugan

Agnés Martin-Lugand, até há pouco tempo um nome desconhecido do grande público, é neste momento a autora do romance sensação desta temporada no mercado editorial Francês.
Inicialmente auto-publicado online, "Les Gens heureux lisent et boivent du café", ou "As pessoas felizes lêem e bebem café", como foi publicado em Portugal, vendeu mais de 8500 exemplares na Amazon. Uma vez caçada pelo grupo editorial Michel Lafon, que viu no romance de estreia de Agnés um potencial best-seller, os direitos de autor já foram vendidos para mais de 18 países e a adaptação ao cinema é uma realidade.

Com o lançamento do livro em Portugal, tivemos oportunidade de conhecer a autora e falar com a ela no dia em que apresenta o seu primeiro romance ao público português.
Aproveito para agradecer a valiosa ajuda de Rui Santana Brito, responsável pela tradução do livro e pela ponte luso-francesa necessária nesta entrevista (já que o meu francês é terrible).

Como nasceu a ideia para o livro?
Um certo dia, enquanto via um programa na televisão sobre uma vila inglesa isolada e hostil junto à costa, deu por si a pensar que se algum dia acontecesse algo à sua família iria com certeza se refugiar num sítio desse género para viver reclusa da sua perda. Foi assim que surgiu a ideia de criar a história de Diane, alguém que perdeu o marido e filha e que decidi fugir para um local remoto para superar a sua perda.
A autora confidenciou que a sua escolha para a localização da história de Diane existe mesmo. Mulranny, como podem ver no MAPA, é mesmo uma pequena vila costeira da Irlanda e segundo a autora, as duas cabanas de frente para o mar, habitadas no romance por Diane e o seu terrível vizinho Edward, são reais (parece que já se sabe onde pode vir a ser filmada a adaptação cinematografica)

Como se sentiu ao ver o seu livro se tornar um best seller depois de 4 editoras a terem recusado?
Feliz, sortuda, encantada....foram tantas as palavras e emoções transmitidas pela autora. Sente-te verdadeiramente uma felizarda por ter tido a oportunidade de ver o seu romance ser editado em França (pela Michel Lafon), estar a ter uma muito boa aceitação por parte do público (150.000 exemplares vendidos) e por ter sido convidada para estar em Portugal para falar sobre o seu livro.
Recordamos que o livro "As pessoas felizes lêem e bebem café" já tem os seus direitos vendidos para 18 países.

Sabemos que o seu livro será adaptado ao cinema. Parabéns!
Como se sente com esta novidade? Quais os actores que gostaria de ver nos principais papéis?​
Como em tudo o que envolve o livro, a felicidade é tremenda mas confessa que nunca pensou quem seriam os actores indicados para os diversos papéis. Mesmo relatativamente a Diane, que acaba por ser a personagem com quem criamos uma maior ligação, a autora diz que basta ser alguém que crie empatia com a personagem, que seja capaz de transmitir as emoções inerentes à história e ao yo-yo emocional pelo qual ela passa ao longo do livro.

No entanto, a autora não estará ligada à produção do filme mas quando os direitos foram vendidos, teve oportunidade de acertar alguns detalhes com os produtores (esperemos que seja para que o fim se mantenha inalterado)

Já se fala num segundo livro. Será uma continuação deste ou uma história nova?
Correcção à Elsa - Não se fala de um segundo livro, ele está mesmo quase a sair.
Dentro de duas semanas sai em França o seu segundo romance -
Entre mes mains le bonheur se faufile ​ - GOODREADS​
​Este não será uma continuação do livro já editado em Portugal no entanto, não coloca de parte a possibilidade de o continuar e promete que um dia, talvez, possamos ler o resto da história de Diane (e Edward).
​Para mim, que reclamei com a falta de uma conclusão (na minha crítica), tive oportunidade de ouvir, durante a apresentação, algo que a autora disse que me fez mudar de opinião (e lembrar algo que aprendi à custa da experiência). Deixem o fim estar como está, nem tudo na vida é romance e as pessoas têm de saber ser um indivíduo antes de serem parte de um par.

Claro que a minha pequena entrevista apenas ficou completa com a divertida mas igualmente comovente apresentação pelas palavras de Antonieta Lopes da Costa, onde o pequeno público que estava presente teve oportunidade de ficar o mundo de "As pessoas felizes lêem e bebem café".

