sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Metamorfose à Beira do Céu, de Mathias Malzieu, Bertrand

Mathias Malzieu tem uma forma única de falar de amor!


A metamorfose ocorre não só à beira céu, mas à beira de uma vírgula, na esquina de uma página, no fim de uma frase, de um sonho num parágrafo.
A escrita de Mathias Malzieu é em assim como um espremedor, que nos faz mirrar naquilo que somos, mas nos torna suco, flexível e permeável a toda e qualquer transformação seguinte, como a de evaporação...
e sairmos por ai, esvoaçando e contornando nuvens, fazendo razias a pássaros, ultrapassando águias e voando, voando, voando.

Mathias é um mágico, com uma varinha ritmada e acelerada capaz de, num piscar de olhos, metamorfosiar o leitor, expande-lhe os sentimentos, transborda-lhe os pensamentos, mete-lhe os olhos, o coração e os pés... no céu!
Malzieu é um arquitecto do surreal, um paisagista do céu, um viajante inquieto, um sonhador desajeitado, assim como Tom Hematoma «Quanto mais caía, mais popular me tornava».
É como se Mathias fosse uma pessoa e Malzieu fosse outra, mas que se completam ardilosamente e genialmente, dando origem a esta fábula sobre liberdade.

Se para vocês liberdade for amor, paixão, vida, devoção, magia, destino, aventura... enfim Liberdade é Metamorfose, então vocês vão amar tanto este livro quanto eu.

Por isso, parta à aventura:
"Uma velha tenda impermeável, um saco-cama e o campo das possibilidades enfiados numa mochila demasiado pequena, e lá fui eu. Nunca me senti tão leve na vida."
Inicie-se na arte da fuga... mas não se deixe ser apanhado!
"E.T., compreendo porque é que fugiste de bicicleta pelo céu fora. No teu lugar, teria continuado a pedalar até Plutão, sem olhar para trás."

Tom Hematoma é uma vítima da beterraba, que o obriga a envergar o pijama aprendiz de cadáver e onde a cama o devora como uma planta carnívora. A estadia no hospital é para Tom Hematoma, o período das horas mortas, dos relógios à moda de Dali. 

Mas a magia acontece e a lua está em apneia, apaixonada...
E Tom precisa imperativamente de ressuscitar antes de morrer.

Eu poderia continuar por este mundo mágico onde Tom Hematoma quer pôr um ovo com um eu lá dentro (...) e nunca mais ser encontrado pelo Senhor Beterraba, mas assim vocês ficam só a pensar que isto é uma história louca ou ficam loucos pela história!? O que vai ser?

***

Quando terminei o livro tive vontade de contar a quem em português o tornou seu, Tânia Ganho (tradutora) o quanto tinha apreciado o livro e claro a tradução. Durante uma pequena troca de ideias (à qual agradeço imenso a atenção) surgiu esta singela conversa onde tive um rasgo de imaginação que resume muito bem esta delícia de livro:

A metáfora com os nomes é maravilhosa. Ela endorfina, ele viciado em dopamina, mas dependente da morfina... ou a beterraba que funciona como noradrenalina ou voar como serotonina. É uma forma única de falar de amor.

Aproveito então para deixar aqui o meu agradecimento à Tânia pela amabilidade e atenção, partilhando sensações e enriquecendo esta experiência que é o Efeito dos livros!


Boas Leituras no aconchego deste ninho mágico.

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