Revi-me nas palavras da jornalista quando refere que este é um livro que quando se começa a ler não o conseguimos largar até às últimas páginas. Sentimos que estamos perante um filme que se desenrola na nossa cabeça (daí não ser surpresa que já esteja a ser preparada a adaptação para o cinema, que segundo Antonieta, podia ser toda filmada nos Açores por tantas serem as semelhanças com os cenários descritos da pequena vila irlandesa)

Gostei igualmente da pausa para questionar à autora se ela fumava, visto que a personagem principal é aquilo a que habitualmente chamamos de chaminé. Eu como fumadora, também tive vontade de puxar mais do que uma vez de um cigarro durante a leitura.

Numa última nota, a jornalista referiu ainda que, com a leitura deste romance, teve a oportunidade de encerrar um processo de luto pesaroso de dois membros da sua família. Uma prova que os livros (o café e o tabaco!) nos acompanham em diversas jornadas da vida.
Como referi na minha opinião divulgada no próprio dia da apresentação, estes elementos estão presentes na alegria e na tristeza (agora que digo isto, mais parece que estou a proferir votos num casamento!)

​A autora, emocionada com o convite mas igualmente perdida perante tudo o que tinham dito até então (a própria admitiu com um sorriso!), agradeceu a oportunidade de vir até Portugal apresentar o seu livro, o seu primeiro bebe literário, que lhe dá tantas alegrias com todo o sucesso que tem tido em França e agora em Portugal.
Confessa que nunca pensou atingir um nº de leitores tão elevado e espera que os leitores portugueses gostem história de Diane e que criem empatia com ela.

Aproveito para incluir o booktrailer que tem passado na SIC.
Já o viram?


​Nós gostaríamos de agradecer à Guerra e Paz a oportunidade de ler este livro e o convite para ficar a conhecer a autora.​
Que venha o filme e o segundo livro :)

Boas leituras!

sábado, 8 de março de 2014

Entrevista/ Apresentação :: Megan Maxwell / Pede-me o que quiseres

No meu entusiasmo, inexperiência ou pura estupidez, fiquei mais interessada em manter contacto visual e total atenção na autora enquanto respondia às minhas questões, que não apontei as suas respostas na totalidade. Limitei-me a ouvir, inteirar-me do que me dizia e de ver respondidas as questão que eu, como leitora, fiz os possíveis para esclarecer. Por isso, lamento se não vão encontrar uma entrevista clássica mas aqui por estes lados, nunca fomos muito adeptos de fazer as coisas pela normalidade. Deixo-vos as perguntas que levei.

  1. ​ Uma das coisas que mais gostei foi a proximidade geográfica e a semelhanças das personagens a pessoas que conheço. Achas que esse foi um factor decisivo para o sucesso da Trilogia? 
  2. Conhecendo a força de vontade das mulheres latinas, que tipo de personagem no gostas de incluir nos seus livros? 
  3. Antes de trilogia chegar a Portugal, percebi que muitas das nossas segidoras tinham lido o seu livro em espanhol. Tens muita guerreiras em Portugal? E leitores masculinos? 
  4. Quando falas de Eric, pensas em Paul Walker. Todos sentimos a sua morte e tu também. Continuas a ver Paul como Eric Zimmerman? 
  5. Uma das coisas que está muito presente nos teus livros é a música. As referências musicais que encontramos são as tuas músicas preferidas ou as que melhor se adaptam à história? 
  6. A adaptação de Pede-me o que quiseres à televisão ou cinema é um sonho ou uma uma realidade para um futuro breve? 
  7. Todas sabemos que Pede-me o que quiseres ou deixa-me é o último livro da trilogia. Não pensas continuar a história de Eric e Judith? 
  8. ​Que outro livro gostaria de ver publicado em Portugal? 
Confesso que as escrevi em espanhol e agora me estava a ver grega para as transcrever para português. Ora vejamos o meu resumo dos eventos:
A credibilidade dos personagens é um dos pontos que contribuem par ao sucesso da trilogia. Quando lemos um livro queremos sentir-nos próximas das personagens, queremos que elas nos prendam caso contrário não nos vamos dar ao trabalho de ler o livro e acabamos por o largar ao fim das primeiras 10/20 páginas. Judith é uma mulher latina, que te é familiar, parecida com uma amiga, uma prima ou outra que te é próxima. As razões do sucesso não se ficam por ai, pela identificação do leitor com o espaço físico e personagens. Além de esta ser uma história com personagens credíveis, com fantasias comuns que por vezes não confessamos ter, é no carinho com que as leitoras de Megan, as suas Guerreiras, abraçaram este novo projecto que encontramos o motivo para este avassalador sucesso. Fãs dos livros medievais e dos seus romances, estas guerreiras tornaram-se as primeiras leitoras e as principais responsaveis pelo sucesso da trilogia em Espanha, Portugal e América Latina. Muitos dos locais em que hoje estão a ser publicados os livros de Megan deve-se à perseverança das suas leitoras em ter acesso a todos os livros, de todos os géneros, em especial nos países latino americanos. Na realidade, a garra com que as guerreiras lutam pelo seu objectivo é exactamente o que Megan tenta transmitir nas suas personagens. Mulheres fortes, que sabem o que querem, que lutam. Diz não ser capaz de incluir nos seus livros uma mulher submissa, porque não o é. Comparações com personagens femininas de outras trilogias não serão feitas aqui mas foram com certeza feitas durante a entrevista :) Na realidade, não é só em Espanha que as mulheres aderiram aos seus livros e à trilogia Pede-me o que quiseres. A presença de portuguesas no grupo de Guerreiras é comum e a autora não estranhou o sucesso que os livros estão a ter em Portugal. São muitos os contactos que recebe de leitoras portuguesas e fica encantada por saber que em terras lusas a garra latina também está presente. Presentes no grupo de guerreiras e leitoras de Megan estão igualmente leitores masculinos. Embora possa parecer um mito, eles existem. A autora diz que são discretos, enviam email ou mensagem privada no Facebook mas que raramente algum admite em público que lê gosta e está embasbacado por Judith Flores. Como podem ver, não somos só nós a ficar de beiço por um protagonista. E quando ficamos, será que o imaginávamos de acordo com as indicações da autora? Quando pensam em Eric Zimmerman, quem imaginam? Não é segredo nenhum que a autora sempre visualizou Paul Walker, que embora não fosse alemão era loiro de olho claro e encaixava na perfeição neste personagem. Embora tocada pela sua morte, nunca deixará de ver Paul como Eric (da mesma maneira que Judith terá sempre o rosto de Anne Hathaway). No entanto, depois de um pequeno momento emotivo e 1 copo de água servido com muita simpatia, o assunto mudou para as músicas que têm uma presença muito forte ao longo da trilogia, em especial Blanco e Negro, considerada a música de Eric e Judith. Toda a playlist Pede-me o que quiseres está repleta das músicas que a autora mais gosta, que a acompanharam durante as jornadas diárias de escrita. No tempo em que escreveu o primeiro livro, a música de Malu tocava a toda a hora e diz que um dia se fez um clique ao ouvir a música, que a letra era exactamente a história de amor de Eric e Judith. História que de momento não veremos chegar à televisão ou cinema. O facto de ter cenas que para nós, assiduas leitoras de romances eróticos, não são particularmente chocantes para a maioria do público sim e teria de ser uma adaptação feita com muito cuidado para naõ passar uma imagem decadente e infiel à mensagem do livro. Para todos os que temiam um prolongamento desnecessário da trilogia em algo mais, fiquem descansadas porque tal não se irá verificar. Não querendo incluir um detalhe que seria spoiler do segundo livro e eu não quero estragar a leitura a ninguém, posso apenas acrescentar que por mais que as leitoras tenham gostado do segundo livro e tenham pedido mais histórias sobre o casal com o final da leitura do terceiro, a verdade é que Megan pretende encerrar a história centrada em ambos. No entanto, para as mais distraidas e que ainda não se deram de procurar no site oficial da autora a extensa listas de livros que já escreveu, posso dizer que "sorprendeme" será uma magnifica aposta para aliciar as leitoras portuguesas visto que conta a história de Bjorn. Além deste título, a autora salienta ainda a possibilidade de os seus livros medievais serem bem aceites junto do público português, já um pouco aficionado (falo por mim) nos Highlanders. 

 
Novidades e brainstormings de bloggers à parte, foi óptima a hora que passei com Megan (na verdade, é Carmen!) :) Além de ouvir as respostas às minhas perguntas, tive a oportunidade de partilhar essa hora com outras duas bloggers (Os Nossos Livros e DMagia) e é sempre interessante ver as perguntas que trazem para a mesa e a sua opinião sobre a trilogia. Além da oportunidade de ter feito a entrevista a Megan, facto que agradeço à Planeta por ter proporcionado, aproveito para dizer que adorei o Hotel Florida, especial o jardim de inverno no qual tive oportunidade de relaxar em boa companhia. 

 Claro que o dia não estava terminado por aqui e com uma breve deslocação estava no Colombo, pronta para o Round 2. O público não era extenso, maioritariamente composto por bloggers mas embora já tivesse esclarecido as minhas perguntas fiquei enternecida em saber que muitas pessoas lhe agradecem, chegam inclusive a oferecer-lhe grandes ramos de flores, por ter salvado casamentos ou por os seus livros terem salvo a relação afectiva de alguém cuja cama tinha esfriado. Fiquei igualmente curiosa com as perguntas colocadas por outras leitoras e na minha natureza faladora abordei uma das participantes mais activas durante a apresentação que se confessa grande fã da autora, ao ponto de se ter deslocado do Algarve de propósito para a apresentação e para conhecer a autora. Munida com um exemplar de "Sorprendeme", esta Guerreira Portuguesa tem lido os livros em espanhol e fico encanta por ter oportunidade de ver esclarecida as suas questões e de poder privar com a autora durante a apresentação. 

Obrigada à Ana por me deixar tirar a foto e a publicar aqui. Fico a aguardar que te faças seguidora do Efeitos! :) 

E quanto a nós, assíduas leitoras de romances eróticos, que vamos fazer? 
Esperar a saída do terceiro volume, correcto?! 
Já não falta muito, é para Abril. 
 
Quando a própria autora quer ter os livros editados com pequenos intervalos sabemos que o próximo nunca está muito longe. Agora, deixo-vos a minha opinião ao primeiro e segundo livro. Até lá, tentar ler um livro da autora em espanhol, de preferência o "Sorprendeme".

E ahora, buen fin de semana!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Entrevista :: Nuno Nepomuceno

Quantas vezes não terminam um livro cheios de vontade de questionar o autor sobre uma personagem ou cena em especial?
Quase nunca temos a oportunidade de ver respondidas essas perguntas, mesmo quando lemos entrevistas atrás de entrevistas.
Ocasionalmente, surge a oportunidade de estar no papel de quem faz as perguntas e desta vez, tenho o Nuno Nepomuceno, autor de "O Espião Português" a responder às minhas.


Para quem ainda não conhece a história do romance de estreia do Nuno,
"O Espião Português" deu-nos a conhecer André Marques-Smith, um jovem promissor, quer como agente secreto, quer como responsável pelo Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros Português.

– Como nasceu a ideia de tornar o Chefe do Gabinete de Imprensa do MNE num espião?

Na verdade, surgiu um pouco ao contrário. O desejo de escrever um romance de espionagem é algo que acalento há mais de quinze anos, desde os tempos da universidade. Nunca pensei muito a sério no assunto, já que tinha outros planos profissionais, mas quando decidi fazê-lo, mesmo antes de redigir o primeiro parágrafo, comecei por definir as personagens, bem como algumas linhas gerais sobre o rumo que desejava para a narrativa. O protagonista tinha obviamente de ser um espião, mas queria que viajasse imenso, por forma a dar um ar mais cosmopolita e variado à acção. Contudo, como este seria um aspecto secreto na vida de André, tinha de o tornar verosímil, credível. Foi então que pensei no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Pesquisei durante algum tempo sobre a sua orgânica interna, ponderei as minhas opções, e cheguei ao Chefe de Gabinete de Informação e Imprensa. Tudo o resto, como o percurso académico do André, o cargo ocupado pelo pai, e até algumas personagens secundárias foram criadas com base neste pressuposto. Só depois é que comecei a escrever o livro propriamente dito.

– A escolha do nome de código foi um acto isolado ou podemos esperar uma revelação por detrás do nome Freelancer?

Sim e não. A escolha não foi inocente, embora não seja de esperar uma ligação ao arco narrativo da trilogia. Optei por Freelancer, por achar que era um nome de código adequado à personagem. Apesar de ser muito eficiente nas suas funções ao serviço da agência de espionagem para a qual trabalha, o André não se vê a continuar ligado à mesma por muitos mais anos. O seu código ético e moral assenta em valores muito clássicos como a família, o amor, ou a amizade. Do meu ponto de vista, isto é algo limitativo para mim enquanto autor, já que não o posso colocar a fazer tudo. Há determinadas atitudes que o André nunca tomará, seja o que for que esteja em jogo. Por outro lado, é também a maior virtude da personagem e o que a move. Ele quer construir algo mais, além da sua vida profissional. Daí a ideia de alguma independência subjacente ao nome escolhido.
rie﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽s a Elsa destacou. A escolha residiu oura o Andronstruir algo mais ale de co que desejava para a narrativa. O protagon

– Neste livro acompanhámos as missões de André por cidades como Estocolmo, Londres ou Viena. Que cidades serão palco das novas aventuras de André?

A minha intenção é que a palavra-chave para o próximo volume seja evolução. Quer para mim enquanto autor, mas sobretudo para o André e para a série. No primeiro volume optei sempre por cenários muito clássicos como a Elsa destacou. Em simultâneo, tentei apresentar uma narrativa inspirada em moldes mais contemporâneos, como são exemplo os capítulos curtos ou as analepses, e assim criar uma espécie de fusão.
No segundo tomo, estou a fazer outras escolhas. Existe uma outra personagem que foi secundária em “O Espião Português” e que aqui irá disputar o protagonismo com o André, além de outras duas que também serão muito desenvolvidas. Isto vai adicionar um toque extraordinário de exotismo e romance ao segundo livro, que espero vir a contrastar com o seu predecessor. Por outro lado, irá também decorrer sobretudo durante o Inverno, o que abre logo a porta a outros cenários. Sem querer revelar muito, a segunda parte das aventuras do André irá iniciar-se nos Emirados Árabes Unidos e fazer uma importante passagem por Courchevel, uma estância de esqui nos Alpes Franceses. Duas das cidades presentes em “O Espião Português” serão revisitadas, Lisboa será muito melhor explorada, com direito a uma operação de espionagem, e teremos ainda a presença de Budapeste, a capital húngara. Grande parte do segundo livro decorre em terras magiares.
 
– Pensaste em alguma série (de livros ou televisiva) como inspiração? Tens alguma favorita que te inspire?

É difícil não nos deixarmos influenciar por aquilo que vemos, lemos, ou vivemos. Se pensarmos bem, até as nossas próprias relações interpessoais e daqueles que nos rodeiam podem ser uma fonte de inspiração. Não escondo que sou um ávido consumidor do tema “espionagem”, mas tento não copiar ninguém, ou pelo menos não o fazer de forma intencional. Claro que há alguns pontos de contacto com os filmes do James Bond (nunca li os livros, admito), o franchising da “Missão Impossível”, ou mesmo com a série “A Vingadora”, protagonizada pela Jennifer Garner, já que são produtos que ajudaram a construir o meu imaginário, além do de grande parte das outras pessoas. Contudo, há sempre forma de incluir algo novo. Mais do que escrever romances sobre espiões, quero desenvolver uma identidade e um estilo enquanto autor, algo que me diferencie dos restantes. E se assim é, tenho de conseguir ser original.

– A ideia de criar uma trilogia surgiu logo de início ou desenvolveu-se com a escrita do “Espião Português”?

Foi algo que conceptualizei desde o início. A escolha da Presidência Tripartida da União Europeia não foi inócua. Defini desde cedo que cada um dos volumes corresponderia a um dos três períodos de seis meses que perfazem a mesma. Depois, foi só criar uma história com ramificações suficientes que pudessem perdurar ao longo de três livros. É um risco grande, obviamente, ainda mais sublimado pelo meu desejo de criar tomos independentes. Cada volume terá um arco narrativo com princípio, meio e fim, para que os leitores possam desfrutar do livro sem se sentirem obrigados a ler o que o antecede, o que não é fácil, mas que encaro como um desafio. Há muitas pessoas que consideram “O Espião Português” uma obra de final aberto. Não penso assim. Tudo o que nele é apresentado, tem uma conclusão. Esta poderá é não ser a mais óbvia.

– Depois da reviravolta que André sofreu na sua vida durante o primeiro livro, em que se irá concentrar o 2º volume?

A ideia por trás do segundo volume será o trinómio dúvida-confiança-traição. É nestas três palavras que assentará o coração do livro. Se pensarmos bem, as revelações presentes nos últimos capítulos de “O Espião Português” fazem com que todas as pessoas mais importantes no círculo familiar, profissional e pessoal do André, o tenham traído ou mentido de alguma forma. E isso será algo que ele terá de debelar dali em diante. Em quem poderá ele confiar ou não? E que preço terá de pagar se decidir fazê-lo de novo? Por outro lado, há toda uma série de relações que se estabelecem com os acontecimentos de Viena que terão de ser condignamente explorados. Falo por exemplo dos problemas no Ministério, ou mesmo no futuro da organização rival e do Projecto Lebodin. Por fim, uma mulher entrará na vida do nosso espião português. E esta vai mudar radicalmente.
 


Mal podemos esperar por ler o segundo volume da Trilogia Freelancer.

Em nome do Efeito dos Livros, gostaria de agradecer ao Nuno a sua simpatia e amabilidade durante o processo em que tivemos a oportunidade de ler, comentar e esclarecer dúvidas sobre "O Espião Português"
Obrigada!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Entre os livros de Pedro Garcia Rosado - um roteiro

Tivemos o prazer de percorrer algumas ruas de Lisboa, juntamente com o autor, naquele que seria o roteiro de um crime.

«Morte na Arena» saltou das página do mais recente livro publicado pela Topseller e levou-nos a olhar a Lisboa com outros olhos.

O convite e a iniciativa do autor com a editora juntou diversos bloggers e o Efeito dos Livros foi marcar presença e colocar algumas questões ao autor.

A tarde revelou-se descontraída e muito informal, garantindo a todos um bom momento ao redor das histórias, que como tantas outras preenchem as nossas horas de leitura, mas que desta vez nos levaram a um belo passeio pela cidade, terminando no Núcleo Museológico do BCP para assim chegarmos ao centro da história, o subsolo de Lisboa.

Ficam então alguns momentos do registo fotográfico, enquanto o álbum sangrento (lol) já se encontra no facebook.

Para começar a equipa Efeito dos Livros


E o grupo pronto para arrancar para o passeio.





Partindo do Largo Barão Quintela, a Rua das Flores é o destino, é lá que surgem 4 polícias assassinados...
E por falar em assassinatos, crimes, thrillers... o nosso Caracol Literário está curioso por saber se quando se "arranca" com um livro destes, o autor sabe logo que final lhe vai dar!? A pergunta é bem recebida e fala-se em modelos e padrões, apelando ao lado de ciência exacta que um livro e um escritor devem respeitar de modo a não defraudar expectativas. Sempre sem esquecer que o leitor deve ser "agarrado" desde o primeiro momento e...




... e que o facto da história ocorrer em locais facilmente identificados, traz maior realismo à acção e claro, permite momentos como este, em que Lisboa se tornou pano de fundo.

É importante também saber orientar o leitor, tornando-o a ele num policial, deixando-o arquitectar as suas próprias conclusões e quem sabe chegar perto do verdadeiro culpado. Esta questão/resposta traz-nos logo outra questão, as motivações: quanto é que da obra nos faz pensar nas motivações e nas causas sociais (neste caso particular) que podem estar por detrás, justificando acções criminosas.



As motivações criminosas e a presença de episódios sangrentamente mais marcantes é um salto entre o primeiro «Morte com vista para o mar» e o actual «Morte na Arena», serão os livros uma mostra do quanto, cada vez mais, a sociedade está preparada para cenas mais chocantes!? Pedro Garcia Rosado afirma que sim, e a conversa Chiado abaixo encaminha-se na direcção da cabeça de Catarina, mas também da possibilidade em aberto para o potencial canibalismo do Diabo (personagem do thriller).
O canibalismo acompanhou-nos em mais algumas divagações e deambulações na história desta prática socialmente renegada...




Já quase no final, e nós ainda em questões e divagando na conversa, já sobre Lisboa.



E o resto da história desenrola-se debaixo de terra, na obscuridade, num ambiente fétido, nefasto, sangrento e tenebroso...



Um obrigado à Topseller e ao autor Pedro Garcia Rosado, e mais uma leitura que se devorou.